Cita√ß√Ķes sobre Mosquitos

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O Homem Age Sempre Bem

N√£o acusamos a Natureza de imoral, se ela nos manda uma tro¬≠voada e nos molha: porque chamamos imoral √† pes¬≠soa que prejudica? Porque, aqui, admitimos uma vontade livre exercendo-se arbitrariamente; ali, uma necessidade. Mas essa distin√ß√£o √© um erro. E mais: nem em todas as circunst√Ęncias chamamos ¬ęimoral¬Ľ mesmo ao acto de lesar com inten√ß√£o; por exemplo, mata-se deliberadamente um mosquito, sem hesita¬≠√ß√£o, apenas porque o seu zumbido nos desagrada, castiga-se com inten√ß√£o o criminoso e inflige-se-Ihe sofrimento, para nos protegermos a n√≥s e √† socieda¬≠de. No primeiro caso, √© o indiv√≠duo que, para se manter ou at√© para n√£o se expor a um desagrado, faz sofrer intencionalmente; no segundo, √© o Estado. Toda a moral aceita que se fa√ßa mal de prop√≥sito, em leg√≠tima defesa: ou seja, quando se trata da conser¬≠va√ß√£o de si pr√≥prio! Mas estes dois pontos de vista bas¬≠tam para explicar todas as m√°s ac√ß√Ķes cometidas por seres humanos contra seres humanos: ou se quer prazer para si ou se quer evitar desprazer; em qual¬≠quer dos sentidos, trata-se sempre da conserva√ß√£o de si pr√≥prio. S√≥crates e Plat√£o tamb√©m t√™m raz√£o: seja o que for que o homem fa√ßa, ele faz sempre o bem, is¬≠to √©, aquilo que lhe parece bom (√ļtil),

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O Homem Cruel

Quando o rico ti¬≠ra um pertence ao pobre (por exemplo, um pr√≠ncipe que tira a amante ao plebeu), ent√£o gera-se um erro no pobre; este acha que aquele tem de ser absoluta¬≠mente infame, para lhe tirar o pouco que ele tem. Mas aquele n√£o sente de modo algum t√£o profunda¬≠mente o valor de um √ļnico pertence, porque est√° ha¬≠bituado a ter muitos: portanto, n√£o se pode trans¬≠por para o esp√≠rito do pobre e n√£o comete tal uma injusti√ßa t√£o grande como este julga. Ambos t√™m um do outro uma concep√ß√£o errada. A injusti√ßa do poderoso, a que mais indigna na Hist√≥ria, n√£o √© as¬≠sim t√£o grande como parece. O mero sentimento heredit√°rio de ser um ser superior, com direitos su¬≠periores, torna uma pessoa bastante fria e deixa-lhe a consci√™ncia tranquila: at√© todos n√≥s, se a dist√Ęncia entre n√≥s e um outro ente for muito grande, j√° n√£o sentimos absolutamente nada de injusto e matamos um mosquito, por exemplo, sem qualquer remorso.
Assim, não é sinal de maldade em Xerxes (a quem mesmo todos os Gregos descrevem como eminente­mente nobre) quando ele tira a um pai o seu filho e o manda esquartejar, porque este havia manifestado uma inquieta e ominosa desconfiança em relação a toda a expedição militar: neste caso,

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Leis s√£o como teias de aranha: boas para capturar mosquitos, mas os insetos maiores rompem sua trama e escapam

Confiss√£o

√Č certo que me repito,
é certo que me refuto
e que, decidido, hesito
no entra-e-sai de um minuto.

√Č certo que irresoluto
entre o velho e o novo rito
atiro à cesta o absoluto
como in√ļtil papelito.

√Č t√£o certo que me aperto
numa tenaz de mosquito
como é trinta vezes certo
que me oculto no meu grito.

Certo, certo, certo, certo
que mais sinto que reflicto
as f√°bulas do deserto
do raciocínio infinito.

√Č tudo certo e prescrito
em nebuloso estatuto.
O homem, chamar-lhe mito
n√£o passa de anacoluto.

Casa: um edifício oco, construído para ser habitado pelo homem, pela ratazana, pelo rato, pelo escaravelho, pela barata, pela mosca, pelo mosquito, pela pulga, pelo bacilo e pelo micróbio.

A um Mosquito

Invencível mosquito,
√Čmulo do mais livre pensamento,
Sem corpo, e de todo espírito,
Que deste fim a um t√£o alto intento,
Quando precipitado
O céu de Délia acometeste ousado.

As portas de diamante
Cerradas ao clamor de tanta gente
Abriste triunfante,
Zombando da esperança impertinente,
Que entre temor, e espanto
Nunca acabou comigo esperar tanto.

Cupido, que inquieta
Délia sentiu ferida,
Espera, que o sinta,
A lança, que tiraste em sangue tinta,
Que o peito endurecido
√Č prova das setas de Cupido.

Porém de nada disto
Te mostres t√£o soberbo, e presumido,
Que podes sem ser visto
Passar a mais ferir, sem ser sentido,
E para castigar-te,
N√£o ocupas lugar nalguma parte.

Foras de amor ferido,
Se tivera o teu erro algum desconto,
Ou se achara Cupido
Aonde a ponta da seta p√īr o ponto.
Condolação bastante;
Pois não picaste a Délia como amante.

Buscaste a noite escura
Por cometer a Délia mais oculto;
Quem medo te afigura,
Se n√£o faz o teu corpo nenhum vulto,

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