Cita√ß√Ķes sobre Sorriso

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Frases sobre sorriso, poemas sobre sorriso e outras cita√ß√Ķes sobre sorriso para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Deuses Reclinados

… Por todos os lados as est√°tuas de Buda, de Lorde Buda… As severas, verticais, carcomidas est√°tuas, com um dourado de resplendor animal, com uma dissolu√ß√£o como se o ar as desgastasse… Crescem-lhes nas faces, nas pregas das t√ļnicas, nos cotovelos, nos umbigos, na boca e no sorriso pequenas m√°culas: fungos, porosidades, vest√≠gios excrement√≠cios da selva… Ou ent√£o as jacentes, as imensas jacentes, as est√°tuas de quarenta metros de pedra, de granito areento, p√°lidas, estendidas entre as sussurrantes frondes, inesperadas, surgindo de qualquer canto da selva, de qualquer plataforma circundante… Adormecidas ou n√£o adormecidas, est√£o ali h√° cem anos, mil anos, mil vezes mil anos… Mas s√£o suaves, com uma conhecida ambiguidade ultraterrena, aspirando a ficar e a ir-se embora… E aquele sorriso de suav√≠ssima pedra, aquela majestade imponder√°vel, mas feita de pedra dura, perp√©tua, para quem sorriem, para quem, sobre a terra sangrenta?… Passaram as camponesas que fugiam, os homens do inc√™ndio, os guerreiros mascarados, os falsos sacerdotes, os turistas devoradores…

E manteve-se no seu lugar a est√°tua, a imensa pedra com joelhos, com pregas na t√ļnica de pedra, com o olhar perdido e n√£o obstante existente, inteiramente inumana e de alguma forma tamb√©m humana, de alguma forma ou de alguma contradi√ß√£o estatu√°ria,

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Versos

Versos! Versos! Sei l√° o que s√£o versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou p√©talas que caem uma a uma…

Versos!… Sei l√°! Um verso √© o teu olhar,
Um verso é o teu sorriso e os de Dante
Eram o teu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu l√° tamb√©m que s√£o…
Sei l√°! Sei l√°!… Meu pobre cora√ß√£o
Partido em mil peda√ßos s√£o talvez…

Versos! Versos! Sei l√° o que s√£o versos…
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que n√£o cr√™s…

O Deus P√£ n√£o Morreu

O Deus P√£ n√£o morreu,
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres ‚ÄĒ
Cedo ou tarde vereis
Por l√° aparecer
O deus P√£, o imortal.

N√£o matou outros deuses
O triste deus crist√£o.
Cristo é um deus a mais,
Talvez um que faltava.
P√£ continua a ciar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.

Os deuses s√£o os mesmos,
Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por nós,
Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
Propósito casual.

Passei Ontem A Noite Junto Dela.

Passei ontem a noite junto dela.
Do camarote a divis√£o se erguia
Apenas entre nós Рe eu vivia
No doce alento dessa virgem bela…

Tanto amor, tanto fogo se revela
Naqueles olhos negros! Só a via!
M√ļsica mais do c√©u, mais harmonia
Aspirando nessa alma de donzela!

Como era doce aquele seio arfando!
Nos l√°bios que sorriso feiticeiro!
Daquelas horas lembro-me chorando!

Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
√Č sentir todo o seio palpitando…
Cheio de amores! E dormir solteiro!

Venda da Alma e Venda do Corpo

N√£o s√≥ as mulheres que casam sem amor, mas apenas por conveni√™ncia; n√£o s√≥ as esposas que continuam a comer o p√£o daquele que j√° n√£o amam e enganam; n√£o s√≥ as mulheres se prostituem. √Č prostituto o escritor que coloca a pena ao servi√ßo das ideias em que n√£o cr√™; o advogado que defende causas que reconhece injustas; quem finge a ades√£o aos mitos e interesses dos poderosos para obter recompensas materiais e morais; o actor e o bobo que se exp√Ķem diante dos idiotas pagantes para arrecadar aplausos e dinheiro; o poeta que abre aos estranhos os segredos da sua alma, amores e melancolias, para obter em compensa√ß√£o um pouco de fama, de dinheiro ou de compaix√£o; e, acima de tudo, √© prostituto o pol√≠tico, o demagogo, o tribuno que todos devem acariciar, seduzir, a todos promete favores e felicidade e a todos se entrega por amor √† popularidade – justamente chamado homem p√ļblico, quase irm√£o de toda a mulher p√ļblica.
Mas quem de entre n√≥s, pelo menos um dia da sua vida, n√£o simulou um sentimento que n√£o tinha e um entusiasmo que n√£o sentia e repetiu uma opini√£o falsa para obter compensa√ß√Ķes, cumplicidades, sorrisos ou benef√≠cios?

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Eu Planto no Teu Corpo

Como se arrasta no sol morno um verme
Por sobre a polpa de uma fruta, eu durmo
A tua carne e sinto o teu contorno
Entre os meus braços como um fruto morno.

E a minha boca sobre a pele, um verme,
Vai percorrendo o teu sorriso, e torno
Ao longo do nariz, depois contorno
Os teus olhos fechados por querer-me.

E desço o teu pescoço, feito um mono,
Para os teus seios mornos, como um verme
Por sobre os frutos prontos para o tombo.

Vertendo a unção da morte nos teus membros,
E estremecendo numa cruz de febre,
Eu planto no teu corpo a flor de um pombo.

Sou os Sonhos que n√£o Realizei

A tristeza de n√£o ser mais do que aquilo que deixei de ser. De n√£o fazer mais do que aquilo que deixei por fazer. Sou os sonhos que n√£o realizei, os passos que n√£o dei. Sou a vida, sim, que n√£o vivi. E √© assim que vivo, entre pensamentos de que sou e a lucidez, sempre tempor√°ria mas sempre triste, de que n√£o sou. De que n√£o consigo ser. Os dias, lentos e parcimoniosos, s√£o leves brisas de tempo, folhas que o vento, sem esfor√ßo, carrega para o destino final. Escrevo porque s√≥ sei escrever. Escrevo porque nada sei fazer. E aguardo que, letra a letra, se v√°, imagem a imagem, o sonho prometido. E aguardo que, sonho a sonho, se v√°, promessa a promessa, o destino ansiado. Sou, mais do que o que sou, o que n√£o sou: o que n√£o fui capaz de ser. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Meio escritor, meio humano, meio poeta e meio insano, meio senhor, meio crian√ßa, meio sorriso na meia inf√Ęncia. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Fui o quase g√©nio, o quase artista, o quase pedinte, o quase louco. Fui quase feliz,

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Uma boa acção é aquela que faz aparecer um sorriso no rosto do outro

Uma boa acção é aquela que faz aparecer um sorriso no rosto do outro.

A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.

Se Penso, Existo

Se penso, existo; se falo, existo para os outros, com os outros.

A necessidade é o lugar do encontro. Procuro os outros para me lembrar que existo. E existo, porque os outros me reconhecem como seu igual. Por isso, a minha vida é parte de outras vidas, como um sorriso é parte de uma alegria breve.

Breve é a vida e o seu rasto. A posteridade é apenas a memória acesa de uma vela efémera. Para que a memória não se apague, temos que nos dar uns aos outros, como elos de uma corrente ou pedras de uma catedral.

A necessidade de sobrevivência é o pão da fraternidade.
O futuro é uma construção colectiva.

A gra√ßa √© o esplendor da beleza, √© a beleza em movimento e mo√ßa, √© o sorriso da inf√Ęncia, √© a bondade da for√ßa, √© o perfume do fruto saboroso, √© a eleg√Ęncia da palmeira que se curva, ondeando, √†s car√≠cias do vento; a gra√ßa √© a poesia da beleza.

O Último Negócio

Certa manh√£
ia eu pelo caminho pedregoso,
quando, de espada desembainhada,
chegou o Rei no seu carro.
Gritei:
‚ÄĒ Vendo-me!
O Rei tomou-me pela m√£o e disse:
‚ÄĒ Sou poderoso, posso comprar-te.
Mas de nada lhe serviu o seu poder
e voltou sem mim no seu carro.

As casas estavam fechadas
ao sol do meio dia,
e eu vagueava pelo beco tortuoso
quando um velho
com um saco de oiro às costas
me saiu ao encontro.
Hesitou um momento, e disse:
‚ÄĒ Posso comprar-te.
Uma a uma contou as suas moedas.
Mas eu voltei-lhe as costas
e fui-me embora.

Anoitecia e a sebe do jardim
estava toda florida.
Uma gentil rapariga
apareceu diante de mim, e disse:
‚ÄĒ Compro-te com o meu sorriso.
Mas o sorriso empalideceu
e apagou-se nas suas l√°grimas.
E regressou outra vez à sombra,
sozinha.

O sol faiscava na areia
e as ondas do mar
quebravam-se caprichosamente.
Um menino estava sentado na praia
brincando com as conchas.
Levantou a cabeça
e,

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No Fundo Somos Bons Mas Abusam de Nós

O comum das gentes (de Portugal) que eu n√£o chamo povo porque o nome foi estragado, o seu fundo comum √© bom. Mas √© exactamente porque √© bom, que abusam dele. Os pr√≥prios v√≠cios v√™m da sua ingenuidade, que √© onde a bondade tamb√©m mergulha. S√≥ que precisa sempre de lhe dizerem onde aplic√°-la. N√≥s somos por instinto, com intermit√™ncias de consci√™ncia, com uma generosidade e delicadeza incontrol√°veis at√© ao rid√≠culo, astutos, comunic√°veis at√© ao dislate, corajosos at√© √† temeridade, orgulhosos at√© √† petul√Ęncia, humildes at√© √† subservi√™ncia e ao complexo de inferioridade. As nossas virtudes t√™m assim o seu lado negativo, ou seja, o seu v√≠cio. √Č o que normalmente se explora para o pitoresco, o ruralismo edificante, o sorriso superior. Toda a nossa literatura popular √© disso que vive.
Mas, no fim de contas, que √© que significa cultivarmos a nossa singularidade no limiar de uma ¬ęciviliza√ß√£o planet√°ria¬Ľ? Que significa o regionalismo em face da r√°dio e da TV? O rasoiro que nivela a prov√≠ncia √© o que igualiza as na√ß√Ķes. A anula√ß√£o do indiv√≠duo de facto √© o nosso imediato horizonte. Estruturalismo, lingu√≠stica, freudismo, comunismo, tecnocracia s√£o faces da mesma realidade. Como no Egipto, na Gr√©cia,

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A √Ārvore da Sombra

A √°rvore da sombra
tem as folhas nuas
como a própria árvore ao meio-dia
quando se finca à terra
e espera
como um c√£o espera o regresso do dono.
Nós abrigamo-nos mais tarde ou mesmo agora num lugar
muito distante
onde o tempo recorta
um tapete que esvoaça no papel.
A casa da sombra
é branca e habitada.
Somos nós ainda
sentados ao fogo que o teu sorriso
acende e aconchega
no silêncio que ilumina
a √°rvore da sombra
para que a noite desenhe
o seu nome visível
e a sombra possa contemplar
Os ramos mais belos e o tronco mais esguio
do seu objecto.
Nesta sombra h√° um imenso amor
ao meio-dia.
A hora dos prodígios
é feita de segundos do tempo que há-de vir
e o horizonte
é a proximidade total da tua boca.

A L√°grima

7

Tornamo-la espelho. Certa, vem
dos dias longos, gastos, fulgurante
traçando o curso: aí, diante
do vidro se encontra, se retém

sobre a mesa, leve, a dor. De quantos
golpes, e sorrisos, se constrói? In-
dizível parte, e passa, e fin-
da alva, algures – se longe, tantos

olhos a espiam. Que som havia
antes, tal espaço? Palavra ou
tão só a noite? E (ainda) leda

se desdobra, a: sinal, ave, fria
corre, imagem dura que secou
no sulco, v√£o: a l√°grima, a queda.

Um retrato é apenas a ideia aproximada de uma pessoa. A graça de um sorriso, o olhar, a expressão e tudo quanto para mim é a beleza, não pode verdadeiramente existir num retrato.

Mito

Vir√° o dia em que o jovem deus ser√° um homem,
sem sofrimento, com o morto sorriso do homem
que compreendeu. Também o sol se move longínquo
avermelhando as praias. Vir√° o dia em que o deus
j√° n√£o saber√° onde eram as praias de outrora.

Acorda-se uma manh√£ em que o Ver√£o morreu,
e nos olhos tumultuam ainda esplendores
como ontem e no ouvido os fragores do sol
feito sangue. A cor do mundo mudou.
A montanha já não toca o céu; as nuvens
j√° n√£o se amontoam como frutos; na √°gua
j√° n√£o transparece um seixo. O corpo dum homem
curva-se pensativo onde um deus respirava.

O grande sol acabou, e o cheiro da terra
e a rua livre, colorida de gente
que ignorava a morte. N√£o se morre de Ver√£o.
Se alguém desaparecia, havia o jovem deus
que vivia por todos e ignorava a morte.
Nele a tristeza era uma sombra de nuvens.
O seu passo pasmava a terra.

Agora pesa
o cansaço sobre todos os membros do homem,
sem sofrimento: o calmo cansaço da madrugada
que abre um dia de chuva.

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