Passagens sobre Sentidos

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Frases sobre sentidos, poemas sobre sentidos e outras passagens sobre sentidos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Heroísmo no comando, violência sem sentido e toda detestável idiotice que é chamada de patriotismo Рeu odeio tudo isso de coração.

Luta de Classes

N√£o contem comigo para defender o elitismo cultural. Pelo contr√°rio, contem comigo para rebentar cada detalhe do seu preconceito.
A cultura √© usada como s√≠mbolo de status por alguns, alfinete de lapela, bot√£o de punho. A raridade √© condi√ß√£o indispens√°vel desse exibicionismo. S√≥ pertencendo a poucos se pode ostentar como diferenciadora. Essa colec√ß√£o de s√≠mbolos √© descrita com pron√ļncia mais ou menos afectada e tem o objectivo de definir socialmente quem a enumera.
Para esses indiv√≠duos raros, a cultura √© caracterizada por aqueles que a consomem. Assim, conv√©m n√£o haver misturas. Conhe√ßo melhor o mundo da leitura, por isso, tomo-o como exemplo: se, no in√≠cio da madrugada, uma dessas mulheres que acorda cedo e faz limpeza em escrit√≥rios for vista a ler um determinado livro nos transportes p√ļblicos, os snobs que assistam a essa imagem s√£o capazes de enjeit√°-lo na hora. Come√ßar√£o a definir essa obra como “leitura de empregadas de limpeza” (com muita probabilidade utilizar√£o um sin√≥nimo mais depreciativo para descrev√™-las).
Este exemplo aplica-se em qualquer outra √°rea cultural que possa chegar a muita gente: m√ļsica, cinema, televis√£o, etc. Aquilo que mais surpreende √© que estes “argumentos”, esta forma de falar e de pensar seja utilizada em meios supostamente culturais por indiv√≠duos supostamente cultos,

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Verosimilhança não é Verdade

Quase sempre as suspeitas nos inquietam; somos sempre o joguete desses boatos de opini√£o, que tantas vezes p√Ķe em fuga um ex√©rcito, quanto mais um simples indiv√≠duo. (…) n√≥s rendemo-nos prontamente √† opini√£o. N√£o fazemos a cr√≠tica das raz√Ķes que nos levam ao temor, n√£o as esquadrinhamos. Perdemos todo o sangue-frio, batemos em retirada, como os soldados expulsos do seu campo √† vista da nuvem de poeira que levanta uma tropa a galope, ou tomados de terror colectivo por causa de um boato semeado sem garante.
Não sei como, mas as falsidades perturbam-nos desde logo. A verdade traz consigo a sua própria medida; tudo quanto se funda sobre uma incerteza, porém, fica entregue à conjectura e às fantasias de um espírito perturbado.
Eis porque, entre as mais diversas formas do medo, n√£o h√° outra mais desastrosa, mais incoerc√≠vel que o medo p√Ęnico. Nos casos ordin√°rios, a reflex√£o √© falha; nestes, a intelig√™ncia est√° ausente.
Interroguemos, pois, cuidadosamente a realidade. √Č veros√≠mil que uma desgra√ßa venha a produzir-se? Verosimilhan√ßa n√£o √© verdade. Quantos acontecimentos ocorreram sem que os esper√°ssemos! Quantos acontecimentos esperados que jamais ocorreram! Mesmo que venham a produzir-se, que √© que lucraremos em nos anteciparmos √† nossa dor?

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N√£o o Sonho

Talvez sejas a breve
recordação de um sonho
de que alguém (talvez tu) acordou
(não o sonho, mas a recordação dele),
um sonho parado de que restam
apenas imagens desfeitas, pressentimentos.
Também eu não me lembro,
também eu estou preso nos meus sentidos
sem poder sair. Se pudesses ouvir,
aqui dentro, o barulho que fazem os meus sentidos,
animais acossados e perdidos
tacteando! Os meus sentidos expulsaram-me de mim,
desamarraram-me de mim e agora
só me lembro pelo lado de fora.

De Um T√£o Felice Engenho, Produzido

De um t√£o felice engenho, produzido
de outro, que o claro Sol n√£o viu maior,
é trazer cousas altas no sentido,
todas dinas de espanto e de louvor.

Museu foi antiquíssimo escritor,
filósofo e poeta conhecido,
disc√≠pulo do M√ļsico amador
que co som teve o Inferno suspendido.

Este p√īde abalar o monte mudo,
cantando aquele mal, que eu j√° passei,
do mancebo de Abido mal sisudo.

Agora contam j√° (segundo achei),
Passo, e o nosso Bosc√£o, que disse tudo
dos segredos que move o cego Rei.

Creio que Irei Morrer

Creio que irei morrer.
Mas o sentido de morrer n√£o me move,
Lembro-me que morrer n√£o deve ter sentido.
Isto de viver e morrer s√£o classifica√ß√Ķes como as das plantas.
Que folhas ou que flores têm uma classificação?
Que vida tem a vida ou que morte a morte?
Tudo s√£o termos onde se define.

A Mais Bela Noite do Mundo

Hoje,
ser√° o fim!

Hoje
nem este falso silêncio
dos meus gestos malogrados
debruçando-se
sobre os meus ombros nus
e esmagados!

Nem o luar, pano baço de cenário velho,
escutando
a minha pris√£o de viver
a lição que me ditavam:
– Menino! acende uma vela na tua vida,
que o sol, a luz e o ar
s√£o perfumes de pecado.
Tem bra√ßos longos e tentadores ‚Äď o dia!

РMenino! recolhe-te na sombra do meu regaço
que teus pés
são feitos de barro e cansaço!

(Era esta a voz do pap√£o
pintado de belo
na m√°scara de papel√£o).

Eram in√ļteis e magoadas as noites da minha rua…
Noites de lua
que lembravam as grilhetas
da minha vida parada.

– Amanh√£,
ter√°s os mestres, as aulas, os amigos e os livros
e o espect√°culo da morgue
morando durante dias
nos teus sentidos gorados.

Amanh√£,
ser√° o ultrapassar outra curva
no teu caminho destinado.

(Era esta a voz do pap√£o
que acendia a vela,

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Preciso de Ti

Antes de come√ßar… Acabei de suplicar dez minutos para este bilhete… Terrivelmente, terrivelmente vivo, dorido, e sentindo absolutamente que preciso de ti. Permiti o sil√™ncio deliberadamente, sentindo uma grande necessidade de me retirar em mim mesmo, para escrever, e mil coisas prevalecendo.

Mudei para outra m√°quina, assustadora; a m√°quina francesa… maldita, e eu b√™bedo com o desejo de te escrever. Ouve, ligo-te de manh√£: esta noite ou escrevo ou rebento, mas tenho de te ver. Vejo-te brilhante e maravilhosa e ao mesmo tempo tenho estado a escrever √† June e todo dividido mas tu compreender√°s ‚ÄĒ tens de compreender. Vou atirar-me a uma pausa e fa√ßo uma chamada. Anais, apoia-me. N√£o deixes que os sil√™ncios te preocupem: est√°s toda √† minha volta como uma chama clara. Nada a n√£o ser dois pontos, n√£o encontro o ponto nem os ap√≥strofos. Nenhuma c√≥pia disto tamb√©m: √≥ptimo: b√™bedo… b√™bedo de vida… Anais, por Cristo: se tu soubesses o que estou a sentir agora.

Isto foi [escrito] ao chegar [ao escrit√≥rio]. Agora 3h20 da manh√£ no quarto do Fred… Toda a for√ßa desaparecida e destru√≠da por imagens. O Fred est√° na cama com a Gaby do chambre 48. Est√° deitada como um cad√°ver.

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O Desejo de Ser Sincero é Superficial

O desejo de ser sincero √© superficial. N√£o √© por acaso que muitos dos romances entre os √ļltimos aparecidos s√£o escritos na primeira pessoa, de modo a que o eu repetido e disseminado ao longo das p√°ginas produza uma sensa√ß√£o de algo muito pr√≥ximo a uma lembran√ßa, a uma confiss√£o, a um di√°rio. N√£o √© tamb√©m por acaso que neles se evita com muito cuidado o enredo ou de certa forma tudo o que possa parecer inven√ß√£o; e que se narre os factos com garra jornal√≠stica, como coisa que realmente tivesse acontecido. A sinceridade, no seu estrito sentido, n√£o suporta a narra√ß√£o objectiva que √© um princ√≠pio de artif√≠cio nem a inven√ß√£o que em todas as ocasi√Ķes pode parecer falsa.
A sinceridade parece-se muito com o mar em certos dias. H√° manh√£s de tanta bonan√ßa que se andamos de barco e nos inclinamos para contemplar a √°gua debaixo de n√≥s, tem-se a impress√£o de que estamos suspensos sobre transparentes e tang√≠veis precip√≠cios. A √°gua, por muito profunda que seja, n√£o se op√Ķe a que se olhe a prumo para baixo e se veja, numa claridade esverdeada, o fundo areoso espargido de seixos e de trigueiras c√©spedes. Nasce ent√£o uma esp√©cie de exalta√ß√£o,

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Só Chegamos a Ser uma Parte Mínima do que Poderíamos Ser

A actividade de comprar conclui em decidir-se por um objecto; mas √© tamb√©m antes uma elei√ß√£o, e a elei√ß√£o come√ßa por perceber as possibilidades que oferece o mercado. De onde resulta que a vida, no seu modo ¬ęcomprar¬Ľ, consiste primeiramente em viver as possibilidades de compra como tais. Quando se fala de nossa vida s√≥i esquecer-se disto, que me parece essencial√≠ssimo: a nossa vida √© em todo o instante e antes que nada consci√™ncia do que nos √© poss√≠vel. Se em cada momento n√£o tiv√©ssemos √† nossa frente mais que uma s√≥ possibilidade, careceria de sentido cham√°-la assim. Seria apenas pura necessidade. Mas ai est√°: esse estranh√≠ssimo facto da nossa vida possui a condi√ß√£o radical de que sempre encontra ante si v√°rias sa√≠das, que por serem v√°rias adquirem o car√°cter de possibilidades entre as quais havemos de decidir. Tanto vale dizer que vivemos como dizer que nos encontramos num ambiente de determinadas possibilidades. A este √Ęmbito costuma chamar-se ¬ęas circunst√Ęncias¬Ľ.

Toda a vida √© achar-se dentro da ¬ęcircunst√Ęncia¬Ľ ou mundo. Porque este √© o sentido origin√°rio da id√©ia (mundo). Mundo √© o repert√≥rio das nossas possibilidades vitais. N√£o √©, pois, algo √† parte e alheio √† nossa vida,

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Hora Vermelha

Por que vieste, pensamento?
J√° me bastava o Mar violento,
Já me bastava o Sol que ardia…
P’los meus sentidos escorria
n√£o sei l√° bem que seiva forte
que a carne toda me deixava
qual uma flor ou uma lava
num riso aberto contra a Morte.

J√° me bastava tudo isto.
Mas tu vieste, pensamento,
e vieste duro, turbulento.
Vieste com formas e com sangue:
erectos seios de mulher,
as carnes róseas como frutos.

Boca rasgada num pedido
a que se quer e se n√£o quer
dizer que n√£o.
Os braços longos estendidos.
A m√£o em concha sobre o sexo
que nem a V√©nus de Cam√Ķes.

Aí!, pensamento,
deixa-me a calma da Poesia!
Aqui na praia só com ela,
virgem castíssima, sincera!…
Sua m√£o branca saberia
chamar cordeiro ao Mar violento,
P√īr meigo, meigo, o Sol que ardia.
Mas tu vieste, pensamento.
Tua nudez, que me obsidia,
logo, subtil, encheu de alento
velhos desejos recalcados,
beijos mordidos
antes de os ver a luz do Dia.

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Se é a tua vida tens de ser tu a querer o melhor para ela e muito passa pelas pessoas que estão ou podem estar ao teu lado. Qualquer tipo de relação que tenhas só faz sentido se ganhares alguma coisa com ela, mas alguma coisa boa e que se sinta, senão não é uma relação, é uma obrigação.

A Palavra não é o Signo do Pensamento

A palavra n√£o √© o ¬ęsigno¬Ľ do pensamento, se compreendermos como tal um fen√≥meno que anuncia outro, como o fumo anuncia o fogo. A palavra e o pensamento s√≥ admitiriam essa rela√ß√£o exterior se uma e outro fossem dados tematicamente; na realidade est√£o envolvidos uma no outro, o sentido est√° preso na palavra, e a palavra √© a exist√™ncia exterior do sentido.

Da Minha Idéia do Mundo

Da minha idéia do mundo
Ca√≠…
Vácuo além do profundo,
Sem ter Eu nem Ali…

Vácuo sem si-próprio, caos
De ser pensado como ser…
Escada absoluta sem degraus…
Vis√£o que se n√£o pode ver…

Al√©m-Deus! Al√©m-Deus! Negra calma…
Clar√£o do Desconhecido…
Tudo tem outro sentido, ó alma,
Mesmo o ter-um-sentido…

Porto inseguro

A liberdade bate à minha porta,
t√£o carente de mim, pedindo abrigo.
Quero ampar√°-la e penso que consigo
detê-la, mas seria tê-la morta.

Livre para pairar num céu sem peias,
na solid√£o de um v√īo sem destino,
por que perder, nos olhos de √°guia, o tino,
vindo a quem se agrilhoa sem cadeias?

Deusa das asas! Seu vagar escapa
a meus sentidos, seu desejo alcança
tudo que a mim se esconde atr√°s da capa.

V√° embora daqui! Siga seu rumo!
Sou prisioneiro, um órfão da esperança
e arrasto um v√īo cego em ch√£o sem prumo.

A Castração da Personalidade

O homem √© um animal greg√°rio. Pol√≠tico, dizia Arist√≥teles, ou seja, membro da cidade. Mas n√£o s√≥ da cidade – de todas as greis espont√Ęneas ou artificiais, est√°veis ou prec√°rias, onde quer que se encontre. N√£o pode suportar a ideia de estar s√≥, consigo – quer ser unidade e n√£o individualidade. Tem necessidade de se sentir cotovelo com cotovelo, pele com pele, no calor de uma multid√£o, ligado, seguro, uniforme, conforme. Se o le√£o anda s√≥, em n√≥s predomina o instinto ovino, do rebanho – os pr√≥prios individualistas, para afirmar o seu individualismo, congregam-se: sempre segundo a pr√°tica ovina.

O homem, quando s√≥, sente-se incompleto – tem medo. Opor-se √† grei significa separar-se, permanecer s√≥, morrer. Os conceitos do bem e do mal nascem da necessidade de conviv√™ncia. √Č bem o que aproveita ao grupo, mal o que o prejudica ou n√£o beneficia. O rebanho n√£o quer que cada ovelha pense demasiado em si, e como a privilegiada √© a que obt√©m a boa opini√£o das outras, v√™-se for√ßada, ainda que contra os seus gostos e interesses, a agir no sentido do bem supremo do rebanho. H√° que pagar, com a castra√ß√£o da personalidade, a seguran√ßa contra o medo.

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O meu conselho para as pessoas atualmente é o seguinte : se você leva o jogo da vida a sério, se você leva o seu sistema nervoso a sério, se você leva os seus órgãos de sentido a sério, se você leva o processo da energia a sério, você tem que se ligar, sintonizar e cair fora.

As Palavras de Amor

Esqueçamos as palavras, as palavras:
As ternas, caprichosas, violentas,
As suaves de mel, as obscenas,
As de febre, as famintas e sedentas.

Deixemos que o silêncio dê sentido
Ao pulsar do meu sangue no teu ventre:
Que palavra ou discurso poderia
Dizer amar na língua da semente?