Frases sobre Sempre de Miguel Esteves Cardoso

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Frases de sempre de Miguel Esteves Cardoso. As mais belas frases e mensagens de Miguel Esteves Cardoso para ler e compartilhar.

Quem nos quer, quer-nos ¬ęin toto¬Ľ, mas satisfaz-se com pouco. N√£o se pode dar mais. Um bocadinho tem que parecer bastante. E se dermos tudo, tem de parecer pouco. Ela nunca pode saber. Se n√£o perdemo-la. √Č preciso haver sempre uma parte que parece inacess√≠vel.

Favorecemos sempre os próximos. Mas sempre mais os escolhidos do que os destinados. Ensinaram-me a minha mãe e o meu pai que tinha a liberdade de gostar de quem gostasse, fossem ou não de família.

A confusão define a nossa vida, o nosso dia a dia, a nossa noite a noite. Nunca se sabe onde se vai, em que carro é que se vai chegar a casa, quem vai pagar as bebidas, como é que vai ser para acordar amanhã de manhã. Por muito que se combine, que se planeie, que se organize, é sempre a grande confusão.

Num momento, num olhar, o cora√ß√£o apanha-se para sempre. Ama-se algu√©m. Por muito longe, por muito dif√≠cil, por muito desesperadamente. O cora√ß√£o guarda o que se nos escapa das m√£os. E durante o dia e durante a vida, quando n√£o est√° l√° quem se ama, n√£o √© ela que nos acompanha ‚Äď √© o nosso amor, o amor que se lhe tem.

O ser humano, por natureza, prefere o passado ao futuro ou vice-versa, sempre à custa do presente. Tanto a ideia que as coisas vão melhorar (não podem piorar mais) como a ideia que não vão piorar (é triste ficar na mesma).

Por muito que se goste de chorar o passado ou preferir o presente, a Hist√≥ria demonstra, em tra√ßos largos, que o futuro √© sempre melhor para a maioria das pessoas. A sensa√ß√£o do dia-a-dia de estar tudo cada vez pior perde sempre quando √© comparada com as condi√ß√Ķes h√° apenas um s√©culo atr√°s. Nem √© preciso recuar no tempo – basta ver a facilidade com que se morre nos pa√≠ses muito mais pobres do que o nosso, que s√£o muito mais do que metade dos que existem. Nos mais pobres, a expectativa m√©dia de vida √© igual √† nossa h√° dois s√©culos atr√°s.

Façam o que fizerem na vida, para ganhar algum, os intelectuais verdadeiros são aqueles que preferem ler a escrever; ler a fazer; quase (quando não têm sorte), ler a viver. Mesmo que tenham de dizer o contrário. Ler vem sempre primeiro. Escrever vem depois.

Os portugueses est√£o sempre mal dispostos. Disp√Ķem-se mal. Indisp√Ķem-se muito. N√£o percebem que a vida √© uma coisa complicada, com muito recheio, s√≥ parcialmente compreens√≠vel, sujeita tanto √†s leis da ci√™ncia, como ao acaso. A vida √© muito confusa. √Č chata, linda, irregular, boa, injusta, curta de mais e comprida em demasia.

Viver torna-se uma t√£o est√ļpida obsess√£o que dormir bem – sempre mais do que se precisaria, esticando a ronha at√© ao limite do olho fechado – √© cada vez mais considerado como um abra√ßo acamado que se d√° √† Morte. Que disparate: dormir √© viver bem.

O ci√ļme √© ainda o melhor cumprimento dos amantes. Diz muito dentro: ‚ÄúEu n√£o te mere√ßo‚ÄĚ. Diz sem querer dizer: ‚ÄúQuero-te mais do que tenho ‚Äď por muito que te tenha, quero-te, sempre muito mais‚ÄĚ.

√Č natural que os outros tenham sempre raz√£o, pelo simples facto dos outros serem cinco bili√Ķes (ou l√° o que √©) menos um e de eu ser apenas esse um. Ser influenciado √© assim um reconhecimento da nossa pequena participa√ß√£o no mundo e da riqueza intermin√°vel desse mundo; √© um acto alegre de humildade; um sinal en√©rgico de depend√™ncia humana.

N√£o h√° solid√£o mais bonita que a boa companhia de quem se quer bem. Essa √© uma companhia a√©rea correndo os ce√ļs, descendo em direc√ß√£o a n√≥s, e depois novamente levantada nos bra√ßos, nunca realmente aterrando. Essa √© a companhia que se forma, quase uma escritura de amor que se assina, quando duas solid√Ķes escolhidas se encontram. ¬ę√Č sempre de duas solid√Ķes boas que nasce a melhor das companhias¬Ľ.

Tem-se sempre, caso se seja português, saudade de qualquer coisa. O que é preciso ver é que Portugal está feito para que se tenha saudades dele. Propositadamente. Cientificamente. Tudo foi minuciosamente estudado para nos chatear de morte quando estamos cá e nos matar de saudades quando cá não estamos.

Tanta gente me pergunta porque é que eu estou sempre bem disposto que me decidi a responder. O segredo é que eu também estou sempre mal disposto. Faço é por não estar.

O sentido de humor dos Portugueses n√£o tem gra√ßa nenhuma. Nunca √© s√≥ para fazer rir. Visa sempre um objectivo. √Č apenas uma maneira diferente de dizer uma coisa.

Que procuram afinal as raparigas deste país? Rapazes ideais. Com menos do que isso ficam maçadas. Podem aturar rapazes não-ideais, namorá-los, casá-los e até amá-los, mas fica-lhes sempre atravessado aquele príncipe encantado que não veio. E sonham secretamente que ainda está para chegar, só um bocadinho atrasado.

Os casamentos est√£o para os n√ļmeros e para a sorte como as rifas e as lotarias. Havendo amor, passa-se a semana a pensar que se vai ganhar e depois h√° um dia em que se perde – quando h√° discuss√Ķes – seguido de mais uma semana com uma nova esperan√ßa. O amor est√° l√° sempre, quer se ganhe ou se perca. O amor corresponde ao jogo em si. H√° jogos sucessivos com resultados diferentes, mas o jogo √© sempre o mesmo. Aos jogadores apenas se pede o imposs√≠vel, facilmente concedido: acreditar que podem ganhar.

A base de uma cultura gastronómica é sempre a pobreza Рbem dizem os ingleses que a necessidade é mãe da invenção. Ou alguma vez o nosso receituário de bacalhau seria tão rico como é se o bacalhau, durante os séculos em que estimulou a criatividade caseira, estivesse ao preço que está hoje? Quem inventaria as iscas se pudesse comer sempre bifes do lombo?