Cita√ß√Ķes sobre Companhia

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Frases sobre companhia, poemas sobre companhia e outras cita√ß√Ķes sobre companhia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Serranilha

A serra é alta, fria e nevosa;
vi venir serrana gentil, graciosa.

Vi venir serrana, gentil, graciosa,
cheguei-me per’ela com gr√£ cortesia.

Cheguei-me per’ela de gr√£ cortesia,
disse-lhe: senhora, quereis companhia?

Disse-lhe: senhora, quereis companhia?
Disse-me: escudeiro, segui vossa via.

A saciedade gera insolência, quando a prosperidade toma por companhia
um homem malvado e que n√£o tenha a mente s√£.

Saudade Extrema

1

Gentil Rola, que sobre o ramo seco,
Desse vi√ļvo freixo, brandas queixas
Espalhas toda a noite, e escutas o eco
Repetir-te mavioso iguais endechas:

2

N√£o chores. Ouve a meu saudoso canto,
Que excede quanta m√°goa arroja a sorte:
Ninguém, como eu padece extremo tanto,
Que a ninguém roubou tanto a crua Morte,

3

Tu viste M√°rcia: a M√°rcia, oh Rola, ouviste,
Quanta beleza, oh Céus! quanta doçura!
Tem coração de bronze quem resiste
À dor de a ver no horror da sepultura.

4

Tu podes ter formosa companhia
Terna e fiel. Filinto desgraçado
Te perdeu a sperança lisonjeira
De achar M√°rcia em transunto inanimado.

O Segredo da Boa Disposição

Deixaram-nos aqui. √Č mesmo assim. √Č a vida. Tem gra√ßa, n√£o tem? A vida tem gra√ßa. N√≥s temos gra√ßa. √Č engra√ßado estarmos todos aqui. A incerteza geral da exist√™ncia, aliada √† certeza particular do facto de termos nascido e de irmos um dia esticar o pernil, √© de morrer a rir. Entre outras coisas. J√° que nos puseram aqui, indispostos, mal distribu√≠dos, condenados √† confus√£o e √† companhia dos outros, o m√≠nimo que podemos fazer √© pormo-nos o mais bem dispostos que pudermos.
O segredo da minha boa disposi√ß√£o √© pensar o mais poss√≠vel nos outros ‚Äď nos outros que amo e que me t√™m de aturar, nos outros de quem s√≥ conhe√ßo o sofrimento e me fazem sentir a sorte que tenho em sofrer t√£o poucochinho ‚Äď e o menos poss√≠vel em mim. Quanto mais eu me desprezo e desconhe√ßo, quanto mais eu entriste√ßo de me entender, mais preciso que haja quem goste de mim. Ou pelo menos da minha companhia.

Sempre nos Reduzimos √†s Limita√ß√Ķes do Nosso Interlocutor

Ningu√©m pode ver acima de si. Com isso quero dizer: cada pessoa v√™ em outra apenas o tanto que ela mesma √©, ou seja, s√≥ pode conceb√™-la e compreend√™-la conforme a medida da sua pr√≥pria intelig√™ncia. Se esta for de tipo inferior, ent√£o todos os dons intelectuais, mesmo os maiores, n√£o lhe causar√£o nenhuma impress√£o, e ela perceber√° no possuidor desses grandes dons apenas os elementos inferiores da individualidade dela pr√≥pria, isto √©, todas as suas fraquezas, os seus defeitos de temperamento e car√°cter. Eis os ingredientes que, para ela, comp√Ķem o homem eminente, cujas capacidades intelectuais elevadas lhe s√£o t√£o pouco existentes, quanto as cores para os cegos. De facto, todos os esp√≠ritos s√£o invis√≠veis para os que n√£o o possuem, e toda a avalia√ß√£o √© um produto do que √© avaliado pela esfera cognitiva de quem avalia.
Disso resulta que nos colocamos ao mesmo nível do nosso interlocutor, pois tudo o que temos em excedência desaparece, e até mesmo a auto-abnegação exigida em tal atitude permanece irreconhecida por completo. Ora, se considerarmos o quanto a maioria dos homens é de mentalidade e inteligência inferiores, portanto, o quanto é comum, veremos que não é possível falar com ele sem,

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Se n√£o podemos ver-nos, trocar ideias, nem estar em companhia um do outro, o sentimento do amor evaporar-se-√° em pouco tempo.

A Breve Passagem na Vida

Por vezes sentado sozinho na sala, apenas com o cão por companhia, pensava que, contrariamente ao que ele supunha, não eram precisas palavras para entendermos o essencial: que tudo é uma breve passagem e que não há outra eternidade senão a da solidão partilhada.
Ou no amor, ou na camaradagem das grandes batalhas, ou no silêncio de uma sala entre um leitor e um cão. Talvez estivéssemos a ficar parecidos e até nos imitássemos um ao outro.

Hino de Amor

Andava um dia
Em pequenino
Nos arredores
De Nazaré,
Em companhia
De São José,
O bom Jesus,
O Deus Menino.

Eis sen√£o quando
Vê num silvado
Andar piando
Arrepiado
E esvoaçando
Um rouxinol,
Que uma serpente
De olhar de luz
Resplandecente
Como a do Sol,
E penetrante
Como diamante,
Tinha atraído,
Tinha encantado.
Jesus, doído
Do desgraçado
Do passarinho,
Sai do caminho,
Corre apressado,
Quebra o encanto,
Foge a serpente,
E de repente
O pobrezinho,
Salvo e contente,
Rompe num canto
T√£o requebrado,
Ou antes pranto
Tão soluçado,
T√£o repassado
De gratid√£o,
De uma alegria,
Uma expans√£o,
Uma veemência,
Uma express√£o,
Uma cadência,
Que comovia
O coração!
Jesus caminha
No seu passeio,
E a avezinha
Continuando
No seu gorjeio
Enquanto o via;
De vez em quando
L√° lhe passava
A dianteira
E mal poisava,
N√£o afroixava
Nem repetia,
Que redobrava
De melodia!

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Recado aos Amigos Distantes

Meus companheiros amados,
n√£o vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que est√£o mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

N√£o condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.

N√£o h√° Felicidade sem Verdadeira Vida Interior

A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacida­des espirituais, e adquire, mediante o incremento inin­terrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecen­do aos poucos. Em contrapartida, a vida prática dos ou­tros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacida­des espirituais é apenas um meio.
A nossa vida pr√°tica, real, quando as paix√Ķes n√£o a movimentam, √© tediosa e sem sabor; mas quando a movi¬≠mentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os √ļnicos feli¬≠zes s√£o aqueles aos quais coube um excesso de intelec¬≠to que ultrapassa a medida exigida para o servi√ßo da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entret√©m ininter¬≠ruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Pa¬≠ra tanto, o mero √≥cio, isto √©, o intelecto n√£o ocupado com o servi√ßo da vontade, n√£o √© suficiente; √© necess√°rio um excedente real de for√ßa, pois apenas este capacita a uma ocupa√ß√£o puramente espiritual, n√£o subordinada ao ser¬≠vi√ßo da vontade.

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O Caminho de um Criador

Creio que tem havido sempre na nossa terra uma descabida preocupação canónica à ilharga de cada artista. Interessa mais ao zelo nacional averiguar se um poeta morreu sacramentado, do que ler os seus versos. Ninguém quer saber se o caminho de um criador o leva à morada das musas e da beleza; espreita-se da janela, mas é para ver se ele vai à missa. Ora isto é de analfabetos, de pessoas que verdadeiramente não sabem nem querem saber do valor de um poema, do mundo de liberdade e de independência que ele encerra. E uma gente assim não me convém, nem tão-pouco o Deus intolerante que servem. Por isso me vou divertindo com as minhas divindades naturais, luciferinamente, certo de que o diabo é ainda uma grande companhia. Foi a ele que Jesus disse que o seu reino não era deste mundo. E o meu, precisamente, é.

N√£o h√° solid√£o mais bonita que a boa companhia de quem se quer bem. Essa √© uma companhia a√©rea correndo os ce√ļs, descendo em direc√ß√£o a n√≥s, e depois novamente levantada nos bra√ßos, nunca realmente aterrando. Essa √© a companhia que se forma, quase uma escritura de amor que se assina, quando duas solid√Ķes escolhidas se encontram. ¬ę√Č sempre de duas solid√Ķes boas que nasce a melhor das companhias¬Ľ.

XXXVIII

Quando, formosa Nise, dividido
De teus olhos estou nesta distancia,
Pinta a saudade, √† for√ßa de minha √Ęnsia,
Toda a memória do prazer perdido.

Lamenta o pensamento amortecido
A tua ingrata, p√©rfida inconst√Ęncia;
E quanto observa, √© s√≥ a vil jact√Ęncia
Do fado, que os troféus tem conseguido.

Aonde a dita est√°? aonde o gosto?
Onde o contentamento? onde a alegria,
Que fecundava esse teu lindo rosto?

Tudo deixei, ó Nise, aquele dia,
Em que deixando tudo, o meu desgosto
Somente me seguiu por companhia.

As letras s√£o o alimento da juventude, a paix√£o da idade madura e a recrea√ß√£o da velhice; d√£o-nos brilho na prosperidade, e s√£o uma consola√ß√£o, um recurso no infort√ļnio; fazem as del√≠cias do gabinete, e n√£o embara√ßam em nenhuma situa√ß√£o da vida; de noite servem-nos de companhia, e v√£o connosco para o campo e em viagem.

Ignição

Meus versos, desejo-vos na rua,
nas padiolas, pelo ch√£o, encardidos
como quem ganha com eles a vida,
e o papel v√° escurecendo ao sol,
a chuva o manche, a capa
ganhe dedadas, a companhia
aderente de um insecto,
as palavras se humildem mais
e chegue a sua vez de comoverem alguém
que compre, um faminto ajudando.

Meus versos, desejo-vos nas bibliotecas
itinerantes, gostaríeis de viajar
por aldeias, praias, escolas prim√°rias,
despertar o rápido olhar das crianças,
estar nas suas m√£os
completamente indefeso
e, sobretudo, que n√£o vos compreendam.
Oxal√° escrevam, risquem, atirem no recreio
umas às outras como pélas os livros
e sonhem, se possível, com algum verso
que s√ļbito se esgueire pela sua alma.