Citação de

Sempre nos Reduzimos √†s Limita√ß√Ķes do Nosso Interlocutor

Ningu√©m pode ver acima de si. Com isso quero dizer: cada pessoa v√™ em outra apenas o tanto que ela mesma √©, ou seja, s√≥ pode conceb√™-la e compreend√™-la conforme a medida da sua pr√≥pria intelig√™ncia. Se esta for de tipo inferior, ent√£o todos os dons intelectuais, mesmo os maiores, n√£o lhe causar√£o nenhuma impress√£o, e ela perceber√° no possuidor desses grandes dons apenas os elementos inferiores da individualidade dela pr√≥pria, isto √©, todas as suas fraquezas, os seus defeitos de temperamento e car√°cter. Eis os ingredientes que, para ela, comp√Ķem o homem eminente, cujas capacidades intelectuais elevadas lhe s√£o t√£o pouco existentes, quanto as cores para os cegos. De facto, todos os esp√≠ritos s√£o invis√≠veis para os que n√£o o possuem, e toda a avalia√ß√£o √© um produto do que √© avaliado pela esfera cognitiva de quem avalia.
Disso resulta que nos colocamos ao mesmo n√≠vel do nosso interlocutor, pois tudo o que temos em exced√™ncia desaparece, e at√© mesmo a auto-abnega√ß√£o exigida em tal atitude permanece irreconhecida por completo. Ora, se considerarmos o quanto a maioria dos homens √© de mentalidade e intelig√™ncia inferiores, portanto, o quanto √© comum, veremos que n√£o √© poss√≠vel falar com ele sem, nesse √≠nterim, tornarmo-nos comuns (em analogia com o fen√≥meno da distribui√ß√£o el√©ctrica). Compreenderemos, ent√£o, a fundo, o sentido pr√≥prio e acertado da express√£o ¬ęvulgarizar-se¬Ľ e procuraremos de bom grado evitar toda a companhia com a qual s√≥ podemos comunicar por interm√©dio da parte ignominiosa da sua natureza.