Textos sobre Personalidade

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Textos de personalidade escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Dificuldade de Estabelecer e Firmar Rela√ß√Ķes

A dificuldade de estabelecer e firmar rela√ß√Ķes. H√° uma t√©cnica para isso, conhe√ßo-a. Nunca pude meter-me nela. Ser ¬ęsimp√°tico¬Ľ. √Č realmente f√°cil: prestabilidade, autodom√≠nio. Mas. Ser soci√°vel exige um esfor√ßo enorme ‚ÄĒ f√≠sico. Quem se habituou, j√° se n√£o cansa. Tudo se passa √† superf√≠cie do esfor√ßo. Ter ¬ępersonalidade¬Ľ: n√£o descer um mil√≠metro no trato, mesmo quando por delicadeza se finge. Assumirmos a import√Ęncia de n√≥s sem o mostrar. Darmo-nos valor sem o exibir. Irresistivelmente, agacho-me. E logo: a pata dos outros em cima. Bem feito. Pois se me pus a jeito. E ent√£o reponto. O fim. Ser prest√°vel, colaborar nas tarefas que os outros nos inventam. Col√≥quios, confer√™ncias, organiza√ß√Ķes de. Ah, ser-se um ¬ęin√ļtil¬Ľ (um ¬ęparasita¬Ľ…). Raz√Ķes profundas ‚ÄĒ um complexo duplo que vem da juventude: incompreens√£o do irm√£o corpo e da bolsa paterna. O segundo remediou-se. Tenho desprezo pelo dinheiro. Ligo t√£o pouco ao dinheiro que nem o gasto… Mas ¬ęgastar¬Ľ faz parte da ¬ępersonalidade¬Ľ. Sa√ļde ‚ÄĒ mais dif√≠cil. Este ar apeur√© que vem logo ao de cima. A √ļnica defesa, obviamente, √© o resguardo, o isolamento, a medida.
√Č f√°cil ser ¬ęsimp√°tico¬Ľ, dif√≠cil √© perseverar, assumir o artif√≠cio da facilidade. Conservar os amigos. ¬ęN√£o √©s capaz de dar nada¬Ľ,

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Originalidade Verdadeira e Originalidade Falseada

Em Arte, √© vivo tudo o que √© original. √Č original tudo o que prov√©m da parte mais virgem, mais verdadeira e mais √≠ntima duma personalidade art√≠stica. A primeira condi√ß√£o duma obra viva √© pois ter uma personalidade e obedecer-lhe. Ora como o que personaliza um artista √©, ao menos superficialmente, o que o diferencia dos demais, (artistas ou n√£o) certa sinon√≠mia nasceu entre o adjectivo original e muitos outros, ao menos superficialmente aparentados; por exemplo: o adjectivo exc√™ntrico, estranho, extravagante, bizarro… Eis como √© falsa toda a originalidade calculada e astuciosa.
Eis como tamb√©m pertence √† literatura morta aquela em que um autor pretende ser original sem personalidade pr√≥pria. A excentricidade, a extravag√Ęncia e a bizarria podem ser poderosas – mas s√≥ quando naturais a um dado temperamento art√≠stico. Sobre outras qualidades, o produto desses temperamentos ter√° o encanto do raro e do imprevisto. Afectadas, semelhantes qualidades n√£o passar√£o dum truque liter√°rio.

Liberdade Ilusória

A forma √© sempre aus√™ncia de liberdade, mesmo quando √© desejada. Por isso, em nenhuma forma de Estado, mesmo na aparentemente mais livre, a no√ß√£o filos√≥fica ou mesmo pol√≠tica de liberdade pode ser transposta para a realidade. Em si, pois, a rep√ļblica √© t√£o pouco sin√≥nima de liberdade como a monarquia – mesmo absoluta – √© sin√≥nimo de falta de liberdade. A diferen√ßa entre as formas de Estado reside sempre no ritual, e o ritual √© sempre determinado, em √ļltima an√°lise, pela personalidade daquele que est√° no cimo (quer seja imperador ou presidente).

Fazer as Pazes

Para fazer as pazes √© preciso haver uma guerra. Mas, quando n√£o h√° uma guerra ou s√≥ a suspeita, ou ci√ļme, de haver uma amea√ßa, ou uma desaten√ß√£o, de a paz que encanta e apaixona, se tornar num h√°bito, as pazes ficam feitas e celebra-se essa felicidade.
O conflito e a diferen√ßa de personalidades – a identidade pessoal de cada um e quanto estamos dispostos a sacrificarmo-nos por defend√™-la – s√£o grossamente exagerados. √Č a necessidade de se achar que se √© diferente – nos afectos, nas necessidades – que provoca todos os mal-entendidos e a maior parte das infelicidades.
Muito ganharíamos Рse perdêssemos só o que temos de perder e amargar -, se partíssemos do princípio que somos todos iguais, homens e mulheres, eu e tu, eles e nós. E que é o pouco que nos diferencia e distancia, por muito caro que nos saia, que consegue o milagre de tornarmo-nos mais atraentes uns aos outros.
As guerras imaginadas são mil vezes melhores do que as verdadeiras. A ilusão da diferença (de personalidades, sexos, sexualidades, culturas Рe tudo o mais que arranjamos para chegar à ficção vaidosa que cada um é como é) passou a ser o que apreciamos ser a nossa nociva e dispensável individualidade.

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Combater é uma Diminuição

Combater √©, em termos absolutos, uma diminui√ß√£o. O homem, quer defenda a p√°tria, quer defenda as ideias, desde que passa os dias aos tiros ao vizinho, mesmo que o vizinho seja o monstro dos monstros, est√° a perder grandeza. Sempre que por qualquer motivo a raz√£o passou a servir a paix√£o, houve um apoucamento do espirito, e √© dif√≠cil que o esp√≠rito se salve num processo onde ele entra diminu√≠do. Mas quando numa comunidade algu√©m endoidece e desata a ferir a torto e a direito, √© preciso dominar o possesso de qualquer forma, e a guerra √© fatal. Ent√£o, embora sabendo que vai empobrecer a sua alma, o homem normal come√ßa a lutar, e s√≥ a morte ou o triunfo o podem fazer parar. √Č tr√°gico, mas √© natural. O que √© contra todas as leis da vida √© ficar ao lado da contenda como espectador. Sendo uma diminui√ß√£o combater, √© uma trai√ß√£o sem nome lavar as m√£os do conflito, e passar as horas de bin√≥culo assestado a contemplar a desgra√ßa do alto dum monte. Assim √© que nada se salva. Fica-se homem sem qualquer sentido, manequim vestido de gente, coisa que n√£o tem personalidade. Porque nem se representa a intelig√™ncia,

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Tudo Se Me Evapora

Tudo se me evapora. A minha vida inteira, as minhas recorda√ß√Ķes, a minha imagina√ß√£o e o que cont√©m, a minha personalidade, tudo se me evapora. Continuamente sinto que fui outro, que pensei outro. Aquilo a que assisto √© um espect√°culo com outro cen√°rio. E aquilo a que assisto sou eu.
Encontro às vezes, na confusão vulgar das minhas gavetas literárias, papéis escritos por mim há dez anos, há quinze anos, há mais anos talvez. E muitos deles me parecem de um estranho; desconheço-me deles. Houve quem os escrevesse, e fui eu. Senti-os eu, mas foi como em outra vida, de que houvesse agora despertado como de um sono alheio.

N√£o Existe um Verdadeiro Sistema de Pensamentos

Enfaticamente, n√£o pode existir um verdadeiro sistema de pensamentos, pois nenhum sinal pode substituir a realidade. Pensadores profundos e honestos chegam sempre √† conclus√£o de que toda a cogni√ß√£o √© condicionada a priori pela sua pr√≥pria forma e nunca pode alcan√ßar aquela que as palavras significam… E este ignorabimus tamb√©m est√° em conformidade com a intui√ß√£o de todo o verdadeiro s√°bio: que os princ√≠pios abstractos da vida s√£o aceit√°veis somente como formas de express√£o, m√°ximas banais de uso quotidiano sob as quais a vida corre, como sempre correu, para a frente. Em √ļltima an√°lise, a ra√ßa √© mais forte do que as l√≠nguas, e √© assim que, debaixo de todos os grandes nomes, houve pensadores, que s√£o personalidades, e n√£o sistemas, que s√£o mut√°veis, que produziram efeito sobre a vida.

Uma Pessoa

Uma pessoa √© esse sujeito cujas ac√ß√Ķes s√£o suscept√≠veis de imputa√ß√£o. A personalidade moral nada mais √© do que a liberdade de um ser razo√°vel sob as leis morais. Em compensa√ß√£o, a personalidade psicol√≥gica n√£o passa da faculdade de ser consciente da sua exist√™ncia como id√™ntica atrav√©s de diferentes estados. Segue-se que uma pessoa n√£o pode ser submetida a outras leis que n√£o √†quelas que ela pr√≥pria se confere (ou sozinha, ou pelo menos a si mesma ao mesmo tempo que com outros).

Personalidade Limitada

H√° pessoas muito competentes no seu of√≠cio mas que nunca se adaptam a certos obst√°culos menores, como a nomes que desconhecem e saem do habitual. Tamb√©m nunca sabem usar uma chave de fendas e n√£o s√£o capazes de conhecer uma marca de carros pelas jantes, por exemplo. Cada indiv√≠duo tem um espa√ßo muito limitado de opera√ß√£o e o seu c√©rebro trabalha num pequeno circuito de observa√ß√Ķes; a sua evolu√ß√£o √© restrita ao que o rodeia e aos factos exteriores mais pr√≥ximos. A educa√ß√£o sem grandes exig√™ncias de comportamento social e intelectual, leva-os a formar uma personalidade mesquinha, √†s vezes ressentida e admiradora de extremos, como da lideran√ßa dum chefe.

O que Distingue um Amigo Verdadeiro

N√£o se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conhe√ßam pessoas de quem apetece ser amiga, n√£o se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupa√ß√£o da alma e a ocupa√ß√£o do espa√ßo, o tempo que se pode passar e a aten√ß√£o que se pode dar ‚ÄĒ todas estas coisas s√£o finitas e t√™m de ser partilhadas. N√£o chegam para mais de um, dois, tr√™s, quatro, cinco amigos. √Č preciso saber partilhar o que temos com eles e n√£o se pode dividir uma coisa j√° de si pequena (n√≥s) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém,

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Amor n√£o Tem N√ļmero

Se voc√™ n√£o tomar cuidado vira n√ļmero at√© para si mesmo. Porque a partir do instante em que voc√™ nasce classificam-no com um n√ļmero. Sua identidade no F√©lix Pacheco √© um n√ļmero. O registro civil √© um n√ļmero. Seu t√≠tulo de eleitor √© um n√ļmero. Profissionalmente falando voc√™ tamb√©m √©. Para ser motorista, tem carteira com n√ļmero, e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte √© identificado com um n√ļmero. Seu pr√©dio, seu telefone, seu n√ļmero de apartamento ‚ÄĒ tudo √© n√ļmero.
Se √© dos que abrem credi√°rio, para eles voc√™ √© um n√ļmero. Se tem propriedade, tamb√©m. Se √© s√≥cio de um clube tem um n√ļmero. Se √© imortal da Academia Brasileira de Letras tem o n√ļmero da cadeira.
√Č por isso que vou tomar aulas particulares de Matem√°tica. Preciso saber das coisas. Ou aulas de F√≠sica. N√£o estou brincando: vou mesmo tomar aulas de Matem√°tica, preciso saber alguma coisa sobre c√°lculo integral.
Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também.
Se √© contribuinte de qualquer obra de benefic√™ncia tamb√©m √© solicitado por um n√ļmero. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de neg√≥cio recebe um n√ļmero. Para tomar um avi√£o,

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Da Conversa

H√° quem, na conversa, prefira mostrar esp√≠rito brilhante, e ser capaz de sustentar todos os argumentos, a exercer o ju√≠zo no discernimento da verdade, como se houvesse maior m√©rito em saber o que pode ser dito, do que em conhecer o que deve ser pensado, alguns t√™m certos lugares comuns e certos temas em que se mostram bons conversadores, mas s√£o falhos na variedade; esta esp√©cie de indig√™ncia √© quase sempre aborrecida, e de vez em quando rid√≠cula; a parte mais honrosa do col√≥quio consiste em dar ocasi√£o a novo tema, e tamb√©m em moderar ou acelerar a transi√ß√£o para assunto diferente; √© bom variar, mesclando o assunto de que se est√° a conversar com argumentos, narrativas com discuss√Ķes, perguntas com respostas, jocosidades com seriedades; h√°, por√©m, assuntos que n√£o permitem brincadeira, nomeadamente a religi√£o, os neg√≥cios do Estado, as altas personalidades, todas as quest√Ķes de import√Ęncia para as pessoas presentes, enfim, todos os casos dignos de d√≥.
Aquele que muito interrogar muito aprenderá também, muito contentará também, especialmente se adaptar as suas perguntas aos conhecimentos daqueles que lhe podem responder, pois assim lhes dará ocasião de se comprazerem a falar, e ele próprio continuará a ganhar conhecimentos; se por vezes fingirdes ignorar o que consta que sabeis,

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A Individualidade das Nossas Sensa√ß√Ķes

Nesta era metálica dos bárbaros só um culto metodicamente excessivo das nossas faculdades de sonhar, de analisar e de atrair pode servir de salvaguarda à nossa personalidade, para que se não desfaça ou para nula ou para idêntica às outras.
O que as nossas sensa√ß√Ķes t√™m de real √© precisamente o que t√™m de n√£o nossas. O que h√° de comum nas sensa√ß√Ķes √© que forma a realidade. Por isso a nossa individualidade nas nossas sensa√ß√Ķes est√° s√≥ na parte err√≥nea delas. A alegria que eu teria se visse um dia o sol escarlate.

Novo Ano

Eu desejaria que o Novo Ano trouxesse no ventre morte, peste e guerra. Morte à senilidade idealista e à retórica embalsamada; peste para um certo código cultural que age sobre os grupos e os transforma em colectividades emocionais; guerra à recuperação da personalidade duma cultura extinta que nada tem a ver com a cultura em si mesma.

Eu desejaria que o Novo Ano trouxesse nos braços a vida, a energia e a paz. Vida o suficientemente despersonalizada no caudal urbano para que os desvios individuais não sejam convite ao eterno controlo e expressão das pessoas; energia para desmascarar o sectarismo da sociedade secularizada em que o estado afectivo é mais forte do que a acção; paz para os homens de boa e de má vontade.

(31 de

Maturidade Emocional

Dez fun√ß√Ķes da intelig√™ncia multifocal resultantes do treino da emo√ß√£o e da arte de pensar:

1. A arte de amar a vida e tudo o que a promove.

2. A arte de contemplar o belo.

3. A arte da serenidade: pensar antes de reagir.

4. A arte de expor e n√£o impor as ideias.

5. A arte da solidariedade.

6. A arte de gerir os pensamentos dentro e fora dos focos de tens√£o.

7. Colocar-se no lugar dos outros.

8. Ter espírito empreendedor.

9. Trabalhar perdas e frustra√ß√Ķes.

10. Trabalhar em equipa.

Se você tem cinco dessas características bem trabalhadas na sua personalidade, a sua maturidade emocional está bem acima da média. Se, das seis artes da inteligência multifocal, você viver intensamente pelo menos três delas, saiba que é um poeta da vida. Infelizmente, a grande maioria das pessoas não tem constituída na colcha de retalhos da personalidade nem sequer duas dessas dez características.

Personalidade e Individualidade

Todas as sociedades se t√™m esfor√ßado por nos iludir e persuadir-nos a concentrar a nossa aten√ß√£o na personalidade como se ela fosse a nossa individualidade. A personalidade √© aquilo que nos √© dado pelos outros. A individualidade √© aquilo com que nascemos e √© a natureza do nosso eu: n√£o pode ser-nos dada por ningu√©m, nem pode ser-nos tirada por ningu√©m. A personalidade pode ser dada e tirada. Consequentemente, quando nos identificamos com a nossa personalidade, come√ßamos a ter medo de perd√™-la, e sempre que surge uma fronteira al√©m da qual temos de nos fundir, a nossa personalidade recolhe-se. √Č incapaz de ir al√©m dos limites do que conhece. Trata-se de uma camada muito fina, que nos √© imposta. No amor profundo, evapora-se. Numa grande amizade, √© imposs√≠vel discerni-la.

A morte da personalidade nunca é absoluta em nenhum tipo de comunhão.
E n√≥s identificamo-nos com a personalidade: os nossos pais, professores, vizinhos e amigos disseram-nos que somos assim, todos moldaram a nossa personalidade e lhe deram uma forma, fazendo de n√≥s algo que n√£o somos e que nunca poderemos ser. Por isso, somos infelizes, vivendo enclausurados nesta personalidade. √Č a nossa pris√£o. No entanto, tamb√©m temos medo de sair dela,

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A Construção da Personalidade Criadora

A harmonia do comportamento social requer, todos o sabemos, tanto o isolamento como o convívio. Excessiva comunicação, debates exagerados de assuntos que requerem meditação e peso moral, avesso muitas vezes à cordialidade natural das afinidades electivas, não enriquecem o património de uma sociedade. Antes embotam e alteram o terreno imparcial da sabedoria.
A solidão favorece a intensidade do pensamento; por outro lado, torna de certo modo celerado o homem que lida com a força material, com a técnica, com os outros homens. O impulso é a força que actualiza estas duas atitudes. Os ricos de impulso que se prontificam a uma reacção agressiva ou escandalosa, esses são associais especialmente difíceis. Todo o revolucionário é associal, se o impulso for nele um desvio da vida instintiva, e não uma atitude de homem capaz de obedecer e mandar a si próprio.
¬ęA felicidade m√°xima do filho da terra h√°-de ser a personalidade¬Ľ – disse Goethe. Personalidade criadora, obtida √† custa do ajustamento das nossas pr√≥prias leis interiores, que n√£o ser√£o mais, no futuro, for√ßas repelidas ou encobertas, mas sim valiosas contribui√ß√Ķes para o tempo do homem. Quando tudo for analisado e conhecido, s√≥ o justo h√°-de prevalecer.

Vamos Buscar as Nossas Ideias ao Estrangeiro

Que ideias gerais temos? As que vamos buscar ao estrangeiro. Nem as vamos buscar aos movimentos filos√≥ficos profundos do estrangeiro; vamos busc√°-las √† superf√≠cie, ao jornalismo de ideias. E assim as ideias que adoptamos, sem altera√ß√£o nem cr√≠tica, s√£o ou velhas ou superficiais. Falamos a s√©rio nas ideias pol√≠ticas de Le√≥n Blum ou de Edouard Herriot, nenhum dos quais teve alguma vez ideias ‚ÄĒ pol√≠ticas ou outras ‚ÄĒ em sua vida. Falamos a s√©rio em Bourget, Maurras […].

Plagiamos o fascismo e o hitlerismo, plagiamos claramente, com a desvergonha da inconsciência, como a criança imita sem hesitar. Não reparamos que fascismo e hitlerismo, em sua essência, nada têm de novo, porventura nada de aproveitável, como ideias; o que não sabemos imitar, porque seria mais difícil, é a personalidade de Mussolini.

As ideias de Maurras, que qualquer raciocinador hábil desfaz sem dificuldade, se tiver a paciência de vencer o tédio quase insuportável de o ler, passam por leis da natureza, por tão indiscutíveis como, não direi já a teoria atómica, que tem elementos discutíveis, mas o coeficiente de dilatação do ferro, ou a lei de Boyle ou de Mariotte.

Temos poetas de mérito. Que fazem eles?

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O Que é a Religião ?

De in√≠cio, portanto, em vez de perguntar o que √© religi√£o, eu preferiria indagar o que caracteriza as aspira√ß√Ķes de uma pessoa que me d√° a impress√£o de ser religiosa: uma pessoa religiosamente esclarecida parece-me ser aquela que, tanto quanto lhe foi poss√≠vel, libertou-se dos grilh√Ķes, dos seus desejos ego√≠stas e est√° preocupada com pensamentos, sentimentos e aspira√ß√Ķes a que se apega em raz√£o do seu valor suprapessoal. Parece-me que o que importa √© a for√ßa desse conte√ļdo suprapessoal, e a profundidade da convic√ß√£o na superioridade do seu significado, quer se fa√ßa ou n√£o alguma tentativa de unir esse conte√ļdo com um Ser divino, pois, de outro modo, n√£o poder√≠amos considerar Buda e Espinoza como personalidades religiosas. Assim, uma pessoa religiosa √© devota no sentido de n√£o ter nenhuma d√ļvida quanto ao valor e emin√™ncia dos objectivos e metas suprapessoais que n√£o exigem nem admitem fundamenta√ß√£o racional. Eles existem, t√£o necess√°ria e corriqueiramente quanto ela pr√≥pria.

Nesse sentido, a religi√£o √© o antiqu√≠ssimo esfor√ßo da humanidade para atingir uma clara e completa consci√™ncia desses valores e metas e refor√ßar e ampliar incessantemente o seu efeito. Quando concebemos a religi√£o e a ci√™ncia segundo estas defini√ß√Ķes, um conflito entre elas parece imposs√≠vel.

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