Cita√ß√Ķes sobre Engano

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Frases sobre engano, poemas sobre engano e outras cita√ß√Ķes sobre engano para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Sentindo Se Tomada A Bela Esposa

Sentindo se tomada a bela esposa
de Céfalo, no crime consentido,
para os montes fugia do marido;
e n√£o sei se de astuta, ou vergonhosa.

Porque ele, enfim, sofrendo a dor ciosa,
de amor cego e forçoso compelido,
após ela se vai como perdido,
j√° perdoando a culpa criminosa.

Deita se aos pés da Ninfa endurecida,
que do cioso engano est√° agravada;
j√° lhe pede perd√£o, j√° pede a vida.

√ď for√ßa de afei√ß√£o desatinada!
Que da culpa contra ele cometida,
perdão pedia à parte que é culpada!

A Invisibilidade √© a Condi√ß√£o para a Eleg√Ęncia

Parece-me que a invisibilidade √© a condi√ß√£o para a eleg√Ęncia. A eleg√Ęncia acaba se for notada. Sendo a poesia a eleg√Ęncia por excel√™ncia, n√£o sabe ser vis√≠vel. Ent√£o, para que serve?, dir-me-eis. Para nada. Quem a v√™? Ningu√©m. O que a n√£o impede de ser um atentado contra o pudor, e apesar de o seu exibicionismo se exercer entre os cegos. Contenta-se em exprimir uma moral particular. Depois, esta moral particular solta-se sob a forma de obra. Exige que a deixem viver a sua vida. Faz-se pretexto para imensos mal-entendidos que se chamam a gl√≥ria. A gl√≥ria √© absurda por resultar de um ajuntamento. A multid√£o cerca um acidente, conta-o a si mesma, inventa-o, perturba-o at√© se transformar noutro. O belo resulta sempre de um acidente. De uma quebra brutal entre h√°bitos adquiridos e h√°bitos a adquirir. Derrota, nauseia. Chega a causar horror. Quando o novo h√°bito for adquirido, o acidente deixar√° de ser acidente. Far-se-√° cl√°ssico e perder√° a virtude de choque. Por isso uma obra nunca √© compreendida. √Č admitida. Se n√£o me engano, a observa√ß√£o pertence a Eug√®ne Delacroix: ¬ęNunca se √© compreendido, √©-se admitido¬Ľ. Matisse repete com frequ√™ncia esta frase.

A Hipocrisia do Amor-Próprio

A natureza do amor-pr√≥prio e deste eu humano √© de s√≥ se amar a si e de s√≥ se considerar a si. Mas que h√°-de fazer? N√£o saberia impedir que este objecto que ama esteja cheio de defeitos e de mis√©rias: quer ser grande e v√™-se pequeno; quer ser feliz e v√™-se miser√°vel; quer ser perfeito – v√™-se cheio de imperfei√ß√Ķes; quer ser objecto do amor e da estima dos homens e v√™ que os seus defeitos s√≥ merecem a sua avers√£o e o seu desprezo. Este embara√ßo em que se encontra produz nele a mais injusta e a mais criminosa paix√£o que √© poss√≠vel imaginar; porque concebe um √≥dio mortal contra esta verdade que o repreende, e que o convence dos seus defeitos. Ele desejaria aniquil√°-la, e n√£o a podendo destruir em si mesma, destr√≥i-a, tanto quanto pode, no seu conhecimento e no dos outros, isto √©, p√Ķe todos os cuidados em encobrir os seus defeitos, aos outros e a si mesmo, e n√£o suporta que lhos fa√ßam ver, nem que lhos vejam.
√Č sem d√ļvida um mal estar cheio de defeitos; mas √© ainda um mal muito maior estar cheio e n√£o os querer reconhecer, visto que √© acrescentar-lhe ainda o de uma ilus√£o volunt√°ria.

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F√°brica

Oh, a poesia de tudo o que é geométrico
e perfeito,
a beleza nova dos maquinismos,
a força secreta das peças
sob o contacto liso e frio dos metais,
a segura confiança

do saber-se que é assim e assim exactamente,
sem lugar a enganos,
tudo matemático e harmónico,
sem nenhum imprevisto, sem nenhuma aventura,
como na cabeça do engenheiro.
Os oper√°rios t√™m nos m√ļsculos, de cor,
os movimentos dia a dia repetidos:

é como se fossem da sua natureza,
longe de toda a vontade e de todo o pensamento;

como se os metais fossem carne do corpo
e as veias se abrissem
àquela vida estranha, dura, implacável
das m√°quinas.

Os motores de tantos mil cavalos
alinhados e seguros de si,
seguros do seu poder;

as articula√ß√Ķes subtis das bielas,
o enlace justo das engrenagens:
a f√°brica, todo um imenso corpo de movimentos
concordantes, dependentes, necess√°rios.

Os Vestidos Elisa Revolvia

Os vestidos Elisa revolvia
que lh’Eneias deixara por mem√≥ria:
doces despojos da passada glória,
doces, quando seu Fado o consentia.

Entr’eles a fermosa espada via
que instrumento foi da triste história;
e, como quem de si tinha a vitória,
falando só com ela, assi dezia:

-Fermosa e nova espada, se ficaste
só para executares os enganos
de quem te quis deixar, em minha vida,

Sabe que tu comigo t’enganaste;
que, para me tirar de tantos danos,
sobeja me a tristeza da partida.

Ante Tamanhas Mudanças

Antre tamanhas mudanças,
que cousa terei segura?
Duvidosas esperanças,
t√£o certa desaventura…

Venham estes desenganos
do meu longo engano, e v√£o,
que j√° o tempo e os anos
outros cuidados me d√£o.
Já não sou para mudanças,
mais quero √ľa dor segura;
vá crê-las vãs esperanças
quem n√£o sabe o qu’aventura!

Acendimento

Seria bom sentir no quarto qualquer m√ļsica
enquanto nos banham os perfis ateados
pelo aroma da tília, sem voz, em abandono.
A entrada por detr√°s das ruas principais
onde a morrinha parece que nem molha
e se chega perdido onde se vai.
Não, não é só um beijo que te quero dar.

Quantas vezes nesta hora de desvalimento
vejo orion e as plêiades devagar no céu de inverno.
Mas hoje
com a calma inesperada de chuvas que n√£o cessam
acordo já depois. Caí numa hibernação que não norteia
o desequilíbrio do sentimento.

Espelhos sem paz tocam-nos no rosto.
Na cega mancha de roupagem aconchego
cada intempérie com sua mentira
e depois sigo pela torrente, pelo enredo
dos outeiros, cada espelho continua
a caução pacificadora do engano.
√Č isso que te levo, isso que me d√°s
quando dizes, j√° sem o dizeres, eu amo-te.

Pela berma da humidade cerrada
um risco de merc√ļrio trespassa.
Na gravilha passos que n√£o h√°
esmagam a m√ļsica que ningu√©m escuta.
Sabiam de cor tudo o que falhava,

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Soneto Do Amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retalia√ß√Ķes, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

√Č bom sent√°-lo novamente ao lado
Com os olhos que contem o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual à mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida n√£o explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

Eu que dei para mentir. E com isso estou dizendo uma verdade. Mas mentir j√° n√£o era sem tempo. Engano a quem devo enganar, e, como sei que estou enganando, digo por dentro verdades duras.

Os Enganos do Viver

REPETE A FRAGILIDADE DA VIDA E APONTA OS SEUS ENGANOS E OS SEUS INIMIGOS

Que outra verdade hav’r√° sen√£o pobreza
nesta vida t√£o fr√°gil, leviana?
Os dois embustes s√£o da vida humana,
no berço começando, honra e riqueza.

O tempo, que não volta nem tropeça,
em horas fugitivas só a engana;
em errado ansiar, sempre tirana,
Fortuna faz cansar sua fraqueza.

Vive morte calada e divertida
a pr√≥pria vida; a sa√ļde √© guerra
por seu próprio alimento combatida.

Oh, quanto, distraído, o homem erra:
que em terra teme ver tombar a vida
e não vê que, ao viver, caiu por terra!

Tradução de José Bento

LXI

Deixemo-nos, Algano, de porfia;
Que eu sei o que tu és, contra a verdade
Sempre h√°s de sustentar, que a divindade
Destes campos é Brites, não Maria!

Ora eu te mostrarei inda algum dia,
Em que est√° teu engano: a novidade,
Que agora te direi, é, que a cidade
Por melhor, do que todas a avalia.

H√° pouco, que encontrei l√° junto ao monte
Dous pastores, que estavam conversando,
Quando passaram ambas para a fonte;

Nem falaram em Brites: mas tomando
Para um cedro, que fica bem defronte,
O nome de Maria v√£o gravando.

Eu somos tristes. N√£o me engano, digo bem. Ou talvez: n√≥s sou triste? Porque dentro de mim n√£o sou sozinho. Sou muitos. E esses todos disputam minha √ļnica vida.

Das Palavras

As palavras mais simples
foram as que te dei;
o amor n√£o sabe outras,
só estas fazem lei.
As palavras de uso
mais comum e vulgar
s√£o as que amor conhece.
Com elas nos pensamos;
é nelas que tememos
desacertos, enganos;
se nelas triunfamos,
j√° delas nos perdemos.
Com palavras vulgares
se diz o mal de amor,
seu riso, seu espelho,
o que fica da dor.
E todos os mistérios
que se fazem promessa
e se perdem nos versos
e dos corpos nasceram
são aqui cerimónia
evidente e secreta
nas mais simples palavras
que conhece o poeta.

Tempo Livre

Numa tarde de domingo, em Central Park, ou
numa tarde de domingo, em Hyde Park, ou
numa tarde de domingo, no jardim do Luxemburgo, ou
num parque qualquer de uma tarde de domingo
que até pode ser o parque Eduardo VII,
deitas-te na relva com o corpo enrolado
como se fosses uma colher metida no guarda-
napo. A tarde limpa os beiços com esse
guardanapo de flores, que é o teu vestido
de domingo, e deixa-te nua sob o sol frio
do inverno de uma cidade que pode ser
Nova Iorque, Londres, Paris, ou outra qualquer,
como Lisboa. As árvores olham para outro sítio,
com os pássaros distraídos com o sol
que est√° naquela tarde por engano. E tu,
com os dedos presos na relva h√ļmida, v√™s
o teu vestido voar, como um guardanapo,
por entre as nuvens brancas de uma tarde
de inverno.

LXXVII

Não há no mundo fé, não há lealdade;
Tudo é, ó Fábio, torpe hipocrisia;
Fingido trato, infame aleivosia
Rodeiam sempre a c√Ęndida amizade.

Veste o engano o aspecto da verdade;
Porque melhor o vício se avalia:
Porém do tempo a mísera porfia,
Duro fiscal, lhe mostra a falsidade.

Se talvez descobrir-se se procura
Esta de amor fantástica aparência,
√Č como √† luz do Sol a sombra escura:

Mas que muito, se mostra a experiência,
Que da amizade a torre mais segura
Tem a base maior na dependência!

XXIV

Sonha em torrentes d’√°gua, o que abrasado
Na sede ardente est√°; sonha em riqueza
Aquele, que no horror de uma pobreza
Anda sempre infeliz, sempre vexado:

Assim na agitação de meu cuidado
De um contínuo delírio esta alma presa,
Quando é tudo rigor, tudo aspereza,
Me finjo no prazer de um doce estado.

Ao despertar a louca fantasia
Do enfermo, do mendigo, se descobre
Do torpe engano seu a imagem fria:

Que importa pois, que a idéia alívios cobre,
Se apesar desta ingrata aleivosia,
Quanto mais rico estou, estou mais pobre.

Poema do Silêncio

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de ang√ļstia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carv√£o, a sangue, a giz,
S√°tiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
– Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo…

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. √Ęnsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou t√£o humano!

Senhor meu Deus em que n√£o creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

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Soneto

NOTA: Tradução do poema de Félix Anvers

Segredo d’alma, da exist√™ncia arcano,
Eterno amor num instante concebido,
Mal sem esperança, oculto a ente humano,
E nunca de quem fê-lo conhecido.

Ai! Perto dela desapercebido
Sempre a seu lado, e só, cruel engano,
Na terra gastarei meu ser insano
Nada ousando pedir e havendo tido!

Se Deus a fez t√£o doce e carinhosa,
Contudo anda inatenta e descuidosa
Do murm√ļrio de amor que a tem seguido.

Piamente ao cru dever sempre fiel
Dir√° lendo a poesia, seu painel:
“Que mulher √©?” Sem t√™-lo compreendido.

Detesto, de saída, quem é capaz de marchar em formação com prazer ao som de uma banda. Nasceu com cérebro por engano; bastava-lhe a medula espinhal.