A uma Regateira
A minha Isabel
saiu esta tarde
A matar de amores,
A vendar gorazes.Deitada ao pescoço
A beatilha leva,
Pois de desprezar
Somente se preza,Por fresco apregoa
O peixe, meu bem,
E no apregoar fresco
Quanto sal que tem!Gadelhinhas louras,
Que pelas gadelhas
A minha alma anda
Pendurada nelas.Em continhas brancas
Extremós vermelhos.
Porém como ela
Não há tal extremo.Memória de prata
Metida no dedo,
Vá-se embora o ouro,
Que não tem tal preço.Sainha de pano,
Barra de veludo,
Mantilha vermelha,
Sapata em pantufo.Ao passar lhe disse
Pela requebrar:
Senhora Isabel
Quem fora goraz!Fizera-lhe eu logo
Depressa um Soneto,
Porque de poeta
Tenho meus dois dedos.Porém nesse passo
Entrou Bastião,
Pediu-me dinheiro,
Dei a tudo de mão.
Passagens sobre Senhores
590 resultadosUm Soneto Começo Em Vosso Gabo;
Um soneto começo em vosso gabo;
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.Na quinta torce agora a porca o rabo:
A sexta vá também desta maneira,
na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.Agora nos tercetos que direi?
Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.Nesta vida um soneto já ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.
Douto, Prudente, Nobre, Humano, Afável
Ao desembargador Belchior da Cunha Brochado, casado com uma filha de Sebastião Barbosa, Capitão de infantaria do III da Praça da Bahia.
Douto, prudente, nobre, humano, afável.
Reto, ciente, benigno e aprazível.
Único, singular, raro, inflexível.
Magnífico, preclaro, incomparável.Do mundo grave juiz. Inimitável.
Admirado, gozais aplauso incrível,
Pois a trabalho tanto e tão terrível,
Dais pronto execução sempre incansável.Vossa fama, senhor, seja notória
Lá no clima onde nunca chega o dia.
Onde do Erebo só se tem memóriaPara que garbo tal, tanta energia!
Pois de toda esta terra é gentil glória,
Da mais remota seja uma alegria.
Fazer Depender
Não faz o nome quem o doura, mas quem o adora. O sagaz mais quer necessitados de si que agradecidos. É furtar-se à esperança cortês o fiar-se no agradecimento do vulgo, pois o que aquela tem de memoriosa este tem de esquecidiço. Mais se extrai da dependência que da cortesia; quem está satisfeito dá as costas à fonte, e a laranja espremida cai do ouro ao lodo.
Acabada a dependência, acaba a correspondência, e com ela a estima. Seja lição, e sobretudo de experiência, mantê-la, não a satisfazer, conservando sempre em necessidade de si até o coroado senhor; mas não se há-de chegar ao excesso de calar para que errem, nem de deixar sem remédio o dano alheio para proveito próprio.
A Casa Branca Nau Preta
Estou reclinado na poltrona, é tarde, o Verão apagou-se…
Nem sonho, nem cismo, um torpor alastra em meu cérebro…
Não existe manhã para o meu torpor nesta hora…
Ontem foi um mau sonho que alguém teve por mim…
Há uma interrupção lateral na minha consciência…
Continuam encostadas as portas da janela desta tarde
Apesar de as janelas estarem abertas de par em par…
Sigo sem atenção as minhas sensações sem nexo,
E a personalidade que tenho está entre o corpo e a alma…Quem dera que houvesse
Um terceiro estado pra alma, se ela tiver só dois…
Um quarto estado pra alma, se são três os que ela tem…
A impossibilidade de tudo quanto eu nem chego a sonhar
Dói-me por detrás das costas da minha consciência de sentir…As naus seguiram,
Seguiram viagem não sei em que dia escondido,
E a rota que devem seguir estava escrita nos ritmos,
Os ritmos perdidos das canções mortas do marinheiro de sonho…Árvores paradas da quinta, vistas através da janela,
Árvores estranhas a mim a um ponto inconcebível à consciência de as estar vendo,
Mesmo que alguém à beira da morte suplique ‘Salvai-me, Senhor, e Vos pagarei a quantia que for necessária’, Deus não poderá atender tal pedido, pois Ele não Se move por dinheiro. Mas, quando a mente da pessoa desperta para a Verdade, a salvação de Deus é uma consequência natural.
Beber sem ter sede e fazer amor a qualquer momento minha senhora, são as únicas coisas que nos distinguem dos outros animais.
Deixemos que o convite de Isaías – «Consolai, consolai o meu povo» – ressoe no nosso coração. Hoje são precisas pessoas que sejam testemunhos da misericórdia e da ternura do Senhor. A mensagem de Isaías é um bálsamo para as nossas feridas e um estímulo a prepararmos com empenho a via do Senhor.
Nossa Senhora nunca se afastou do amor: toda a sua vida, todo o seu ser é um «sim» àquele amor, é um «sim» a Deus. Mas não foi fácil para Ela, certamente! Quando o Anjo Lhe chama «cheia de graça», Ela permanece «muito conturbada», porque na Sua humildade sente-Se um nada diante de Deus.
O Natal é o encontro com Deus que nasce na pobreza da gruta de Belém para ensinar o poder da humildade. Com efeito, o Natal é também a festa da luz que não é aceite pela gente «eleita», mas pela gente pobre e simples que esperava do Senhor a salvação.
Quando estivermos em condições de dizer ao Senhor: «Senhor, estes são os meus pecados, não são os deste ou daquele… São os meus. Toma-os tu. Assim me salvarei», então seremos aquele belo povo, povo humilde e povo que confia no nome do Senhor.
O evangelista Lucas conta que Nossa Senhora e S. José, segundo a Lei de Moisés, levaram o Menino ao templo para o oferecerem ao Senhor e que dois anciãos, Simeão e Ana, movidos pelo Espírito Santo, foram ao seu encontro e reconheceram em Jesus o Messias. Jesus faz verdadeiramente que as gerações se encontrem e unam!
Quem é que Abraça o meu Corpo
Quem é que abraça o meu corpo
Na penumbra do meu leito?
Quem é que beija o meu rosto,
Quem é que morde o meu peito?
Quem é que falla da morte,
Docemente, ao meu ouvido?És tu, Senhor dos meus olhos,
E sempre no meu sentido.
O nosso coração tem sempre desejos, vontades, pensamentos; mas são todos eles do Senhor? Ou alguns deles nos afastam d’Ele? Por isso, o apóstolo diz: ponde à prova tudo aquilo que pensais, que sentis, que quereis… Se está na linha do Senhor, tudo bem; mas se não está…
Penso nas pessoas que têm responsabilidades sobre os outros e se deixam corromper; pensais que uma pessoa corrupta será feliz no outro mundo? Não, todo o fruto do seu suborno corrompeu o seu coração e será difícil alcançar o Senhor.
Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para a julgar? O Catecismo da Igreja Católica explica-o de uma maneira muito bela e diz: «Não se deve marginalizar essas pessoas mas devem, sim, ser integradas na sociedade.»
Pedimos ao Senhor vida, saúde, afetos, felicidade; e está certo fazê-lo, mas com a consciência de que até da morte Deus sabe extrair vida, que é possível experimentar a paz mesmo na doença e que até na solidão pode haver serenidade, e bem-aventurança no pranto. Não somos nós que podemos ensinar a Deus o que Ele deve fazer, aquilo de que temos necessidade. Ele sabe-o melhor do que nós.
O nosso juiz é o Senhor, e se te vier à boca uma palavra de juízo sobre este ou aquele, fecha a boca.
Há «portas da consolação» que se devem ter sempre abertas, porque Jesus gosta de entrar por elas: o Evangelho lido todos os dias e trazido sempre connosco, a oração silenciosa e de adoração, a Confissão, a Eucaristia. Através dessas portas, o Senhor entra e dá um novo sabor a todas as coisas.
Todos sabemos que, quando a água está parada, apodrece. Há um ditado espanhol que reza assim: «A água parada é a primeira a apodrecer.» Não estejais parados. Devemos caminhar, dar um passo todos os dias, com a ajuda do Senhor.