Cita√ß√Ķes sobre Vest√≠bulos

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Frases sobre vest√≠bulos, poemas sobre vest√≠bulos e outras cita√ß√Ķes sobre vest√≠bulos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Virtudes Ociosas e Bolorentas

Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa onde a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas onde faltavam sinceridade e verdade, e com fome me fui embora do inóspito recinto. A hospitalidade era fria como os sorvetes. Pensei que nem havia necessidade de gelo para conservá-los. Gabaram-me a idade do vinho e a fama da safra, mas eu pensava num vinho muito mais velho, mais novo e mais puro, de uma safra mais gloriosa, que eles não tinham e nem sequer podiam comprar.
O estilo, a casa com o terreno em volta e o ¬ęentretenimento¬Ľ n√£o representam nada para mim. Visitei o rei, mas ele deixou-me √† espera no vest√≠bulo, comportando-se como um homem incapaz de hospitalidade. Na minha vizinhan√ßa havia um homem que morava no oco de uma √°rvore e cujas maneiras eram r√©gias. Teria feito bem melhor visitando-o a ele.

A velhice n√£o se me afigura, de modo algum, (…) o melanc√≥lico vest√≠bulo da morte, mas antes como as verdadeiras f√©rias grandes, depois do esgotamento dos sentidos, do cora√ß√£o e do esp√≠rito que foi a vida.

Definição

Quem esquece o amor, e o dissipa, saber√°
que sentimento corrompe, ou apenas se o coração
se encontra no vazio da memória? O vento
n√£o percorre a tarde com o seu canto alucinado,
que só os loucos pressentem, para que tu
o ignores; nem a sabedoria melancólica das árvores
te oferece uma sombra para que lhe
fujas com um riso ágil de quem crê
na superfície da vida. Esses são alguns limites
que a natureza p√Ķe a quem resiste √† convic√ß√£o
da noite. O caminho está aberto, porém,
para quem se decida a reconhecê-los; e os própnos
passos encontram a direcção fácil nos sulcos
que o poema abriu na erva gasta da linguagem. Ent√£o,
entra nesse campo; n√£o receies o horizonte
que a tempestade habita, à tarde, nem o vulto inquieto
cujos braços te chamam. Apropria-te do calor
seco dos vestíbulos. Bebe o licor
das conchas residuais do sexo. Assim, os teus l√°bios
imprimem nos meus uma marca de sangue, manchando
o verso. Ambos cedemos à promiscuidade do poente,
ignorando as nuvens e os astros. O amor
é esse contacto sem espaço,

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A Leitura é a Maior das Amizades

A amizade, a amizade que diz respeito aos indiv√≠duos, √© sem d√ļvida uma coisa fr√≠vola, e a leitura √© uma amizade. Mas pelo menos √© uma amizade sincera, e o facto de ela se dirigir a um morto, a uma pessoa ausente, confere-lhe algo de desinteressado, de quase tocante. E al√©m disso uma amizade liberta de tudo quanto constitui a fealdade dos outros. Como n√£o passamos todos, n√≥s os vivos, de mortos que ainda n√£o entraram em fun√ß√Ķes, todas essas delicadezas, todos esses cumprimentos no vest√≠bulo a que chamamos defer√™ncia, gratid√£o, dedica√ß√£o e a que misturamos tantas mentiras, s√£o est√©reis e cansativas. Al√©m disso, ‚ÄĒ desde as primeiras rela√ß√Ķes de simpatia, de admira√ß√£o, de reconhecimento, as primeiras palavras que escrevemos, tecem √† nossa volta os primeiros fios de uma teia de h√°bitos, de uma verdadeira maneira de ser, da qual j√° n√£o conseguimos desembara√ßar-nos nas amizades seguintes; sem contar que durante esse tempo as palavras excessivas que pronunci√°mos ficam como letras de c√Ęmbio que temos que pagar, ou que pagaremos mais caro ainda toda a nossa vida com os remorsos de as termos deixado protestar. Na leitura, a amizade √© subitamente reduzida √† sua primeira pureza.
Com os livros,

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A Verdadeira Divis√£o Humana

Sois v√≥s um daqueles a quem se chama feliz? Pois bem, v√≥s estais tristes todos os dias. Cada dia tem uma grande amargura e um pequeno cuidado. Ontem trem√≠eis pela sa√ļde de algu√©m que vos √© caro, hoje receais pela vossa; amanh√£ ser√° uma inquitea√ß√£o de dinheiro, depois a diatribe de um caluniador ou a infelicidade de um amigo, mais tarde o mau tempo que faz, qualquer coisa que se quebrou ou se perdeu, uma vez um prazer que a vossa consci√™ncia e a coluna vertebral reprovam, outra vez a marcha dos neg√≥cios p√ļblicos. Isto sem contar as penas de cora√ß√£o. E assim sucessivamente. Uma nuvem que se dissipa e outra que se forma logo. Apenas um dia em cem de plena felicidade e cheio de sol. E sois desse pequeno n√ļmero que √© feliz! Quanto aos outros homens, envolve-os a noite estagnante.
Os espíritos reflectidos usam pouco desta locução: os felizes e os infelizes. Neste mundo, evidentemente vestíbulo de outro, não há felizes.
A verdadeira divisão humana é esta: os iluminados e os tenebrosos.
Diminuir o n√ļmero dos tenebrosos e aumentar o dos iluminados, eis o fim. √Č por isso que n√≥s gritamos: ensino, ci√™ncia! Aprender a ler,

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