Cita√ß√Ķes sobre Azedos

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Frases sobre azedos, poemas sobre azedos e outras cita√ß√Ķes sobre azedos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo.

Purifique teu coração para permitir que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda no recipiente sujo.

O instinto feminino é o mais próprio para descobrir o lado acessível de certos caracteres azedos e para movê-los sem os magoar.

Se, de vez em quando, o leite azeda por aí, não tenho nada com isso; a vaca não é minha. Escolham melhor na próxima vez.

Os Amantes

Amor, é falso o que dizes;
Teu bom rosto é contrafeito;
Busca novos infelizes
Que eu inda trago no peito
Mui frescas as cicatrizes;

O teu meu é mel azedo,
N√£o creio em teu gasalhado,
Mostras-me em v√£o rosto ledo;
J√° estou muito escaldado,
J√° d’√°guas frias hei medo.

Teus prémios são pranto e dor;
Choro os mal gastados anos
Em que servi tal senhor,
Mas tirei dos teus enganos
O sair bom pregador.

Fartei-te assaz a vontade;
Em v√£os suspiros e queixas
Me levaste a mocidade,
E nem ao menos me deixas
Os restos da curta idade?

√Čs como os c√£es esfaimados
Que, comendo os troncos quentes
Por destro negro esfolados,
Levam nos √°vidos dentes
Os ossos ensanguentados.

Bem vejo a aljava dourada
Os ombros nus adornar-te;
Amigo, muda de estrada,
P√Ķe a mira em outra parte
Que daqui n√£o tiras nada.

Busca algum fofo morgado
Que, solto j√° dos tutores,
Ao domingo penteado,
Vá dizendo à toa amores
Pelas pias encostado;

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A Sopa Azeda

A dita sopa azeda n√£o se parecia com nada do que tivesse provado at√© √†quele momento. Num √°pice, desfilaram v√°rios sabores vindos como que do pr√≥prio interior do tempo. E, quando ele se p√īs a percorr√™-los, sentiu que se sentavam em volta os seus antepassados, os pais e os av√≥s e os av√≥s destes, e os velhos da Terra Ch√£ e da Terceira, e os a√ßorianos dali at√© ao povoamento, e deste at√© ao pr√≥prio G√©nesis, quando na manh√£ do Sexto Dia o Senhor olhou sobre a sua obra e decidiu que estava, afinal, incompleta.

N√£o se pode colher nada antes que amadure√ßa. A fruta colhida verde √© azeda ou amarga e n√£o faz bem √† sa√ļde.

Fuga do √ďdio

Queres amar a vida e n√£o te deixam. Tens de respirar o √≥dio, o insulto, o bafo azedo do vexame e isso faz-te mal. Emana√ß√Ķes de um p√Ęntano de febres, de esgotos a c√©u aberto com o seu fedor de v√≥mito. Um dos tormentos do inferno medievo era esse, o fedor – a ess√™ncia da podrid√£o. E o que te fazem respirar de uma flor, do aroma de existires? Porque √© que o √≥dio √© assim fundamental para os teus parceiros em humanidade existirem? T√™m uma estrutura diferente de serem, Deus fabricou-os num momento de mau g√©nio.

As Pessoas Sensatas

Platão comparava a vida a um jogo de dados, no qual devêssemos fazer um lance vantajoso e, depois, bom uso dos pontos obtidos, quaisquer que fossem. O primeiro item, o lance vantajoso, não depende do nosso arbítrio; mas receber de maneira apropriada o que a sorte nos conceder, assinalando a cada coisa um lugar tal que o que mais apreciamos nos cause o maior bem e o que mais aborrecemos o menor mal Рisso nos incumbe, se formos sensatos. Os homens que defrontam a vida sem habilidade ou inteligência são como enfermos que não podem tolerar nem o calor nem o frio; a prosperidade exalta-os e a adversidade desalenta-os. São perturbados por uma e por outra, ou melhor, por si próprios, numa ou noutra, não menos na prosperidade que na adversidade.
Teodoro, chamado o Ateu, costumava dizer que oferecia os seus discursos com a m√£o direita, mas os seus ouvintes recebiam-nos com a esquerda; os ignaros frequentemente d√£o mostras da sua in√©pcia oferecendo √† Fortuna uma recep√ß√£o canhestra quando ela se apresenta de modo destro. Mas as pessoas sensatas agem como as abelhas, que extraem mel do tomilho, planta muito seca e azeda; similarmente, as pessoas sensatas muitas vezes obt√™m para si algo de √ļtil e apraz√≠vel das mais adversas situa√ß√Ķes.

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Amizade Condicionada

A amizade √© menos frequente entre pessoas azedas e entre os mais velhos, porque quanto pior for o feitio das pessoas, menor √© o prazer que t√™m no conv√≠vio. Ora o bom feitio e o conv√≠vio social s√£o marcas de amizade e motivos criadores de amizade. Por este motivo, os jovens depressa se tornam amigos, os velhos, n√£o. √Č que n√£o se podem tornar amigos daqueles na presen√ßa dos quais n√£o sentem prazer; de modo semelhante se passa com os que est√£o sempre mal dispostos. Estes tamb√©m podem ser benevolentes entre si porque desejam o bem ao outro e v√£o ao encontro das necessidades do outro. Contudo, n√£o s√£o completamente amigos uma vez que n√£o passam juntos o dia nem sentem prazer na companhia um do outro, coisas que parecem ser marcas distintivas de amizade.
Agora, parece que n√£o √© poss√≠vel ser-se amigo de muitas pessoas, pelo menos no sentido pleno da amizade, do mesmo modo que n√£o √© poss√≠vel amar ao mesmo tempo muitas pessoas (tal parece que, na realidade, seria excessivo; e o amor costuma nascer naturalmente em rela√ß√£o a uma √ļnica pessoa), porque n√£o √© f√°cil de agradar de modo totalmente satisfat√≥rio a muitos ao mesmo tempo.

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Com os Costumes andam os Aforismos

Com os costumes andam os aforismos. Assim, eis que eles tomam um car√°cter mais criticador e vibrante, isto na linguagem de Karl Kraus, homem sagaz e ventr√≠loquo de certas causas que a sociedade n√£o confia √† voz p√ļblica.
Ele diz, por exemplo: ¬ęAs mulheres, no Oriente, t√™m maior liberdade. Podem ser amadas¬Ľ. Ou ent√£o: ¬ęA vida de fam√≠lia √© um ataque √† vida privada¬Ľ. Ou ainda: ¬ęA democracia divide os homens em trabalhadores e pregui√ßosos. N√£o est√° destinada para aqueles que n√£o t√™m tempo para trabalhar¬Ľ. Tudo isto, como axioma, lembra Bernard Shaw, esse ingl√™s azedo e endiabrado cujo Manual do Revolucion√°rio fez o encanto da nossa adolesc√™ncia.
Todavia, o aforimo do homem de letras, se impressiona, quase nunca comove ningu√©m. O aut√™ntico aforismo n√£o √© uma arte – √© uma esp√©cie de pastor√≠cia cultural. N√£o est√° destinado a divertir nem a chocar as pessoas, mas, acima de tudo, prop√Ķe-se transmitir uma orienta√ß√£o. √Č uma li√ß√£o, e n√£o o pretexto para uma pirueta.
Os aforismos e paradoxos de Karl Kraus têm esse sabor irreverente que se diferencia da sabedoria, porque há algo de precipitado na sua confissão. Precisam de ser situados num estado de espírito, para serem aceites e compreendidos;

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Insiste no Benefício

Queixas-te de teres dado com um ingrato! Se √© a primeira vez que isso te sucede bem podes agradecer √† tua sorte… ou √† tua prud√™ncia. Mas esta √© uma quest√£o em que a prud√™ncia apenas far√° de ti um homem azedo, pois se pretenderes evitar o perigo da ingratid√£o nunca mais far√°s benef√≠cios a ningu√©m. Quer dizer, para que os teus benef√≠cios n√£o sejam em v√£o, privas-te de faz√™-los. A verdade √© que √© prefer√≠vel proporcionar benef√≠cios mesmo sem contrapartida do que renunciar a beneficiar os outros: h√° que voltar a semear, mesmo depois de uma m√° colheita! As sementeiras perdidas por uma prolongada estirilidade de um terreno pouco f√©rtil podem ser compensadas pela abund√Ęncia de uma √ļnica messe. Para encontrarmos um s√≥ homem grato vale bem a pena sujeitarmo-nos √† ingratid√£o de muitos.
Ao distribuir benef√≠cios ningu√©m tem a m√£o t√£o certeira que n√£o se possa com frequ√™ncia enganar: pois sejam em v√£o esses benef√≠cios, desde que uma ou outra vez sejam bem aplicados! N√£o √© um naufr√°gio que p√Ķe termo √† navega√ß√£o, como n√£o √© a presen√ßa de um falido que impede o usur√°rio de montar banca no foro. Em breve a nossa vida se transformar√° num torpor inutilmente ocioso se pretendermos eximir-nos √† m√≠nima contrariedade.

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A Um Mascarado

Rasga esta máscara ótima de seda
E atira-a √† arca ancestral dos palimpsestos…
√Č noite, e, √† noite, a esc√Ęndalos e incestos
√Č natural que o instinto humano aceda!

Sem que te arranquem da garganta queda
A interjeição danada dos protestos,
H√°s de engolir, igual a um porco, os restos
Duma comida horrivelmente azeda!

A sucess√£o de hebd√īmadas medonhas
Reduzir√° os mundos que tu sonhas
Ao microcosmos do ovo primitivo…

E tu mesmo, após a árdua e atra refrega,
Ter√° somente uma vontade cega
E uma tendência obscura de ser vivo!

Eu Acredito na História

Eu acredito na História. Por isso, espero que ela escarre um dia sobre esta época, agoniada de nojo. Será tarde, evidentemente, para que os tartufos de agora sintam o cilindro da justiça a brunir-lhes a grandeza, e para que os humilhados tenham ainda em vida a desforra que merecem. Mas o homem dura pouco demais para poder assistir ao espectáculo inteiro da comédia de que também é comparsa. Tem de nomear representantes até para comerem os frutos das próprias árvores que planta. De maneira que eu delego na História um vómito azedo sobre isto.