Textos sobre Instrução

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Textos de instrução escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

H√° Que Instruir o Povo, mas…

Há que instruir o povo. Afigura-se-nos, porém, que é presunção demasiada, em nosso parecer, pelo menos, pensar que o povo sem mais nem para quê vai ouvir-nos de boca aberta. Porque o povo não é um rebanho de carneiros! Mais ainda: estamos convencidos de que compreende, ou pelo menos pressente, que nós, os senhores, tão-pouco sabemos nada, ainda que nos apresentemos como mestres, e que precisamos que alguém nos ensine primeiro; eis por que efectivamente não respeita a nossa ciência, ou pelo menos não a ama.
Quem tiver tido algum com√©rcio com o povo poder√° verificar por si pr√≥prio esta impress√£o. Para que o povo nos ou√ßa, efectivamente, de boca aberta, h√° que come√ßar por merec√™-lo, isto √©, por ganhar a sua confian√ßa, o seu respeito e essa nossa ideia de que basta usarmos da palavra para ele nos ouvir boquiaberto… n√£o √© a mais indicada para granjearmos a sua confian√ßa e muito menos a sua estima. Mas o povo compreende-o. N√£o h√° nada que o homem entenda melhor que o tom com que nos dirigimos a ele, o sentimento que ele nos inspira. A ing√©nua cren√ßa na nossa incomensur√°vel sabedoria relativamente ao povo antolha-se-lhe grotesca e em muitas ocasi√Ķes considera-a mesmo ofensiva.

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Rica Ignor√Ęncia

A ignor√Ęncia degrada as pessoas apenas quando associada √† riqueza. O pobre √© limitado pela sua pobreza e pela sua necessidade; as suas realiza√ß√Ķes substituem nele a instru√ß√£o e ocupam os seus pensamentos. Em contrapartida, os ricos, que s√£o ignorantes, vivem meramente para os seus prazeres e assemelham-se √†s bestas, como se pode ver todos os dias. Quanto a isso, acrescente-se ainda a exproba√ß√£o de que a riqueza e o √≥cio n√£o teriam sido desfrutados para aquilo que lhes confere o maior valor.

As Verdadeiras Qualidades ao Alcance de qualquer Ser Humano

Ao avaliar o nosso progresso como indiv√≠duos, tendemos a concentrar-nos nos factores externos como a nossa posi√ß√£o social, a influ√™ncia e a popularidade, a riqueza e o n√≠vel de instru√ß√£o. Como √© evidente, s√£o importantes para medir o nosso sucesso nas quest√Ķes materiais, e √© bem compreens√≠vel que muitas pessoas se esforcem principalmente por alcan√ßar todos eles. Mas os factores internos podem ser ainda mais cruciais para determinar o nosso desenvolvimento como seres humanos. A honestidade, a sinceridade, a simplicidade, a humildade, a pura generosidade, a aus√™ncia de vaidade, a prontid√£o para servir os outros – qualidades que est√£o facilmente ao alcance de qualquer criatura -, formam a base da nossa vida espiritual.

A Devida Educação

Das coisas que mais custa ver é uma pessoa inteligente e criativa, quando nos está a contar uma opinião ou um acontecimento, ser diminuída pela falta de vocabulário Рou de outra coisa facilmente aprendida pela educação.
A distribuição humana de inteligência, graça, sensibilidade, sentido de humor, originalidade de pensamento e capacidade de expressão é independente da educação ou do grau de instrução. Em Portugal e, ainda mais, no mundo, onde as oportunidades de educação são muito mais desiguais, logo injustamente, distribuídas, é não só uma tragédia como um roubo.
Rouba-se mais aos que n√£o falam nem escrevem com os meios t√©cnicos de que precisam. Mas tamb√©m s√£o roubados aqueles, adequadamente educados, que n√£o podem ouvir ou ler os milh√Ķes de pessoas que s√≥ n√£o conseguem dizer plenamente o que querem, porque n√£o t√™m as ferramentas que t√™m as pessoas mais novas, com mais sorte.
Mete nojo a ideia de a educação ser uma coisa que se dá. Que o Estado ou o patrão oferece. Não é assim. A educação, de Platão para a frente, é mais uma coisa que se tira. Não educar é negativamente positivo: é como vendar os olhos ou cortar a língua.
O meu pai,

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A Infelicidade da Juventude

O que faz da juventude um período infeliz é a caça à felicidade, na firme pressuposição de que ela tem de ser encontrada na existência. Disso resulta a esperança sempre malograda e, desta, o descontentamento. Imagens enganosas de uma vaga felicidade onírica pairam perante nós revestidas de formas caprichosamente escolhidas, fazendo-nos procurar em vão o seu original. Por isso, nos anos da juventude, estamos quase sempre descontentes com a nossa situação e o nosso ambiente, não importando quais sejam; porque lhes atribuímos o que na verdade pertence, em toda a parte, à vacuidade e à indigência da vida humana, com as quais só então travamos o primeiro conhecimento, após termos esperado coisas bem diversas. Ganhar-se-ia bastante se, pela instrução em tempo apropriado, fosse erradicada nos jovens a ilusão de que há muito a encontrar no mundo. Porém, é o contrário que acontece: na maioria das vezes, conhecemos a vida primeiro pela poesia, e depois pela realidade.
Na aurora da nossa juventude, as cenas descritas pela poesia resplandecem diante dos nossos olhos, e o anelo atormenta-nos para vê-las realizadas, a tocar o arco-íris. O jovem espera que o curso da sua vida se dê na forma de um romance interessante.

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M√°ximas do Nosso Saber

O que sabemos, sabemo-lo afinal apenas para n√≥s mesmos. Se falo com algu√©m daquilo que julgo saber, acontece que imediatamente ele sup√Ķe saber o assunto melhor que eu, e sou obrigado a regressar a mim mesmo com o meu saber. O que sei bem, sei-o apenas para mim. Uma palavra pronunciada por outro raramente constitui um est√≠mulo. Na maior parte das vezes suscita contradi√ß√£o, paralisia ou indiferen√ßa.
Instruamo-nos primeiro a n√≥s pr√≥prios e seremos depois capazes de receber instru√ß√Ķes dos outros.
Em boa verdade aprendemos sempre em livros que n√£o somos capazes de avaliar. O autor de um livro que f√īssemos capazes de avaliar teria que aprender connosco.
Muitos h√° que t√™m orgulho no que sabem. Face ao que n√£o sabem costumam ser arrogantes. No fundo s√≥ se sabe quando se sabe pouco. √Ä medida que cresce o saber, crece igualmente a d√ļvida.

Um Século de Discursos sem Resultados

O eterno ¬ędeficit¬Ľ; o mist√©rio tenebroso das contas e da d√≠vida p√ļblica; o espectro da bancarrota; a quebra da moeda; o ¬ędeficit¬Ľ da balan√ßa comercial; a insufici√™ncia econ√≥mica; a mis√©ria agr√≠cola; a irriga√ß√£o do Alentejo; o repovoamento florestal; as estradas; os portos; o analfabetismo; o abandono das popula√ß√Ķes rurais; a pesca; a marinha mercante ; a administra√ß√£o colonial; a instru√ß√£o e rearmamento do Ex√©rcito; a reconstru√ß√£o da marinha de guerra; a viciosa educa√ß√£o da gente portuguesa; a emigra√ß√£o; o quadro das nossas rela√ß√Ķes internacionais; a quest√£o religiosa ‚ÄĒ tudo isto absorveu literalmente um s√©culo de discursos, toneladas de artigos e n√£o deu um passo, salvo sempre o respeito pelos esfor√ßos honestos e realiza√ß√Ķes parciais √ļteis, entre as quais se destacam o fomento das comunica√ß√Ķes e a ocupa√ß√£o colonial.

As Nossas Verdades

A aprendizagem transforma-nos, faz o mesmo que toda a alimenta√ß√£o que tamb√©m n√£o ¬ęconserva¬Ľ apenas -: como sabe o fisi√≥logo. Mas no fundo de n√≥s mesmos, muito ¬ęl√° no fundo¬Ľ, h√°, na verdade, qualquer coisa rebelde a toda a instru√ß√£o, um granito de fatum espiritual, de decis√Ķes predestinadas e de resposta a perguntas escolhidas e pr√©-formuladas. A cada problema fundamental ouve-se inevitavelmente dizer ¬ęisso sou eu¬Ľ; por exemplo, a respeito do homem e da mulher, um pensador n√£o pode aprender nada de novo mas apenas aprender at√© ao fim, – prosseguir at√© ao fim na descoberta do que, para ele, era ¬ęcoisa assente¬Ľ a esse respeito. Encontram-se por vezes certas solu√ß√Ķes de problemas que alimentam precisamente a nossa grande f√©; talvez de ora em diante lhes chamemos as nossas ¬ęconvic√ß√Ķes¬Ľ.

Mais tarde – s√≥ se ver√°, nessas convic√ß√Ķes, pegadas que conduzem ao autoconhecimento, indicadores que conduzem ao problema que n√≥s somos, – ou mais exactamente, √† grande estupidez que somos, ao nosso fatum espiritual, ao incorrig√≠vel, que se encontra totalmente ¬ęl√° no fundo¬Ľ. – Depois dessa atitude simp√°tica que acabo de assumir em rela√ß√£o a mim pr√≥prio, talvez me seja mais facilmente permitido dizer francamente algumas verdades sobre ¬ęa mulher em si¬Ľ: uma vez que agora j√° se sabe de antem√£o que s√£o apenas –

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A Tirania Individual e a Tirania Colectiva

As diverg√™ncias de opini√£o n√£o resultam, como por vezes supomos, das desigualdades de instru√ß√£o daqueles que as manifestam. Elas notam-se, com efeito, em indiv√≠duos dotados de intelig√™ncia e de instru√ß√£o equivalentes. Disso se convencer√° quem percorrer as respostas aos grandes inqu√©ritos colectivos destinados a elucidar certas quest√Ķes bem definidas.
Entre os in√ļmeros exemplos fornecidos pela leitura das suas actas, mencionarei apenas um, muito t√≠pico, publicado nos Anais de Psicologia do sr. Binet. Querendo informar-se quanto aos efeitos da redu√ß√£o do programa de hist√≥ria da filosofia nos liceus, enviou um question√°rio a todos os professores incumbidos desse ensino. As respostas foram nitidamente contradit√≥rias, pois uns declaravam desastroso o que os outros julgavam excelente. ¬ęN√£o se compreende¬Ľ, conclui o Sr. Binet com melancolia, ¬ęque uma reforma que consterna um professor, pare√ßa excelente a um dos seus colegas. Que li√ß√£o para eles sobre a relatividade das opini√Ķes humanas, mesmo entre pessoas competentes!¬Ľ.
Contradi√ß√Ķes da mesma esp√©cie invariavelmente se manifestaram em todos os assuntos e em todos os tempos. Para chegar √† ac√ß√£o, o homem teve, entretanto, de escolher entre essas opini√Ķes contr√°rias. Como operar tal escolha, sendo a raz√£o muito fraca para a determinar?
Somente dois m√©todos foram descobertos at√© hoje: aceitar a opini√£o da maioria ou a de um √ļnico,

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Escrever é Triste

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, puré de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
O que voc√™ perde em viver, escrevinhando sobre a vida. N√£o apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem voc√™, porque com voc√™ n√£o √© poss√≠vel contar. Voc√™ esperando que os outros vivam, para depois coment√°-los com a maior cara-de-pau (“com isen√ß√£o de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divaga√ß√£o descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei propriet√°rio do universo, que escolhe para o seu jantar de not√≠cias um terremoto, uma revolu√ß√£o, um adult√©rio grego ‚ÄĒ √†s vezes nem isso, porque no painel imenso voc√™ escolhe s√≥ um besouro em campanha para verrumar a madeira.

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Use o Seu Cérebro

N√£o existe manual de instru√ß√Ķes para o c√©rebro, mas ele precisa de alimento, repara√ß√£o e da devida manuten√ß√£o ainda assim. Certos nutrientes s√£o f√≠sicos; a atual mania dos alimentos para o c√©rebro faz as pessoas correrem para vitaminas e enzimas. Mas o devido alimento para o c√©rebro √© tanto mental como f√≠sico. O √°lcool e o tabaco s√£o t√≥xicos, e sujeitar o c√©rebro √† sua exposi√ß√£o √© fazer mau uso dele. A raiva e o medo, o stress e a depress√£o s√£o igualmente uma forma de m√° utiliza√ß√£o. No momento em que escrevemos este livro, um novo estudo revela que uma rotina de stress di√°rio fecha o c√≥rtex pr√©-frontal, a parte do c√©rebro respons√°vel pela tomada de decis√Ķes, corre√ß√£o de erros e avalia√ß√£o de situa√ß√Ķes. √Č por isso que as pessoas d√£o em doidas em engarrafamentos. √Č um stress rotineiro, e contudo a f√ļria, frustra√ß√£o e impot√™ncia que alguns condutores sentem indicam que o c√≥rtex pr√©-frontal deixou de dominar os impulsos prim√°rios por cujo controlo √© respons√°vel.

Damos constantemente connosco a voltar √† mesma quest√£o: use o seu c√©rebro, n√£o deixe que o seu c√©rebro o use a si. As f√ļrias com o tr√Ęnsito s√£o um exemplo do seu c√©rebro a us√°-lo,

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O Que Procuro na Literatura

Que √© que eu procuro na literatura? Que √© que me arrasta para este combate intermin√°vel e sempre votado ao fracasso? Como √© imbecil pensar-se que se escreve para se ¬ęter nome¬Ľ e as vantagens que nisso v√™m. Espera-se decerto sempre fazer melhor, mas s√≥ porque sempre se falhou. Assim se sabe tamb√©m que se vai falhar de novo. N√£o se escreve para ningu√©m, o problema decide-se apenas entre n√≥s e n√≥s. Mas h√° um lugar inating√≠vel e cada nova tentativa √© uma tentativa para o alcan√ßar.
O desejo que nos anima é o de fixar, segurar pela palavra o que entrevemos e se nos furta. Julgamos às vezes que o atingimos, mas logo se sabe que não. Miragem perene de uma presença luminosa, de um absoluto de estarmos inundados dessa evidência, encantamento que nos deslumbra no instante e nesse instante se dissolve.
O que me arrasta nesta luta sem fim é o aceno de uma plenitude de ser, a integração perfeita do que sou no milagre que me entreluz, a transfiguração de mim e do mundo no que fulgura e vai morrer.
Recaído de cada vez no mais baixo, na grossa naturalidade de que sou feito,

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A Import√Ęncia dos Princ√≠pios

Entre os homens, alguns h√° que possuem naturalmente um excelente car√°cter e que assimilam sem necessidade de longa instru√ß√£o os princ√≠pios tradicionais, que abra√ßam a via da moralidade desde o primeiro momento em que dela ouvem falar; do meio destes √© que surgem aqueles g√©nios que concitam em si toda a gama de virtudes, que produzem eles mesmos virtudes. Mas aos outros, √†queles que t√™m o esp√≠rito embotado, obtuso ou dominado por tradi√ß√Ķes err√≥neas, a esses h√° que raspar a ferrugem que t√™m na alma. Mais ainda: se transmitirmos os preceitos b√°sicos da filosofia aos primeiros, rapidamente eles atingir√£o o mais alto n√≠vel, pois est√£o naturalmente inclinados ao bem; se o fizermos aos outros, os de natureza mais fraca, ajud√°-los-emos a libertarem-se das suas convic√ß√Ķes erradas. Por aqui podes ver como s√£o necess√°rios os princ√≠pios b√°sicos. Temos instintos em n√≥s que nos fazem indolentes ante certas coisas, e atrevidos perante outras; ora, nem este atrevimento nem aquela indol√™ncia podem ser eliminados se primeiro n√£o removermos as respectivas causas, ou seja, a admira√ß√£o infundada ou o receio infundado.
Enquanto tivermos em n√≥s esses instintos, bem poder√°s dizer: “estes s√£o os teus deveres para com teu pai, ou para com os filhos,

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Estudo, Criatividade, e Sabedoria Humilde

Descobrir√°s que n√£o √©s a primeira pessoa a quem o comportamento humano alguma vez perturbou, assustou ou mesmo enojou. N√£o est√°s de modo nenhum sozinho nesse ponto, e isso deve servir-te de incitamento e de est√≠mulo. Muitos, muitos homens se sentiram t√£o perturbados, moralmente e espiritualmente, como tu est√°s agora. Felizmente, alguns deles deixaram mem√≥rias dessa perturba√ß√£o. H√°s-de aprender com eles… se quiseres aprender. Tal como um dia, se tiveres alguma coisa para dar, algu√©m h√°-de aprender contigo. √Č um belo tratado de reciprocidade. E isto n√£o √© instru√ß√£o. √Č hist√≥ria. √Č poesia.
(…) N√£o estou a tentar dizer-te que s√≥ os homens instru√≠dos e com estudos est√£o preparados para dar alguma coisa ao mundo. N√£o √© verdade. Mas afirmo que os homens instru√≠dos e com estudos, se, para come√ßar, forem inteligentes e criativos, o que infelizmente, raramente acontece, tendem a deixar atr√°s deles mem√≥rias mais valiosas do que os homens simplesmente brilhantes e criativos. Tendem a exprimir-se mais claramente, e normalmente t√™m a paix√£o de seguir os seus pr√≥prios pensamentos at√© ao fim. E, o que √© mais importante, nove em cada dez vezes s√£o mais humildes do que os pensadores sem estudos.

J.D.

Os Livros de Cita√ß√Ķes

√Č uma coisa boa para um homem com pouca instru√ß√£o ler livros de cita√ß√Ķes. Cita√ß√Ķes Familiares de Bartlett √© um livro admir√°vel, e eu estudei-o intensamente. As cita√ß√Ķes, quando gravadas na nossa mem√≥ria, d√£o-nos bons pensamentos. Elas d√£o-nos vontade de ler os autores e conhec√™-los melhor.

O Simples e o Complicado

As pessoas n√£o querem que se lhes d√™ li√ß√Ķes. √Č por isso que n√£o compreendem agora as coisas mais simples. No dia em que o quiserem, verificar-se-√° que s√£o capazes de compreender tamb√©m as coisas mais complicadas. At√© l√°, as instru√ß√Ķes s√£o: continuar a trabalhar, discutir o menos poss√≠vel. Com efeito, s√≥ poder√≠amos dizer a um indiv√≠duo: voc√™ √© um imbecil, a outro: voc√™ √© um patife, e h√° boas raz√Ķes que excluem a realiza√ß√£o expressiva de tais convic√ß√Ķes. Sabemos, de resto, que estamos diante de pobres diabos, que receiam por um lado chocar, prejudicar as suas carreiras e que, por outro lado, se encontram acorrentados pelo medo do que est√° recalcado neles pr√≥prios. Teremos de esperar que todos eles morram ou se tornem lentamente minorit√°rios. De qualquer maneira, o que acontece de fresco e de novo √© a n√≥s que pertence.

O Nobre Patriotismo dos Patriotas

H√° em primeiro lugar o nobre patriotismo dos patriotas: esses amam a p√°tria, n√£o dedicando-lhe estrofes, mas com a serenidade grave e profunda dos cora√ß√Ķes fortes. Respeitam a tradi√ß√£o, mas o seu esfor√ßo vai todo para a na√ß√£o viva, a que em torno deles trabalha, produz, pensa e sofre: e, deixando para tr√°s as gl√≥rias que ganh√°mos nas Molucas, ocupam-se da p√°tria contempor√Ęnea, cujo cora√ß√£o bate ao mesmo tempo que o seu, procurando perceber-lhe as aspira√ß√Ķes, dirigir-lhe as for√ßas, torn√°-la mais livre, mais forte, mais culta, mais s√°bia, mais pr√≥spera, e por todas estas nobres qualidades elev√°-la entre as na√ß√Ķes. Nada do que pertence √† p√°tria lhes √© estranho: admiram decerto Afonso Henriques, mas n√£o ficam para todo o sempre petrificados nessa admira√ß√£o: v√£o por entre o povo, educando-o e melhorando-o, procurando-lhe mais trabalho e organizando-lhe mais instru√ß√£o, promovendo sem descanso os dois bens supremos – ci√™ncia e justi√ßa.
P√Ķem a p√°tria acima do interesse, da ambi√ß√£o, da glor√≠ola; e se t√™m por vezes um fanatismo estreito, a sua mesma paix√£o diviniza-os. Tudo o que √© seu o d√£o √† p√°tria: sacrificam-lhe vida, trabalho, sa√ļde, for√ßa, o melhor de si mesmo. D√£o-lhe sobretudo o que as na√ß√Ķes necessitam mais,

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O Egoísta Homem Moderno

Um dos problemas mais complicados e mais dif√≠ceis dos nossos dias, o de encaminhar para um fim ben√©fico e utilit√°rio, para o bem real da nossa sociedade, essa exuber√Ęncia espantosa de prosperidade material, que muito √© de temer n√£o materialize excessivamente o esp√≠rito popular e n√£o o lance na via de uma ambi√ß√£o desenfreada e subversiva. Esta quest√£o considero-a como a √ļnica s√©ria e vital que hoje resta resolver satisfatoriamente, porque a sua resolu√ß√£o √© que h√°-de dizer a raz√£o por que n√≥s gozamos dos incalcul√°veis benef√≠cios do vapor e das suas aplica√ß√Ķes e do tel√©grafo el√©ctrico; porque √© dela que depende a sorte futura da nossa sociedade, e essa resolu√ß√£o √© tanto mais dif√≠cil que ela n√£o pode ser a obra da viol√™ncia, por isso que a viol√™ncia apressaria o termo fatal do desengano sem que a sociedade estivesse suficientemente preparada para um choque t√£o violento, e tornaria sang√ľin√°ria uma revolu√ß√£o que, longe de dever ser um cataclismo para a sociedade, dever√° executar-se brandamente. O governo, que deve saber dirigir a verdadeira opini√£o p√ļblica, pode pela sua ac√ß√£o sobre a instru√ß√£o das classes laboriosas ensinar-lhes a sua posi√ß√£o futura na sociedade e destruir as ambi√ß√Ķes desenfreadas dos pretendidos amigos do povo…

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