Passagens sobre Defeitos

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Frases sobre defeitos, poemas sobre defeitos e outras passagens sobre defeitos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Amor Busca para que o Entendimento Encontre

N√£o basta a agudeza intelectual para descobrir uma coisa nova. Faz falta entusiasmo, amor pr√©vio por essa coisa. O entendimento √© uma lanterna que necessita de ir dirigida por uma m√£o, e a m√£o necessita de ir mobilizada por um anseio pr√©-existente para este ou outro tipo de poss√≠veis coisas. Em definitivo, somente se encontra o que se busca e o entendimento encontra porque o amor busca. Por isso todas as ci√™ncias come√ßaram por ser entusiasmos de amadores. A pedanteria contempor√Ęnea desprestigiou esta palavra; mas amador √© o mais que se pode ser com respeito a alguma coisa, pelo menos √© o germe todo. E o mesmo dir√≠amos do dilettante – que significa o amante. O amor busca para que o entendimento encontre. Grande tema para uma longa e f√©rtil conversa, este que consistiria em demonstrar como o ser que busca √© a pr√≥pria ess√™ncia do amor! Pensaram voc√™s na surpreendente contextura do buscar? O que busca n√£o tem, n√£o conhece ainda aquilo que busca e, por outra parte, buscar √© j√° ter de antem√£o e conjecturar o que se busca.
Buscar é antecipar uma realidade ainda inexistente, preparar o seu aparecimento, a sua apresentação. Não compreende o que é o amor quem,

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Saber Resolver Problemas

Há pessoas que têm dificuldade em identificar os seus problemas. Usando de uma grande capacidade de adaptação, vão-se habituando a que as coisas lhes estejam a correr menos bem, sem conseguirem perceber exactamente qual o ou os problemas que os apoquentam.
Mas também existe quem tenha tendência para pensar que o problema não é seu. Percebem que ele existe, identificam-no, mas comportam-se com alguma indiferença, como se o problema fosse dos outros, não assumindo a sua responsabilidade.
H√° ainda quem fique √† espera que os problemas se resolvam por si, ou que algu√©m lhos resolva. Embora consigam identific√°-los e reconhec√™-los como seus, parecem considerar que compete a outros ‚ÄĒ familiares, amigos, colegas ‚ÄĒ ou √† sociedade em geral resolv√™-los.
Assim como existe quem, em vez de se dedicar a procurar solução para os seus problemas, concentrando neles a sua atenção e canalizando para a sua resolução a energia possível, prefira desenvolver práticas místicas, pretendendo que uma ou várias entidades mais ou menos divinas façam o que afinal lhes compete a eles próprios fazer.

Um problema √© uma coisa dif√≠cil de compreender, explicar ou resolver. √Č tudo aquilo que resiste √† penetra√ß√£o da intelig√™ncia, constituindo uma inc√≥gnita ou dificuldade a resolver.

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Pior pessoa √© aquela que n√£o apresenta defeitos. Essa √© a pior de todas… a mais falsa de todas… quantas m√°scaras p√Ķe esta pessoa √† frente de si mesma?

O Orgulho Nacional

O tipo mais barato de orgulho √© o orgulho nacional. Ele trai naquele que por ele √© possu√≠do a aus√™ncia de qualidades individuais, das quais ele se poderia orgulhar; caso contr√°rio, n√£o recorreria √†quelas que compartilha com tantos milh√Ķes. Quem possui m√©ritos pessoais distintos reconhecer√°, antes, de modo mais claro, os defeitos da sua pr√≥pria na√ß√£o, pois sempre os tem diante dos olhos. Mas todo o pobre-diabo, que n√£o tem nada no mundo de que se possa orgulhar, agarra-se ao √ļltimo recurso, o de se orgulhar com a na√ß√£o √† qual pertence; isso faz com que se sinta recuperado e, na sua gratid√£o, pronto para defender com unhas e dentes todos os defeitos e desvarios pr√≥prios √† tal na√ß√£o. Desse modo, de cinquenta ingleses, por exemplo, haver√° no m√°ximo um que concordar√° connosco quando falarmos, com justo desprezo, da beatice est√ļpida e degradante da sua na√ß√£o; mas esta √ļnica excep√ß√£o ser√° com certeza um homem de cabe√ßa.

Próxima Estação

Querida amiga,

J√° ter√°s partido para longe quando estiveres a ler estas linhas… permite-me que partilhe contigo o que sinto a respeito desta tua grande mudan√ßa…

Nunca √© bom colocarmos qualquer tipo de √Ęncora na saudade ou nos sonhos. A nossa casa, o nosso pa√≠s, √© o lugar onde n√≥s estamos. √Č a√≠ que temos de ser quem somos. √Č a√≠ que temos de descobrir a felicidade de cada dia. Tudo o resto √© estrangeiro.

Cada homem pertence tanto ao s√≠tio de onde vem como √†quele para onde vai. A ideia de que as nossas ra√≠zes nos prendem e condenam segue na linha errada da outra, tamb√©m comum, de que os sonhos nos fazem perder… n√£o, a vida √© esta forma de ir sendo sempre mais, o que se foi, tanto quanto o que ainda n√£o se √©… uma viagem, n√£o uma esta√ß√£o.
Sei que partes com dor porque temes perder quem aqui fica e n√£o ter ningu√©m por l√°, onde chegar√°s… sabes, em pouco tempo, ter√°s de aceitar que muitos dos que agora lamentam muito a tua partida, se preocupar√£o t√£o pouco em saber como est√°s…

J√° fizeste muita gente feliz aqui…

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A Fraqueza Crónica de um Sistema Democrático de Governo

A fraqueza cr√≥nica de um sistema democr√°tico de governo, em oposi√ß√£o √† ocasional, parece ser proporcional ao grau da sua democratiza√ß√£o. Os mais poderosos e est√°veis estados democr√°ticos s√£o aqueles onde os princ√≠pios da democracia foram menos l√≥gica e consistentemente aplicados. Assim, um parlamento eleito segundo um sistema de representa√ß√£o proporcional √© um parlamento verdadeiramente democr√°tico. Mas √© tamb√©m, na mairoria dos casos, um instrumento n√£o de governo mas de anarquia. A representa√ß√£o proporcional garante que todos os sectores da opini√£o estar√£o representados na assembleia. √Č o ideal da democracia cumprido. Infelizmente, a multiplica√ß√£o de pequenos grupos dentro do parlamento torna imposs√≠vel a forma√ß√£o de um governo est√°vel e forte.
Nas assembleias proporcionalmente eleitas os governos têm geralmente de confiar numa maioria compósita. Têm de comprar o apoio de pequenos grupos com uma distribuição de favores mais ou menos corrupta, e como nunca conseguem dar o suficiente ficam sujeitos a ser derrotados em qualquer altura. A representação proporcional em itália conduziu ao fascismo através da anarquia. Causou grandes dificuldades práticas na Bélgica, e agora ameaça fazer o mesmo na Irlanda. Encontram-se governos democráticos estáveis em países onde as minorias, por muito grandes que sejam, não estão representadas, e onde nenhum candidato que não pertença a um dos grandes partidos terá a mais leve possibilidade de ser eleito.

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A Hipocrisia do Amor ao Povo

Estes amam o povo, mas n√£o desejariam, por interesse do pr√≥prio amor, que sa√≠sse do passo em que se encontra; deleitam-se com a ingenuidade da arte popular, com o imperfeito pensamento, as supersti√ß√Ķes e as lendas; v√™em-se generosos e sens√≠veis quando se debru√ßam sobre a classe inferior e traduzem, na linguagem adamada, o que dela julgam perceber; √© muito interessante o animal que examinam, mas que n√£o tente o animal libertar-se da sua condi√ß√£o; estragaria todo o quadro, toda a equilibrada posi√ß√£o; em nome da est√©tica e de tudo o resto conv√©m que se mantenha.
H√° tamb√©m os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam do que um meio; a meta a atingir √© o dom√≠nio do mesmo povo por que parecem sacrificar-se; bate-lhes no peito um cora√ß√£o de altos senhores; se vieram parar a este lado da batalha foi porque os acidentes os repeliram das trincheiras opostas ou aqui viram maneira mais segura de satisfazer o v√£o desejo de mandar; nestes n√£o encontraremos a frase preciosa, a afectada sensibilidade, o retoque liter√°rio; preferem o estilo de barricada; mas, como nos outros, √© o som do oco tambor ret√≥rico o √ļltimo que se ouve.

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O homem que s√≥ tem as qualidades pr√≥prias da sua idade e do seu estado √© o homem admir√°vel. O que re√ļne a essas grandes qualidades os pequenos defeitos que lhe s√£o cong√©neres √© o homem completo.

De todos os nossos defeitos, aquele que admitimos mais facilmente √© a pregui√ßa: persuadimo-nos de que se parece com todas as virtudes tranquilas e que, sem destruir inteiramente as outras, apenas lhes suspende as fun√ß√Ķes.

A Nefasta Hiperdemocracia dos Nossos Tempos

Ningu√©m, creio eu, deplorar√° que as pessoas gozem hoje em maior medida e n√ļmero que antes, j√° que t√™m para isso os apetites e os meios. O mal √© que esta decis√£o tomada pelas massas de assumir as actividades pr√≥prias das minorias, n√£o se manifesta, nem pode manifestar-se, s√≥ na ordem dos prazeres, mas que √© uma maneira geral do tempo. Assim (…) creio que as inova√ß√Ķes pol√≠ticas dos mais recentes anos n√£o significam outra coisa sen√£o o imp√©rio pol√≠tico das massas. A velha democracia vivia temperada por uma dose abundante de liberalismo e de entusiasmo pela lei. Ao servir a estes princ√≠pios o indiv√≠duo obrigava-se a sustentar em si mesmo uma disciplina dif√≠cil. Ao amparo do princ√≠pio liberal e da norma jur√≠dica podiam atuar e viver as minorias. Democracia e Lei, conviv√™ncia legal, eram sin√≥nimos. Hoje assistimos ao triunfo de uma hiperdemocracia em que a massa actua directamente sem lei, por meio de press√Ķes materiais, impondo suas aspira√ß√Ķes e seus gostos.
√Č falso interpretar as situa√ß√Ķes novas como se a massa se houvesse cansado da pol√≠tica e encarregasse a pessoas especiais o seu exerc√≠cio. Pelo contr√°rio. Isso era o que antes acontecia, isso era a democracia liberal. A massa presumia que,

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Perfeição é Virtude e não Ausência de Defeitos

A virtude √© a perfei√ß√£o no estado de homem e n√£o a aus√™ncia de defeitos. Se eu quero construir uma cidade, pego na malandragem e na ral√©. O poder h√°-de nobilit√°-las. Ofere√ßo-lhes uma embriaguez, diferente da embriaguez med√≠ocre da rapina, da usura ou da viola√ß√£o. √Č ver aqueles bra√ßos nodosos que edificam. O orgulho vai-se transformando em torres, templos e muralhas. A crueldade torna-se grandeza e rigor na disciplina. E ei-los a servirem uma cidade nascida deles pr√≥prios. Trocaram-se por ela no fundo dos cora√ß√Ķes. E morrer√£o de p√©, nas muralhas, para a salvarem. S√≥ descobrir√°s neles virtudes resplandecentes.
¬ęMas tu, que p√Ķes m√° cara diante do poder da terra, diante da grosseria, da podrid√£o e dos vermes dos homens, come√ßas por pedir ao homem que n√£o seja e que n√£o tenha nem sequer cheiro. Reprovas-lhe a express√£o da sua for√ßa. Instalas capados √† frente do imp√©rio. E eles entram a perseguir o v√≠cio, que n√£o passa de poder mal empregado. √Č o poder e a vida que eles perseguem e, no entanto, tornam-se guardi√Ķes de museu e vigiam um imp√©rio morto¬Ľ

Preferimos os Nossos Próprios Males

Em todas as situa√ß√Ķes em que nos coloca a Fortuna, comparamo-nos ao que est√° acima de n√≥s e olhamos para aqueles que est√£o melhor que n√≥s. Confrontemo-nos com o que est√° abaixo: n√£o h√° nigu√©m que seja t√£o mal-aventurado que n√£o encontre mil exemplos com que se consolar. √Č defeito nosso antes encararmos de m√° vontade o que se acha √† nossa frente que de bom grado o que se acha atr√°s. E, no entanto, como dizia S√≥lon, se num mont√£o se empilhassem todos os males, n√£o haveria ningu√©m que n√£o preferisse continuar com os males que tem a chegar, com todos os outros homens, a uma equitativa reparti√ß√£o desse mont√£o de males e a ficar com a sua quota-parte.

O socialismo √© a filosofia do fracasso, a cren√ßa na ignor√Ęncia, a prega√ß√£o da inveja. Seu defeito inerente √© a distribui√ß√£o igualit√°ria da mis√©ria.

O ser humano é cego para os próprios defeitos. Jamais um vilão do cinema mudo proclamou-se vilão. Nem o idiota se diz idiota.

A modéstia, quando é excessiva e se aproxima do acanhamento, ao qual no mundo se chama falta de uso Рpode ser num homem quase defeito inteiro. Na mulher é sempre virtude, realce de beleza às formosas, disfarce de fealdade às que o não são.