Passagens sobre Aduladores

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Como Lidar com a Adulação

N√£o quero deixar de abordar uma quest√£o que reputo de importante e um erro do qual os principes com dificuldade se guardam, se n√£o s√£o prudentes ou se n√£o t√™m cuidado nas escolhas que fazem. Trata-se dos aduladores, esp√©cie de que as cortes se encontram cheias. √Č que os homens comprazem-se de tal modo com as coisas que lhes dizem respeito e de um modo t√£o ilus√≥rio, que s√≥ muito dificilmente se precavem contra esta peste. E querendo precaver-se, corre o risco de se tornar desprez√≠vel. Porque n√£o tendes outro modo de vos protegerdes da adula√ß√£o a n√£o ser logrando convencer os outros homens de que vos n√£o ofendem dizendo a verdade. Todavia, quando algu√©m vos diz a verdade, sentis a falta da rever√™ncia.
Consequentemente, um pr√≠ncipe prudente deve dispor de uma terceira via, escolhendo no seu estado homens s√°bios, devendo s√≥ a esses conceder livre arb√≠trio para lhe falarem verdade. E, apenas, sobre as coisas que lhes perguntardes, n√£o de outras. Mas deve fazer perguntas sobre todas as coisas, ouvir as suas opini√Ķes e, depois, decidir por si pr√≥prio, a seu modo. E com estes conselhos e com cada um dos conselheiros, portar-se de maneira que cada um deles perceba que,

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A Adulação na Amizade

Pois que √© pr√≥prio da verdadeira amizade dar e receber conselhos, d√°-los com franqueza e sem azedume, receb√™-los com paci√™ncia e sem repugn√Ęncia, persuadamo-nos bem de que n√£o ha defeito maior na amizade que a lisonja, a adula√ß√£o, as baixas complac√™ncias. Com efeito, n√£o se poderia dar bastantes nomes ao v√≠cio desses homens fr√≠volos e enganadores, que falam sempre para agradar, e jamais para dizer a verdade.
A dissimula√ß√£o √© funesta em todas as coisas (pois corrompe e altera em n√≥s o sentimento da verdade) mas √©, sobretudo, contr√°ria √† amizade. Destr√≥i a sinceridade, sem a qual n√£o subsiste mesmo o pr√≥prio nome da amizade. Se a for√ßa da amizade consiste em fazer de v√°rias almas uma s√≥, como seria assim, se em cada homem a alma n√£o √© a mesma, n√£o √© constante, mas vari√°vel, mut√°vel, tomando mil formas? De facto, que h√° de mais mut√°vel, de mais vers√°til que a alma daquele que se transforma n√£o apenas segundo o sentimento e a vontade dum outro, mas a um pequeno sinal deste, a um m√≠nimo gesto seu? ¬ęEle diz n√£o? Eu digo n√£o; ele diz sim? eu digo sim: numa palavra, eu me impus a obriga√ß√£o de tudo aplaudir¬Ľ,

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Um adulador parece-se com um amigo, como um lobo se parece com um c√£o. Cuida, pois, em n√£o admitir inadvertidamente, na tua casa, lobos famintos em vez de c√£es de guarda.

O adulador √© um ser que n√£o tem estima nem pelos outros, nem por si mesmo. Aspira apenas a cegar a intelig√™ncia do homem, para depois fazer dele o que quiser. √Č um ladr√£o nocturno que primeiro apaga a luz e em seguida come√ßa a roubar.

O Outro como Motivo da nossa Infelicidade

Pergunta-se por que todos os homens juntos n√£o comp√Ķem uma √ļnica na√ß√£o e n√£o quiseram falar uma √ļnica l√≠ngua, viver sob as mesmas leis, combinar entre eles os mesmos costumes e um mesmo culto; e eu, pensando na contrariedade dos esp√≠ritos, dos gostos e dos sentimentos, surpreendo-me ao ver at√© sete ou oito pessoas reunirem-se sob um mesmo tecto, num mesmo recinto e compor uma √ļnica fam√≠lia.
(…) Buscamos a nossa felicidade fora de n√≥s mesmos e na opini√£o de homens que sabemos aduladores, pouco sinceros, sem equidade, cheios de inveja, de caprichos e preconceitos.

Ingratos

Não maldigo o rigor da iníqua sorte,
Por mais atroz que fosse e sem piedade,
Arrancando-me o trono e a majestade,
Quando a dous passos só estou da morte.

Do jogo das paix√Ķes minha alma forte
Conhece bem a estulta variedade,
Que hoje nos d√° cont√≠nua f’licidade
E amanh√£ nem ‚ÄĒ um bem que nos conforte.

Mas a dor que excrucia e que maltrata,
A dor cruel que o √Ęnimo deplora,
Que fere o coração e pronto mata,

√Č ver na m√£o cuspir a extrema hora
A mesma boca aduladora e ingrata,
Que tantos beijos nela p√īs ‚ÄĒ outrora.