Cita√ß√Ķes sobre Indolentes

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Frases sobre indolentes, poemas sobre indolentes e outras cita√ß√Ķes sobre indolentes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Manh√£ de Inverno

Coroada de névoas, surge a aurora
Por detr√°s das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fant√°stica indolente.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, l√°grimas mais puras.

A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.

Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras √ļmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o ch√£o recebe o pranto da vi√ļva.

Gelo n√£o cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
V√£o subindo as que encheram todo o vale;
J√° se v√£o descobrindo os horizontes.

Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;

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A Universalidade de uma Opini√£o

A universalidade de uma opinião, tomada seriamente, não constitui nem uma prova, nem um fundamento provável, da sua exactidão. Aqueles que a afirmam devem considerar que: 1) o distanciamento no tempo rouba a força comprobatória dessa universalidade; caso contrário, precisariam de evocar todos os antigos equívocos que alguma vez foram universalmente considerados verdade: por exemplo, estabelecer o sistema ptolemaico ou o catolicismo em todos os países protestantes; 2) o distanciamento no espaço tem o mesmo efeito: caso contrário, a universalidade de opinião entre os que confessam o budismo, o cristianismo e o islamismo os constrangerá.
O que então se chama de opinião geral é, a bem da verdade, a opinião de duas ou três pessoas; e disso nos convenceríamos se pudéssemos testemunhar como se forma tal opinião universalmente válida.
Achar√≠amos ent√£o que foram duas ou tr√™s pessoas a supor ou apresentar e a afirmar num primeiro momento, e que algu√©m teve a bondade de julgar que elas teriam verificado realmente a fundo tais coloca√ß√Ķes: o preconceito de que estes seriam suficientemente capazes induziu, em princ√≠pio, alguns a aceitar a mesma opini√£o: nestes, por sua vez, acreditaram muitos outros, aos quais a pr√≥pria indol√™ncia aconselhou: melhor acreditar logo do que fazer controles trabalhosos.

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O Tempo Vale Muito Mais do que o Dinheiro

Perder tempo não é como gastar dinheiro. Se o tempo fosse dinheiro, o dinheiro seria tempo.
Não é. O tempo vale muito mais do que o dinheiro. Quando morremos, acaba-se o tempo que tivemos. Quando morremos, o que mais subsiste e insiste é a quantidade de coisas que continuam a existir, apesar de nós.
O nosso tempo de vida √© a nossa √ļnica fortuna. Temos o tempo que temos. Depois de ter acabado o nosso tempo, n√£o conseguimos comprar mais. Quando morreu o meu pai, foi-se com ele todo o tempo que ele tinha para passar connosco. As coisas dele ficaram para tr√°s. Sobreviveram. Eram objectos. Alguns tinham valor por fazer lembrar o tempo que passaram com ele – a r√©gua de arquitecto naval, os rel√≥gios – quando ele tinha tempo.
As pessoas dizem ¬ętime is money¬Ľ para apressar quem trabalha. A √ļnica maneira de comprar tempo √© de precisar de menos dinheiro para viver, para poder passar menos tempo a ganh√°-lo. E ficar com mais tempo para trabalhar no que d√° mais gosto e para ter o luxo indispens√°vel de poder perder tempo, a fazer ninharias e a ser-se indolente.
A ideologia dominante de aproveitar bem o tempo impede-nos de perder esses tempos.

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O Monge Maldito

Os devotos painéis dos antigos conventos,
Reproduzindo a santa imagem da Verdade,
Davam certo conforto aos sóbrios monumentos,
Tornavam menos fria aquela austeridade.

Olhos fitos em Deus, nos santos mandamentos,
Mais de um monge alcançou palma de santidade,
A’ Morte consagrando obras e pensamentos
Numa vida de paz, de labor, de humildade.

Minh’alma √© um coval onde, monge maldito,
Desde que existe o mundo, aborrecido, habito,
Sem ter um s√≥ painel que possa contemplar…

‚ÄĒ O’ monge mandri√£o! se quer’s viver, contente,
uma vida de paz, n√£o seja indolente;
Caleja-me essas m√£os, trabalha! vai cavar!

Tradução de Delfim Guimarães

Um homem energético terá sucesso, enquanto um indolente vegetará e inevitavelmente sucumbirá.

Ao Tempo

Levanta o pano, ó tragador das eras,
A cena mostra das fatais desditas,
Pois que no giro das paix√Ķes que incitas
Tragar venturas, vorazmente, esperas.

Do vário mundo que só nutre feras,
Co’a torva dextra lhe desvia as ditas.
Solta das asas as Tenta√ß√Ķes malditas,
Os filhos traga, que indolente geras.

Leva de rojo, c’o decretado gume,
Planos que traças ao profundo Averno.
Acende e apaga da Raz√£o o lume!

√ď Tempo, √≥ Tempo, regedor do Inferno!
Louvem-te as F√ļrias, de quem tens ci√ļme,
Que s√≥ adoro as decis√Ķes do Eterno.

Em Portugal quem emigra são os mais enérgicos e os mais rijamente decididos; e um país de fracos e de indolentes padece um prejuízo incalculável, perdendo as raras vontades firmes e os poucos braços viris.

Nada est√° perdido ou pode ser perdido. O corpo, indolente, velho, friorento… as cinzas deixadas pelas chamas passadas… arder√£o de novo.

A Adversidade é Essencial

Porqu√™ espantar-nos que possa ser vantajoso, por vezes mesmo desej√°vel, expor-nos ao fogo, √†s feridas, √† morte, √† pris√£o? Para o homem esbanjador a austeridade √© um castigo, para o pregui√ßoso o trabalho equivale a um supl√≠cio; ao efeminado toda a labuta causa d√≥, para o indolente qualquer esfor√ßo √© uma tortura: pela mesma ordem de ideias toda a actividade de que nos sentimos incapazes se nos afigura dura e intoler√°vel, esquecendo-nos de que para muitos √© uma aut√™ntica tortura passar sem vinho ou acordar de madrugada! Qualquer destas situa√ß√Ķes n√£o √© dif√≠cil por natureza, os homens √© que s√£o moles e efeminados!
Para formar ju√≠zos de valor sobre as grandes quest√Ķes h√° que ter uma grande alma, pois de outro modo atribuiremos √†s coisas um defeito que √© apenas nosso, tal como objectos perfeitamente direitos nos parecem tortos e partidos ao meio quando os vemos metidos dentro de √°gua. O que interessa n√£o √© o que vemos, mas o modo como o vemos; e no geral o esp√≠rito humano mostra-se cego para a verdade!
Indica-me um jovem ainda incorrupto e de espírito alerta, e ele não hesitará em julgar mais afortunado o homem capaz de suportar todo o peso da adversidade sem dobrar os ombros,

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Perfume Exótico

Quando eu a dormitar, num íntimo abandono,
Respiro o doce olor do teu colo abrasante,
Vejo desenrolar paisagem deslumbrante
Na aur√©ola de luz d’um triste sol de outono;

Um éden terreal, uma indolente ilha
Com plantas tropicais e frutos saborosos;
Onde h√° homens gentis, fortes e vigorosos,
E mulher’s cujo olhar honesto maravilha.

Conduz-me o teu perfume às paragens mais belas;
Vejo um porto ideal cheio de caravelas
Vindas de percorrer países estrangeiros;

E o perfume subtil do verde tamarindo,
Que circula no ar e que eu vou exaurindo,
Vem juntar-se em minh’alma √† voz dos marinheiros.

Tradução de Delfim Guimarães

A Outra Face da Inveja

Aqueles que são invejados entristecem-se com o rancor que sentem à sua volta; se são orgulhosos, por receio de algum prejuízo; se generosos, por compaixão dos que invejam. Mas depressa se alegram: se me invejam, isso quer dizer que tenho um valor, dos méritos, das graças; quer dizer que sentem e reconhecem a minha grandeza, o meu triunfo. A inveja é a sombra obrigatória do génio e da glória, e os invejosos não passam, de forma odiosa, de admiradores rebeldes e testemunhas involuntárias. Não custa muito perdoar-lhes, quando existe o direito de me comprazer e desprezá-los. Posso mesmo estar-lhes, com frequência, gratos pelo facto de o veneno da inveja ser, para os indolentes, um vinho generoso que confere novo vigor para novas obras e novas conquistas. A melhor vingança contra aqueles que me pretendem rebaixar consiste em ensaiar um voo para um cume mais elevado. E talvez não subisse tanto sem o impulso de quem me queria por terra.
O indivíduo verdadeiramente sagaz faz mais: serve-se da própria difamação para retocar melhor o seu retrato e suprimir as sombras que lhe afectam a luz. O invejoso torna-se, sem querer, o colaborador da sua perfeição.

Aquele que passa grande parte do seu tempo no meio dos abundantes recursos de uma biblioteca e que não aspira a juntar-lhe ainda um pouco, quanto mais não seja um catálogo racional, deve na verdade ser insensível como um pedaço de chumbo; é preciso que seja indolente como o animal chamado preguiça, o qual morre sobre a árvore a que trepou, depois de lhe ter devorado as folhas.

Gata Angor√°

Sobre a almofada rica e em veludo estofada
caprichosa e indolente como uma odalisca
ela estira seu corpo de pel√ļcia, – e risca
um estranho bordado ao centro da almofada…

Mal eu chego, ela vem… ( nunca a encontrei arisca)
-sempre essa ar de amorosa; a cauda abandonada
como uma pluma solta, pelo ch√£o deixada,
e o olhar, feito uma brasa acesa que faísca!

Mal eu chego, ela vem… l√Ęnguida, pregui√ßosa,
ro√ßar pelos meus p√©s a pel√ļcia prata,
como a implorar car√≠cias, t√≠mida e medrosa…

E tem tal express√£o, e um tal jeito qualquer,
Рque às vezes, chego mesmo a pensar que essa gata
traz no corpo escondida uma alma de mulher!

A Sesta De Nero

Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso,
O palácio imperial de pórfiro luzente
E m√°rmor da Lac√īnia. O teto caprichoso
Mostra, em prata incrustado, o n√°car do Oriente.

Nero no toro eb√ļrneo estende-se indolente…
Gemas em profus√£o do estr√°gulo custoso
De ouro bordado vêem-se. O olhar deslumbra, ardente,
Da p√ļrpura da Tr√°cia o brilho esplendoroso.

Formosa ancila canta. A aurilavrada lira
Em suas mãos soluça. Os ares perfumando,
Arde a mirra da Ar√°bia em recendente pira.

Formas quebram, dançando, escravas em coréia.
E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando
Nos alvos seios nus da l√ļbrica Pop√©ia.

O Defeito dos Homens Activos

Aos activos falta, habitualmente, a actividade superior: refiro-me √† individual. Eles s√£o activos enquanto funcion√°rios, comerciantes, eruditos, isto √©, como seres gen√©ricos, mas n√£o enquanto pessoas perfeitamente individualizadas e √ļnicas; neste aspecto, s√£o indolentes. A infelicidade das pessoas activas √© a sua actividade ser quase sempre um tanto absurda. N√£o se pode, por exemplo, perguntar ao banqueiro, que junta dinheiro, qual o objectivo da sua incans√°vel actividade: ela √© irracional. Os homens activos rebolam como rebola a pedra, em conformidade com a estupidez da mec√Ęnica. Todos os homens se dividem, como em todos os tempos tamb√©m ainda actualmente, em escravos e livres; pois quem n√£o tiver para si dois ter√ßos do seu dia √© um escravo, seja ele, de resto, o que quiser: pol√≠tico, comerciante, funcion√°rio, erudito.

A Import√Ęncia dos Princ√≠pios

Entre os homens, alguns h√° que possuem naturalmente um excelente car√°cter e que assimilam sem necessidade de longa instru√ß√£o os princ√≠pios tradicionais, que abra√ßam a via da moralidade desde o primeiro momento em que dela ouvem falar; do meio destes √© que surgem aqueles g√©nios que concitam em si toda a gama de virtudes, que produzem eles mesmos virtudes. Mas aos outros, √†queles que t√™m o esp√≠rito embotado, obtuso ou dominado por tradi√ß√Ķes err√≥neas, a esses h√° que raspar a ferrugem que t√™m na alma. Mais ainda: se transmitirmos os preceitos b√°sicos da filosofia aos primeiros, rapidamente eles atingir√£o o mais alto n√≠vel, pois est√£o naturalmente inclinados ao bem; se o fizermos aos outros, os de natureza mais fraca, ajud√°-los-emos a libertarem-se das suas convic√ß√Ķes erradas. Por aqui podes ver como s√£o necess√°rios os princ√≠pios b√°sicos. Temos instintos em n√≥s que nos fazem indolentes ante certas coisas, e atrevidos perante outras; ora, nem este atrevimento nem aquela indol√™ncia podem ser eliminados se primeiro n√£o removermos as respectivas causas, ou seja, a admira√ß√£o infundada ou o receio infundado.
Enquanto tivermos em n√≥s esses instintos, bem poder√°s dizer: “estes s√£o os teus deveres para com teu pai, ou para com os filhos,

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Natal de Longe

Natal!…Natal!…
A boca o diz,
A m√£o o escreve,
O coração já não sente.

Que a emoção,
Vibração
Das asas da fantasia
No voo do pensamento,
Deixou-se ficar parada
Só porque a noite está quente;
Só porque ser indolente
√Č como parar na estrada
E desistir da jornada,
Sem coragem de voltar
Pelo caminho t√£o rude!

Natal!… Natal!…

A doce força que tinha
Devorou-a a latitude.

Preguiça Corporal e Preguiça Espiritual

Há um trabalho servil, que é do corpo e para o corpo, embora a mente ajude, e um trabalho régio, que é da alma e para a alma, e quase ninguém exige às mãos. Há, portanto, uma preguiça corporal e outra espiritual, uma ou outra senhora de todos.
A primeira √© dominada – n√£o destru√≠da – pela necessidade e pelo t√©dio; a outra, refor√ßada pela arrog√Ęncia, raramente √© vencida. Os homens s√£o indolentes que trabalham contra a vontade com os bra√ßos e a intelig√™ncia para fugir ao trabalho mais dif√≠cil da alma.
As actividade imoderadas de muitos n√£o passam de pretextos da ociosidade espiritual. Em vez de se afadigarem para conseguir a ren√ļncia dos bens materiais, sujeitam-se a um trabalho totalmente exterior que por vezes se converte, devido a in√©rcia ou embriaguez, em frenesim.
Mas reformar a natureza doente e transviada, abandonar a senda da concupiscência e alcançar a liberdade serena dos filhos da luz representa um trabalho incomparavelmente mais duro do que dirigir uma empresa, fábrica ou banco. A maioria, por cáclculo de indolência, prefere o trabalho servil, embora penoso, ao real, mais áspero e duro Рtorna-se escravo das coisas terrestres para evitar o esforço que o tornaria dono do espírito.

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O Valor da Crónica de Jornal

A cr√≥nica √© como que a conversa √≠ntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o l√™em: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo, espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, dos enfeites, fala em tudo baixinho, como quando se faz um ser√£o ao braseiro, ou como no Ver√£o, no campo, quando o ar est√° triste. Ela sabe anedotas, segredos, hist√≥rias de amor, crimes terr√≠veis; espreita, porque n√£o lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a Lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o Sol; a cr√≥nica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e fac√©cias, enterros e actores ambulantes, um poema moderno e o p√© da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo esp√≠rito, pela beleza, pela mocidade; ela n√£o tem opini√Ķes, n√£o sabe do resto do jornal; est√° nas suas colunas contando, rindo, pairando; n√£o tem a voz grossa da pol√≠tica, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do cr√≠tico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiu√ßando.

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Sabedoria I, III

Que dizes, viajante, de esta√ß√Ķes, pa√≠ses?
Colheste ao menos tédio, já que está maduro,
Tu, que vejo a fumar charutos infelizes,
Projectando uma sombra absurda contra o muro?

Também o olhar está morto desde as aventuras,
Tens sempre a mesma cara e teu luto é igual:
Como através dos mastros se vislumbra a lua,
Como o antigo mar sob o mais jovem sol,

Ou como um cemit√©rio de t√ļmulos recentes.
Mas fala-nos, vá lá, de histórias pressentidas,
Dessas desilus√Ķes choradas plas correntes,
Dos nojos como insípidos recém-nascidos.

Fala da luz de g√°s, das mulheres, do infinito
Horror do mal, do feio em todos os caminhos
E fala-nos do Amor e também da Política
Com o sangue desonrado em m√£os sujas de tinta.

E sobretudo não te esqueças de ti mesmo,
Arrastando a fraqueza e a simplicidade
Em lugares onde h√° lutas e amores, a esmo,
De maneira t√£o triste e louca, na verdade!

Foi já bem castigada essa inocência grave?
Que achas? √Č duro o homem; e a mulher? E os choros,
Quem os bebeu?

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