Cita√ß√Ķes sobre Tribos

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Frases sobre tribos, poemas sobre tribos e outras cita√ß√Ķes sobre tribos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A boa sociedade é um rebanho de refinados, formado de duas tribos, os maçadores e os maçados.

Ser Livre

Eu n√£o nasci com fome de ser livre. Eu nasci livre – livre em todos os aspectos que conhecia. Livre de correr pelos campos perto da palhota da minha m√£e, livre de nadar num regato transparente que atravessava a minha aldeia, livre de assar ma√ßarocas sob as estrelas e montar os largos dorsos de bois vagarosos. Contanto que obedecesse ao meu pai e observasse os costumes da minha tribo, eu n√£o era incomodado pelas leis do homem nem de Deus. (…) S√≥ quando comecei a aprender que a minha liberdade de menino era uma ilus√£o, quando descobri, em jovem, que a minha liberdade j√° me fora roubada, √© que comecei a sentir fome dela. (…) Calcorreei esse longo caminho para a liberdade. Tentei n√£o vacilar; dei maus passos durante o percurso. Mas descobri o segredo: depois de subir uma alta montanha apenas se encontram outras montanhas para subir. Parei aqui um momento para descansar, para gozar a vista da gloriosa paisagem que me rodeia, para voltar os olhos para a dist√Ęncia percorrida. Mas s√≥ posso descansar um momento, porque, com a liberdade, vem a responsabilidade, e n√£o me atrevo a demorar, pois a minha caminhada ainda n√£o terminou. (…) Ser livre n√£o √© apenas livrar-se das pr√≥prias grilhetas,

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As Realidades do Sonho

O sonho √© a explos√£o dos s√ļbditos na aus√™ncia do rei. Se o homem fosse um ser √ļnico, n√£o sonharia. Mas cada um de n√≥s √© uma tribo em que somente um chefe tem os privil√©gios da vida iluminada. O chefe √© a pessoa reconhecida pelos semelhantes, o ¬ęmim¬Ľ legal da sociedade e da raz√£o, obrigado a uma concord√Ęncia fixa consigo mesmo. S√≥ ele tem rela√ß√Ķes expressas com o mundo exterior e o √ļnico a reinar nas horas de vig√≠lia. Mas abaixo dele h√° um pequeno povo de cadetes expulsos, de insurrectos punidos, de h√≥spedes indesej√°veis – exilados da zona da consci√™ncia, mas donos do subconsciente, encerrados no subterr√£neo, mas prontos para a evas√£o, vencidos mas n√£o mortos. H√° a crian√ßa que foi renegada pelo jovem, o delinquente imobilizado pela moral e a lei, o louco que todos os dias estende armadilhas √† raz√£o raciocinadora, o poeta que a pr√°tica condenou ao sil√™ncio, o bobo dominado pelas amarguras, o antepassado b√°rbaro que ainda se recorda do machado de pedra e dos festins de Tiestes.
O eu quotidiano e vulgar, o respeit√°vel, o vigilante, o vitorioso, dominou essa tribo de larvas inimigas, de irm√£os renegados e moribundos. E como a alma tem o seu subsolo,

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Aboio De Ternura Para Uma Rês Desgarrada Para Astrid Cabral

Fora de tua tribo peixe fora d’água,
bordando as muitas dores no ponto de cruz,
alinhavas rebanhos reunidos na fr√°gua
dos rios da tua inf√Ęncia com escamas de luz.

Versos tecidos na cambraia das an√°guas
de alices caboclas, yaras-cunh√£s do fundo,
encantadas dos peraus, afogando m√°goas,
mas que sabem, sestrosas, dos botos do mundo.

E os teus pés desgarrados pisaram em nuvens
de ventos sem mormaços, no azul de outras línguas:
√°guas despidas do alfenim de nossas chuvas.

Te sabias folha de relva da ravina
irm√£ de Whitman e do Khayam simum
próxima do teu gado e rês da própria sina.

A Gonçalves Dias

Celebraste o domínio soberano
Das grandes tribos, o tropel fremente
Da guerra bruta, o entrechocar insano
Dos tacapes vibrados rijamente,

O marac√° e as flechas, o estridente
Troar da in√ļbia, e o canitar indiano…
E, eternizando o povo americano,
Vives eterno em teu poema ingente.

Estes revoltos, largos rios, estas
Zonas fecundas, estas seculares
Verdejantes e amplíssimas florestas

Guardam teu nome: e a lira que pulsaste
Inda se escuta, a derramar nos ares
O estridor das batalhas que contaste.

O respeito pelo passado Рeis o traço que distingue a instrução da barbárie; as tribos nómadas não possuem nem história, nem nobreza.

Ciganos em Viagem

A tribo que prevê a sina dos viventes
Levantou arraiais hoje de madrugada;
Nos carros, as mulher’, c’o a torva filharada
Às costas ou sugando os mamilos pendentes;

Ao lado dos carr√Ķes, na pedregosa estrada,
Vão os homens a pé, com armas reluzentes,
Erguendo para o céu uns olhos indolentes
Onde j√° fulgurou muita ilus√£o amada.

Na buraca onde est√° encurralado, o grilo,
Quando os sente passar, redobra o meigo trilo;
Cibela, com amor, traja um verde mais puro,

Faz da rocha um caudal, e um vergel do deserto,
Para assim receber esses p’ra quem ‘st√° aberto
O império familiar das trevas do futuro!

Tradução de Delfim Guimarães

A Interpretação das Nossas Capacidades

N√£o sabemos distinguir as faculdades dos homens; t√™m eles divis√≥rias e fronteiras subtis e dif√≠ceis de discernir. Concluir da compet√™ncia na vida privada uma qualquer compet√™ncia para os cargos p√ļblicos, √© mal concluir: h√° quem se governe bem e n√£o governe bem os outros e quem fa√ßa Ensaios sem ser capaz de realizar feitos; quem organize bem um cerco e mal uma batalha e quem fale bem em privado e n√£o o consiga fazer em p√ļblico ou diante de um princ√≠pe. E talvez mesmo o ser algu√©m capaz numa das coisas mais que o contr√°rio indicie que n√£o o √© na outra. Acho que os esp√≠ritos elevados n√£o muito menos aptos s√£o para as coisas inferiores que os inferiores para as elevadas. Seria de crer que S√≥crates tivesse dado aos atenienses motivo para se rirem √† sua custa por ele nunca haver sabido fazer a contagem dos sufr√°gios da sua tribo e particip√°-los ao Conselho? Decerto, a venera√ß√£o que tenho pelas qualidades desta personagem justifica que a sua sorte proporcione um exemplo t√£o magn√≠fico para desculpar os meus principais defeitos.
A nossa capacidade está fragmentada em pequenas parcelas. A minha não é extensa e ainda por cima é pouco variada.

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Aos Poetas

Somos nós
As humanas cigarras.
Nós,
Desde o tempo de Esopo conhecidos…
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.

Somos nós os ridículos comparsas
Da f√°bula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos,
A passar…

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras.
Asas que em certas horas
Palpitam.
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura.
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz.
Vinho que não é meu,
Mas sim do mosto que a beleza traz.

E vos digo e conjuro que canteis.
Que sejais menestréis
Duma gesta de amor universal.
Duma epopeia que n√£o tenha reis,
Mas homens de tamanho natural.

Homens de toda a terra sem fronteiras.
De todos os feitios e maneiras,

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A Palavra

…Tudo o que voc√™ quiser, sim senhor, mas s√£o as palavras que cantam, que sobem e descem… Prosterno-me diante delas… Amo–as, abra√ßo-as, persigo-as, mordo-as, derreto-as… Amo tanto as palavras… As inesperadas… As que glutonamente se amontoam, se espreitam, at√© que de s√ļbito caem… Voc√°bulos amados… Brilham como pedras de cores, saltam como irisados peixes, s√£o espuma, fio, metal, orvalho… Persigo algumas palavras… S√£o t√£o belas que quero p√ī-las a todas no meu poema… Agarro-as em voo, quando andam a adejar, e ca√ßo-as, limpo-as, descasco-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, eb√ļrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como √°gatas, como azeitonas… E ent√£o revolvo-as, agito-as, bebo-as, trago-as, trituro-as, alindo-as, liberto-as… Deixo-as como estalactites no meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carv√£o, como restos de naufr√°gio, presentes das ondas… Tudo est√° na palavra… Uma ideia inteira altera-se porque uma palavra mudou de lugar, ou porque outra se sentou como um reizinho dentro de uma frase que n√£o a esperava, nas que lhe obedeceu… Elas t√™m sombra, transpar√™ncia, peso, penas, p√™los, t√™m de tudo quanto se lhes foi agregando de tanto rolar pelo rio, de tanto transmigrar de p√°tria, de tanto serem ra√≠zes… S√£o antiqu√≠ssimas e recent√≠ssimas… Vivem no f√©retro escondido e na flor que desponta…

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Produzimos uma Cultura de Devastação

Todos os anos exterminamos comunidades ind√≠genas, milhares de hectares de florestas e at√© in√ļmeras palavras das nossas l√≠nguas. A cada minuto extinguimos uma esp√©cie de aves e algu√©m em algum lugar rec√īndito contempla pela √ļltima vez na Terra uma determinada flor. Konrad Lorenz n√£o se enganou ao dizer que somos o elo perdido entre o macaco e o ser humano. Somos isso, uma esp√©cie que gira sem encontrar o seu horizonte, um projecto por concluir. Falou-se bastante ultimamente do genoma e, ao que parece, a √ļnica coisa que nos distancia na realidade dos animais √© a nossa capacidade de esperan√ßa. Produzimos uma cultura de devasta√ß√£o baseada muitas vezes no engano da superioridade das ra√ßas, dos deuses, e sustentada pela desumanidade do poder econ√≥mico. Sempre me pareceu incr√≠vel que uma sociedade t√£o pragm√°tica como a ocidental tenha deificado coisas abstractas como esse papel chamado dinheiro e uma cadeia de imagens ef√©meras. Devemos fortalecer, como tantas vezes disse, a tribo da sensibilidade…

Cantiga do Rosto Branco

Rico era o rosto branco; armas trazia,
E o licor que devora e as finas telas;
Na gentil Tibeima os olhos pousa,
E amou a flor das belas.

‚ÄúQuero-te!‚ÄĚ disse √† cortes√£ da aldeia;
“Quando, junto de ti, teus olhos miro,
A vista se me turva, as forças perco,
E quase, e quase expiro.‚ÄĚ

E responde a morena requebrando
Um olhar doce, de cobiça cheio:
“Deixa em teus lábios imprimir meu nome;
Aperta-me em teu seio!‚ÄĚ

Uma cabana levantaram ambos,
O rosto branco e a amada flor das belas…
Mas as riquezas foram-se co’o tempo,
E as ilus√Ķes com elas.

Quando ele empobreceu, a amada moça
Noutros l√°bios pousou seus l√°bios frios,
E foi ouvir de coração estranho
Alheios desvarios.

Desta infidelidade o rosto branco
Triste nova colheu; mas ele amava,
Inda infiéis, aqueles lábios doces,
E tudo perdoava.

Perdoava-lhe tudo, e inda corria
A mendigar o gr√£o de porta em porta,
Com que a moça nutrisse, em cujo peito
Jazia a afeição morta.

E para si,

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Desponta A Estrela D’alva, A Noite Morre.

Desponta a estrela d’alva, a noite morre.
Pulam no mato alígeros cantores,
E doce a brisa no arraial das flores
L√Ęnguidas queixas murmurando corre.

Vol√ļvel tribo a solid√£o percorre
Das borboletas de brilhantes cores;
Soluça o arroio; diz a rola amores
Nas verdes balsas donde o orvalho escorre.

Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma
Às carícias da aurora, ao céu risonho,
Ao flóreo bafo que o sertão perfuma!

Por√©m minh’alma triste e sem um sonho
Repete olhando o prado, o rio, a espuma:
РOh! mundo encantador, tu és medonho!

Credor, n. Indiv√≠duo que pertence a uma tribo de selvagens que vive para l√° dos Estreitos da Finan√ßa e √© temida pelas suas incurs√Ķes devastadoras.

A Poesia n√£o se Inventou para Cantar o Amor

A poesia n√£o se inventou para cantar o amor ‚ÄĒ que de resto n√£o existia ainda quando os primeiros homens cantaram. Ela nasceu com a necessidade de celebrar magnificamente os deuses, e de conservar na mem√≥ria, pela sedu√ß√£o do ritmo, as leis da tribo. A adora√ß√£o ou capta√ß√£o da divindade e a estabilidade social, eram ent√£o os dois altos e √ļnicos cuidados humanos: ‚ÄĒ e a poesia tendeu sempre, e tender√° constantemente a resumir, nos conceitos mais puros, mais belos e mais concisos, as ideias que est√£o interessando e conduzindo os homens. Se a grande preocupa√ß√£o do nosso tempo fosse o amor ‚ÄĒ ainda admitir√≠amos que se arquivasse, por meio das artes da imprensa, cada suspiro de cada Francesca. Mas o amor √© um sentimento extremamente raro entre as ra√ßas velhas e enfraquecidas. Os Romeus, as Julietas (para citar s√≥ este casal cl√°ssico) j√° n√£o se repetem nem s√£o quase poss√≠veis nas nossas democracias, saturadas de cultura, torturadas pela ansia do bem-estar, c√©pticas, portanto ego√≠stas, e movidas pelo vapor e pela electricidade. Mesmo nos crimes de amor, em que parece reviver, com a sua for√ßa primitiva e dominante, a paix√£o das ra√ßas novas, se descobrem logo factores lamentavelmente alheios ao amor,

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Eu n√£o tenho d√ļvidas de que √© parte do destino da ra√ßa humana, na sua evolu√ß√£o gradual, parar de comer animais, tal como as tribos selvagens deixaram de se comer umas √°s outras quando entraram em contato com os mais civilizados.

Supremo Desejo

Eternas, imortais origens vivas
Da Luz, do Aroma, segredantes vozes
Do mar e luares de contemplativas,
Vagas vis√Ķes vol√ļpicas, velozes…

Aladas alegrias sugestivas
De asa radiante e branca de albornozes,
Tribos gloriosas, fulgidas, altivas,
De condores e de √°guias e albatrozes…

Espiritualizai nos Astros louros,
Do sol entre os clar√Ķes imorredouros
Toda esta dor que na minh’alma clama…

Quero vê-la subir, ficar cantando
Na chama das Estrelas, dardejando
Nas luminosas sensa√ß√Ķes da chama.

A Castração da Personalidade

O homem √© um animal greg√°rio. Pol√≠tico, dizia Arist√≥teles, ou seja, membro da cidade. Mas n√£o s√≥ da cidade – de todas as greis espont√Ęneas ou artificiais, est√°veis ou prec√°rias, onde quer que se encontre. N√£o pode suportar a ideia de estar s√≥, consigo – quer ser unidade e n√£o individualidade. Tem necessidade de se sentir cotovelo com cotovelo, pele com pele, no calor de uma multid√£o, ligado, seguro, uniforme, conforme. Se o le√£o anda s√≥, em n√≥s predomina o instinto ovino, do rebanho – os pr√≥prios individualistas, para afirmar o seu individualismo, congregam-se: sempre segundo a pr√°tica ovina.

O homem, quando s√≥, sente-se incompleto – tem medo. Opor-se √† grei significa separar-se, permanecer s√≥, morrer. Os conceitos do bem e do mal nascem da necessidade de conviv√™ncia. √Č bem o que aproveita ao grupo, mal o que o prejudica ou n√£o beneficia. O rebanho n√£o quer que cada ovelha pense demasiado em si, e como a privilegiada √© a que obt√©m a boa opini√£o das outras, v√™-se for√ßada, ainda que contra os seus gostos e interesses, a agir no sentido do bem supremo do rebanho. H√° que pagar, com a castra√ß√£o da personalidade, a seguran√ßa contra o medo.

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Cada Dia que Passa me Aproxima de Si

Bom! Recebo neste instante a sua carta escrita √† luz de uma s√≥ vela – e tenho de retirar tudo, tudo, tudo o que escrevi! Pois acabou-se! N√£o retiro. A minha querida dizia no outro dia que dev√≠amos mostrar um ao outro todos os estados de esp√≠rito em que tiv√©ssemos estado. Mostro-lhe, assim, que estive hoje, ontem, antes de ontem num estado de impaci√™ncia por uma palavra sua, gemendo e queixando-me de ¬ęne voir rien venir¬Ľ. E mostro-lhe assim o desejo de ter todos os dias, ou quase todos, um doce, adorado, apetecido e consolador ¬ępetit mot¬Ľ. (…) As pessoas que se estimam nunca deviam se apartar; a culpa tem-na a nossa complicada civiliza√ß√£o; o encanto seria que os que se amam se juntassem em tribos, acampando aqui e al√©m, com as suas afei√ß√Ķes e a sua bilha de √°gua, and ¬ęsettling down to be happy, anywhere, under a tree¬Ľ.

Cada dia que passa, agora, me aproxima de si. (…) Eu tamb√©m n√£o realizo bem a situa√ß√£o. Ela n√£o deixa de ser ligeiramente rom√Ęntica. Separamo-nos amigos, reencontramo-nos noivos. Que profunda, grave, s√©ria diferen√ßa! Enquanto a gente se escreve, num tom de alegre felicidade, gracejando por vezes, falando de sentimentos e dando ¬ęnot√≠cias do cora√ß√£o¬Ľ –

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Ars Poética

Nesse afago do meu fado afogado
as √°guas j√° me sabem nadador.
A rês na travessia marejada
gado da grei de um mar revelador.

Vou e volto lambendo o sal do fardo
língua no labirinto, ardendo em cor
furtiva, enquanto messe temperada,
da tribo das palavras sou cantor.

Procuro em frio exílio tipográfico
o verbo mais sonoro em melodia
o ritmo para a cal de um pasto c√°ustico.

Sou boi e sou vaqueiro dia a dia
no laço entrelaçado fiz-me prático
catador de capins nas pradarias.