Cita√ß√Ķes sobre Eremita

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Frases sobre eremita, poemas sobre eremita e outras cita√ß√Ķes sobre eremita para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Delírio pelo Isolamento e pelo Convívio

O eremita volta as costas a este mundo; n√£o quer ter nada a ver com ele. Mas podemos fazer mais do que isso; podemos tentar recri√°-lo, tentar construir um outro em vez dele, no qual os componentes mais insuport√°veis s√£o eliminados e substitu√≠dos por outros que correspondam aos nossos desejos. Quem por desespero ou desafio parte por este carninho, por norma, n√£o chegar√° muito longe; a realidade ser√° demasiado forte para ele. Torna-se louco e normalmente n√£o encontra ningu√©m que o ajude a levar a cabo o seu del√≠rio. Diz-se contudo, que todos n√≥s nos comportamos em alguns aspectos como paran√≥icos, substituindo pela satisfa√ß√£o de um desejo alguns aspectos do mundo que nos s√£o insuport√°veis transportando o nosso del√≠rio para a realidade. Quando um grande n√ļmero de pessoas faz esta tentativa em conjunto e tenta obter a garantia de felicidade e protec√ß√£o do sofrimento atrav√©s de uma transforma√ß√£o ilus√≥ria da realidade, adquire um significado especial. Tamb√©m as religi√Ķes devem ser classificadas como del√≠rios em massa deste g√©nero. Escusado ser√° dizer que ningu√©m que participa num del√≠rio o reconhece como tal.

Pedra de Canto

Ainda ter√°s alento e pedra de canto,
Mito de Pégaso, patada de sangue da mentira,
Para cantar em sílabas ásperas o canto,
De rima em -anto, o pranto,
O amor, o apego, o sossego, a rima interna
Das almas calmas, isto e aquilo, o canto
Do pranto em pedra aparelhada a corpo e escopro,
O estupro de outrora, a triste vida dela, o canto,
Buraco onde te metes, duplamente: com falo,
Falas, f√°-la chorar e ganir, com falo o canto
No buraco de grilo onde anoiteces,
No buraco de falso eremita onde conheces
Teu nada, o dela, o buraco dela, o canto
De pedra, sim, canteiro por cantares e aparelhares
Com ela em rua e cama o falo f√°-la cheia,
Canteiro porque o falo a julga flores, o canto
√Āspero do canteiro de pedra e s√©men que tu √©s
(No buraco do falo falaste),
Tu, falaz√£o de amor, que a amas e conheces.
Amas a quem? Conheces quem? Pobre Hipocrene,
Apolo de pataco, Cam√Ķes binocular, poeta de merda,

Embora isso em sangue dessa pobre alma em ferida:
A dela,

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Quero ir para o inferno, não para o céu. No inferno, gozarei da companhia de papas, reis e príncipes. No céu, só terei por companhia mendigos, monges, eremitas e apóstolos.

O Amor é o Contraegoísmo

Cada vez mais pessoas est√£o preocupadas consigo mesmas. Cuidam de si de uma forma t√£o dedicada que se poderia supor que est√£o a construir algo de verdadeiramente belo e forte; mas n√£o… os resultados s√£o normalmente fracos e fr√°geis. Gente manipul√°vel que se deixa abater por uma simples brisa… cultivam o eu como a um deus, mas s√£o facilmente derrubados pela m√≠nima contrariedade.

Tendo a originalidade por moda n√£o ser√° paradoxal que a sociedade esteja a tornar-se cada vez mais uniforme? Como a multid√£o tende sempre a nivelar-se por baixo, estamos a tornar-nos cada vez piores.

Hoje parece n√£o haver tempo nem espa√ßo para um cuidado mais fundo com a nossa ess√™ncia ‚Äď s√£o poucos os que hoje t√™m amigos verdadeiros com quem aprendem, a quem se d√£o e de quem recebem valores essenciais.
Por medo da solid√£o quer-se conhecer gente, cada vez mais gente. Talvez o facto de se buscar uma quantidade de amizades mais do que a qualidade das mesmas explique por que, afinal, h√° cada vez mais solid√£o… sempre que prefiro partir em busca do novo, escolho abandonar aquele(s) com quem estava.

O sucesso das redes virtuais é hoje um sintoma,

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O Homem de Ideias

N√£o √© l√≠cito dizer que tem ideias aquele que as foi buscar a outro, que envergou um sistema j√° pronto, que n√£o o construiu ele mesmo a pouco e pouco, √† medida que se ia alargando e aprofundando a sua vis√£o do mundo; para ¬ęter ideias¬Ľ √© necess√°rio um trabalho de autoforma√ß√£o, de modela√ß√£o cont√≠nua da alma, uma assimila√ß√£o que n√£o cessa de tudo o que uma determinada personalidade encontra de assimil√°vel no que a cerca, ou passado ou presente; a ideia surge da vida pr√≥pria e n√£o da vida dos outros; o homem que tem individualidade (√© muito dif√≠cil ser indiv√≠duo), ou a busca, pode inserir no seu pensamento fragmentos de pensamento alheio, mas apenas insere aqueles que, como algarismos num n√ļmero, mudam de valor conforme a posi√ß√£o; inventa uma coluna vertebral que s√≥ a ele pertence e caracteriza, depois procura o que se lhe pode adaptar sem desarmonia nem contradi√ß√£o.
Faz como o caracol que se não instala na concha de outro caracol; fabrica-a e aumenta-a ao mesmo ritmo que se fabrica e aumenta o corpo que a enche; os Eremitas são bichos traiçoeiros. Aprender ideias não tem valor senão quando nos serve para formar ideias; se apenas as queremos usar não merecemos nem a confiança nem a consideração de ninguém;

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O Escr√ļpulo √© a Morte da Ac√ß√£o

O escr√ļpulo √© a morte da ac√ß√£o. Pensar na sensibilidade alheia √© estar certo de n√£o agir. N√£o h√° ac√ß√£o, por pequena que seja – e quanto mais importante, mais isso √© certo – que n√£o fira outra alma, que n√£o magoe algu√©m que n√£o contenha elementos de que, se tivermos cora√ß√£o, nos n√£o tenhamos que arrepender. Muitas vezes tenho pensado que a filosofia real do eremita estar√° antes no esquivar-se a ser hostil, pelo simples facto de viver, do que em qualquer pensamento directamente relacionado com o isolar-se.