Cita√ß√Ķes sobre Algemas

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Frases sobre algemas, poemas sobre algemas e outras cita√ß√Ķes sobre algemas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Londres

Vagueio por estas ruas violadas,
Do violado Tamisa ao derredor,
E noto em todas as faces encontradas
Sinais de fraqueza e sinais de dor.

Em toda a revolta do Homem que chora,
Na Criança que grita o pavor que sente,
Em todas as vozes na proibição da hora,
Escuto o som das algemas da mente.

Dos Limpa-chaminés o choro triste
As negras Igrejas atormenta;
E do pobre Soldado o suspiro que persiste
Escorre em sangue p’los Pal√°cios que sustenta.

Mas nas ruas da noite aquilo que ouço mais
√Č da jovem Prostituta o seu fad√°rio,
Maldiz do tenro Filho os tristes ais,
E do Matrimónio insulta o carro funerário.

Tradução de Hélio Osvaldo Alves

O que tem feito mal a muita gente não é a mentira; é o invólucro de palavras artificiosas com que se doira a algema que as verdades lançam ao pulso do homem.

Sonetos Para Maria Helena

Tu que por crenças vãs a Vida arrasas
e ante o espelho não queres ver que és,
que imagina viver abrindo as asas
e te esqueces de andar com os pr√≥prios p√©s…

Que transforma o Sonho num revés
mesmo a acender o fogo em que abrasas,
e te algema as m√£os, – as m√£os escravas
como as do prisioneiro das galés.

Tu que te enganas a falar de alturas
com as palavras mais belas e mais puras
e te imolas num gesto superior,

n√£o percebes nessa √Ęnsia de suicida
que nada h√° enfim mais alto do que a Vida
quando a erguemos num brinde Рébrios de amor!

Infelizmente, n√£o somos livres como gostar√≠amos de ser no √Ęmago do intelecto. Ali√°s, os piores c√°rceres, as piores masmorras, as mais apertadas algemas podem estar dentro de n√≥s.

Na Luz

De soluço em soluço a alma gravita,
De soluço em soluço a alma estremece,
Anseia, sonha, se recorda, esquece
E no centro da Luz dorme contrita.

Dorme na paz sacramental, bendita,
Onde tudo mais puro resplandece,
Onde a Imortalidade refloresce
Em tudo, e tudo em c√Ęnticos palpita.

Sereia celestial entre as sereias,
Ela só quer despedaçar cadeias,
De soluço em soluço, a alma nervosa.

Ela só quer despedaçar algemas
E respirar nas amplid√Ķes supremas,
Respirar, respirar na Luz radiosa.

A disciplina, para o estulto, é como peias nos pés, como algemas na mão direita

A disciplina, para o estulto, é como peias nos pés, como algemas na mão direita.

Poeira (Para José Felix)

Do pó ao pólen posta-se o poema
na penumbra do parto antecipado.
Abre-se uma janela sem algema
presa somente do seu próprio fado.

Areia e barro, sol com sua gema,
a gala clara do ovo, visgo dado
ao solo só de vértebras, seu tema
variado na avena: ch√£o arado.

O tropo, o trapo, as vestes: eis aí
a massa que caldeia essa bigorna
ensolando alim√°rias ao se de si.

Nada é constante e tudo se transforma.
Eppur si muove em √°nima no giz
escrito no vaivém se vai e torna.

Rimas

Ontem – quando, soberba, escarnecias
Dessa minha paix√£o – louca – suprema
E no teu lábio, essa rósea algema,
A minha vida – g√©lida – prendias…

Eu meditava em loucas utopias,
Tentava resolver grave problema…
Como engastar tua alma num poema?
E eu n√£o chorava quando tu te rias…

Hoje, que vivo desse amor ansioso
E és minha Рés minha, extraordinária sorte,
Hoje eu sou triste sendo t√£o ditoso!

E tremo e choro – pressentindo – forte,
Vibrar, dentro em meu peito, fervoroso,
Esse excesso de vida – que √© a morte…

Salve! Rainha!

√ď sempre virgem Maria, concebida
sem pecado original, desde o
primeiro instante do teu ser…

Mãe de Misericórdia, sem pecado
Original, desde o primeiro instante!
Salve! Rainha da Mans√£o radiante,
Virgem do Firmamento constelado…

Teu coração de espadas lacerado,
Sangrando sangue e fel martirizante,
Escute a minha Dor, a torturante,
A Dor do meu soluço eternizado.

A minha Dor, a minha Dor suprema,
A Dor estranha que me prende, algema
Neste Vale de l√°grimas profundo…

Salve! Rainha! por quem brado e clamo
E brado e brado e com ang√ļstia chamo,
Chamo, atrav√©s das convuls√Ķes do mundo!…

Réquiem Do Sol

√Āguia triste do T√©dio, sol cansado,
Velho guerreiro das batalhas fortes!
Das ilus√Ķes as tr√™mulas coortes
Buscam a luz do teu clar√£o magoado…

A tremenda avalanche do Passado
Que arrebatou tantos milh√Ķes de mortes
Passa em tropel de tr√°gicos Mavortes
Sobre o teu cora√ß√£o ensang√ľentado…

Do alto dominas vastid√Ķes supremas
√Āguia do T√©dio presa nas algemas
Da Legenda imortal que tudo engelha…

Mas l√°, na Eternidade, de onde habitas,
Vagam finas tristezas infinitas,
Todo o mistério da beleza velha!

O Assinalado

Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A Terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tu’alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas etrenas, pouco a pouco…

Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a aud√°cia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!

Guerra

S√£o meus filhos. Gerei-os no meu ventre.
Via-os chegar, às tardes, comovidos,
nupciais e trementes
do enlace da Vida com os sentidos.

Estiveram no meu colo, sonolentos.
Contei-lhes muitas lendas e poemas.
Às vezes, perguntavam por algemas.
Respondia-lhes: mar, astros e ventos.

Alguns, os mais ousados, os mais loucos,
desejavam a luta, o caos, a guerra.
Outros sonhavam e acordavam roucos
de gritar contra os muros que h√° na Terra.

S√£o meus filhos. Gerei-os no meu ventre.
Nove meses de esperança, lua a lua.

Grandes barcos os levam, lentamente…

Na Cadeia os Bandidos Presos!

Na cadeia os bandidos presos!
O seu ar de contemplativos!
Que é das flores de olhos acesos?!
Pobres dos seus olhos cativos.

Passeiam mudos entre as grades,
Parecem peixes num aqu√°rio.
_ Campo florido das Saudades,
Porque rebentas tumultu√°rio?

Serenos… Serenos… Serenos…
Trouxe-os algemados a escolta.
_ Estranha taça de venenos
Meu coração sempre em revolta.

Cora√ß√£o, quietinho… quietinho…
Porque te insurges e blasfemas?
Pschiu… N√£o batas… Devagarinho…
Olha os soldados, as algemas!

Morte

Num imenso sal√£o, alto e rotundo,
De caveiras iguais, ossos sem dono,
Perpétua habitação de eterno sono
Que tem por tecto o Céu, por base o mundo:

Bem no meio, em silêncio o mais profundo,
Se levanta da Morte o fatal trono:
Ceptros sem rei, arados sem colono,
São os degraus do sólio furibundo.

Lanças, arneses pelo chão, quebrados,
Murchas grinaldas, b√°culos partidos,
Liras de vates, pastoris cajados,

Algemas, ferros e bras√Ķes luzidos,
No terrível salão são misturados,
No pal√°cio da Morte confundidos.

O pior cárcere não é o que aprisiona o corpo, mas o que asfixia a mente e algema a emoção. Sem liberdade, as mulheres sufocam seu prazer. Sem sabedoria, os homens se tornam máquinas de trabalhar.

Os Sábios Célebres

Todos vós, os sábios célebres, nunca fostes mais do que os servidores do povo e da superstição popular, e não os servidores da verdade. E é precisamente por isso que vos têm honrado.
E por isso também foi tolerada a vossa incredulidade, porque parecia uma brincadeira, um rodeio engenhoso que vos levava ao povo. Assim o amo dá maior liberdade aos seus escravos e regozija-se até com a sua presunção.
Mas aquele que o povo odeia, com o ódio do lobo pelos cães, é o espírito livre, inimigo das algemas, aquele que não adora, aquele que habita as florestas.
Persegui-lo at√© ao seu esconderijo, √© aquilo a que o povo, sempre chamou ter o ¬ęsentido de justi√ßa¬Ľ; e ainda por cima d√£o ca√ßa ao solit√°rio com os seus ferozes mastins.
‘Porque a verdade est√° onde o povo est√°! Ai daqueles que a procuram!’ – √© isto o que ecoa atrav√©s dos tempos.
Quer√≠eis assentar na raz√£o a piedade tradicional do vosso povo e √© a isso que chamais ¬ęa vontade de verdade¬Ľ, √≥ s√°bios c√©lebres!
E o vosso cora√ß√£o insiste em dizer para si pr√≥prio: ‘Eu vim do povo, foi tamb√©m do povo que me veio a voz de Deus.’

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Faça-se a dura vontade do que habita meu peito: Vem, Jonathan, traz flores pra minha mãe e um par de algemas pra mim.