Cita√ß√Ķes sobre Sujidade

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Frases sobre sujidade, poemas sobre sujidade e outras cita√ß√Ķes sobre sujidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Pessoas Estranhas

As pessoas s√£o estranhas. Algumas pessoas s√£o. Elas ser√£o conduzidas a descobrir coisas, mesmo que as mais triviais. Eles come√ßar√£o a relacion√°-las, sabendo contudo que podem estar enganadas. Voc√™ v√™ essas pessoas com blocos de notas, a raspar a sujidade das l√°pides, a lerem microfilmes, apenas pela esperan√ßa de encontrarem o fio √† meada, fazendo liga√ß√Ķes, resgatando qualquer coisa do lixo.

O Futuro é dos Virtuosos e dos Capazes

√Č preciso confessar, o presente √© dos ricos, e o futuro √© dos virtuosos e dos capazes. Homero ainda vive, e viver√° sempre; os recebedores de direitos, os publicanos, n√£o existem mais: existiram algum dia? A sua p√°tria, os seus nomes, s√£o conhecidos? Houve arrecadores de impostos na Gr√©cia? Que fim levaram essas personagens que desprezavam Homero, que s√≥ pensavam, na rua, em evit√°-lo, n√£o correspondiam √† sua sauda√ß√£o, ou o saudavam pelo nome, desdenhavam associ√°-lo √† sua mesa, olhavam-no como um home que n√£o era rico e fazia um livro?
O mesmo orgulho que faz elevar-se altivamente acima dos seus inferiores, faz rastejar vilmente diante dos que est√£o acima de si. √Č pr√≥prio deste v√≠cio, que n√£o se funda sobre o m√©rito pessoal nem sobre a virtude, e sim sobre as riquezas, cargos, cr√©dito, e sobre ci√™ncias v√£s, levar-nos igualmente a desprezar os que t√™m menos essa esp√©cie de bens do que n√≥s e a apreciar demais aqueles que t√™m uma medida que excede a nossa.

H√° almas sujas, amassadas com lama e sujidade, tomadas pelo desejo de ganho e interesse, como as belas almas o s√£o pelo da gl√≥ria e da virtude: capazes de uma √ļnica vol√ļpia,

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Impress√Ķes mal Fundamentadas

S√≥crates- Quando a cera que est√° na alma de algu√©m √© n√£o apenas densa, mas abundante e lisa, com a consist√™ncia adequada, o que vem atrav√©s das percep√ß√Ķes grava-se neste ¬ęcora√ß√£o¬Ľ da alma. Como Homero lhe chama de modo enigm√°tico, referindo-se √† semelhan√ßa com a cera. Nesse momento, os sinais tornam-se puros nestas pessoas e t√™m suficiente densidade para chegarem a ser duradouros. Quantos s√£o desse tipo t√™m, em primeiro lugar, facilidade em aprender, em segundo, boa mem√≥ria, e, em terceiro, n√£o desviam os sinais das suas percep√ß√Ķes, mas t√™m opini√Ķes verdadeiras. Com efeito, dado que os sinais s√£o claros e bem espa√ßados, distribuem-nos rapidamente em cada uma das impress√Ķes, √†s quais sem d√ļvida se chama coisas que s√£o. E estas pessoas s√£o chamadas s√°bias. Ou n√£o te parece?
Teeteto- Sem d√ļvida. A explica√ß√£o √© maravilhosamente convincente.
Sócrates- Ora bem, vejamos o que sucede quando o coração de uma pessoa é hirsuto Рcoisa que o poeta elogiou, na sua enorme sabedoria Рou, quando a cera está suja e é impura, ou quando é extremamente líquida ou dura: aqueles cuja cera é líquida têm facilidade para aprender, mas tornam-se esquecidos, enquanto, com aqueles cuja cera é dura,

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O Supremo Instinto do Asseio

O que separa mais profundamente duas pessoas √© um sentido e grau diferentes de asseio. Para que serve toda a honestidade e utilidade m√ļtua, para que serve toda a boa vontade de uns para os outros: por fim √© sempre o mesmo ‚Äď ‚Äúeles n√£o se podem cheirar!‚ÄĚ O supremo instinto do asseio coloca quem o tiver na solid√£o mais estranha e perigosa, como um santo: pois isso precisamente √© santidade ‚Äď a suprema espiritualiza√ß√£o desse instinto. Qualquer saber comum de uma indescrit√≠vel felicidade do banho, qualquer ardor e sede que impelem a alma constantemente da noite para a manh√£ e do turvo, da ¬ętribula√ß√£o¬Ľ para o claro, resplandecente, profundo, subtil: – do mesmo modo que tal tend√™ncia distingue ‚Äď pois √© uma tend√™ncia aristocr√°tica -, tamb√©m separa. A compaix√£o do santo √© a compaix√£o com a sujidade do humano, demasiadamente humano. E h√° graus e alturas em que a pr√≥pria compaix√£o √© sentida, por ele, como contamina√ß√£o, como sujidade…

Canção da Inocência Perdida

1

O que a minha m√£e dizia
N√£o pode ser bem verdade:
Que uma vez emporcalhada
Nunca passa a sujidade.
Se isto n√£o vale pra a roupa
Também não vale pra mim.
Que o rio lhe passe por cima
Breve fica branca, assim.

2

Como qualquer pataqueira
Aos onze anos j√° pecava.
Mas só ao fazer catorze
O meu corpo castigava.
A roupa j√° estava parda,
No rio a fui mergulhar.
No cesto est√° virginal
C’mo sem ningu√©m lhe tocar.

3

Sem ter conhecido algum
J√° eu tinha escorregado.
Fedia aos Céus, como uma
Babilónia de pecado.
A roupa branca no rio
Enxaguada à roda, à roda,
Sente que as ondas a beijam:
¬ęVolta-me a brancura toda¬Ľ.

4

Quando o primeiro me amou
Abracei-o eu também.
Senti no ventre e no peito
Ir-se a maldade pra além.
Assim acontece à roupa
E a mim acontecer√°.
A √°gua corre depressa,
Sujidade diz: Vem c√°!

5

Mas quando os outros vieram
Um ano mau começou.

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