Passagens sobre Quinze

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Frases sobre quinze, poemas sobre quinze e outras passagens sobre quinze para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.

Um Amor Verdadeiro

Admitamos: o amor é um assunto que já foi falado e voltado a falar, trivializado e dramatizado ao ponto de as pessoas não saberem já o que é e o que não é. A maioria de nós não consegue vê-lo porque temos as nossas ideias preconcebidas sobre o que é (é suposto ser mais forte do que nós e arrebatar-nos) e como aparece (num embrulho alto, magro, bem-humorado e charmoso). Por isso, se o amor não aparecer envolvido na nossa fantasia, não o conseguimos reconhecer.

Mas tenho a certeza do seguinte: o amor est√° em todo o lado. √Č poss√≠vel amar e ser amado independentemente do s√≠tio onde estamos. O amor existe sob todas as formas. √Äs vezes vou at√© ao jardim da minha casa e sinto o amor a vibrar em todas as minhas √°rvores. Est√° sempre dispon√≠vel.

J√° vi tantas mulheres (incluindo eu) confundidas pela ideia de um romance, acreditando que s√≥ ser√£o pessoas completas se encontrarem algu√©m que complete as suas vidas. Se pensarmos bem, n√£o √© uma ideia maluca? Voc√™, sozinho, tem de preencher com amor esses espa√ßos vazios e destru√≠dos. Como diz Ralph Waldo Emerson: ¬ęNada lhe poder√° dar paz a n√£o ser voc√™ mesmo.¬Ľ

Nunca esquecerei o momento em que estava a limpar uma gaveta e me deparei com doze p√°ginas que me obrigaram a parar.

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Em Viena, em 1906, por cinco dólares você podia ser analisado pelo próprio Freud. Por dez dólares, Freud deixaria que você o analisasse. E, por quinze dólares, ele não apenas o analisaria como passaria suas calças a ferro.

Retratos do Brasil.

S√£o Paulo (SP)
Quinze milh√Ķes e meio de capiaus juntos.
Sendo alguns capiais de vanguarda.
E outros doutorados pela USP.

Rio de Janeio (RJ)
Os nossos nordestinos s√£o melhores
do que os nordestinos dos outros.

Salvador (BA)
Escritores bermudam no litoral sensual.
Caro escritor:
Nesse calor você merece uma cerveja.

Curitiba (PR)
Pinhais.
P√īsteres do polon√™s papa em plena p√≥lis.
Paredes. Prateleiras. Penteadeiras.
Papa-ceia. Papa-fila. Papa-defunto.
Papada.

Belo Horizonte (MG)
O novo shopping-center rouba
meninas bonitas do
√īnibus que vai pra Universidade.

Monsieur de la Palise – escarneia Stephen – estava vivo quinze minutos antes de morrer.

Aos Amores!

A vida que tudo arrasta os amores também
uns dão à costa, exaustos, outros vao mais além
navegadores só solitários dois a dois
heróis sem nome e até por isso heróis

Desde que o John partiu a Rosinha passa mal
vive na Loneley Street, Heartbreak Hotel, Portugal
ainda em si mora a doce mentira do amor
tomou-lhe o gosto ao provar-lhe o sabor

Os amores s√£o facas de dois gumes
t√™em de um lado a paix√£o, do outro os ci√ļmes
s√£o desencantos que vivem encantados
como velas que ardem por dois lados

Aos amores!

No convento as noviças cantam as madrugadas
e a bela monja escreve cartas arrebatadas
“√© por virtude tua que tu √©s o meu v√≠cio
por ti eu lan√ßo os ventos ao precip√≠cio”

O Rui da Casa Pia sabe que sabe amar
sopra na franja, maneira de se pentear
vai à posta restante para ver quem lhe escreveu
foi uma bela monja que nunca conheceu

Aos amores!
(desordeiros irresistíveis deleituosos entranhantes
verdadeiros evitáveis buliçosos como dantes
bicolores transgressores impostores cantadores)

A Marta,

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Descri√ß√£o Da Cidade De Sergipe D’el-Rei

Tr√™s d√ļzias de casebres remendados,
Seis becos, de mentrastos entupidos,
Quinze soldados, rotos e despidos,
Doze porcos na praça bem criados.

Dois conventos, seis frades, três letrados,
Um juiz, com bigodes, sem ouvidos,
Três presos de piolhos carcomidos,
Por comer dois meirinhos esfaimados.

As damas com sapatos de baeta,
Palmilha de tamanca como frade,
Saia de chita, cinta de raqueta.

O feijão, que só faz ventosidade
Farinha de pipoca, p√£o que greta,
De Sergipe d’El-Rei esta √© a cidade.

Poema do Homem Novo

Niels Armstrong p√īs os p√©s na Lua
e a Humanidade saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.

Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até aos pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.

A cobrir tudo, enfim, como um bal√£o ao vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas m√£os penduradas, tent√°culos programados,
luvas com luz nos dedos.

Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.
C√° de longe, na Terra, num borborinho ansioso,

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Tudo Se Me Evapora

Tudo se me evapora. A minha vida inteira, as minhas recorda√ß√Ķes, a minha imagina√ß√£o e o que cont√©m, a minha personalidade, tudo se me evapora. Continuamente sinto que fui outro, que pensei outro. Aquilo a que assisto √© um espect√°culo com outro cen√°rio. E aquilo a que assisto sou eu.
Encontro às vezes, na confusão vulgar das minhas gavetas literárias, papéis escritos por mim há dez anos, há quinze anos, há mais anos talvez. E muitos deles me parecem de um estranho; desconheço-me deles. Houve quem os escrevesse, e fui eu. Senti-os eu, mas foi como em outra vida, de que houvesse agora despertado como de um sono alheio.

Retrato das Mulheres em Todas as Idades

Mulher, de quinze a vinte é fresca rosa;
De vinte, a vinte e cinco √© de exp’rimenta.
De vinte cinco a trinta, a graça aumenta:
Ditoso nesta idade quem a goza!

De trinta a trinta e cinco é mal gostosa
Porém, pode passar, com sal, pimenta,
Mas j√° dos trinta e cinco aos quarenta
Vai-se tornando assaz fastidiosa.

De quarenta e cinco ela é bachareleira,
Fala fanhoso e é já de pouco gabo.
De cinquenta cerrados é santeira!

Aos sessenta este seu retrato acabo:
Menina, moça, velha benzedeira,
Bruxa gogosa, ent√£o, leve-a o diabo!

Levei quinze anos para descobrir que n√£o sabia escrever, mas a√≠ n√£o podia mais parar. Tinha ficado famoso demais…

Por vezes, vejo pessoas como eu, da minha idade, que passaram os √ļltimos vinte e cinco anos a trabalhar numa corpora√ß√£o americana. E parecem dez ou quinze anos mais velhas.

Est√° se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.

Carta a Manoel

Manoel, tens raz√£o. Venho tarde. Desculpa.
Mas n√£o foi Anto, n√£o fui eu quem teve a culpa,
Foi Coimbra. Foi esta paysagem triste, triste,
A cuja influencia a minha alma n√£o reziste,
Queres noticias? Queres que os meus nervos fallem?
V√°! dize aos choupos do Mondego que se callem…
E pede ao vento que n√£o uive e gema tanto:
Que, emfim, se soffre abafe as torturas em pranto,
Mas que me deixe em paz! Ah tu n√£o imaginas
Quanto isto me faz mal! Peor que as sabbatinas
Dos ursos na aula, peor que beatas correrias
De velhas magras, galopando Ave-Marias,
Peor que um diamante a riscar na vidraça!
Peor eu sei lá, Manoel, peor que uma desgraça!
Hysterisa-me o vento, absorve-me a alma toda,
Tal a menina pelas vesperas da boda,
Atarefada mail-a ama, a arrumar…
O vento afoga o meu espirito n’um mar
Verde, azul, branco, negro, cujos vagalh√Ķes
S√£o todos feitos de luar, recorda√ß√Ķes.
√Ā noite, quando estou, aqui, na minha toca,
O grande evocador do vento evoca, evoca
Nosso ver√£o magnifico, este anno passado,
(E a um canto bate,

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