Cita√ß√Ķes sobre Consolo

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Frases sobre consolo, poemas sobre consolo e outras cita√ß√Ķes sobre consolo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

V – A Vida E O Barco

Andar e mais andar é a vida a bordo;
Mal estudo, e apenas eu vou lendo;
A noite com a m√ļsica entretendo;
Deito-me cedo, e mais cedo acordo.

Saudosíssimo a pátria eu recordo,
E, pra consolo versos lhe fazendo,
Desenho terras só aquela vendo,
E para n√£o chorar os l√°bios mordo.

Enfim h√° de chegar, eu bem o sei,
Que o Brasil eu reveja jubiloso;
E, se outrora eu servi-lo só pensei,

Muito mais forte e muito mais zeloso,
Para ainda mais servi-lo, voltarei
T√© que nele encontre o √ļltimo repouso.

Sonhos

Cada dia que passa faz-me pensar
E reflectir sobre quem ele traiu,
Que enquanto viveu nada fui ganhar
Com a lama vil onde a alma caiu.

Até de meus sonhos a vida me deixa
Na maré nu, na areia, em solidão,
Desolado que, inda vivo, n√£o esteja
Seguindo veloz no barco da acção.

H√° uma beleza no mundo exterior,
No monte ou planície onde chega a vista
Que j√° √© consolo √† d√ļvida e √† dor,
Mas, Oh! A beleza que o mundo conquista

Nem Palavra ou verso a pode imaginar
Nem a mente humana, só por si, forjar!

Nenhuma arte poderia alguma vez confortá-la, embora a arte esteja acreditada em tantas coisas, especialmente a capacidade de oferecer consolo. Às vezes, é claro, a arte cria, em primeiro lugar, o sofrimento.

Alma Fatigada

Nem dormir nem morrer na fria Eternidade!
Mas repousar um pouco e repousar um tanto,
Os olhos enxugar das convuls√Ķes do pranto,
Enxugar e sentir a ideal serenidade.

A gra√ßa do consolo e da tranq√ľilidade
De um céu de carinhoso e perfumado encanto,
Mas sem nenhum carnal e mórbido quebranto,
Sem o tédio senil da vã perpetuidade.

Um sonho lirial d’estrelas desoladas
Onde as almas febris, exaustas, fatigadas
Possam se recordar e repousar tranq√ľilas!

Um descanso de Amor, de celestes miragens,
Onde eu goze outra luz de místicas paisagens
E nunca mais pressinta o remexer de argilas!

Anima Mea

√ď minh’alma, √≥ minh’alma, √≥ meu Abrigo,
Meu sol e minha sombra peregrina,
Luz imortal que os mundos ilumina
Do velho Sonho, meu fiel Amigo!

Estrada ideal de S√£o Tiago, antigo
Templo da minha fé casta e divina,
De onde é que vem toda esta mágoa fina
Que é, no entanto, consolo e que eu bendigo?

De onde é que vem tanta esperança vaga,
De onde vem tanto anseio que me alaga,
Tanta diluída e sempiterna mágoa?

Ah! de onde vem toda essa estranha essência
De tanta misteriosa Transcendência
Que estes olhos me dixam rasos de √°gua?!

O √ļnico consolo que sinto ao pensar na inevitabilidade da minha morte √© o mesmo que se sente quando o barco est√° em perigo: encontramo-nos todos na mesma situa√ß√£o.

Uma boa esposa é um grande consolo para o homem em todos os contratempos e dificuldades Рque ele nunca haveria de ter se tivesse continuado solteiro.

A Verdadeira Religi√£o

Nunca me esquecerei do dia em que, dizendo-lhe ¬ęMas, senhor padre Manuel, a verdade, a verdade, acima de tudo¬Ľ, ele, a tremer, sussurou-me ao ouvido – e isso apesar de estarmos sozinhos no meio do campo: – ¬ęA verdade? A verdade, L√°zaro, √© porventura uma coisa terr√≠vel, uma coisa intoler√°vel, uma coisa mortal; as pessoas simples n√£o conseguiriam viver com ela.¬Ľ
¬ęE porque √© que ma deixa vislumbrar agora aqui, como confiss√£o?¬Ľ, perguntei-lhe. E ele respondeu: ¬ęPorque se n√£o atormentar-me-ia tanto, tanto, que eu acabaria por grit√°-lo no meio da pra√ßa, e isso nunca, nunca, nunca. Eu estou c√° para fazer viver as almas dos meus paroquianos, para os fazer felizes, para fazer com que se sonhem imortais e n√£o para os matar.
O que aqui faz falta √© que eles vivam s√£mente, que vivam em unanimidade de sentido, e com a verdade, com a minha verdade, n√£o viveriam. Que vivam. E √© isto que a Igreja faz, fazer com que vivam. Religi√£o verdadeira? Todas as religi√Ķes s√£o verdadeiras enquanto fazem viver espiritualmente os povos que as professam, enquanto os consolam de terem tido de nascer para morrer, e para cada povo a religi√£o mais verdadeira √© a sua,

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J√° Estou a Ficar Velho

J√° estou a ficar velho, ainda que tenha
esta figura fixa sem idade,
e me mantenha em forma o aparelho
a que todos aqui somos sujeitos:
a correria cega, a suspens√£o el√°stica,
o salto em trave e trampolim de folhas,
e outras altas artes de gin√°stica.
Mas eu bem sei sentir além da aparência,
e j√° me aconteceu, ao visitar o canto
onde o mundo se acaba em ch√£o de areia,
ali ver o meu fim anunciado.
Quando em tranquilo pouso assim medito,
peso, e calculo tudo aquilo
que não fiz, e não tive, e não alcanço
com o rosto extravagante que me deram,
j√° tudo bem pensado considero
se n√£o devo encontrar algum consolo
na ciência que conduz o feiticeiro,
e acreditar também, como me diz,
que é, esta vida, emaranhada teia
de mal fiado, mal dobado fio,
e a morte t√£o somente um singular casulo
de onde sairei transfigurado.
Mas n√£o sei de que valha imaginar
um outro ser incólume e perfeito
que da minha subst√Ęncia seja feito
e tome, noutro mundo,

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As Nossas Possibilidades de Felicidade

√Č simplesmente o princ√≠pio do prazer que tra√ßa o programa do objectivo da vida. Este princ√≠pio domina a opera√ß√£o do aparelho mental desde o princ√≠pio; n√£o pode haver d√ļvida quanto √† sua efici√™ncia, e no entanto o seu programa est√° em conflito com o mundo inteiro, tanto com o macrocosmo como com o microcosmo. N√£o pode simplesmente ser executado porque toda a constitui√ß√£o das coisas est√° contra ele; poder√≠amos dizer que a inten√ß√£o de que o homem fosse feliz n√£o estava inclu√≠da no esquema da Cria√ß√£o. Aquilo a que se chama felicidade no seu sentido mais restrito vem da satisfa√ß√£o ‚ÄĒ frequentemente instant√Ęnea ‚ÄĒ de necessidades reprimidas que atingiram uma grande intensidade, e que pela sua natureza s√≥ podem ser uma experi√™ncia transit√≥ria. Quando uma condi√ß√£o desejada pelo princ√≠pio do prazer √© protelada, tem como resultado uma sensa√ß√£o de consolo moderado; somos constitu√≠dos de tal forma que conseguirmos ter prazer intenso em contrastes, e muito menos nos pr√≥prios estados intensos. As nossas possibilidades de felicidade s√£o assim limitadas desde o princ√≠pio pela nossa forma√ß√£o. √Č muito mais f√°cil ser infeliz.
O sofrimento tem três procedências: o nosso corpo, que está destinado à decadência e dissolução e nem sequer pode passar sem a ansiedade e a dor como sinais de perigo;

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Submiss√£o

1.

no topo desta escada
tem um chefe
que te olha.
na curva desta estrada
tem um dono
que me manda.

2.

mais desço quando subo,
a cada passo,
se me movo
para cima e para baixo,
mais volto quando ando,
a cada passo,
para frente e para os lados,
na curva desta estrada,
se me curvo
sem mais nada.

3.

no caminho em que caminho
cruzo os braços
a cada passo
e, mudo, avanço
no caminho sem recuo
que me leva
nesta escada,
nesta estrada
a cada curva que me curva
t√£o curvada.

4.

a cada passo,
mais tropeço
se começo
nesta dança
sob o peso
desta canga
que j√° levo
sobre os ombros;
sobre os ombros
j√° t√£o curvos
j√° t√£o duros
no silêncio em que me escondo.

5.

a cada passo, em cada curva
só te vejo tão curvado,
que dependo da procura procurada
na ida desta volta,

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A ac√ß√£o √© um mero consolo. √Č a inimiga do pensamento e a amiga das ilus√Ķes aduladoras.

Silêncios

Largos Silêncios interpretativos,
Adoçados por funda nostalgia,
Balada de consolo e simpatia
Que os sentimentos meus torna cativos.

Harmonia de doces lenitivos,
Sombra, segredo, l√°grima, harmonia
Da alma serena, da alma fugidia
Nos seus vagos espasmos sugestivos.

√ď Sil√™ncios! √≥ c√Ęndidos desmaios,
V√°cuos fecundos de celestes raios
De sonhos, no mais l√≠mpido cortejo…

Eu vos sinto os mistérios insondáveis,
Como de estranhos anjos inef√°veis
O glorioso esplendor de um grande beijo!

Os preparativos do funeral, a escolha do t√ļmulo, a pompa f√ļnebre

Os preparativos do funeral, a escolha do t√ļmulo, a pompa f√ļnebre, mais do que homenagem ao morto, s√£o consolo para os vivos.

Não Mostrar Satisfação Consigo Mesmo

Viva, nem descontente, que √© pouquidade, nem satisfeito consigo mesmo, que √© nescidade. Nasce essa satisfa√ß√£o no mais das vezes da ignor√Ęncia, e vai ter uma felicidade n√©scia que, embora satisfa√ßa o gosto, n√£o sustenta o cr√©dito. Como n√£o percebe as superlativas perfei√ß√Ķes nos outros, contenta-se com qualquer vulgar mediocridade em si. Sempre foi √ļtil, al√©m de prudente, a desconfian√ßa, ou como preven√ß√£o para que as coisas saiam bem, ou para consolo quando saiam mal; pois o desaire da sorte n√£o surpreende quem j√° o temia. O pr√≥prio Homero √†s vezes dormita, e Alexandre cai do seu estado e do seu engano. As coisas dependem de muitas circunst√Ęncias, e a que triunfa num lugar e em tal ocasi√£o, em outra malogra. Mas a incorrigibilidade do n√©scio est√° em ter convertido em flor a mais v√£ satisfa√ß√£o, cuja semente est√° sempre a brotar.

Aspiração

Deve ser bom morrer numa noite como essa!
Beber a luz do luar e sentir-lhe a embriaguez.
Quando se sofre assim, a morte √© uma promessa…
Vou tentar ser feliz pela √ļltima vez.

Foi diferente a minha vida. Andou depressa.
O que fiz, o destino inclemente desfez.
Quando o amor se dilui e a saudade começa,
Talvez a morte seja um consolo… talvez.

Serei no c√©u pastor de estrelas… Entre os dedos
Prenderei um punhado delas, uma a uma,
E ao som da avena que um pastor-poeta me deu,

A lua se desmanchar√° sobre os rochedos,
Para que eu veja nela, em seu vulto de espuma,
A mulher que foi sombra e … desapareceu.