Passagens sobre Brasil

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O Brasil é um gigante eternamente à beira do abismo, porque nunca ninguém lhe disse que talvez a solução seja o abismo.

IV – Sempre O Brasil

Nunca noite dormi t√£o sossegado,
Quem nem mesmo sonhei com o meu Brasil,
Por√©m, vendo infinito mar d’anil,
Lembra-me a aurora dele nacarada.

Cada dia que passa não é nada,
E os que faltam parecem mais de mil.
Se o tempo que lá vivo é um ceitil,
Aqui é para mim grande massada.

E a doença porém me consentir,
Sempre pensando nele, cuidarei
De tornar-me mais digno de o servir,

E, quando possa, logo voltarei;
Pois na terra só quero eu existir
Quando é para bem dele que eu o sei.

O Brasil já está à beira do abismo. Mas ainda vai ser preciso um grande esforço de todo mundo pra colocarmos ele novamente lá em cima.

Brasil – desse mato n√£o sai coelho. Sai √© Jacar√©, Ant√īnio Carlos Magalh√£es, cobra, Jos√© Sarney, hiena, Paulo Maluf…

A Velha Angra

Olhou sobre a velha Angra, aninhada aos p√©s do Monte Brasil, as arauc√°rias erguendo-se contra o c√©u cinzento. Esquadrinhou com o olhar as suas ruas, os seus solares e pal√°cios, as suas igrejas. Imaginou marinheiros e mercadores, saltimbancos e aventureiros a caminho das sete partidas do mundo. Charlat√£es bebiam vinho com mission√°rios, soldados negociavam servi√ßos com prostitutas, piratas persuadiam navegadores ao servi√ßo do rei sobre novas e mais rent√°veis rotas, de encontro ao Vento Carpinteiro. Havia escravos e b√™bedos, burocratas e crian√ßas furtivas, freiras e casais de condenados com destino ao Brasil, e toda essa gente circulava pela cidade como se fosse o seu sangue, incerto e veloz, bombeado por um cora√ß√£o descompassado que era o pr√≥prio movimento do mar, furioso, naufragando naus e gale√Ķes como numa tela de Vernet.

Era televis√£o e futebol. Constru√≠ram est√°dios e essa rede impressionante de telecomunica√ß√Ķes por todo o Brasil, e ao mesmo tempo uma degrada√ß√£o crescente em termos de educa√ß√£o e sa√ļde. Tudo isso foi descuidado.

Ensinem aos meninos um amor mais fundo e sem pressa. O Brasil faz planos de governo de 5 anos que duram 5 meses e planos de 3 anos que duram 3 dias. Presidentes eleitos por cinco anos possuem a pátria em sete meses, abotoam a braguilha e vão embora. E há presidentes que duram dois dias. […] Não satisfazem a pátria, não fecundam o país.

N√£o cesso de me surpreender com a confus√£o e insufici√™ncia das id√©ias sobre este pa√≠s, at√© mesmo entre homens cultos e interessados pela pol√≠tica, bem que o Brasil seja, sem d√ļvida alguma, destinado a ser um fator dos mais importantes no desenvolvimento ulterior de nosso mundo.

Soneto 272 A Fernanda Montenegro

Mill√īr falava dela com respeito.
Passei a respeit√°-la de antem√£o.
Mill√īr falou, √© lei, preste aten√ß√£o.
Fernanda se supera no perfeito.

Foi, desde “A falecida”, em meu conceito
subindo, polimórfica ascensão.
Até na maquinal televisão
solene e natural, seu próprio jeito.

Fui v√™-la no teatro. √Č verdadeira.
Inspira carinhosa intimidade.
Parece a m√£e, a tia, uma enfermeira,

aquela professora… Que saudade!
A grande dama é nossa, brasileira.
Que bom! Que “Bravo!” seu Brasil lhe brade!

Mancebos! De Mil Louros Triunfantes

Mancebos! De mil louros triunfantes
Adornai o Moisés da mocidade,
O Anjo que nos guia da verdade
Pelos doces caminhos sempre ovantes.

Coroai de grinaldas verdejantes
Quem rompeu para a P√°tria nova idade,
Guiando pelas leis s√£s da amizade
Os moços do progresso sempre amantes.

Vê, Brasil, este filho que o teu nome
Sobre o mapa dos povos ilustrados
Descreve qual o forte de Vend√īme.

Conhece que os Andradas e os Machados,
Que inda vivem nas asas do renome
Não morrem nestes céus abençoados;

Daqui a Vinte e Cinco Anos

Perguntaram-me uma vez se eu saberia calcular o Brasil daqui a vinte e cinco anos. Nem daqui a vinte e cinco minutos, quanto mais vinte e cinco anos. Mas a impressão-desejo é a de que num futuro não muito remoto talvez compreendamos que os movimentos caóticos atuais já eram os primeiros passos afinando-se e orquestrando-se para uma situação económica mais digna de um homem, de uma mulher, de uma criança. E isso porque o povo já tem dado mostras de ter maior maturidade política do que a grande maioria dos políticos, e é quem um dia terminará liderando os líderes. Daqui a vinte e cinco anos o povo terá falado muito mais.
Mas se n√£o sei prever, posso pelo menos desejar. Posso intensamente desejar que o problema mais urgente se resolva: o da fome. Muit√≠ssimo mais depressa, por√©m, do que em vinte e cinco anos, porque n√£o h√° mais tempo de esperar: milhares de homens, mulheres e crian√ßas s√£o verdadeiros moribundos ambulantes que tecnicamente deviam estar internados em hospitais para subnutridos. Tal √© a mis√©ria, que se justificaria ser decretado estado de prontid√£o, como diante de calamidade p√ļblica. S√≥ que √© pior: a fome √© a nossa endemia, j√° est√° fazendo parte org√Ęnica do corpo e da alma.

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No caminho, um t√°xi passou a toda velocidade, determinado, numa po√ßa d‚Äô√°gua e encharcou seu terno. Nem se abalou. Continuou andando no mesmo ritmo, olhos voltados para a cal√ßada como que procurando uma solu√ß√£o. Sem dinheiro para se manter, teria que voltar em muito breve para o Brasil…

Nem a educação familiar, nem a educação escolar, juntas, conseguem influir no brasileiro mais do que as novelas no Brasil ! Isso é um pesadelo; um pesadelo bem real !

Enquanto um sábio negro não puder ser nosso embaixador em Paris,nós seremos o pré Brasil.[48]

Terra Do Brasil

Espavorida agita-se a criança,
De noturnos fantasmas com receio,
Mas se abrigo lhe d√° materno seio,
Fecha os doridos olhos e descansa.

Perdida é para mim toda a esperança
De volver ao Brasil; de l√° me veio
Um pugilo de terra; e neste creio
Brando ser√° meu sono e sem tardan√ßa…

Qual o infante a dormir em peito amigo,
Tristes sombras varrendo da memória,
ó doce Pátria, sonharei contigo!

E entre vis√Ķes de paz, de luz, de gl√≥ria,
Sereno aguardarei no meu jazigo
A justiça de Deus na voz da história!

Basta! … Eu sei que a mocidade
√Č o Mois√©s no Sinai;
Das m√£os do eterno recebe
As t√°buas da lei! Marchai!
Quem cai na luta com glória.
Tomba nos braços da história,
No Coração do Brasil.