Cita√ß√Ķes sobre Interm√©dio

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Frases sobre interm√©dio, poemas sobre interm√©dio e outras cita√ß√Ķes sobre interm√©dio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Sempre nos Reduzimos √†s Limita√ß√Ķes do Nosso Interlocutor

Ningu√©m pode ver acima de si. Com isso quero dizer: cada pessoa v√™ em outra apenas o tanto que ela mesma √©, ou seja, s√≥ pode conceb√™-la e compreend√™-la conforme a medida da sua pr√≥pria intelig√™ncia. Se esta for de tipo inferior, ent√£o todos os dons intelectuais, mesmo os maiores, n√£o lhe causar√£o nenhuma impress√£o, e ela perceber√° no possuidor desses grandes dons apenas os elementos inferiores da individualidade dela pr√≥pria, isto √©, todas as suas fraquezas, os seus defeitos de temperamento e car√°cter. Eis os ingredientes que, para ela, comp√Ķem o homem eminente, cujas capacidades intelectuais elevadas lhe s√£o t√£o pouco existentes, quanto as cores para os cegos. De facto, todos os esp√≠ritos s√£o invis√≠veis para os que n√£o o possuem, e toda a avalia√ß√£o √© um produto do que √© avaliado pela esfera cognitiva de quem avalia.
Disso resulta que nos colocamos ao mesmo nível do nosso interlocutor, pois tudo o que temos em excedência desaparece, e até mesmo a auto-abnegação exigida em tal atitude permanece irreconhecida por completo. Ora, se considerarmos o quanto a maioria dos homens é de mentalidade e inteligência inferiores, portanto, o quanto é comum, veremos que não é possível falar com ele sem,

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A poesia √© a emo√ß√£o expressa em ritmo atrav√©s do pensamento, como a m√ļsica √© essa mesma express√£o, mas directa, sem o interm√©dio da ideia.

Nunca Mostrar Espírito e Entendimento

Como ainda √© inexperiente quem sup√Ķe que, ao mostrar esp√≠rito e entendimento, recorre a um meio seguro para fazer-se benquisto em sociedade! Na verdade, na maioria das pessoas, tais qualidades despertam √≥dio e rancor, que ser√£o t√£o mais amargos quanto quem os sentir n√£o tiver o direito de externar o motivo, chegando at√© a dissimul√°-lo para si mesmo. Isso acontece da seguinte forma: se algu√©m nota e sente uma grande superioridade intelectual naquele com quem fala, ent√£o conclui tacitamente e sem consci√™ncia clara que este, em igual medida, notar√° e sentir√° a sua inferioridade e a sua limita√ß√£o. Essa conclus√£o desperta o √≥dio, o rancor e a raiva mais amarga.
(…) Mostrar esp√≠rito e entendimento √© uma maneira indirecta de repreender nos outros a sua incapacidade e estupidez. Ademais, o indiv√≠duo comum revolta-se ao avistar o seu oposto, sendo a inveja o seu instigador secreto. A satisfa√ß√£o da vaidade √©, como se pode ver diariamente, um prazer que as pessoas colocam acima de qualquer outro, mas que s√≥ √© poss√≠vel por interm√©dio da compara√ß√£o delas pr√≥prias com os demais. No entanto, nenhum m√©rito torna o homem mais orgulhoso do que o intelectual: s√≥ neste repousa a sua superioridade em rela√ß√£o aos animais.

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A beleza da vida reside na variedade. Mesmo o mais tenro amor pede para ser renovado com intermédio da ausência.

O Homem Engana-se a Si Próprio

Os homens nunca revelam os verdadeiros objectivos pelos quais actuam. Intimamente, exageram os motivos baixos, materiais: publicamente, anunciam os motivos nobres, espirituais. Mentem em ambos os casos. Os homens não conhecem os outros nem a si próprios.
A maior parte dos homens vive de instinto, hábito e imitação, animalmente Рpor vezes, com intermédios de felicidade inconsciente. Os poucos superiores sofrem, tentam, desesperam. Os mais elevados são os que desejam apenas as coisas inacessíveis, impossíveis (amor perfeito, arte perfeita, felicidade, eternidade, etc.).
Todos os homens tentam enganar o próximo. Todos os homens procuram superar e dominar o próximo. Todos os homens se imaginam no bem, no passado ou no futuro. Todos homens se esquecem dos verdadeiros fins e fazem dos meios os seus objectivos. Para onde quer que os homens se voltem, depara-se-lhes o impossível. Todos os homens se julgam mais que os outros.
Não basta aos homens possuir um bem, se não for maior que o do próximo. E, obtido um bem, cansam-se dele (saciedade, náusea) Рou então têm medo de o perder e padecem Рou desejam outro. Para obterem um bem imediato, não pensam no mal próximo que advirá.
Todos tentam extrair dos outros mais do que podem: os industriais dos compradores –

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Deus sussurra em nossos ouvidos por meio de nosso prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por intermédio de nossa dor; este é seu megafone para despertar o homem surdo.

Os Ideais São Superiores às Crenças

Sou, simplesmente, uma pessoa com algumas ideias que lhe t√™m servido de razo√°vel governo em todas as circunst√Ęncias, boas ou m√°s, da vida. Costuma-se dizer que o melhor partido para um crente √© comportar-se como se Deus estivesse sempre a olhar para ele, situa√ß√£o, imagino eu, que nenhum ser humano ter√° estofo para aguentar, ou ent√£o √© porque j√° estar√° muito perto de tornar-se, ele pr√≥prio, Deus. De todo o modo, e aproveitando o s√≠mile, o que eu tenho feito √© imaginar que essas tais ideias minhas, estando dentro de mim como devem, tamb√©m est√£o fora ‚ÄĒ e me observam. E realmente n√£o sei o que ser√° mais duro: se prestar contas a Deus, por interm√©dio dos seus representantes, ou √†s ideias, que os n√£o t√™m. Segundo consta, Deus perdoa tudo ‚ÄĒ o que √© uma excelente perspectiva para os que nele acreditem. As ideias, essas, n√£o perdoam. Ou vivemos n√≥s com elas, ou elas viver√£o contra n√≥s ‚ÄĒ se n√£o as respeit√°mos.

Uma Fraqueza de Eterna Disponibilidade

O perfil da nossa personalidade profunda, que √© inconfund√≠vel, que √© verdadeiro, n√£o tem, por variadas raz√Ķes, a nitidez de contornos de que se podem gabar homens doutros meridianos. Um espanhol, um franc√™s, um alem√£o, um ingl√™s, s√£o incompreens√≠veis fora das suas raias. Um portugu√™s, apesar das fortes ra√≠zes nacionais que o individualizam, entende-se perfeitamente longe de Portugal. H√° nele uma fraqueza de eterna disponibilidade, de pronta e conciliante aceita√ß√£o do que se lhe op√Ķe, de am√°vel adapta√ß√£o ao meio hostil, que o fazem capaz em todo o mundo, mas incapaz no seu mundo. Da√≠ n√£o ter possivelmente grandes coisas para exprimir, a n√£o ser o lirismo de ser assim. Infelizmente, n√£o √© por interm√©dio dos seus poetas l√≠ricos que um povo pode comunicar com os outros.

A Desventura Máxima é a Solidão

A desventura m√°xima √© a solid√£o. √Č t√£o verdade que o reconforto supremo – a religi√£o – consiste em encontrar uma companhia que nunca falhe – Deus. A ora√ß√£o √© um desabafo, como com um amigo. A obra equivale √† ora√ß√£o, porque nos p√Ķe em contacto com os que dela tirar√£o proveito. O problema da vida √©, portanto, o seguinte: como romper a nossa solid√£o, como comunicar com os outros. Assim se explica a exist√™ncia do matrim√≥nio, da paternidade, das amizades. Mas que a felicidade resida nisto, balelas! Porque se deva estar melhor comunicando com os outros do que s√≥, √© estranho. √Č talvez apenas uma ilus√£o: a maior parte do tempo, estamos muit√≠ssimo bem s√≥s. √Č agrad√°vel ter, de tempos a tempos, um odre em que nos possamos despejar e, em seguida, bebermo-nos a n√≥s pr√≥prios: dado que pedimos aos outros apenas aquilo que j√° temos em n√≥s. √Č um mist√©rio o motivo por que n√£o basta perscrutar e beber em n√≥s pr√≥prios e seja preciso reavermo-nos por interm√©dio dos outros. (O sexo √© um incidente: o que recebemos √© moment√Ęneo e casual; pretendemos algo de mais secreto e misterioso de que o sexo √© apenas um sinal, um s√≠mbolo).

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A Mancha Humana

– √Č o resultado de ter sido criado entre n√≥s – disse Faunia. – √Č o resultado de passar toda a vida com pessoas como n√≥s. A mancha humana – acrescentou, mas sem repulsa, desprezo ou condena√ß√£o. Nem sequer com tristeza. As coisas s√£o como s√£o – √† sua maneira seca e concisa, era s√≥ isso que ela estava a dizer √† rapariga que dava de comer √† serpente: n√≥s deixamos uma mancha, deixamos um rasto, deixamos a nossa marca. Impureza, crueldade, mau trato, erro, excremento, s√©men. N√£o h√° outra maneira de estar aqui. N√£o tem nada a ver com desobedi√™ncia. Nem com gra√ßa, ou salva√ß√£o, ou reden√ß√£o. Est√° em todos. Sopro interior. Inerente. Determinante. A mancha que existe antes da sua marca. Sem o sinal de que est√° l√°. A mancha que √© t√£o intr√≠nseca que n√£o precisa de uma marca. A mancha que precede a desobedi√™ncia, que engloba a desobedi√™ncia e confunde toda e qualquer explica√ß√£o e compreens√£o. √Č por isso que toda a purifica√ß√£o √© uma anedota. √Č uma anedota b√°sica, ainda por cima. A fantasia da pureza √© aterradora. √Č demencial. O que √° √Ęnsia de purificar sen√£o impureza?

Tudo quanto estava a dizer acerca da mancha era que ela é inelutável.

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Do Juízo Estético

Toda a arte pressup√Ķe regras na base das quais uma produ√ß√£o, se deve considerar-se art√≠stica, √© representada, em primeiro lugar, como poss√≠vel; mas o conceito das belas-artes n√£o permite derivar o ju√≠zo sobre a beleza da produ√ß√£o de qualquer regra que tenha um conceito como princ√≠pio determinante, em virtude de p√īr como fundamento um conceito do modo por que tal √© poss√≠vel. Assim, a arte do belo n√£o pode inventar ela mesma a regra segundo a qual realizar√° a sua produ√ß√£o. Mas, como sem regra anterior um produto n√£o pode ser art√≠stico, √© necess√°rio que a natureza d√™ a regra de arte ao pr√≥prio sujeito (na concord√Ęncia das suas faculdades), isto √©, as belas-artes s√≥ podem ser o produto do g√©nio.
Da√≠ se conclui: 1¬ļ Que o g√©nio √© o talento de produzir aquilo de que se n√£o pode dar regra determinada, mas n√£o √© a aptid√£o para o que pode ser apreendido consoante uma qualquer regra; portanto, a sua primeira caracter√≠stica √© a originalidade. 2¬ļ Que as suas produ√ß√Ķes, visto que o absurdo tamb√©m pode ser original, devem simultaneamente ser modelos, isto √©, ser exemplares; por consequ√™ncia, n√£o sendo obras de imita√ß√£o, t√™m de ser propostas √† imita√ß√£o das outras,

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Para o homem feliz, a oração é uma reunião monótona de palavras sem sentido, até o dia em que a dor venha explicar ao desgraçado essa linguagem sublime por intermédio da qual o homem fala com Deus.

O Prazer no Costume

Uma importante varie¬≠dade do prazer e, com isso, fonte da moralidade, prov√©m do h√°bito. O usual faz-se mais facilmente, melhor, portanto, com mais agrado, sente-se nisso um prazer e sabe-se, por experi√™ncia, que o habitual deu bom resultado, da√≠ √© √ļtil; um costume, com o qual se pode viver, est√° provado que √© salutar, pro¬≠veitoso, ao contr√°rio de todas as tentativas novas, ainda n√£o comprovadas. O costume √©, por conse¬≠guinte, a uni√£o do agrad√°vel e do √ļtil; al√©m disso, n√£o exige reflex√£o. Assim que o homem pode exer¬≠cer coac√ß√£o, exerce-a para impor e introduzir os seus costumes, pois para ele, eles s√£o a comprovada sabedoria pr√°tica. De igual modo, uma comunidade de indiv√≠duos obriga cada um deles ao mesmo cos¬≠tume.
Aqui est√° a conclus√£o errada: porque uma pessoa se sente bem com um costume ou, pelo me¬≠nos, porque por interm√©dio do mesmo assegura a sua exist√™ncia, ent√£o esse costume √© necess√°rio, pois passa por ser a √ļnica possibilidade de uma pessoa se conseguir sentir bem; o agrado da vida parece emanar exclusivamente dele. Esta concep√ß√£o do habitual como uma condi√ß√£o da exist√™ncia √© aplica¬≠da at√© aos mais pequenos pormenores do costume: dado que o conhecimento da verdadeira causalidade √© muito escasso entre os povos e as civiliza√ß√Ķes que se encontram a um n√≠vel baixo,

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Se eu soubesse a história, mostrar-lhe-ia que o mal sempre chegou a este mundo por intermédio de algum homem de génio.

As Impress√Ķes da Mem√≥ria

Da mesma forma que os ramos de uma √°rvore que permaneceram por algum tempo curvados de uma determinada forma conservam uma certa facilidade para serem curvados novamente da mesma maneira, as fibras do c√©rebro, uma vez tendo recebido certas impress√Ķes por interm√©dio dos esp√≠ritos animais e pela ac√ß√£o dos objectos, conservam por bastante tempo alguma facilidade para receber essas mesmas disposi√ß√Ķes. Ora, a mem√≥ria consiste apenas nessa facilidade, j√° que se pensa nas mesmas coisas quando o c√©rebro recebe as mesmas impress√Ķes.

Em toda a minha carreira cinematogr√°fica sempre me guiei em grande parte, pela opini√£o p√ļblica. Essa opini√£o chegava a mim atrav√©s de cartas que recebia, em conversas pessoais, mas sobretudo por interm√©dio da imprensa.

Tremo Sempre Diante do Amor

Nadia, deves ter visto a falta de jeito com que no √ļltimo momento te pedi o n√ļmero do telefone e este endere√ßo de correio eletr√≥nico para onde te escrevo, e deves ter-te apercebido tamb√©m da peregrina desculpa: os dois sabemos que podes conseguir de mil outras maneiras diferentes 05 livros que fiquei de te emprestar. H√°-os em muitos lados. Toda a gente os tem. Pode at√© acontecer que j√° fa√ßam parte da tua biblioteca h√° anos e que neste momento estejas a olhar as suas lombadas da cadeira onde est√°s sentada enquanto me l√™s; e tamb√©m pode acontecer, na realidade n√£o me admiraria nada, que seja eu quem n√£o os tem nem os teve nunca. Durante o jantar n√£o conseguia tirar os olhos de ti, mas isso j√° tu sabes. Perante isso, apenas posso esperar que o resto dos comensais, especialmente os teus amigos, n√£o se tenham apercebido de at√© que ponto me eram indiferentes as restantes pessoas e conversas. Como viste, tenho j√° um longo caminho percorrido. Sou um homem com passado, como se costuma dizer, embora isso n√£o fa√ßa com que seja mais f√°cil para mim escrever uma carta como esta. Porque isto √© uma carta, n√£o √© verdade?

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