Passagens sobre Dever

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Frases sobre dever, poemas sobre dever e outras passagens sobre dever para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Nossa Personalidade Deve Ser Indevass√°vel

A nossa personalidade deve ser indevass√°vel, mesmo por n√≥s pr√≥prios: da√≠ o nosso dever de sonharmos sempre, e incluirmo-nos nos nossos sonhos, para que nos n√£o seja poss√≠vel ter opini√Ķes a nosso respeito.
E especialmente devemos evitar a invasão da nossa personalidade pelos outros. Todo o interesse alheio por nós é uma indelicadez ímpar. O que desloca a vulgar saudação Рcomo está? Рde ser uma indesculpável grosseria é o ser ela em geral absolutamente oca e insincera.

A ¬ęautonomia¬Ľ da vontade √© o princ√≠pio √ļnico de todas as leis morais e dos deveres que est√£o em conformidade com elas.

Os Crentes e os Fan√°ticos

A crença num Deus produz e deve produzir quase tantos fanáticos quantos crentes. Por toda a parte em que se admite um Deus, existe um culto; em todo o lugar onde existe um culto, a ordem natural dos deveres morais é derrubada, e a moral corrompida. Cedo ou tarde, chega um momento em que a noção que impediu de roubar um escudo faz degolar cem mil homens.

Se a mendicidade √© desgra√ßa, a esmola √© dever. √Č a ora√ß√£o por excel√™ncia. Acerta sempre no alvo.

A Tirania do Sofrimento

O homem, quando sofre, faz uma ideia muito ideia muito especial do bem e do mal, ou seja, do bem que os outros lhe deveriam fazer e que ele pretende como se do seu sofrimento derivasse um qualquer direito a ser compensado, e do mal que pode fazer aos outros como se igualmente o seu sofrimento o autorizasse a pratic√°-lo. E se os outros n√£o lhe fazem o bem quase por dever, ele acusa-os; e de todo o mal que ele faz, quase por direito, facilmente se desculpa.

A Base e o Progresso da Civilização

Os homens mais felizes e mais √ļteis s√£o feitos de um conjunto harmonioso de actividades intelectuais e morais. E √© a qualidade destas actividades e a igualdade do seu desenvolvimento que que conferem a este tipo a sua superioridade sobre os outros. Mas a sua intensidade determina o n√≠vel social de um dado indiv√≠duo e faz dele um comerciante ou um director de banco, um pequeno m√©dico ou um professor c√©lebre, um presidente de uma junta de freguesia ou um presidente dos Estados Unidos. O desenvolvimento de seres humanos completos dever ser o objectivo dos nossos esfor√ßos. S√≥ neles pode assentar uma civiliza√ß√£o s√≥lida.
Existe ainda uma classe de homens que, apesar de tão desarmónicos como os criminosos e os loucos, são indispensáveis à sociedade moderna. São os génios. Estes indivíduos caracterizam-se pelo crescimento monstruoso de uma das actividades psicológicas. Um grande artista, um grande cientista, um grande filósofo é geralmente um homem comum em que uma função se hipertrofiou. Pode também ser comparado a um tumor que se tivesse desenvolvido num organismo normal. Estes seres não equilibrados são, em geral, infelizes. Mas produzem grandes obras, das quais toda a sociedade beneficia. A sua desarmonia gera o progresso da civilização.

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Trazendo a sua consciência tranquila, nos deveres que a vida lhe deu a cumprir, você pode e deve viver a sua vida tranquila, sem qualquer necessidade de ser infeliz.

Têm-se Deveres Conforme o Alcance do Espírito

Em quase todos os acontecimentos da vida, uma alma generosa v√™ a possibilidade duma ac√ß√£o de que uma alma comum n√£o tem a mesma ideia. No pr√≥prio instante em que a possibilidade dessa ac√ß√£o se torna vis√≠vel para a alma generosa, √© de seu interesse lev√°-la a cabo. Se n√£o executasse essa ac√ß√£o que acaba de lhe surgir no esp√≠rito, desprezar-se-ia a si pr√≥pria; seria infeliz. T√™m-se deveres conforme o alcance do esp√≠rito. (…) √Č contra a natureza do homem, √© imposs√≠vel para o homem n√£o fazer sempre, e em qualquer momento que se queira examin√°-lo, o que nesse momento √© poss√≠vel e lhe d√° prazer.

A defesa não quer dizer o panegírico da culpa ou do culpado. Sua função consiste em ser, ao lado do acusado, inocente ou criminoso, a voz dos seus direitos legais.(O dever do advogado)

A Racionalidade Irracional

Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a raz√£o a nossa esp√©cie. E o instinto serve melhor os animais porque √© conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terr√≠veis entre animais, o le√£o que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso cora√ß√£o sens√≠vel dir√° ¬ęque coisa t√£o cruel¬Ľ. N√£o: quem se comporta com crueldade √© o homem, n√£o √© o animal, aquilo n√£o √© crueldade; o animal n√£o tortura, √© o homem que tortura. Ent√£o o que eu critico √© o comportamento do ser humano, um ser dotado de raz√£o, raz√£o disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria s√™-lo e que n√£o o √©; o que eu critico √© a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno.

Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos,

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Um Segredo de um Casamento Feliz

Desde que a Maria João e eu fizemos dez anos de casados que estou para escrever sobre o casamento. Depois caí na asneira de ler uns livros profissionais sobre o casamento e percebi que eu não percebo nada sobre o casamento.

Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que são desaconselháveis os conselhos que ia dar, sou forçado a avisar que, quase de certeza, só funcionam no nosso casamento.

Mas vou dá-los à mesma, porque nunca se sabe e porque todos nós somos muito mais parecidos do que gostamos de pensar.

O casamento feliz n√£o √© nem um contrato nem uma rela√ß√£o. Rela√ß√Ķes temos n√≥s com toda a gente. √Č uma cria√ß√£o. √Č criado por duas pessoas que se amam.

O nosso casamento √© um filho. √Č um filho inteiramente dependente de n√≥s. Se n√≥s nos separarmos, ele morre. Mas n√£o deixa de ser uma terceira entidade.

Quando esse filho é amado por ambos os casados Рque cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro.

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Mente ou Pedra

Esta cidade √© conhecida em todos os arredores por possuir as maiores estrebarias para bois, vacas e cavalos, constru√ß√Ķes que n√£o ficam a dever nada nem sequer aos edif√≠cios p√ļblicos; por outro lado contam-se aqui pelos dedos os locais onde se pode rezar ou discursar com total liberdade.
Em vez de se autocelebrarem por meio da arquitectura, n√£o deveriam as na√ß√Ķes faz√™-lo pelo poder do seu pensamento abstracto? O Bagavad-Gita √© muito mais admir√°vel do que todas as ru√≠nas do oriente. Torres e templos s√£o luxo de pr√≠ncipes. A mente simples e livre n√£o moureja sob as ordens de nenhum pr√≠ncipe. O esp√≠rito n√£o √© privil√©gio de nenhum imperador, nem s√£o exclusivos deste, a n√£o ser em insignificante medida, a prata, o ouro e o m√°rmore. Com que finalidade, digam-me l√°, se talha tanta pedra?
Quando estive na Arc√°dia, n√£o vi pedras a serem lavradas. As na√ß√Ķes s√£o possu√≠das pela louca ambi√ß√£o de perpetuarem a sua mem√≥ria com a soma das esculturas que deixam. Que tal se esfor√ßos semelhantes fossem despendidos no sentido de aperfei√ßoar e polir a sua conduta? Uma obra de bom senso seria mais memor√°vel que um momumento da altura da Lua. Prefiro contemplar as pedras no seu local de origem.

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Colocar ao lado da noção de direito a noção de dever, é a tarefa daqueles a quem cabe a missão de solidificar o edifício que a revolução social fundou.

√Čs como o Ar que Respiro

Qual √© a for√ßa extraordin√°ria que possuis? ‚ÄĒ pergunto muitas vezes a mim mesmo. Dois ou tr√™s princ√≠pios crist√£os inabal√°veis ‚ÄĒ e por tr√°s milhares de seres que desapareceram ignorados, cumprindo a vida ignorada. Nem sequer se debateram. Entregaram-se. Confiaram. A mulher portuguesa comunica ao lar a ternura com que os p√°ssaros aquecem o ninho. Sua vida d√° luz, para alumiar os outros. Foi assim com t√£o pequenos meios, que me ensinaste. Com uma palavra e mais nada, com um simples olhar, com sil√™ncio e mais nada. Uma atitude fazia-me pensar. E mal sabes tu quando Os teus dedos √°geis trabalhavam a meu lado, teciam ao mesmo tempo o pano grosso de casa e a nossa vida espiritual.

E como tu milhares de seres t√™em cumprido a vida em sil√™ncio, aceitando-a sem exageros. Nas m√£os das mulheres at√© as coisas vulgares que se fazem na aldeia, cozer o p√£o, lan√ßar a teia ‚ÄĒ assumem um car√°cter sagrado. Elas passam desconhecidas e disp√Ķem dum poder extraordin√°rio. Mant√™em a vida ordenada com um sorriso t√≠mido. A mulher est√° mais perto que n√≥s da natureza e de Deus.

Cada vez me aproximo mais de ti. O que h√° de puro em mim a ti o devo.

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A Vida n√£o me Desapontou

N√£o, a vida n√£o me desapontou! Pelo contr√°rio, todos os anos a acho melhor, mais desej√°vel, mais misteriosa… desde o dia em que vejo a mim a grande libertadora, a ideia de que a vida podia ser experi√™ncia para aqueles que procuram saber, e n√£o dever, fatalidade, duplicidade!… Quanto ao pr√≥prio conhecimento, seja ele para outros aquilo que quiser, um leito de repouso, ou o caminho para um leito de repouso, ou distrac√ß√£o ou vagabundagem, para mim √© um mundo de perigos, √© um universo de vit√≥rias onde os sentimentos her√≥icos t√™m a sua sala de baile. ¬ęA vida √© um meio de conhecimento¬Ľ; quando se tem este princ√≠pio no cora√ß√£o, pode viver-se n√£o somente corajoso mas feliz, pode-se rir alegremente!

N√£o Creio nesse Deus

I

Não sei se és parvo se és inteligente
‚ÄĒ Ao disfrutares vida de nababo
Louvando um Deus, do qual te dizes crente,
Que te livre das garras do diabo
E te faça feliz eternamente.

II

N√£o v√™s que o teu bem-estar faz d’outra gente
A dor, o sofrimento, a fome e a guerra?
E tu n√£o queres p’ra ti o c√©u e a terra..
‚ÄĒ N√£o te achas ego√≠sta ou exigente?

III

N√£o creio nesse Deus que, na igreja,
Escuta, dos beatos, confiss√Ķes;
N√£o posso crer num Deus que se maneja,
Em troca de promessas e ora√ß√Ķes,
P’ra o homem conseguir o que deseja.

IV

Se Deus quer que vivamos irm√£mente,
Quem cumpre esse dever por que receia
As iras do divino padre eterno?…
P’ra esses √© o c√©u; porque o inferno
√Č p’ra quem vive a vida √† custa alheia!