Passagens sobre Sentidos

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Frases sobre sentidos, poemas sobre sentidos e outras passagens sobre sentidos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Vulgaridade Intelectual

Hoje, (…) o homem m√©dio tem as ¬ęideias¬Ľ mais taxativas sobre quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audi√ß√£o. Para qu√™ ouvir, se j√° tem dentro de si o que necessita? J√° n√£o √© √©poca de ouvir, mas, pelo contr√°rio, de julgar, de sentenciar, de decidir. N√£o h√° quest√£o de vida p√ļblica em que n√£o intervenha, cego e surdo como √©, impondo as suas ¬ęopini√Ķes¬Ľ.
Mas n√£o √© isto uma vantagem? N√£o representa um progresso enorme que as massas tenham ¬ęideias¬Ľ, quer dizer, que sejam cultas? De maneira alguma. As ¬ęideias¬Ľ deste homem m√©dio n√£o s√£o autenticamente ideias, nem a sua posse √© cultura. A ideia √© um xeque-mate √† verdade. Quem queira ter ideias necessita antes de dispor-se a querer a verdade, e aceitar as regras do jogo que ela imponha. N√£o vale falar de ideias ou opini√Ķes onde n√£o se admite uma inst√Ęncia que as regula, uma s√©rie de normas √†s quais na discuss√£o cabe apelar. Estas normas s√£o os princ√≠pios da cultura. N√£o me importa quais s√£o. O que digo √© que n√£o h√° cultura onde n√£o h√° normas. A que os nossos pr√≥ximos possam recorrer.
Não há cultura onde não há princípios de legalidade civil a que apelar.

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Excesso de Vol√ļpia

A vol√ļpia carnal √© uma experi√™ncia dos sentidos, an√°loga ao simples olhar ou √† simples sensa√ß√£o com que um belo fruto enche a l√≠ngua. √Č uma grande experi√™ncia sem fim que nos √© dada; um conhecimento do mundo, a plenitude e o esplendor de todo o saber. O mal n√£o √© que n√≥s a aceitemos; o mal consiste em quase todos abusarem dessa experi√™ncia, malbaratando-a, fazendo dela um mero est√≠mulo para os momentos cansados da sua exist√™ncia.

Amar e Ser Livre ao mesmo Tempo

Tudo o que posso dizer √© que estou louco por ti. Tentei escrever uma carta e n√£o consegui. Estou constantemente a escrever-te… Na minha cabe√ßa, e os dias passam, e eu imagino o que pensar√°s. Espero impacientemente por te ver. Falta tanto para ter√ßa-feira! E n√£o s√≥ ter√ßa-feira… Imagino quando poder√°s ficar uma noite… Quando te poderei ter durante mais tempo… Atormenta-me ver-te s√≥ por algumas horas e, depois, ter de abdicar de ti. Quando te vejo, tudo o que queria dizer desaparece… O tempo √© t√£o precioso e as palavras sup√©rfluas… Mas fazes-me t√£o feliz… porque eu consigo falar contigo. Adoro o teu brilhantismo, as tuas prepara√ß√Ķes para o voo, as tuas pernas como um torno, o calor no meio das tuas pernas. Sim, Anais, quero desmascarar-te. Sou demasiado galante contigo. Quero olhar para ti longa e ardentemente, pegar no teu vestido, acariciar-te, examinar-te. Sabes que tenho olhado escassamente para ti? Ainda h√° demasiado sagrado agarrado a ti.

A tua carta… Ah, estas moscas! Fazes-me sorrir. E fazes-me adorar-te tamb√©m. √Č verdade, n√£o te dou o devido valor. √Č verdade. Mas eu nunca disse que n√£o me d√°s o devido valor. Acho que deve haver um erro no teu ingl√™s.

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O Sentimento Religioso é o Mais Inconfessável de Todos

A religi√£o, ou o sentimento religioso, √© o mais inconfess√°vel de todos: n√£o por irracional, mas porque √© da sua mais √≠ntima natureza o sil√™ncio da vida f√≠sica do universo, que s√≥ faz barulho por acaso e n√£o para a gente ouvir. Que mais n√£o fosse, acharia rid√≠cula, e acho, a atitude dos ¬ęlibertos¬Ľ, nascidas da cabe√ßa de J√ļpiter, desirmanados de tudo quanto encarnou as dores e as esperan√ßas de uma humanidade dolorosamente em busca do seu pr√≥prio corpo. Mais que rid√≠cula, criminosa, estulta, digna dos raios divinos, se os houvesse. Neste sentido, me √© respeit√°vel a religi√£o considerada na sua ac√ß√£o interior e na sua simb√≥lica aparente; e, como poeta, n√£o posso deixar de ser sens√≠vel ao paganismo que a Igreja Cat√≥lica n√£o sonha – ou sonha at√© – a que ponto herdou. Quando a religi√£o pretende fixar-se, lutar ligada a interesses materiais que geraram muitas das formas que ela tomou, evidentemente que sou contr√°rio a ela, a aquela, porque sei que n√£o h√° eternidade das formas e das conven√ß√Ķes, mas sim da org√Ęnica simb√≥lica que assume uma ou outra forma, segundo o estado social em que se desenvolve.

Jorge de Sena, carta a sua noiva Mécia Lopes,

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Um Fado: Palavras Minhas

Palavras que disseste e j√° n√£o dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
√† noite que assomava ao meu ouvido…

Palavras que n√£o dizes, nem s√£o tuas,
que morreram, que em ti j√° n√£o existem
‚ÄĒ que s√£o minhas, s√≥ minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.

Tudo quanto na nossa existência não faz parte do nosso sentido da vida funcionará sempre como um peso, grão de areia na engrenagem, semente que se há de fazer raiz de tristeza.

O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é

Reinstalar a Solidariedade Humana

Os valores da solidariedade humana que outrora estimularam a nossa demanda de uma sociedade humana parecem ter sido substitu√≠dos, ou estar amea√ßados, por um materialismo grosseiro e a procura de fins sociais de gratifica√ß√£o instant√Ęnea. Um dos desafios do nosso tempo, sem ser beato ou moralista, √© reinstalar na consci√™ncia do nosso povo esse sentido de solidariedade humana, de estarmos no mundo uns para os outros, e por causa e por meio dos outros.

Uma mente saudável deveria ser uma fábrica de sonhos. Pois os sonhos oxigenam a inteligência e irrigam a vida de prazer e sentido.

Unicidade e Sacralidade da Vida

Experimentai a felicidade da dedica√ß√£o e entrega, a felicidade da mod√©stia e simplicidade e a felicidade da coopera√ß√£o e solicitude! Nenhum outro caminho vos conduz t√£o r√°pida e t√£o seguramente no sentido do conhecimento da unicidade e sacralidade da vida! Nenhum outro caminho t√£o-pouco vos conduz com tanta certeza ao objectivo da arte de viver, √† alegre supera√ß√£o do ego√≠smo – jamais atrav√©s da ren√ļncia da personalidade, mas mediante o seu mais elevado desenvolvimento.

Prouvera aos deuses, meu coração triste, que o Destino tivesse um sentido! Prouvera antes ao Destino que os deuses o tivessem!

A √ānsia de Protagonismo Social

Qual o sentido de tamanha azáfama neste mundo? Qual a finalidade da avareza e da ambição, da perseguição de riqueza, do poder e da proeminência? Satisfazer as necessidades da natureza? O salário do mais humilde trabalhador pode satisfazê-las. Quais serão então as vantagens desse grande objectivo da vida humana a que chamamos melhorar a nossa condição?
Ser observado, ser correspondido, ser notado com simpatia, complac√™ncia e aprova√ß√£o, s√£o tudo vantagens que podemos propor-nos retirar da√≠. O homem rico compraz-se na sua riqueza porque sente que ela faz recair as aten√ß√Ķes do mundo sobre si. O homem pobre, pelo contr√°rio, envergonha-se da sua pobreza. Sente que ela o coloca fora do horizonte dos seus semelhantes. Sentir que n√£o somos notados representa necessariamente uma desilus√£o para os desejos mais candentes da natureza humana. O homem pobre sai e volta a entrar despercebido, e permanece na mesma obscuridade seja no meio de uma multid√£o seja no recato do seu covil. O homem de n√≠vel e distin√ß√£o, pelo contr√°rio, √© visto por todo o mundo. Toda a gente anseia por v√™-lo. As suas ac√ß√Ķes s√£o objecto de aten√ß√Ķes p√ļblicas. Raro ser√° o gesto, rara a palavra que ele deixe escapar que passe despercebida.

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Diferente

Buscando o v√£o Ideal que me seduz,
Sem que o atinja me disperso e gasto,
E ansiosamente aos braços duma cruz
Ergo o perfil de iluminado e casto.

J√° tristemente desdenhoso afasto
O manto de burel dos ombros nus;
E a noite pisa a forma do meu rasto,
Se deixo atr√°s de mim passos de luz.

Na minha tez suave e nazarena,
Transparecem vislumbres dessa pena
Que Deus pelos estranhos h√† sentido…

E frio e calmo, a divergir da Raça,
Mal poiso os lábios no cristal da taça
Por onde as outras almas têm bebido!

Os Amantes n√£o Contam Nada de Novo uns aos Outros

A alma s√≥ acolhe o que lhe pertence; de certo modo, ela j√° sabe de antem√£o tudo aquilo por que vai passar. Os amantes n√£o contam nada de novo uns aos outros, e para eles tamb√©m n√£o existe reconhecimento. De facto, o amante n√£o reconhece no ser que ama nada a n√£o ser que √© transportado por ele, de modo indescrit√≠vel, para um estado de dinamismo interior. E reconhecer uma pessoa que n√£o ama significa para ele trazer o outro ao amor como uma parede cega sobre a qual cai a luz do Sol. E reconhecer uma coisa inerte n√£o significa identificar os seus atributos uns a seguir aos outros, mas sim que um v√©u cai ou uma fronteira se abre, e nenhum deles pertence ao mundo da percep√ß√£o. Tamb√©m o inanimado, desconhecido como √©, mas cheio de confian√ßa, entra no espa√ßo fraterno dos amantes. A natureza e o singular esp√≠rito dos amantes olham-se nos olhos, e s√£o as duas direc√ß√Ķes de um mesmo agir, um rio que corre em dois sentidos, um fogo que arde em dois extremos.
E então é impossível reconhecer uma pessoa ou uma coisa sem relação connosco próprios, pois o acto de tomar conhecimento toma das coisas qualquer coisa;

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Sem sonhos, a vida é uma manhã sem orvalhos, um céu sem estrelas, um oceano sem ondas, uma vida sem aventura, uma existência sem sentido.

Ditoso seja o dia e hora, quando
T√£o delicados olhos me feriam!
Ditosos os sentidos que sentiam
Estar-se em seu desejo traspassando!

As Mulheres S√£o Profundamente Diferentes dos Homens

S√£o profundamente diferentes, felizmente. At√© o c√©rebro tem uma outra organiza√ß√£o. A mulher √© extraordin√°ria… Gosto muito da est√°tua da V√©nus de Milo, a√≠ √© que est√° o sentido. N√£o h√° nada dela que eu tire para o sexo. O sexo √© um prazer, um v√≠cio, como fumar, tomar caf√©, beber uma droga. A V√©nus de Milo: a gente n√£o sabe a posi√ß√£o das m√£os, mas o seio √© muito bonito, nada provocativo, nem a cara, que √© muito serena, muito feminina; mas o ventre √© o que sobressai mais. E √© o ventre onde se gera a humanidade. A Agustina Bessa-Lu√≠s diz mesmo que Cristo, Deus, nasceu do ventre da mulher. Veja a import√Ęncia que tem e que se n√£o d√° √† mulher: a de criar humanidade. E essa est√°tua, por coincid√™ncia, √© a mais conhecida de todas as do mundo ocidental.