Cita√ß√Ķes sobre Barcos

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Frases sobre barcos, poemas sobre barcos e outras cita√ß√Ķes sobre barcos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O casamento é como uma longa viagem em um pequeno barco a remo: se um passageiro começar a balançar o barco, o outro terá que estabilizá-lo; caso contrário, os dois afundarão juntos.

Uma Cidade

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e ger√Ęnios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algod√£o, esporas
de √°gua e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crep√ļsculo, um bal√£o
aceso

numa noite
de junho.

Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

Sonhos

Cada dia que passa faz-me pensar
E reflectir sobre quem ele traiu,
Que enquanto viveu nada fui ganhar
Com a lama vil onde a alma caiu.

Até de meus sonhos a vida me deixa
Na maré nu, na areia, em solidão,
Desolado que, inda vivo, n√£o esteja
Seguindo veloz no barco da acção.

H√° uma beleza no mundo exterior,
No monte ou planície onde chega a vista
Que j√° √© consolo √† d√ļvida e √† dor,
Mas, Oh! A beleza que o mundo conquista

Nem Palavra ou verso a pode imaginar
Nem a mente humana, só por si, forjar!

Tango do Vi√ļvo

Tive dificuldades na minha vida privada. A doce Josie Bliss foi-se convencendo e apaixonando at√© adoecer de ci√ļmes. Se n√£o fosse isso, talvez tivesse continuado indefinidamente ao lado dela. Enterneciam-me os seus p√©s nus, as brancas flores que lhe brilhavam na cabeleira negra. Mas o seu temperamento levava-a at√© paroxismos selvagens. Tinha ci√ļmes e avers√£o √†s cartas que me chegavam de longe; escondia-me os telegramas sem os abrir, olhava com rancor o ar que eu respirava.

Por vezes acordava-me uma luz, um fantasma que se movia por detr√°s da rede do mosquiteiro. Era ela, vestida de branco, brandindo o seu longo e afiado punhal ind√≠gena. Era ela, rondando-me a cama horas inteiras sem se decidir a matar-me. ¬ęQuando morreres, acabar√£o os meus receios¬Ľ, dizia-me. No dia seguinte realizava misteriosos ritos para garantir a minha fidelidade.

Acabaria por me matar. Por sorte, recebi uma mensagem oficial participando-me que fora transferido para Ceilão. Preparei a minha viagem em segredo e um dia, abandonando a minha roupa e os meus livros, saí de casa como de costume e entrei no barco que me levaria para longe.

Deixava Josie Bliss, espécie de pantera birmanesa, na maior dor. Mal o barco começou a mover-se sobre as ondas do golfo de Bengala,

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As Profecias

(fragmentos)

I

depois de tudo
minha casa permanecer√° nos fundos

minguantes novos
cidades mortas
ruas desconhecidas

barcos de vento
perdidos sons

foi l√° que brinquei de longe
e perdi-me de mim
foi l√° a primeira tosquia
quando me tiraram tudo

nem o leque
para afugentar a maturação
nem a haste
para defender-me das feras
nem o silêncio
para vestir-me no esquecimento

depois de tudo
minha casa permanecer√° nos fundos

foi l√° que brinquei de longe
e me perdi de mim

II

A flor abre-se em terra
para o forte a ser nosso.

Perto estamos
dos rios coagulados
de mel colhido aos tempos.
Perto estamos
da nocturna fé de ser impuro
benvinda das lonjuras.

Perto estamos dos infantes campos
junto ao longe tranquilo de viver.
Ouvi, solit√°rias meninas, solit√°rios meninos:
o vento ch√£o que varre os prados
onde somos horizontais,
afinal.

III

Trago a palma na m√£o, aqui estou,

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A Noite Abre Meus Olhos

Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado

Ferrugens cintilam no mundo,
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes

A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta

o amor é uma noite a que se chega só

Teu Corpo de Terra e √Āgua

Teu corpo de terra e √°gua
Onde a quilha do meu barco
Onde a relha do arado
Abrem rotas e caminho

Teu ventre de seivas brancas
Tuas rosas paralelas
Tuas colunas teu centro
Teu fogo de verde pinho

Tua boca verdadeira
Teu destino minha alma
Tua balança de prata
Teus olhos de mel e vinho

Bem que o mundo n√£o seria
Se o nosso amor lhe faltasse
Mas as manh√£s que n√£o temos
São nossos lençóis de linho

Barco Perdido

Oh! a vida √© uma grande ren√ļncia, partida
em pequenos fragmentos, todo dia, toda hora…
E a ironia maior, é que às vezes, a vida
de ren√ļncia em ren√ļncia aos poucos vai embora…

Tu voltaste de novo… e o doce amor de outrora
trouxeste ainda no olhar, na express√£o comovida.
e eis que o meu coração no reencontro de agora
transforma em labareda a chama adormecida…

No entanto, que fazer? H√° uma √Ęncora no fundo…
Hoje, sou como um barco sobre o mar do mundo,
barco esquife, onde jaz um marinheiro morto…

Velas r√ītas ao vento… os mastros aos peda√ßos…
E te vejo seguir, e a acenar-me teus braços,
e me deixo ficar, sem destino, nem porto…

Miritiba

√Č o que me lembra: uma soturna vila
olhando um rio sem vapor nem ponte;
Na √°gua salobra, a canoada em fila…
Grandes redes ao sol, mangais defronte…

De um lado e de outro, fecha-se o horizonte…
Duas ruas somente… a √°gua tranq√ľila…
Botos no prea-mar… A igreja… A fonte
E as grandes dunas claras onde o sol cintila.

Eu, com seis anos, n√£o reflito, ou penso.
P√Ķem-me no barco mais veleiro, e, a bordo,
Minha m√£e, pela noite, agita um len√ßo…

Ao vir do sol, a √°gua do mar se alteia.
Range o mastro… Depois… s√≥ me recordo
Deste doido lutar por terra alheia!

An√ļncio no Ar

Céus, nuvens, ondas, ventos,
dai-me notícias do meu amor norueguês.

Elementos da natureza gastos por tantos versos,
ferralha rom√Ęntica, brilhai de novo
e trazei-me notícias do meu amor norueguês.

Aquela que eu amei um ver√£o na praia
Рpérola cuja ostra era um barco de carvão,
matrícula de Bergen, essa mesma, elementos!,
notícias, notícias do meu amor norueguês.

A que veio dos fiordes e vivia num barco
encostado ao cais, junto de um guindaste;
a que me acendeu a manh√£ do amor,
a que abriu a porta às tempestades,
a que me deu a chave da inven√ß√£o…
Existe? Fugiu à ocupação? Morreu prisioneira?

Notícias, notícias do seu rosto que mal lembro,
do seu corpo de caule adolescente…
Notícias do seixo branco que trocámos
com palavras de amor em inglês mal decorado.

Notícias da que foi espiga mal madura,
notícias do meu amor norueguês.

Vagueio Além de Seu Sono

Vagueio além de seu sono
com alma de marinheiro
feliz de chegar a um ponto
sem previs√£o de roteiro,
mais tonto de o descobrir
que de lhe ser estrangeiro.
Teu continente a dormir
‚ÄĒ pouso de barco ligeiro ‚ÄĒ
pára os relógios num tempo
avesso a qualquer ponteiro:
nem sei se o fico vivendo
ou se te acordo primeiro.

Mentira

Tanta cousa passou… E, no entanto, vivemos
noutros tempos, felizes, como namorados…
– Nossa vida… ora a vida, era um barco sem remos,
levando-nos ao l√©u… a sonhar acordados…

Ontem juntos, felizes… hoje, separados,
– (n√£o pensei que este amor chegasse a tais extremos…)
E sorrimos em v√£o… sorrimos conformados
na mentira cruel de que a tudo esquecemos. . .

Cruzamos nossos passos muita vez: Рé a vida!
Рeu, volto o rosto (fraco à paixão que ainda sinto),
tu, recalcando o amor, nem me olhas, distra√≠da…

Mentira in√ļtil, cruel… se ontem, tal como agora,
tu sabes que padeço, sabes quanto eu minto,
e eu sei quanto este amor te atormenta e devora!

Escuta, Amor

Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo. Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva. Para as árvores, a terra faz todo o sentido. De certeza que as árvores acreditam que são feitas de terra.

Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos.

Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti,

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O √ļnico consolo que sinto ao pensar na inevitabilidade da minha morte √© o mesmo que se sente quando o barco est√° em perigo: encontramo-nos todos na mesma situa√ß√£o.

Pouco Usamos do Pouco que Mal Temos

Cuidas, ínvio, que cumpres, apertando
Teus infecundos, trabalhosos dias
Em feixes de hirta lenha,
Sem ilus√£o a vida.
A tua lenha é só peso que levas
Para onde não tens fogo que te aqueça,
Nem sofrem peso aos ombros
As sombras que seremos.
Para folgar n√£o folgas; e, se leoas,
Antes legues o exemplo, que riquezas,
De como a vida basta
Curta, nem também dura.
Pouco usamos do pouco que mal temos.
A obra cansa, o ouro não é nosso.
De nós a mesma fama
Ri-se, que a n√£o veremos
Quando, acabados pelas Parcas, formos,
Vultos solenes, de repente antigos,
E cada vez mais sombras,
Ao encontro fatal ‚ÄĒ
O barco escuro no soturno rio,
E os novos abraços da frieza estígia
E o regaço insaciável
Da p√°tria de Plut√£o.

As palavras

S√£o como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as √°guas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas s√£o de luz
e s√£o a noite.
E mesmo p√°lidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

A fam√≠lia virtuosa √© um barco que, nas tormentas, fica preso por duas √Ęncoras: religi√£o e costumes.

Canoa do Tejo

Canoa de vela erguida
Que vens do Cais da Ribeira,
Gaivota que anda perdida
Sem encontrar companheira,
O Vento sopra nas Fragas,
O Sol parece um morango
E o Tejo baila com as vagas
A ensaiar um fandango

Estribilho:
Canoa, conheces bem,
Quando h√° Norte pela proa,
Quantas docas tem Lisboa
E as muralhas que ela tem!
Canoa, por onde vais,
Se algum barco te abalroa,
Nunca mais voltas ao Cais!
Nunca, nunca, nunca mais!!

Canoa de vela panda
Que vens da Boca da Barra
E trazes na aragem branda
Gemidos duma guitarra,
Teu arrais prendeu a vela;
E se adormeceu, deix√°-lo!
Agora muita cautelaa
N√£o v√° o Mar acord√°-lo!

A Curva dos Teus Olhos

A curva dos teus olhos d√° a volta ao meu peito
√Č uma dan√ßa de roda e de do√ßura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se j√° n√£o sei tudo o que vivi
√Č que os teus olhos n√£o me viram sempre.

Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.

Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.

Tradução de António Ramos Rosa

Os Sobreviventes

Quando todos imaginavam a vida sem sentido
chegaram de manh√£ os sobreviventes,
e levantaram suas moradas, estiveram no rio,
procuravam o rebanho disperso, preparavam
o alimento, cantavam, derramavam
o suor nos campos, faziam fogo à noite
rememoravam o corpo de suas mulheres,
despachavam os barcos, pela manh√£.
As chuvas eram sempre bem-vindas,
as chuvas levantavam o pó da terra
e enchiam de confiança a face da vida.
As mulheres viam nascer dentro de si
um novo rebento, os seus ventres cresciam.
Nenhum sinal de confiança quando as mulheres
apareciam de ventre crescido.
Os dias eram os mesmos, a esperança
e a desesperança eram as mesmas.