Cita√ß√Ķes sobre Galos

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Frases sobre galos, poemas sobre galos e outras cita√ß√Ķes sobre galos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Faça como o galo que mostra as penas do rabo. Quanto mais belas as penas, menos você cai na panela.

Contentamento por Via da Ambição Moderada

Um sério obstáculo ao contentamento é a nossa falência em moderar a ambição, como um navegante riza as suas velas, de acordo com a energia disponível. As nossas expectativas são exageradas, e quando não alcançamos o esperado, culpamos a fortuna e o destino, em vez de culpar a nossa própria insensatez. Não é a má sorte que impede alguém de flechar com arado ou caçar coelhos com boi; não é uma deidade maligna que nos obsta a que peguemos veados ou ursos com vara de pescar; tentar o impossível é estupidez e tolice. O culpado é o egotismo, que impele os homens a ansiarem pela primazia e pela vitória em todos os campos, e a nutrirem o irreprimível desejo de se apoderar de todas as coisas. Eles não apenas reivindicam o direito de serem, a um tempo, ricos, amigos de reis e governantes de uma cidade, como se sentem frustrados se não possuem cães de raça, cavalos de puro-sangue, codormnizes e galos de escol.

Dentro da capoeira de onde irá a matar, o galo canta hinos à liberdade porque lhe deram dois poleiros.

O Homem Corrige Deus

N√≥s encontramos o soldado em v√°rias esp√©cies inferiores. A formiga tem ex√©rcitos e creio que pol√≠cia civil. Qualquer obscuro passarinho √© um aut√™ntico Bleriot. N√£o h√° industrial alem√£o que se aproxime da abelha. O canto do galo e os versos da Il√≠ada. Jo√£o de Deus e o rouxinol, o castor e o arquitecto, a sub-marinha e os tubar√Ķes, representam cousas e criaturas que se confundem…
Mas o Fil√≥sofo revela-se apenas no homem. A Filosofia √© o sinal luminoso que o destaca da mesquinha escuridade ambiente… S√≥ o homem √© suscept√≠vel de magicar, de refazer a Cria√ß√£o √† sua imagem… O homem corrige Deus.

Prosema I

Com a devida vénia me reparto junto do tampo de mármore meu secretário tão certo. Desde quando deixara eu de ouvir esta palavra? Logrei substituí-la numa manhã óptima mas não esta em que a mola salta reprimida sabe-se lá donde, algures na hipófise.
Na confraria dos reclusos outras quimeras se aventam como Sol, M√£e, Amada, at√© que o tempo nosso inimigo se distancie e nos abandone por instantes. Na laje j√° sobre a qual o papel branco me obedece sem que o habitem outros sinais, pequeninos veios avolumam-se em √°reas mais densas, configurando p√°ssaros de porcelana chinesa. Afundo-me neste fundo para descobrir-lhes um sentido, branco, amarelo, de novo branco, cada cent√≠metro um fuso de seres min√ļsculos, buscando reorganizar-se, perder-se, reagrupar-se.
De anacoreta nada tenho, s√≥ de multid√Ķes entre Cacilhas, Piedade e o Barreiro. E Campo de Ourique, que digo! A minha m√£o move-se, o pensamento p√°ra, descubro as uvas pendentes como se fora Ver√£o e o Sol ferisse como se o olhara de frente. Nem o ru√≠do dos p√°ssaros habituais junto √† janela nos veio dar os bons dias, o funcion√°rio impreter√≠vel vir√° √† hora impreter√≠vel. Muito longe fora de portas um galo ou a sua aus√™ncia. Tenho uma toalha,

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Pedra de Canto

Ainda ter√°s alento e pedra de canto,
Mito de Pégaso, patada de sangue da mentira,
Para cantar em sílabas ásperas o canto,
De rima em -anto, o pranto,
O amor, o apego, o sossego, a rima interna
Das almas calmas, isto e aquilo, o canto
Do pranto em pedra aparelhada a corpo e escopro,
O estupro de outrora, a triste vida dela, o canto,
Buraco onde te metes, duplamente: com falo,
Falas, f√°-la chorar e ganir, com falo o canto
No buraco de grilo onde anoiteces,
No buraco de falso eremita onde conheces
Teu nada, o dela, o buraco dela, o canto
De pedra, sim, canteiro por cantares e aparelhares
Com ela em rua e cama o falo f√°-la cheia,
Canteiro porque o falo a julga flores, o canto
√Āspero do canteiro de pedra e s√©men que tu √©s
(No buraco do falo falaste),
Tu, falaz√£o de amor, que a amas e conheces.
Amas a quem? Conheces quem? Pobre Hipocrene,
Apolo de pataco, Cam√Ķes binocular, poeta de merda,

Embora isso em sangue dessa pobre alma em ferida:
A dela,

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Projecto de Bodas

Hoje apetece que uma rosa seja
o coração exterior do dia
e a tua adolescência de cereja
no meu bico de Isolda cotovia.

Hoje apetece a intuição dum cais
para a lucidez de n√£o chegar a tempo
e ficarmos violetas nupciais
com a lua a celebrar o casamento.

Apetece uma casa cor-de-rosa
com um galo vermelho no telhado
e os degraus duma seda vagarosa
que nunca chegue à varanda do noivado.

Hoje apetece que o cigarro saiba
a ter fumado uma cidade toda.
Ser o anel onde o teu dedo caiba
e faltarmos os dois à nossa boda.

Hoje apetece um interior de esponja
E como est√°tua a que moldar o vento.
Deitar as sortes e, se sair monja,
Navegar ao acaso o meu convento.

Hoje apetece o mundo pelo modo
Como vai despenhar-se um trapezista.
Abrir mais uma flor no nosso lodo:
Pedir-lhe um salto e retirar-lhe a pista.

Hoje apetece que a cor dum automóvel
Seja o Egipto de novo em movimento;
E que no espaço duma gota imóvel
Caiba a possível capital do vento.

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Contra as Leis

A partir de hoje penduro ao pescoço
Com uma corda de crina o relógio que marca as horas;
A partir de hoje cessam o curso das estrelas
E do sol, e o canto do galo e a sombra;
E tudo aquilo que a hora nunca anunciou
Est√° agora mudo, surdo e cego:
Toda a natureza se cala para mim
Diante do tiquetaque da lei e da hora.

A Moral é Imperiosa e Injustificável

O comportamento moral implica sempre um juiz e a mem√≥ria nele desse nosso comportamento. Assim se admite a nossa responsabilidade perante outrem e a ideia de que nesse outrem perdurar√° a mem√≥ria de n√≥s pelos s√©culos. Ora o que √© que significa hoje o comportamento dos que viveram h√° cem anos? e h√° mil? Quando Deus se dava ao luxo de existir, ele garantiria a mem√≥ria do que fomos. Mas agora que ele desistiu? E todavia a ordem moral continua. O ¬ęse Deus n√£o existe tudo √© permitido¬Ľ de Dostoievski √© perfeitamente ilus√≥rio. N√≥s constru√≠mos a nossa moral como se ela existisse. Alguma coisa portanto deve persistir perante a qual nos comportamos.
Os homens c√©lebres compreende-se. Mas o comum dos mortais? Ser√° a ¬ęconsci√™ncia¬Ľ um h√°bito? Teremos n√≥s a voca√ß√£o da imortalidade para agirmos dentro dela? Perante quem nos comportar√≠amos numa ilha deserta com a certeza absoluta de que ningu√©m saberia dos nossos actos? Que √© que persiste de n√≥s ap√≥s a morte para nos julgarmos vivos ent√£o e podermos envergonhar-nos do mal que tiv√©ssemos praticado? Toda a nossa vida √© tecida de ilus√£o. E nada em n√≥s consente que a dissipemos. Mas o pr√≥prio animal tem um comportamento que pode prejudic√°-lo e de que n√£o abdica.

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Vem, oh Noite Sombria

Vem, oh noite sombria, e revolvendo
O longo açoite, que à carreira acende
As fuscas √Čguas, sobre a terra estende
De sombras carregado o manto horrendo:

Vem: e as brancas papoilas espremendo,
Em let√°rgico sono os mortais prende;
Que a minha bela Aglaia hoje me atende,
A meu amor mil glórias prometendo.

Se às minhas vozes dás benigno ouvido,
Encobrindo com teu escuro manto
Os suaves delírios de amor cego;

Imolar-te prometo agradecido
Um negro galo, que em contínuo canto
Se atreve a perturbar o teu sossego.

Qualidades de Sentimento

¬ęUm charco¬Ľ, pensou, ¬ęd√°-nos muitas vezes, e de forma mais intensa, a impress√£o de profundidade do que o oceano, pela simples raz√£o de que a viv√™ncia dos charcos √© muito mais frequente do que a dos oceanos: era, segundo ele, o que acontecia com o sentimento, e pela mesma raz√£o os sentimentos mais banais passavam por ser os mais profundos. De facto, a prefer√™ncia que se d√° ao sentir, mais do que ao sentimento, que √© a marca de todas as pessoas sens√≠veis √†s emo√ß√Ķes, conduz, tal como o desejo de fazer sentir e de ser levado a sentir, comum a todas as institui√ß√Ķes postas ao servi√ßo do sentimento, a uma diminui√ß√£o do n√≠vel e da ess√™ncia do sentimento face √† sua manifesta√ß√£o instant√Ęnea como estado de ordem pessoal, e finalmente √†quela superficialidade, inibi√ß√£o e total insignific√Ęncia para as quais n√£o faltam exemplos. ¬ę√Č natural que um ponto de vista como este¬Ľ, pensou Ulrich, completando a sua observa√ß√£o, ¬ęchoque todos aqueles que se sentem bem nos seus sentimentos, como o galo nas suas penas, e que ainda por cima estejam convencidos de que a eternidade recome√ßa com cada “personalidade”!¬Ľ Tinha a n√≠tida percep√ß√£o de estar perante um erro monstruoso, √† dimens√£o de toda a humanidade,

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Dois Meninos

Meu menino canta, canta
Uma canção que é ele só que entende
E que o faz sorrir.

Meu menino tem nos olhos os mistérios
Dum mundo que ele vê e que eu não vejo
Mas de que tenho saudades infinitas.

As cinco pedrinhas s√£o mundos na m√£o.
Formigas que passam,
Se brinca no ch√£o,
S√£o seres irreais…

Meu menino d’olhos verdes como as √°guas
N√£o sabe falar,
Mas sabe fazer arabescos de sons
Que têm poesia.

Meu menino ama os c√£es,
Os gatos, as aves e os galos,
(S√£o Francisco de Assis
Em menino pequeno)
E fica horas sem fim,
Enlevado, a olh√°-los.

E ao vê-lo brincar, no chão sentadinho,
Eu tenho saudades, saudades, saudades
Dum outro menino…

Veio Ter Comigo Hoje a Poesia

Veio ter comigo hoje a poesia.
H√° quantos anos? Desde a juventude.
Veio num raio de sol, num murm√ļrio de vento.
E a ilus√£o que me trouxe de uma antiga alegria
reinventou-me a antiga plenitude
que j√° n√£o invento.

Fazia-lhe outrora poemas verdadeiros
em fornica√ß√Ķes r√°pidas de galo.
Hoje n√£o sou eu nunca por inteiro
e há sempre no que faço um intervalo.

Estamos ambos t√£o velhos ‚ÄĒ que vens fazer?
‚ÄĒ a cama entre n√≥s da nossa antiga fun√ß√£o.
Nublado o olhar só de a ver.
E tomo-lhe em silêncio a mão.

Portugal

√ď Portugal, se fosses s√≥ tr√™s s√≠labas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,

a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento c√£o asm√°tico das praias,
o grilo engaiolado, a grila no l√°bio,
o calend√°rio na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de pl√°stico, que era mais barato!

*

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Goleg√£,
n√£o h√° ¬ępapo-de-anjo¬Ľ que seja o meu derri√ßo,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: quest√£o que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso,

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