O pré-amor, que é tão mais feliz que amor.
Frases sobre Amor de Clarice Lispector
62 resultadosÀs vezes no amor ilícito está toda a pureza do corpo e alma, não abençoado por um padre, mas abençoado pelo próprio amor.
Sou brasileira naturalizada, quando, por questão de meses, poderia ser brasileira nata. Fiz da língua portuguesa a minha vida interior, o meu pensamento mais íntimo, usei-a para palavras de amor.
Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha… Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas…
Todos os dias, quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra amor…
Quem sabe a que escuridão de amor pode chegar o carinho.
Muitos homens preferem pagar, exactamente para não terem afecto nem sentimento, exactamente para humilharem e serem humilhados. A fuga ao amor é um facto. Paga-se para fugir. Até homem casado gosta, às vezes, de sustentar a casa para transformar a esposa em objecto pago.
E quando notou que aceitava em pleno o amor, sua alegria foi tão grande que o coração lhe batia por todo o corpo, parecia-lhe que mil corações batiam-lhe nas profundezas de sua pessoa.
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente
A feiúra é o meu estandarte de guerra. Eu amo o feio com um amor de igual para igual.
Mas não há paixão sofrida em dor e amor a que não se siga uma aleluia. (in: Água Viva)
E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa que eles precisam.
Escrevi nove livros que fizeram muitas pessoas me amar de longe. Mas ser cronista tem um mistério que não entendo: é que os cronistas, pelo menos os do Rio, são muito amados. E escrever a espécie de crónica aos sábados tem me trazido mais amor ainda.
Tenho coragem? Por enquanto estou tendo: porque venho do sofrido longe, venho do inferno de amor mas agora estou livre de ti.
No entanto como seria bom construir alguma coisa pura, liberta do falso amor sublimizado, liberta do medo de não amar… Medo de não amar, pior que o medo de não ser amado…
E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor?
Inclusive mais amor inclui uma certeza maior para achar bonito o que nem mesmo bonito é.
De novo estou de amor alegre. O que és eu respiro depressa sorvendo o teu halo de maravilha antes que se finde no evaporado do ar. Minha fresca vontade de viver-me e de viver-te é a tessitura mesma da vida? A natureza dos seres e das coisas – é Deus? Talvez então se eu pedir muito à natureza, eu paro de morrer? Posso violentar a morte e abrir-lhe uma fresta para a vida?
Não me lembro mais qual foi nosso começo. Sei que não começamos pelo começo. Já era amor antes de ser.
E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração.