Cita√ß√Ķes sobre Sab√£o

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Frases sobre sab√£o, poemas sobre sab√£o e outras cita√ß√Ķes sobre sab√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

E eu, que estou de bem com a vida, creio que aqueles que mais entendem de felicidade s√£o as borboletas e as bolhas de sab√£o e tudo que entre os homens se lhes assemelhem

Uma Filosofia Toda

As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
S√£o translucidamente uma filosofia toda.
Claras, in√ļteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
S√£o aquilo que s√£o
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas s√£o mais do que parecem ser.
Algumas mal se v√™em no ar l√ļcido.
S√£o como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.

Inconst√Ęncia

√Č o meu destino: – hei de seguir assim
como um novo amor por sol, em cada dia…
– o que h√° pouco era tudo o que queria
j√° agora n√£o √© nada para mim…

Só vive, o que ainda é sonho e fantasia!
O que conquisto encontra logo um fim…
O amor que nasce cheio de alegria
hoje – morre amanh√£ cheio de esplim…

Inconstante e vol√ļvel, meus desejos
– tem a alma das bolhas de sab√£o
e a dura√ß√£o ef√™mera dos beijos…

O amor Рé a vida de um perfume no ar,
o encanto de um segundo de ilus√£o…
– a beleza da espuma sobre o mar!…

A Alma Esférica

Considero que a alma tem forma esf√©rica (se √© que tem alguma forma). Uma esfera em que uma luz fraca penetra ligeiramente – mas s√≥ ligeiramente – sob a superf√≠cie matizada, onde sensa√ß√Ķes e actos de consci√™ncia, como bolas de sab√£o, rodopiam mudando constantemente de cor.
Mais abaixo há apenas um leve vestígio de luz, como no fundo do mar, e depois a escuridão. Escuridão, escuridão.
Mas n√£o √© uma escurid√£o amea√ßadora. √Č uma escurid√£o maternal.

N√£o Fora o Mar!

N√£o fora o mar,
e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.

N√£o fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena ang√ļstia, pequeno prazer.

N√£o fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sab√£o,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto ‚ÄĒ pingos de √°gua em minha m√£o.

N√£o fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga m√ļsica ao sol p√īr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.

N√£o fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilus√£o, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.

N√£o fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.

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Sob o Chuveiro Amar

Sob o chuveiro amar, sab√£o e beijos,
ou na banheira amar, de √°gua vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, √°gua nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo ‚ÄĒ √© √°gua, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fonte?

Paz!

E a Vida foi, e é assim, e não melhora.
Esfor√ßo inutil, cr√™! Tudo √© illuz√£o…
Quantos n√£o scismam n’isso mesmo a esta hora
Com uma taça, ou um punhal na mão!

Mas a Arte, o Lar, um filho, Antonio? Embora!
Chymeras, sonhos, bolas de sab√£o.
E a tortura do além e quem lá mora!
Isso √©, talvez, minha unica afflic√ß√£o…

Toda a dor pode suspportar-se, toda!
Mesmo a da noiva morta em plena boda,
Que por mortalha leva… essa que traz…

Mas uma não: é a dor do pensamento!
Ai quem me dera entrar n’esse convento
Que ha além da Morte e que se chama A Paz!

Que Todos os Dias Sejam Dias de Amor

Jo√£o Brand√£o pergunta, prop√Ķe e decreta:
Se h√° o Dia dos Namorados, por que n√£o haver o Dia dos Amorosos, o Dia dos Amadores, o Dia dos Amantes? Com todo o fogo desta √ļltima palavra, que circula entre o carnal e o sublime?
E o Dia dos Amantes Exemplares e o Dia dos Amantes Plat√īnicos, que tamb√©m s√£o exemplares √† sua maneira, e dizem at√© que mais?
Por que não instituir, ó psicólogos, ó sociólogos, ó lojistas e publicitários, o Dia do Amor?
O Dia de Fazê-lo, o Dia de Agradecer-lhe, o de Meditá-lo em tudo que encerra de mistério e grandeza, o Dia de Amá-lo? Pois o Amor se desperdiça ou é incompreendido até por aqueles que amam e não sabem, pobrezinhos, como é essencial amar o Amor.
E mais o Dia do Amor Tranq√ľilo, t√£o raro e vestido de linho alvo, o Dia do Amor Violento, o Dia do Amor Que N√£o Ousava Dizer o Seu Nome Mas Agora Ousa, na arrebenta√ß√£o geral do s√©culo?
Amor Complicado pede o seu Dia, n√£o para tornar-se pedestre, mas para requintar em sua complica√ß√£o cheia de v√īos fora do hor√°rio e da visibilidade. Amor √† Primeira Vista,

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O Super-Detergente

N√≥s vivemos no tempo do record, do m√°ximo, do prest√≠gio do campe√£o. Todo o vocabul√°rio est√° cheio dos hiper ou dos super da propaganda comercial. Dizer que tal livro √© o melhor de h√° 30 anos equivale a dizer que este √© que √© de facto um superdetergente. De resto, os agentes publicit√°rios do material liter√°rio n√£o pretender√£o talvez enganar-nos. Eles sabem que sabemos que estamos no dom√≠nio do reclame. √Č uma actividade inocente como proclamarmos a excel√™ncia de um sab√£o. E √© exactamente por isso que eles usam sempre n√ļmeros redondos. Nunca dizem, por exemplo, que este √© o melhor livro de h√° 47 anos ou de h√° 23 anos e meio. Na realidade, eles n√£o t√™m um ponto de refer√™ncia para marcarem as datas. Falar em 30 ou 50 anos √© como usar uma ¬ęnumera√ß√£o indeterminada¬Ľ, como se diz em ret√≥rica. Gar√ß√£o, ao dizer da Dido moribunda que ¬ętr√™s vezes tenta erguer-se¬Ľ, n√£o pretende convencer-nos de que estiveram l√° a cont√°-las. Em todo o caso e de qualquer modo, dizer que este √© o melhor livro de h√° 50 anos afecta as pessoas impression√°veis. Mas por isso mesmo √© que existem as ag√™ncias de publicidade. E ningu√©m vai pedir-lhes satisfa√ß√Ķes por reclamar um produto contra a calv√≠cie que nos deixou talvez ainda mais depilados.

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Arrojos

Se a minha amada um longo olhar me desse
Dos seus olhos que ferem como espadas,
Eu domaria o mar que se enfurece
E escalaria as nuvens rendilhadas.

Se ela deixasse, ext√°tico e suspenso
Tomar-lhe as mãos mignonnes e aquecê-las,
Eu com um sopro enorme, um sopro imenso
Apagaria o lume das estrelas.

Se aquela que amo mais que a luz do dia,
Me aniquilasse os males taciturnos,
O brilho dos meus olhos venceria
O clar√£o dos rel√Ęmpagos noturnos.

Se ela quisesse amar, no azul do espaço,
Casando as suas penas com as minhas,
Eu desfaria o Sol como desfaço
As bolas de sab√£o das criancinhas.

Se a Laura dos meus loucos desvarios
Fosse menos soberba e menos fria,
Eu pararia o curso aos grandes rios
E a terra sob os pés abalaria.

Se aquela por quem j√° n√£o tenho risos
Me concedesse apenas dois abraços,
Eu subiria aos róseos paraísos
E a Lua afogaria nos meus braços.

Se ela ouvisse os meus cantos moribundos
E os lamentos das cítaras estranhas,

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Aqui Louvo os Animais

S√ļbdito s√≥ de quem n√£o reina,
aqui louvo os animais.
H√°, entre mim e eles, uma funda
relação de videntes:
as paisagens que fendem
e a minha, sepulta,
perfazem um mesmo habitat.
Desde que os n√£o sondo,
fez-se luz em nosso convívio.
O ar inicial
que ensaiava, ic√°rico,
nas bolas de sab√£o,
mas n√£o atina com o v√°cuo
da cidade, vem-me
dos seus pulm√Ķes arborescentes.
Alheios à sua pele
na osmose dos textos,
ignoram que nas √°guas
por correr, desta p√°gina,
cruzam, saudando-se,
o ¬ęBeagle¬Ľ e a Arca de No√©.

Tudo é igualmente vão nos homens, as suas alegrias como os seus pesares; porém, mais vale que a bola de sabão seja de ouro ou de azul, do que negra ou cinzenta.

O costume português é deixar-se tudo em palavras mas palavras que são bolas de sabão deitadas ao ar para distrair pequeninos de seis anos.

As mulheres: bolas de sab√£o; o dinheiro: bolas de sab√£o; o sucesso: bolas de sab√£o. Os reflexos sobre as bolas de sab√£o s√£o o mundo em que vivemos.