Passagens sobre Consolo

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O Amor de Si Próprio

[Ferido por uma cr√≠tica adversa, um poeta busca consolo para a m√°goa relendo seus pr√≥prios versos.] Desgosto (…), mas desgosto curto. Ele ir√° dali remirar-se nos pr√≥prios livros. A justi√ßa que um atrevido lhe negou, n√£o lhe negar√£o as p√°ginas dele. Oh! a m√£e que gerou o filho, que o amamenta e acalenta, que p√Ķe nessa fr√°gil criaturinha o mais puro de todos os amores, essa m√£e √© Medeia, se a compararmos √†quele engenho, que se consola da inj√ļria, relendo-se; porque se o amor de m√£e √© a mais elevada forma de altru√≠smo, o dele √© a mais profunda forma de ego√≠smo, e s√≥ h√° uma coisa mais forte que o amor materno, √© o amor de si pr√≥prio.

Pacto Das Almas (III) Alma Da Almas

Alma da almas, minha irm√£ gloriosa,
Divina irradiação do Sentimento,
Quando estar√°s no azul Deslumbramento,
Perto de mim, na grande Paz radiosa?!

Tu que és a lua da Mansão de rosa
Da Graça e do supremo Encantamento,
O círio astral do augusto Pensamento
Velando eternamente a Fé chorosa,

Alma das almas, meu consolo amigo,
Seio celeste, sacrossanto abrigo,
Serena e constelada imensidade,

Entre os teus beijos de eteral carícia,
Sorrindo e soluçando de delícia,
Quando te abraçarei na Eternidade?!

Um dos maiores consolos desta vida √© a amizade; e um dos consolos da amizade √© ter a quem confiar um segredo. No entanto, os amigos n√£o s√£o um par, como os esposos; cada um, genericamente falando, tem mais de um… H√° homens privilegiados que contam centenas deles…

Abnegação

Chovam lírios e rosas no teu colo!
Chovam hinos de glória na tua alma!
Hinos de glória e adoração e calma,
Meu amor, minha pomba e meu consolo!

Dê-te estrelas o céu, flores o solo,
Cantos e aroma o ar e sombra a palmar.
E quando surge a lua e o mar se acalma,
Sonhos sem fim seu preguiçoso rolo!

E nem sequer te lembres de que eu choro…
Esquece at√©, esquece, que te adoro…
E ao passares por mim, sem que me olhes,

Possam das minhas lágrimas cruéis
Nascer sob os teus pés flores fiéis,
Que pises distraída ou rindo esfolhes!

O pensamento é o consolo e o remédio para tudo. Se às vezes vos faz mal, pedi-lhe o remédio para o mal que vos causou, e ele vos dará.

Os Mortos

Ao menos junto dos mortos pode a gente
Crer e esperar n’alguma suavidade:
Crer no doce consolo da saudade
E esperar do descanso eternamente.

Junto aos mortos, por certo, a fé ardente
N√£o perde a sua viva claridade;
Cantam as aves do céu na intimidade
Do coração o mais indiferente.

Os mortos dão-nos paz imensa à vida,
Dão a lembrança vaga, indefinida
Dos seus feitos gentis, nobres, altivos.

Nas lutas v√£s do tenebroso mundo
Os mortos s√£o ainda o bem profundo
Que nos faz esquecer o horror dos vivos.

Os Tent√°culos da Escrita

Os tent√°culos da escrita. A escrita √© um polvo, um molusco vers√°til. Tem infinitos recursos. Escapa sempre. Abstractiza-se. Disfar√ßa-se, adensa-se, adelga√ßa-se, esconde-se. Impele-se r√°pida. Compreende tudo: ascese, consolo √≠ntimo, entrega; fluxos, refluxos, invas√Ķes, esvaziamentos, obstina√ß√£o feroz. O seu rigor √© m√≠stico. √Č uma infinita demanda. Perscruta o inaudito. Sideral Alice atravessa todas as portas, todos os espelhos. Cruza, descobre, inventa universos. A escrita √© um fragmento do espanto, j√° algu√©m o disse.

N√£o h√° pa√≠s, por mais culto que seja, que n√£o tenha um defeito peculiar, e essa fraqueza serve de precau√ß√£o ou consolo √†s na√ß√Ķes vizinhas.

Permitir-se algum Deslize

Que um descuido costuma ser às vezes a maior recomendação dos dotes. A inveja tem o seu ostracismo, tanto mais civil quanto mais criminoso; acusa o muito perfeito de pecar por não pecar, e, por ser perfeito em tudo, condena-o tudo. Faz-se Argos em busca de faltas no muito bom, para consolo ao menos. A censura, como o raio, fere o que mais se alça. Que Homero então às vezes dormite, e afecte algum descuido no engenho ou no valor, mas nunca na cordura, para sossegar a malevolência, que não rebente peçonhenta. Será como atirar a capa ao touro da inveja, para salvar a imortalidade.

Musa dos Olhos Verdes

Musa dos olhos verdes, musa alada,
√ď divina esperan√ßa,
Consolo do anci√£o no extremo alento,
E sonho da criança;

Tu que junto do berço o infante cinges
C‚Äôos f√ļlgidos cabelos;
Tu que transformas em dourados sonhos
Sombrios pesadelos;

Tu que fazes pulsar o seio às virgens;
Tu que às mães carinhosas
Enches o brando, tépido regaço
Com delicadas rosas;

Casta filha do céu, virgem formosa
Do eterno devaneio,
Sê minha amante, os beijos meus recebe,
Acolhe-me em teu seio!

J√° cansada de encher l√Ęnguidas flores
Com as l√°grimas frias,
A noite vê surgir do oriente a aurora
Dourando as serranias.

Asas batendo à luz que as trevas rompe,
Piam noturnas aves,
E a floresta interrompe alegremente
Os seus silêncios graves.

Dentro de mim, a noite escura e fria
Melancólica chora;
Rompe estas sombras que o meu ser povoam;
Musa, sê tu a aurora!

Renascimento

A Oleg√°ria Siqueira

Manhã de rosas. Lá no etéreo manto,
O sol derrama l√ļcidos fulgores,
E eu vou cantando pela estrada, enquanto
Riem crianças e desabrocham flores.

Quero viver! H√° quanto tempo, quanto!
N√£o venho ouvir na selva os trovadores!
Quero sentir este consolo santo
De quem, voltando à vida, esquece as dores.

Ouves, minh’alma? Que prazer no ninhos!
Como é suave a voz dos passarinhos
Neste tranq√ľilo e pl√°cido deserto!

Ah! entre os risos da Natura em festa,
Entoa o hino da alegria honesta,
Canta o Te Deum, meu coração liberto!

Livro de minha alma aqui o tenho: √© a B√≠blia. N√£o o encerro na biblioteca, entre os de estudo, conservo-o sempre √† minha cabeceira, √† m√£o. √Č dele que tiro o p√£o para a minha fome de consolo, √© dele que tiro a luz nas trevas das minhas agonias.

Nenhum pa√≠s, nem mesmo o mais culto, deixa de ter um defeito peculiar, e tais fraquezas servem de defesa ou consolo √†s na√ß√Ķes vizinhas.

A vingan√ßa geralmente atinge dois objetivos: ou traz consolo a quem sofreu a inj√ļria, ou lhe traz seguran√ßa para o futuro.