Passagens sobre Express√£o

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Frases sobre express√£o, poemas sobre express√£o e outras passagens sobre express√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O escritor √© um neur√≥tico, e escrever √© provavelmente a √ļnica forma que tem de exprimir os seus afectos, e de neles ser retribu√≠do. √Č complexo, porque √© misturado com uma grande dose de narcisismo.

Cegueira de Amor

Fiei-me nas promessas que afectavas
Nas l√°grimas fingidas que vertias,
Nas ternas express√Ķes que me fazias,
Nessas m√£os que as minhas apertavas.

Talvez, cruel, que, quando as animavas,
Que eram doutrem na ideia fingirias,
E que os olhos banhados mostrarias
De pranto, que por outrem derramavas.

Mas eu sou tal, ingrata, que, inda vendo
Os meus tristes amores mal seguros,
De amar-te nunca, nunca me arrependo.

Ainda adoro os olhos teus perjuros,
Ainda amo a quem me mata, ainda acendo
Em aras falsas, holocaustos puros.

Eu relutei, mas acabei por descartar a possibilidade de continuar a gerir o portif√≥lio da Berkshire depois da minha morte. E, com isso, abandonei a esperan√ßa de dar um novo significado √† express√£o ‘pensar fora da caixa’.

O Verdadeiro Homem

√Č evidente que a natureza se preocupa bem pouco com o que o homem tem ou n√£o no esp√≠rito. O verdadeiro homem √© o homem selvagem, que se relaciona com a natureza tal como ela √©. Assim que o homem agu√ßa a sua intelig√™ncia, desenvolve as suas ideias e a forma de as exprimir, ou adquire novas necessidades, a natureza op√Ķe-se aos seus des√≠gnios em toda a linha. S√≥ lhe resta violent√°-la, continuamente. Ela, pelo seu lado, tamb√©m n√£o fica quieta. Se ele suspende por momentos o trabalho que se impusera, ela torna-se de novo dominadora, invade-o, devora-o, destr√≥i ou desfigura a sua obra; dir-se-ia que acolhe com impaci√™ncia as obras-primas da imagina√ß√£o e da per√≠cia do homem.

Que importam √† ronda das esta√ß√Ķes, ao curso dos astros, dos rios e dos ventos, o Part√©non, S√£o Pedro de Roma e tantas outras maravilhas da arte? Um tremor de terra ou a lava de um vulc√£o reduzem-nos a nada; os p√°ssaros far√£o os seus ninhos nas suas ru√≠nas; os animais selvagens ir√£o buscar os ossos dos construtores aos seus t√ļmulos entreabertos.

Censura e Criatividade

Dos d√©spotas prov√™m, at√© certo ponto, os pensadores. A palavra acorrentada √© terr√≠vel. O escritor duplica e triplica o seu estilo, quando um senhor imp√Ķe sil√™ncio ao povo. Sai desse sil√™ncio certa plenitude misteriosa que se filtra e se condensa em bronze no pensamento. A compreens√£o na hist√≥ria produz a concis√£o no historiador. A solidez gran√≠tica de tal ou tal prosa c√©lebre n√£o √© mais do que um amontoamento feito por um tirano.
A tirania constrange o escritor a circunscri√ß√Ķes de di√Ęmetro, que s√£o alargamentos de for√ßa. O per√≠odo ciceroniano, apenas suficiente para Verres, sobre Cal√≠gula embotar-se-ia. Quanto menor for a exuber√Ęncia da frase, maior ser√° a intensidade do golpe. Sirva de exemplo a concis√£o de T√°cito no exprimir e a sua veem√™ncia no pensar. A honestidade de um grande cora√ß√£o, condensada em justi√ßa e em verdade, fulmina.

A arte é expressão plástica do espírito. O espírito, só, não é arte. A plástica, só, também não é arte.

O Eterno é a Própria Vida

Segundo a express√£o de Lavelle, a morte d√° ¬ęa todos os acontecimentos que a precederam esta marca do absoluto que nunca possuiriam se n√£o viessem a interromper-se¬Ľ. O absoluto habita em cada uma das nossas empresas, na medida em que cada uma se realiza de uma vez para sempre e n√£o ser√° nunca recome√ßada. Entra na nossa vida atrav√©s da sua pr√≥pria temporalidade. Assim o eterno torna-se fluido e reflui do fim ao cora√ß√£o da vida. A morte j√° n√£o √© a verdade da vida, a vida j√° n√£o √© a espera do momento em que a nossa ess√™ncia ser√° alterada. O que h√° sempre de incoactivo, de incompleto e de constrangedor no presente n√£o √© j√° um sinal de menor realidade.
Mas ent√£o a verdade de um ser j√° n√£o √© aquilo em que se tornou no fim ou a sua ess√™ncia, mas o seu devir activo ou a sua exist√™ncia. E se, como Lavelle dizia em tempos, nos julgamos mais perto dos mortos que am√°mos do que dos vivos, √© porque j√° nos n√£o p√Ķem em d√ļvida e daqui para o futuro podemos sonh√°-los a nosso gosto. Esta piedade √© quase √≠mpia. A √ļnica recorda√ß√£o que lhes diz respeito √© a que se refere ao uso que faziam de si pr√≥prios e do seu mundo,

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O objetivo mais alto do artista consiste em exprimir na fisionomia e nos movimentos do corpo as paix√Ķes da alma.

Existem pessoas que dizem a hora em que pretendem chegar a um encontro e depois acrescentam: ‚ÄėMas, dependendo da vontade de Deus, talvez n√£o possa ir‚Ķ‚Äô. Tal frase pode parecer express√£o de f√© em Deus, mas n√£o o √©. N√£o se deve marcar a hora e depois dizer que talvez n√£o possa ir, pois isso deixa o outro com incerteza. Quem n√£o tem sabedoria e amor, mesmo que tenha f√©, √†s vezes fere os outros e nem percebe.

Ode Triunfal

√Ä dolorosa luz das grandes l√Ęmpadas el√©ctricas da f√°brica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

√ď rodas, √≥ engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em f√ļria!
Em f√ļria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De express√£o de todas as minhas sensa√ß√Ķes,
Com um excesso contempor√Ęneo de v√≥s, √≥ m√°quinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical –
Grandes tr√≥picos humanos de ferro e fogo e for√ßa –
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

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Feminismo é odiado porque as mulheres são odiadas. Antifeminismo é uma expressão direta de misoginia; é a defesa política do ódio às mulheres.

A Necessidade de Ser Insultado

Com que frequência caminhei no quarto de um lado para o outro, com o desejo inconsciente que alguém me insultasse ou proferisse alguma palavra que eu pudesse interpretar como um insulto, para que eu desabafasse a minha raiva em alguém.
√Č uma experi√™ncia muito simples que acontece quase di√°riamente, e ainda para mais quando existe algum outro segredo, uma afli√ß√£o no cora√ß√£o, para o qual se deseja dar uma express√£o verbal mas que n√£o se consegue.

Por que sinto falta de voc√™? Por que esta saudade? Eu n√£o te vejo mas imagino suas express√Ķes, sua voz teu cheiro…

Um teatro, uma literatura, uma express√£o art√≠stica que n√£o fale do seu pr√≥prio tempo n√£o tem relev√Ęncia.

O Supremo Palhaço da Criação

A velha no√ß√£o antropom√≥rfica de que todo o universo se centraliza no homem ‚Äď de que a exist√™ncia humana √© a suprema express√£o do processo c√≥smico ‚Äď parece galopar alegremente para o ba√ļ das ilus√Ķes perdidas. O facto √© que a vida do homem, quanto mais estudada √† luz da biologia geral, parece cada vez mais vazia de significado. O que no passado deu a impress√£o de ser a principal preocupa√ß√£o e obra-prima dos deuses, a esp√©cie humana come√ßa agora a apresentar o aspecto de um sub-produto acidental das maquina√ß√Ķes vastas, inescrut√°veis e provavelmente sem sentido desses mesmos deuses.
(…) O que n√£o quer dizer, naturalmente, que um dia a tal teoria seja abandonada pela grande maioria dos homens. Pelo contr√°rio, estes a abra√ßar√£o √† medida que ela se tornar cada vez mais duvidosa. De fato, hoje, a teoria antropom√≥rfica ainda √© mais adoptada do que nas eras de obscurantismo, quando a doutrina de que um homem era um quase Deus foi no m√≠nimo aperfei√ßoada pela doutrina de que as mulheres inferiores. O que mais est√° por tr√°s da caridade, da filantropia, do pacifismo, da ‚Äúinspira√ß√£o‚ÄĚ e do resto dos atuais sentimentalismos? Uma por uma, todas estas tolices s√£o baseadas na no√ß√£o de que o homem √© um animal glorioso e indescrit√≠vel,

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O Homem Que Confessa os Seus Pecados Nunca é o Mesmo Que os Cometeu

Monstro, robot, escravo, ser maldito – pouco importa o termo utilizado para transmitir a imagem da nossa condi√ß√£o desumanizada. Nunca a condi√ß√£o da humanidade no seu conjunto foi t√£o ign√≥bil como hoje. Estamos todos ligados uns aos outros por uma igniminiosa rela√ß√£o de senhor e servo; todos presos no mesmo c√≠rculo vicioso entre julgar e ser julgado; todos empenhados em destruir-nos mutuamente quando n√£o conseguimos impor a nossa vontade. Em vez de sentirmos respeito, toler√Ęncia, bondade e considera√ß√£o, para j√° n√£o falar em amor, uns pelos outros, olhamo-nos com medo, suspeita, √≥dio, inveja, rivalidade e malevol√™ncia. O nosso mundo assenta na falsidade. Seja qual for a direc√ß√£o em que nos aventuremos, a esfera de actividade humana em que nos embrenhemos, n√£o encontramos sen√£o enganos, fraudes, dissimula√ß√£o e hipocrisia.
Conhecer do facto de que, por muito alto que estejam colocados, os homens n√£o conseguem, n√£o ousam, pensar livremente, independentemente, quase desespero de me fazer ouvir. E se falo ainda, se me arrisco a exprimir os meus pontos de vista sobre certas quest√Ķes fundamentais, √© porque estou convencido de que, por muito negro que seja o panorama, uma mudan√ßa dr√°stica √©, n√£o s√≥ poss√≠vel, mas at√© inevit√°vel. Sinto que √© meu direito e meu dever de ser humano promover essa mudan√ßa.

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