Cita√ß√Ķes sobre Toque

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Frases sobre toque, poemas sobre toque e outras cita√ß√Ķes sobre toque para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Realidade

Por causa de um livro
vieste ao meu encontro.
Era Ver√£o, n√£o sabias de nada
nem isso interessava. Palavras
amavam-se fora de ti,
no atropelo das emo√ß√Ķes.
L√° chegaria a primeira vez,
o encontro apressado num lugar
p√ļblico. Desfeito o erro
ao toque da pele, n√£o sei
se havia medo, a paix√£o queria-me
no lugar exacto do teu coração.
Palavras enrolam-se na sombra
da vida a dor do sentimento.

Atingido o espírito, o tempo
da inf√Ęncia, a realidade. Em ti
a solid√£o que o prazer
n√£o mata. Quero a beleza
dos versos revelada.
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê.

Fundamentalistas d√£o um toque de arrogante intoler√Ęncia e r√≠gida indiferen√ßa para com aqueles que n√£o compartilham suas vis√Ķes de mundo.

Pensamento em Boa Forma

Cumpre-nos n√£o s√≥ averiguar porque se gasta a vida, dia ap√≥s dia, e o pouco que resta √† propor√ß√£o vai diminuindo. Pensemos tamb√©m no seguinte: supondo que a um homem toque viver longa vida, uma quest√£o permanece escura: a de saber se a sua intelig√™ncia ser√° capaz, tempo adiante, sem defec√ß√£o, de compreender os problemas e a teoria que apontam ao conhecimento das coisas divinas e humanas. Se ele pega a cair em estado de infantilidade, a respira√ß√£o, a alimenta√ß√£o, a imagina√ß√£o, os gestos impulsivos e as outras fun√ß√Ķes do mesmo g√©nero n√£o lhe faltar√£o necessariamente; mas dispor de si, obtemperar exactamente a todas as exig√™ncias morais, analisar as apar√™ncias, ver se n√£o ser√° j√° tempo de entrouxar e ir para melhor est√£o √† altura de responder a necessidades desta ordem – para tudo isso se necessita de um racioc√≠nio em boa forma; e o racioc√≠nio, h√° que tempos perdeu a chama e a agudeza. Cumpre-nos pois andar ligeiros, n√£o s√≥ porque a morte se avizinha a cada momento mas ainda porque antes de morrer perdemos a capacidade de conceber as coisas e de lhes prestar aten√ß√£o.

De vez em quando, certas conversas dirigem-se para um ponto em que se fala das primeiras recorda√ß√Ķes. Para que uma conversa toque esse ponto √© preciso que exista uma certa intimidade e que haja tempo suficiente para se chegar a um assunto t√£o importante para cada um de n√≥s e t√£o desinteressante para todos os outros.

O Domínio da Ira

Querer extinguir inteiramente a cólera é pretensão louca dos estóicos. A cólera deve ser limitada e confinada, tanto na extensão como no tempo. Diremos em primeiro lugar como a inclinação natural e o hábito adquirido para se encolerizar podem ser temperados e acalmados. Diremos, em segundo lugar, como os movimentos particulares da cólera podem ser reprimidos, ou pelo menos refreados, para que não façam mal. Diremos, em terceiro lugar, como suscitar ou apaziguar a cólera nas outras pessoas.
Quanto ao primeiro ponto. N√£o h√° outro caminho sen√£o o de meditar e ruminar muito bem os efeitos da c√≥lera, de ver quanto ela perturba a vida humana. E a melhor ocasi√£o de fazer isso, ser√° depois de o acesso ter passado, reflectindo sobre as desvantagens da c√≥lera. S√©neca disse muito bem que ¬ęa c√≥lera √© como uma ru√≠na que se quebra contra o que derruba¬Ľ. (…) Deve o homem cuidar de temperar a c√≥lera mais pelo desd√©m do que pelo temor, para que assim possa estar acima da inj√ļria e n√£o abaixo dela: o que ser√° coisa f√°cil, para quem quiser obedecer a esta lei.
Quanto ao segundo ponto. Há três causas e motivos principais da cólera. Primeiro, ser demasiado sensível ao toque,

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Desafogo

Onde estás, oh Filósofo indefesso
Pio sequaz da rígida Virtude,
T√£o terna a alheios, quanto a si severa?
Com que m√°goa, com que ira olharas hoje
Desprezada dos homens, e esquecida
Aquela √Ęnsia, que em n√≥s pousou Natura
No √Ęmago do peito, ‚ÄĒ de acudir-nos
Co’as for√ßas, c’o talento, co’as riquezas
À pena, ao desamparo do homem justo!
Que (baldão da fortuna iníqua) os Deuses
Puseram para símbolo do esforço,
Lutando a bra√ßos c’o √°spero infort√ļnio?
Pedra de toque em que luzisse o ouro
De sua alma viril, onde encravassem
Seus farp√Ķes mais agudos as Desgra√ßas,
E os peitos de virtude generosa
Desferissem poderes de árduo auxílio?
Que nunca os homens s√£o mais sobre-humanos
Mais comparados c’os sublimes Numes,
Que quando acodem com socorro activo,
Não manchado de sórdido interesse,
Nem do fumo de frívola ufania;
Ou cheios de valor e de const√Ęncia
Arrostam co’a medonha catadura
Da Desgraça, que apura iradas mágoas
Na casa nua do var√£o honesto.
Mas Grécia e Roma há muito que acabaram;
E as cinzas dos Heróis fortes e humanos,

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A Felicidade Provém da Plena Posse das Suas Faculdades

O √≥dio √† raz√£o, t√£o frequente nos nossos dias, √© devido em grande parte ao facto dos movimentos da raz√£o n√£o serem concebidos duma forma suficientemente fundamental. O homem dividido contra si mesmo procura est√≠mulos e distrac√ß√Ķes; ama as paix√Ķes fortes, n√£o por raz√Ķes profundas, mas porque moment√Ęneamente elas lhe permitem evadir-se de si pr√≥prio e afastam dele a dolorosa necessidade de pensar.
Toda a paix√£o √© para ele uma forma de intoxica√ß√£o, e desde que n√£o pode conceber uma felicidade fundamental, a intoxica√ß√£o parece-lhe o √ļnico al√≠vio para o seu sofrimento. Isso, no entanto, √© o sintoma duma doen√ßa de ra√≠zes profundas. Quando n√£o h√° tal doen√ßa, a felicidade prov√©m da plena posse das suas faculdades. √Č nos momentos em que o esp√≠rito est√° mais activo, em que menos coisas s√£o esquecidas que se sentem alegrias mais intensas. Esta √©, sem d√ļvida, uma das melhores pedras de toque da felicidade. A felicidade que exige intoxica√ß√£o de n√£o importa que esp√©cie, √© falsa e n√£o d√° qualquer satisfa√ß√£o. A felicidade que satisfaz verdadeiramente √© acompanhada pelo completo exerc√≠cio das nossas faculdades e pela compreens√£o plena do mundo em que vivemos.

Verdade é como o impossível ser sujado por qualquer toque externo como um raio de sol.

A Partir da Ausência

Imaginar a forma
doutro ser Na língua,
proferir o seu desejo
O toque inteiro

N√£o existir

Se o digo acendo os filamentos
desta nocturna l√Ęmpada
A pedra toco do silêncio densa
Os veios de um sangue escuro

Um muro vivo preso a mil raízes

Mas não o vinho límpido
de um corpo
A lucidez da terra
E se respiro a boca n√£o atinge
a nudez una
onde começo

Era com o sol E era
um corpo

Onde agora a m√£o se perde
E era o espaço

Onde não é

O que resta do corpo?
Uma matéria negra e fria?
Um hausto de desejo
retém ainda o calor de uma sílaba?

As palavras soçobram rente ao muro
A terra sopra outros voc√°bulos nus
Entre os ossos e as ervas,
uma outra mão ténue
refaz o rosto escuro
doutro poema

Respira o sabor de um beijo, o toque de um afago, o som de um arfar. Respira a m√£o de fogo de quem te ama, o suor em √™xtase de quem te chama. E o abra√ßo que n√£o passa, e as palavras que te embra√ßam, e os olhares que te apertam. Respira ‚Äď para saberes que vale a pena continuar.

Um Cérebro Ilimitado

Uma das coisas √ļnicas do c√©rebro humano √© que pode fazer apenas o que pensa poder fazer. No momento em que diz “A minha mem√≥ria j√° n√£o √© o que era” ou “Hoje n√£o me lembro de uma s√≥ coisa”, est√° de facto a treinar o c√©rebro para corresponder √†s suas diminu√≠das expetativas. Baixas expetativas equivalem a baixos resultados. A primeira regra do superc√©rebro √© que o seu c√©rebro est√° sempre a espiar os seus pensamentos. Assim escuta, assim aprende. Se lhe ensinar limita√ß√£o, o seu c√©rebro ficar√° limitado. Mas, e se fizer o oposto? E se ensinar o seu c√©rebro a ser ilimitado?

Pense no seu c√©rebro como sendo um piano de cauda Steinway. Todas as teclas est√£o no lugar, prontas a soar ao toque de um dedo. Seja um principiante a sentar-se ao teclado ou um virtuoso de renome mundial como Vladimir Horowitz ou Arthur Rubinstein, o instrumento √© fisicamente o mesmo. Mas a m√ļsica que dele ressoar√° ser√° inteiramente diferente. O principiante usa menos de 1% do potencial do piano; o virtuoso transcende os limites do instrumento.
Se o mundo da m√ļsica n√£o dispusesse de virtuosos, ningu√©m jamais adivinharia as coisas espantosas que um Steinway de cauda pode fazer.

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Fale a verdade, seja ela qual for, clara e objetivamente, usando um toque de voz tranquilo e agrad√°vel, liberto de qualquer preconceito ou hostilidade.

Rufando Apressado

Rufando apressado,
E bamboleado,
Boné posto ao lado,

Garboso, o tambor
Avança em redor
Do campo de amor…

Com força, soldado!
A passo dobrado!
Bem bamboleado!

Amores te bafejem.
Que as moças te beijem.
Que os moços te invejem.

Mas ai, ó soldado!
√ď triste alienado!
Por mais exaltado

Que o toque reclame,
Ningu√©m que te chame…
Ningu√©m que te ame…

Contra a Esperança

√Č preciso esperar contra a esperan√ßa.
Esperar, amar, criar
contra a esperança
e depois desesperar a esperança
mas esperar,
enquanto um fio de √°gua, um remo,
peixes
existem e sobrevivem
no meio dos litígios;
enquanto bater a m√°quina de coser
e o dia dali sair
como um colete novo.

√Č preciso esperar
por um pouco de vento,
um toque de manh√£s.
E n√£o se espera muito.
Só um curto-circuito
na lembrança. Os cabelos,
ninhos de andorinhas
e chuvas. A esperança,
cachorro
a correr sobre o campo
e uma pequena lebre
que a noite em v√£o esconde.

O universo é um telhado
com sua calha t√£o baixo
e as estrelas, enxame
de abelhas na ponta.

√Č preciso esperar contra a esperan√ßa
e ser a m√£o pousada
no leme de sua lança.

E o peito da esperança
é não chegar;
seu rosto é sempre mais.
√Č preciso desesperar
a esperança
como um balde no mar.

Um balde a mais
na esperança.

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Benção

Quando, por uma lei da vontade suprema,
O Poeta vem a luz d’este mundo insofrido
A desolada mãe, numa crise de blasfêmia,
Pragueja contra Deus, que a escuta comovido:

‚ÄĒ “Antes eu procriasse uma serpe infernal!
Do que ter dado vida a um disforme aleij√£o!
Maldita seja a noite em que o prazer carnal
Fecundou no meu ventre a minha expiação!

J√° que fui a mulher destinada, Senhor,
A tornar infeliz quem a si me ligou,
E n√£o posso atirar ao fogo vingador
O fatal embri√£o que meu sangue gerou.

Vou fazer recair o meu ódio implacável
No monstro que nasceu das tuas maldi√ß√Ķes
E saberei torcer o arbusto miser√°vel
De modo que n√£o vingue um s√≥ dos seus bot√Ķes!”

E sobre Deus cuspindo a sua m√°goa ingente
Ignorando a razão dos desígnios do Eterno,
A tresloucada m√£e condena, inconsciente,
A sua pobre alma às fogueiras do inferno.

Bafeja a luz do sol o fruto malfadado,
Vela pelo inocente um anjo peregrino;
A água que ele bebe é um néctar perfumado,
O pão é um manjar saboroso,

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