Cita√ß√Ķes sobre Possuidores

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Frases sobre possuidores, poemas sobre possuidores e outras cita√ß√Ķes sobre possuidores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Sempre nos Reduzimos √†s Limita√ß√Ķes do Nosso Interlocutor

Ningu√©m pode ver acima de si. Com isso quero dizer: cada pessoa v√™ em outra apenas o tanto que ela mesma √©, ou seja, s√≥ pode conceb√™-la e compreend√™-la conforme a medida da sua pr√≥pria intelig√™ncia. Se esta for de tipo inferior, ent√£o todos os dons intelectuais, mesmo os maiores, n√£o lhe causar√£o nenhuma impress√£o, e ela perceber√° no possuidor desses grandes dons apenas os elementos inferiores da individualidade dela pr√≥pria, isto √©, todas as suas fraquezas, os seus defeitos de temperamento e car√°cter. Eis os ingredientes que, para ela, comp√Ķem o homem eminente, cujas capacidades intelectuais elevadas lhe s√£o t√£o pouco existentes, quanto as cores para os cegos. De facto, todos os esp√≠ritos s√£o invis√≠veis para os que n√£o o possuem, e toda a avalia√ß√£o √© um produto do que √© avaliado pela esfera cognitiva de quem avalia.
Disso resulta que nos colocamos ao mesmo nível do nosso interlocutor, pois tudo o que temos em excedência desaparece, e até mesmo a auto-abnegação exigida em tal atitude permanece irreconhecida por completo. Ora, se considerarmos o quanto a maioria dos homens é de mentalidade e inteligência inferiores, portanto, o quanto é comum, veremos que não é possível falar com ele sem,

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Os grandes dons espirituais fazem do seu possuidor um estranho para os outros homens e para a sua actividade, pois, quanto mais ele tem em si mesmo, menos pode encontrar nos demais, e cem coisas nas quais os homens têm grande satisfação acabam por lhes ser insípidas e intragáveis.

Enquanto a posição social e a riqueza podem contar sempre com a alta consideração na sociedade, os méritos intelectuais nunca devem esperar por ela. Nos casos mais favoráveis, serão ignorados; caso contrário, serão vistos como uma espécie de impertinência ou como um bem, que o seu possuidor adquiriu ilicitamente e ainda se atreve a jactar-se.

Amor ou Posse?

O nosso ¬ęamor pelo pr√≥ximo¬Ľ n√£o ser√° o desejo imperioso de uma nova propriedade? E n√£o sucede o mesmo com o nosso amor pela ci√™nica, pela verdade? E, mais geralmente, com todos os desejos de novidade? Cansamo-nos pouco a pouco do antigo, do que possu√≠mos com certeza, temos ainda necessidade de estender as m√£os; mesmo a mais bela paisagem, quando vivemos diante dela mais de tr√™s meses, deixa de nos poder agradar, qualquer margem distante nos atrai mais: geralmente uma posse reduz-se com o uso. O prazer que tiramos a n√≥s pr√≥prios procura manter-se, transformando sempre qualquer nova coisa em n√≥s pr√≥prios; √© precisamente a isso que se chama possuir.
Cansar-se de uma posse √© cansar-se de si pr√≥prio. (Pode-se tamb√©m sofrer com o excesso; √† necessidade de deitar fora, pode assim atribuir-se o nome lisonjeiro de ¬ęamor). Quando vemos sofrer uma pessoa aproveitamos de bom grado essa ocasi√£o que se oferece de nos apoderarmos dela; √© o que faz o homem caridoso, o indiv√≠duo complacente; chama tamb√©m ¬ęamor¬Ľ a este desejo de uma nova posse que despertou na sua alma e tem prazer nisso como diante do apelo de uma nova conquista. Mas √© o amor de sexo para sexo que se revela mais nitidamente como um desejo de posse: aquele que ama quer ser possuidor exclusivo da pessoa que deseja,

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Nunca Mostrar Espírito e Entendimento

Como ainda √© inexperiente quem sup√Ķe que, ao mostrar esp√≠rito e entendimento, recorre a um meio seguro para fazer-se benquisto em sociedade! Na verdade, na maioria das pessoas, tais qualidades despertam √≥dio e rancor, que ser√£o t√£o mais amargos quanto quem os sentir n√£o tiver o direito de externar o motivo, chegando at√© a dissimul√°-lo para si mesmo. Isso acontece da seguinte forma: se algu√©m nota e sente uma grande superioridade intelectual naquele com quem fala, ent√£o conclui tacitamente e sem consci√™ncia clara que este, em igual medida, notar√° e sentir√° a sua inferioridade e a sua limita√ß√£o. Essa conclus√£o desperta o √≥dio, o rancor e a raiva mais amarga.
(…) Mostrar esp√≠rito e entendimento √© uma maneira indirecta de repreender nos outros a sua incapacidade e estupidez. Ademais, o indiv√≠duo comum revolta-se ao avistar o seu oposto, sendo a inveja o seu instigador secreto. A satisfa√ß√£o da vaidade √©, como se pode ver diariamente, um prazer que as pessoas colocam acima de qualquer outro, mas que s√≥ √© poss√≠vel por interm√©dio da compara√ß√£o delas pr√≥prias com os demais. No entanto, nenhum m√©rito torna o homem mais orgulhoso do que o intelectual: s√≥ neste repousa a sua superioridade em rela√ß√£o aos animais.

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√Č um gl√°dio perigoso o esp√≠rito, mesmo para o seu possuidor, se n√£o sabe armar-se com ele de uma maneira ordenada e discreta.

Quantos São os que Sabem Ser Donos de Si Próprios?

Apenas julgamos comprar aquilo que nos custa dinheiro, enquanto consideramos gratuito o que pagamos com a nossa pr√≥pria pessoa. Coisas que n√£o querer√≠amos comprar se em troca dev√™ssemos dar a nossa casa, ou uma quinta de recreio, ou de rendimento, estamos inteiramente dispostos a obt√™-las a troco de ansiedades e de perigos, para tal sacrificando a honra, a liberdade, o tempo. A tal ponto √© verdade que a nada damos menos valor do que a n√≥s pr√≥prios! Fa√ßamos, portanto, em todas as nossas decis√Ķes e actos, o mesmo que fazemos ao abordar qualquer vendedor: perguntemos o pre√ßo da mercadoria que desejamos.
Frequentemente pagamos ao mais alto pre√ßo algo por que nada dever√≠amos dar. Posso indicar-te muitos bens cuja aquisi√ß√£o, mesmo por oferta, nos custa a liberdade: ser√≠amos donos de n√≥s pr√≥prios se n√£o f√īssemos possuidores de tais bens.
Deves meditar no que te digo, quer se trate de lucros quer de despesas. ¬ęEste objecto vai estragar-se¬Ľ. Ora, √© uma coisa exterior; t√£o facilmente passar√°s sem ela como passaste antes de a ter. Se tiveste esse objecto bastante tempo, perde-lo depois de saciado; se pouco tempo, perde-lo antes de te habituares a ele. ¬ęGanhar√°s menos dinheiro¬Ľ. E menos preocupa√ß√Ķes,

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Todos os Homens S√£o Propriet√°rios

Todos os homens s√£o propriet√°rios, mas na realidade nenhum possui. N√£o s√£o propriet√°rios apenas porque at√© o √ļltimo dos pedintes tem sempre alguma coisa al√©m do que traz em cima, mas porque cada um de n√≥s √©, a seu modo, um capitalista.
Al√©m dos propriet√°rios de terras, de mercadorias, de m√°quinas e de dinheiro, existem, ainda mais numerosos, os propriet√°rios de capitais pessoais, que se podem alugar, vender ou fazer frutificar como os outros. S√£o os propriet√°rios e locadores de for√ßa f√≠sica – camponeses, oper√°rios, soldados – e propriet√°rios e prestadores de for√ßas intelectuais – m√©dicos, engenheiros, professores, escritores, burocratas, artistas, cientistas. Quem aluga os seus m√ļsculos, o seu saber ou o seu engenho obt√©m um rendimento, que pressup√Ķe um patrim√≥nio.
Um demagogo ou um dirigente de partido pode viver pobremente, mas se milh√Ķes de homens est√£o dispostos a obedecer a uma palavra sua, √©, na realidade, um capitalista, que, em vez de possuir milh√Ķes de liras, possui milh√Ķes de vontades. O talento visual de um pintor, a eloqu√™ncia de um advogado, o esp√≠rito inventivo de um mec√Ęnico s√£o verdadeiros capitais e medem-se pelo pre√ßo que deve pagar, para obter os seus produtos, quem n√£o os possui e carece deles.

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As riquezas do mundo pertencem efetivamente aos que têm a audácia de se declarar seus possuidores.

Sem Acção, de Nada Vale a Inteligência

Os conhecimentos ouvem-se, mas para agir a capacidade de audi√ß√£o √© praticamente desprez√°vel. Porque agir √© estar pr√≥ximo das coisas e ouvir √© estar afastado das coisas. Algu√©m que apenas ouve ser√° considerado um intruso no mundo, a Natureza n√£o se sentir√° amea√ßada. Quem ouve poder√° acumular conhecimentos, mas essa acumula√ß√£o n√£o lutar√° com a Natureza. Esta resiste bem √† intelig√™ncia, ao racioc√≠nio e √† mem√≥ria do Homem: todas estas qualidades intelectuais s√£o assuntos que dizem respeito exclusivamente ao mundo da cidade, e o que amea√ßa a Natureza s√£o as ac√ß√Ķes: os momentos em que os humandos abandonam a audi√ß√£o, e mesmo a linguagem do discurso, e passam a querer falar com o tacto: o √ļnico que pode alterar as coisas.
Se os homens, mantendo a sua intelig√™ncia incorrupta, fossem seres im√≥veis, incapazes de qualquer movimento, seriam ainda hoje menos poderosos do que um √ļnico metro quadrado de terra espont√Ęneo. Poderiam possuir um grau de aperfei√ßoamento no pensamento abstracto, matem√°tico e l√≥gico, mas n√£o deixariam de ser uma esp√©cie secund√°ria ao lado das outras: as possuidoras de movimento. Qualquer c√£o mesquinho mijaria nas pernas de um homem inteligente, mas im√≥vel.

Gonçalo M.

A Exacta Glória é a Póstuma

A exacta gl√≥ria √© a p√≥stuma, a que nenhum dente r√≥i, e que s√≥ desce sobre um nome depois da ressurrei√ß√£o intemporal do seu possuidor. Todos sabemos que a imortalidade do poeta lhe nasce das cinzas. Mas o artista enquanto vive √© homem. Rege-o tanto uma lei de cima como uma lei de baixo. E por isso, pela transit√≥ria fama entre meia d√ļzia de condicionados contempor√Ęneos, √© capaz de matar um irm√£o. Velhos e novos aprestam nesta triste luta as mesmas armas e as mesmas unhas. Os velhos querem guardar os loiros; os novos querem tirar-lhos das m√£os. E sem haver a mais pequena esperan√ßa de paz entre as duas for√ßas. √Č da pr√≥pria natureza dos contendores que nenhum ceda. A sofreguid√£o √© tanto da fisiologia senil, como da infantil…

A Causa das Guerras

Causa das guerras: cada homem, cada grupo humano sente-se, com todo o direito, mestre legítimo e possuidor do universo. Mas esta posse é mal entendida, por desconhecimento de que o acesso Рtanto quanto é possível ao homem sobre a terra Рpassa, em cada um, pelo seu próprio corpo.
Alexandre está para um camponês proprietário como Don Juan para um marido feliz.

√Ālvaro

… Diabo de homem, este √Ālvaro… Agora chama-se √Ālvaro de Silva… Vive em Nova Iorque… Passou quase toda a vida na selva nova-iorquina… Imagino-o a comer laranjas a horas ins√≥litas, queimando com o f√≥sforo o papel dos cigarros, fazendo perguntas vexat√≥rias a toda a gente… Foi sempre um mestre desordenado, possuidor de uma brilhante intelig√™ncia, intelig√™ncia inquiridora que parecia n√£o o levar a pparte nenhuma, excepto a Nova Iorque. Era em 1925…

Entre as violetas que se lhe escapavam da m√£o quando corria para as entregar a uma transeunte desconhecida, com a qual queria logo ir deitar-se, sem saber como ela se chamava nem donde era, e as suas intermin√°veis leituras de Joyce, revelou-me a mim e a muitos outros insuspeitadas opini√Ķes, pontos de vist-a de grande cidad√£o que vive dentro da urbe, na sua cova, e sai a explorar a m√ļsica, a pintura, os livros, a dan√ßa… Sempre a comer laranjas, a descascar ma√ß√£s, insuport√°vel diet√©tico, assombrosamente intrometido em tudo, v√≠amos nele, por fim, o sonhado antiprovinciano que todos n√≥s, os provincianos, t√≠nhamos querido ser, sem as etiquetas coladas nas malas, antes circulando dentro de si pr√≥prio, com uma mistura de pa√≠ses e concertos, de caf√©s ao alvorecer,

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Hino √† Toler√Ęncia

J√° ser√° grande a tua obra se tiveres conseguido levar a toler√Ęncia ao esp√≠rito dos que vivem em volta; toler√Ęncia que n√£o seja feita de indiferen√ßa, da cinzenta igualdade que o mundo apresenta aos olhos que n√£o v√™em e √†s m√£os que n√£o agem; toler√Ęncia que, afirmando o que pensa, ainda nas horas mais perigosas, se co√≠ba de eliminar o advers√°rio e tenha sempre presente a diferen√ßa das almas e dos h√°bitos; dar-lhe-√£o, se quiserem, o tom da ironia, para si pr√≥prios, para os outros; mas n√£o h√£o-de cair no cepticismo e no c√≥modo sorriso superior; quando chegar o proceder, saber√£o o gosto da energia e das firmes atitudes. Mais a h√£o-de ter como vencedores do que como vencidos; a toler√Ęncia em face do que esmaga n√£o anda longe do temor; ent√£o, antes os quero violentos que cobardes.
Mas tu mesmo, Marcos, com que direito és tolerante? Acaso te julgas possuidor da verdade? Em que trono te sentaram para que assim olhes de cima o resto dos humanos e todo o mundo em redor? Por que tão cedo te separas de compreender e de amar? Tens a pena do rico para o pobre, dás-lhe a esmola de lhe não fazer mal;

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A Falsa Emancipação da Mulher

Actualmente, tem-se a pretens√£o de que a mulher √© respeitada. Uns cedem-lhe o lugar, apanham-lhe o len√ßo: outros reconhecem-lhe o direito de exercer todas as fun√ß√Ķes, de tomar parte na administra√ß√£o, etc.; mas a opini√£o que t√™m dela √© sempre a mesma – um instrumento de prazer. E ela sabe-o. Isso em nada difere da escravatura. A escravatura mais n√£o √© do que a explora√ß√£o por uns do trabalho for√ßado da maioria. Assim, para que deixe de haver escravatura √© necess√°rio que os homens cessem de desejar usufruir o trabalho for√ßado de outrem e considerem semelhante coisa como um pecado ou vergonha. Entretanto, eles suprimem a forma exterior da escravatura, depois imaginam, persuadem-se de que a escravatura est√° abolida mas n√£o v√™em, n√£o querem ver que ela continua a existir porque as pessoas procedem sempre de maneira id√™ntica e consideram bom e equitativo aproveitar o trabalho alheio. E desde que isso √© julgado bom, torna-se inveit√°vel que apare√ßam homens mais fortes ou mais astutos dispostos a passar √† ac√ß√£o. A escravatura da mulher reside unicamente no facto de os homens desejarem e julgarem bom utiliz√°-la como instrumento de prazer. Hoje em dia, emancipam-na ou concedem-lhe todos os direitos iguais aos do homem,

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Julgar Pelas Aparências

A beleza √© uma forma de G√©nio… diria mesmo que √© mais sublime do que o G√©nio por n√£o precisar de qualquer explica√ß√£o. √Č um dos grandes factos do mundo, como a luz do sol ou a Primavera, ou o reflexo nas escuras √°guas dessa concha de prata a que chamamos lua. √Č inquestion√°vel. Tem um direito de soberania divino. Eleva os seus possuidores √† categoria de pr√≠ncipes. Est√° a sorrir ? Ah, quando a tiver perdido com certeza que n√£o h√°-de sorrir… √†s vezes as pessoas dizem que a Beleza √© apenas superficial, e pode bem ser. Mas pelo menos n√£o √© t√£o superficial como o Pensamento. Para mim, a Beleza √© a maravilha das maravilhas. S√≥ as pessoas fr√≠volas √© que n√£o julgam pelas apar√™ncias. O verdadeiro mist√©rio do mundo √© o vis√≠vel e n√£o o invis√≠vel…