Aquele que passa grande parte do seu tempo no meio dos abundantes recursos de uma biblioteca e que nĂŁo aspira a juntar-lhe ainda um pouco, quanto mais nĂŁo seja um catálogo racional, deve na verdade ser insensĂvel como um pedaço de chumbo; Ă© preciso que seja indolente como o animal chamado preguiça, o qual morre sobre a árvore a que trepou, depois de lhe ter devorado as folhas.
Passagens sobre Indolentes
23 resultadosGata Angorá
Sobre a almofada rica e em veludo estofada
caprichosa e indolente como uma odalisca
ela estira seu corpo de pelĂşcia, – e risca
um estranho bordado ao centro da almofada…Mal eu chego, ela vem… ( nunca a encontrei arisca)
-sempre essa ar de amorosa; a cauda abandonada
como uma pluma solta, pelo chĂŁo deixada,
e o olhar, feito uma brasa acesa que faĂsca!Mal eu chego, ela vem… lânguida, preguiçosa,
roçar pelos meus pés a pelúcia prata,
como a implorar carĂcias, tĂmida e medrosa…E tem tal expressĂŁo, e um tal jeito qualquer,
– que Ă s vezes, chego mesmo a pensar que essa gata
traz no corpo escondida uma alma de mulher!
A Sesta De Nero
Fulge de luz banhado, esplĂŞndido e suntuoso,
O palácio imperial de pórfiro luzente
E mármor da Lacônia. O teto caprichoso
Mostra, em prata incrustado, o nácar do Oriente.Nero no toro ebĂşrneo estende-se indolente…
Gemas em profusão do estrágulo custoso
De ouro bordado vĂŞem-se. O olhar deslumbra, ardente,
Da púrpura da Trácia o brilho esplendoroso.Formosa ancila canta. A aurilavrada lira
Em suas mãos soluça. Os ares perfumando,
Arde a mirra da Arábia em recendente pira.Formas quebram, dançando, escravas em coréia.
E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando
Nos alvos seios nus da lúbrica Popéia.