Cita√ß√Ķes sobre Recuo

13 resultados
Frases sobre recuo, poemas sobre recuo e outras cita√ß√Ķes sobre recuo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Submiss√£o

1.

no topo desta escada
tem um chefe
que te olha.
na curva desta estrada
tem um dono
que me manda.

2.

mais desço quando subo,
a cada passo,
se me movo
para cima e para baixo,
mais volto quando ando,
a cada passo,
para frente e para os lados,
na curva desta estrada,
se me curvo
sem mais nada.

3.

no caminho em que caminho
cruzo os braços
a cada passo
e, mudo, avanço
no caminho sem recuo
que me leva
nesta escada,
nesta estrada
a cada curva que me curva
t√£o curvada.

4.

a cada passo,
mais tropeço
se começo
nesta dança
sob o peso
desta canga
que j√° levo
sobre os ombros;
sobre os ombros
j√° t√£o curvos
j√° t√£o duros
no silêncio em que me escondo.

5.

a cada passo, em cada curva
só te vejo tão curvado,
que dependo da procura procurada
na ida desta volta,

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A Multid√£o Embrutece

Assim que muitos homens se encontram juntos, perdem-se. A multidão transporta as suas unidades do presente para o passado e precipita-as de cima para baixo: trata-se de um recuo e uma decadência.
Todo o homem, l√° dentro, converte-se noutro – mas pior. Nas multid√Ķes, a uni√£o √© constitu√≠da pelos inferiores e fundada nas partes inferiores de todas as almas. S√£o florestas em que os ramos altos n√£o se entrela√ßam, mas apenas, em baixo na escurid√£o, as ra√≠zes terrosas. Todos perdem o que os torna diferentes e melhores, enquanto o antigo r√ļstico – que, entre obst√°culos, morda√ßas e a√ßaimos, parecia aniquilado – acorda e muge. Em todas as multid√Ķes, como em toda a Humanidade, os med√≠ocres s√£o infinitamente mais que os grandes, os calmos que os violentos, os simples que os profundos, os primitivos que os civilizados, e √© a maioria que cria a alma comum que imbrica e nivela todo o agrupamento de homens.
Aquele que em cada um forma o seu superior n√£o pode conformar-se e fundir-se – √© a pessoa √ļnica e, portanto, incomunic√°vel. Toda a pessoa se op√Ķe √†s outras, existe enquanto √© diferente, n√£o se pode liquefazer num todo. Mas h√° em cada um de n√≥s,

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Imprevidência

Vamos seguindo assim, desprevenidamente
a brincar com o Destino… e a pensar que brincamos…
quando, na realidade, ele brinca com a gente,
e trama qualquer coisa que n√£o suspeitamos…

Julgamos domin√°-lo… e, que somos ? – dois ramos
arrastado por ele ao sabor da corrente…
Bem que percebemos quando nos amamos
mas teimamos, seguindo assim, inutilmente…

Prolongamos em vão um traiçoeiro dilema:
– ou tu te entregar√°s um dia, com ternura,
ou teremos criado um eterno problema…

Fora disto, h√° o recuo, bem sei… Mas assim
– tua vida h√° de ser um remorso sem cura!
– minha vida h√° de ser uma ang√ļstia sem fim!

Nos Extremos é que Está a Sabedoria

Pode-se dizer que, muito plausivelmente, h√° uma ignor√Ęncia abeced√°ria que precede o saber e uma outra, doutoral, que se lhe segue, ignor√Ęncia esta que o saber produz e engendra da mesma maneira que desfaz e destr√≥i aqueloutra. Dos esp√≠ritos simples, menos curiosos e menos instru√≠dos, fazem-se bons crist√£os, que, por rever√™ncia e obedi√™ncia, com simplicidade, cr√™em e mant√™m-se submissos √†s leis. √Č nos esp√≠ritos de vigor e capacidade m√©dios que se engendram as opini√Ķes err√≥neas, pois eles seguem a apar√™ncia das suas primeiras impress√Ķes e t√™m pretextos para interpretar como simpleza e estult√≠cia o nosso apego aos antigos usos, considerando que n√≥s a√≠ n√£o cheg√°mos por via do estudo dessas mat√©rias.
Os grandes esp√≠ritos, mais avisados e clarividentes, constituem um outro g√©nero de bons crentes: por meio de uma aturada e escrupulosa investiga√ß√£o, penetram nas Escrituras at√© atingir uma luz mais profunda e abstrusa, e entendem o misterioso e divino segredo da nossa pol√≠tica eclesi√°stica. Vemos, por√©m, alguns, com maravilhoso proveito e com consolida√ß√£o da sua f√©, chegarem, atrav√©s do segundo, a este √ļltimo n√≠vel, como o extremo limite da intelig√™ncia crist√£, e rejubilar na sua vit√≥ria com refrig√©rio, ac√ß√Ķes de gra√ßas, reformas dos costumes e grande mod√©stia. N√£o entendo nesta categoria situar aqueloutros que,

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Acima de tudo, nunca tenha medo. O inimigo quer forçá-lo ao recuo, e tem exatamente neste momento medo de você.

A verdade és tu. O que mais que se segue já não interessa à conversa. Excepto para demonstrares essa verdade, em movimento de recuo.

Jogo

Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necess√°rios para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as m√£os n√£o se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesita√ß√Ķes, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. √Č ent√£o que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de l√°grimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças.

Conhecer-se a Si Próprio

Conhece-te a ti pr√≥prio – eis o que √© dif√≠cil. Ainda posso conhecer os outros, mas a mim mesmo n√£o consigo conhecer-me. Um fio – instintos e um fantasma… Dos outros fa√ßo ideia mais ou menos aproximada, de mim n√£o fa√ßo ideia nenhuma.
H√° uma disparidade entre mim e mim. H√° em mim o homem correcto, o homem igual a todos os homens – e o homem que l√° dentro sonha, grita e √© capaz, por insignific√Ęncias, de imaginar um terramoto ou de desejar uma cat√°strofe. O que eu me tenho desfeito dos meus inimigos – o que √© razo√°vel – mas dos meus amigos que me fazem sombra!…
O meu verdadeiro ser n√£o √© aquele que compus, recalcando l√° para o fundo os instintos e as paix√Ķes; o meu verdadeiro ser √© uma √°rvore desgrenhada – √© o fantasma que nos momentos de exalta√ß√£o me leva a rasto para actos que reprovo. S√≥ a custo o contenho. Parece que est√° morto, e est√° mais vivo que o histri√£o que represento. Asseguro este simulcaro at√© √† cova com os h√°bitos de compress√£o que adquiri. N√£o sei se a maior parte dos homens √© assim – eu sou assim: sou um fantasma desesperado.

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A Embriaguez dos Progressos Técnicos

Parece-me que confundem fim e meio os que se assustam em demasia com os nossos progressos t√©cnicos. Quem luta com a √ļnica esperan√ßa de recolher bens materiais, efectivamente n√£o recolhe nada que valha a pena viver. A m√°quina n√£o √© um fim, √© uma ferramenta como a charrua. Se acreditamos que a m√°quina destr√≥i o homem, √© que talvez care√ßamos de algum recuo para julgarmos os efeitos de transforma√ß√Ķes t√£o r√°pidas como as que sofremos.

Daí-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avança.

A Impossibilidade de Renunciar

Eu decido correr a uma prov√°vel desilus√£o: e uma manh√£ recebo na alma mais uma vergastada – prova real dessa desilus√£o. Era o momento de recuar. Mas eu n√£o recuo. Sei j√°, positivamente sei, que s√≥ h√° ru√≠nas no termo do beco, e continuo a correr para ele at√© que os bra√ßos se me partem de encontro ao muro espesso do beco sem sa√≠da. E voc√™ n√£o imagina, meu querido Fernando, aonde me tem conduzido esta maneira de ser!… H√° na minha vida um bem lamnet√°vel epis√≥dio que s√≥ se explica assim. Aqueles que o conhecem, no momento em que o vivi, chamaram-lhe loucura e disparate inexplic√°vel. Mas n√£o era, n√£o era. √Č que eu, se come√ßo a beber um copo de fel, hei-de for√ßosamente beb√™-lo at√© ao fim. Porque – coisa estranha! – sofro menos esgotando-o at√© √† √ļltima gota, do que lan√ßando-o apenas encetado. Eu sou daqueles que v√£o at√© ao fim. Esta impossibilidade de ren√ļncia, eu acho-a bela artisticamente, hei-de mesmo trat√°-la num dos meus contos, mas na vida √© uma triste coisa. Os actos da minha exist√™ncia √≠ntima, um deles quase tr√°gico, s√£o resultantes directos desse triste fardo. E, coisas que parecem inexplic√°veis, explicam-se assim. Mas ningu√©m as compreende.

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Eu sou contra todas as ditaduras e a favor da liberdade. Sem liberdade política nada se passa, só se entra, a prazo, em decadência. O grave é que pode haver recuos civilizacionais. No passado, como a história nos ensina, já houve muitos.