Passagens sobre Carros

96 resultados
Frases sobre carros, poemas sobre carros e outras passagens sobre carros para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Eu acho que a coisa mais importante na vida de uma pessoa é felicidade. Não coisas materiais como carro, dinheiro, casa, você pode ter tudo. Se você não for feliz, o que você tem? Então eu acho que se eu puder apenas continuar fazendo a vida das pessoas agradável e fazer minha própria vida feliz, então é tudo o que eu poderia esperar da vida.

Amo-te Tanto

amo-te tanto mas hoje tenho de levar o carro ao mec√Ęnico, as rodas fazem um barulho estranho, n√£o deve ser nada, mas √© melhor prevenir, amanh√£ prometo que vamos ver que tal se come naquele restaurante novo junto √† rotunda, e depois levo-te ao cinema, ai n√£o que n√£o levo,
amo-te tanto mas hoje tenho de ver o treino do mi√ļdo, o treinador ligou e disse-me que temos craque, o nosso menino a jogar como gente grande, v√™ l√° tu, quando chegar com ele v√™ se tens prontinha aquela comida que ele adora, o puto merece, ai n√£o que n√£o merece,
amo-te tanto mas hoje tenho de ficar at√© tarde no escrit√≥rio, h√° aquele projecto do estrangeiro para fechar, est√° aqui tudo perdido de nervos, n√£o sei se aguento, daqui a pouco ligo-te para saber como vai tudo, o mi√ļdo e as coisas a√≠ em casa, agora tenho de ir mostrar a esta gente toda como se trabalha, ai n√£o que n√£o tenho,
amo-te tanto mas hoje tenho de me deitar cedo, amanhã é aquela reunião importante de que te falei, se conseguir o cliente vamos ser tão felizes, aquela casa, o carro novo, quem sabe?, só tenho de o conseguir convencer,

Continue lendo…

Ao Longo da Escrita deste Livro

No ano passado, em outubro, talvez a 27, sei que foi a uma ter√ßa-feira, a minha m√£e incentivou-me a dar um passeio. H√° muito que desistiu de me dissuadir dos livros, tanto l√™s que tresl√™s, mas mant√©m o h√°bito de, cuidadosa, depois de bater √† porta com pouca for√ßa, entrar no meu quarto e perguntar: n√£o te apetece dar um passeio? Na maioria das vezes, n√£o tenho disposi√ß√£o para lhe responder mas, nessa tarde, estava a meio de um cap√≠tulo altru√≠sta e decidi fazer-lhe a vontade. O volante do carro, as minhas m√£os a sentirem todas as pedras quase como se estivesse a desliz√°-las na estrada. Estacionei no campo, a pouca dist√Ęncia de um grupo de homens e mulheres, botas de borracha, que estavam a apanhar azeitona. Espalhavam uma gritaria animada que n√£o se alterou quando sa√≠ do carro e me aproximei, boa tarde. Uma vantagem do meu nome √© que dispenso alcunha. Olha o Livro, boa tarde. O sol estava a p√īr-se. Troquei gra√ßas, enquanto dois homens recolheram os pan√Ķes carregados debaixo da √ļltima oliveira e os levaram √†s costas.
N√£o esque√ßo o que vi a seguir. As mulheres dobraram os pan√Ķes vazios e dispuseram-nos na terra, em forma de corredor.

Continue lendo…

A Flauta Calma de P√£

De Apolo o carro rodou pra fora
Da vista. A poeira que levantara
Ficou enchendo de leve névoa
O horizonte;

A flauta calma de P√£, descendo
Seu tom agudo no ar pausado,
Deu mais tristezas ao moribundo
Dia suave.

C√°lida e loura, n√ļbil e triste,
Tu, mondadeira dos prados quentes,
Ficas ouvindo, com os teus passos
Mais arrastados,

A flauta antiga do deus durando
Com o ar que cresce pra vento leve,
E sei que pensas na deusa clara
Nada dos mares,

E que v√£o ondas l√° muito adentro
Do que o teu seio sente cansado
Enquanto a flauta sorrindo chora
Palidamente.

A Paisagem Faz a Raça

A paisagem faz a ra√ßa. A Holanda √© uma terra pac√≠fica e serena, porque a sua paisagem √© larga, plana e abundante. A paisagem que fez o grego, era o mar, reluzente e infinito, o c√©u, sereno, transparente, doce, e destacando-se sob aquela imobilidade azul, um templo branco, puro, augusto, r√≠tmico, entre a sombra que faz um grupo de oliveiras. A paisagem do romano √© toda jur√≠dica: as terras √°speras, a perder de vista, separadas por marcos de tijolo; uma grande charrua puxada por b√ļfalos, vai passando entre os trigos; uma larga estrada lajeada, eterna, sobre a qual rolam as duas altas rodas maci√ßas dum carro sabino; uma casa coberta de vinha branqueja ao longe, na plan√≠cie. N√£o importa a cor do c√©u: o romano n√£o olha para o c√©u. A ra√ßa anglo-sax√≥nica tira a sua tenebrosa mitologia, o seu esp√≠rito inquieto, da sua paisagem escura, acidentada, desolada e rom√Ęntica. √Č o estreito e √°rido aspecto do vale de Jerusal√©m que fez o judeu.

N√≥s estamos a assistir ao que eu chamaria a morte do cidad√£o e, no seu lugar, o que temos e, cada vez mais, √© o cliente. Agora j√° ningu√©m nos pergunta o que √© que pensamos, agora perguntam-nos qual a marca do carro, de fato, de gravata que temos, quanto ganhamos…

Dos Restos de Velhos Tempos

Para exemplo ainda continua a Lua
Nas noites por sobre os novos edifícios;
Entre as coisas de cobre
√Č ela
A mais inutilizável.   Já
As m√£es contam de animais,
Chamados cavalos, que puxavam carros.
E verdade que quando se fala de continentes
J√° n√£o s√£o capazes de acertar com os nomes:
Pelas grandes antenas novas
J√° dos velhos tempos
Se n√£o conhece nada.

Tradução de Paulo Quintela

Os carros hoje s√£o quase equivalentes √†s grandes catedrais g√≥ticas: a suprema cria√ß√£o de uma era, concebida com paix√£o por artistas an√ēnimos e consumida – como imagem ou na pr√°tica – por toda uma popula√ß√£o que se apropria deles como objetos m√°gicos.

Cessa de Correr !

Se não cessas de correr, marulhando no ar tépido com as tuas mãos como natatórios, olhando furtivamente tudo diante de que passas no meio-sono apressado, acontecer-te-á também um dia deixar passar diante de ti o carro. Se te mantiveres firme, pelo contrário, com o poder do teu olhar fazendo crescer as raízes em profundidade e em comprimento Рnada então te poderá eliminar Рem virtude não das raízes mas da força do teu olhar que escruta Рserá então que verás o longínquo imutavelmente obscuro de onde nada pode surgir a não ser precisamente uma vez este carro que rola para ti, que se aproxima, cada vez maior e que, no próprio instante em que entras em tua casa, enche o mundo enquanto mergulhas nele como uma criança no banco acolchoado de uma diligência que corre através da tempestade e da noite.

A Meu Pai Morto

Madrugada de Treze de janeiro.
Rezo, sonhando, o ofício da agonia.
Meu Pai nessa hora junto a mim morria
Sem um gemido, assim como um cordeiro!

E eu nem lhe ouvi o alento derradeiro!
Quando acordei, cuidei que ele dormia,
E disse à minha Mãe que me dizia:
“Acorda-o”! deixa-o, M√£e, dormir primeiro!

E saí para ver a Natureza!
Em tudo o mesmo abismo de beleza,
Nem uma n√©voa no estrelado v√©u…

Mas pareceu-me, entre as estrelas flóreas,
Como Elias, num carro azul de glórias,
Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!

Para a Minha Mulher

Desde que a Maria João casou (oficialmente) comigo há treze anos, damos por nós a casarmo-nos um com o outro, voluntária ou involuntariamente, várias vezes por dia.
Vou contar s√≥ uma. Esta semana, quando volt√°vamos da praia, a Maria Jo√£o estava a pentear-se e deu-me uns cabelos soltos para eu deitar pela janela do carro. Tive ci√ļmes que algu√©m pudesse apanhar os lindos cabelos dela e disse-lhe. Dei-lhes um beijinho e atirei-os ao vento. E a Maria Jo√£o disse: ¬ęAgora tenho eu ci√ļmes que algu√©m apanhe o cabelo com beijinhos teus¬Ľ.

Cas√°mos um com o outro nesse momento. J√° t√≠nhamos casado cinco vezes na praia. Casar √© o que acontece quando duas pessoas descobrem que, por estarem a fazer ou terem feito uma coisa grande ou pequena, s√£o as duas √ļnicas pessoas no mundo. Todas as outras pessoas n√£o podem fazer parte daquele prazer. Aquele prazer s√≥ √© poss√≠vel para duas pessoas concretas: ela e eu.

À nossa volta casavam-se muitas outras pessoas, casando-se mais por nós estarmos de fora, juntamente com todas as outras. Às vezes somos nós os espectadores. Vemos outras pessoas a casarem-se: um homem a rir-se leva uma mulher a rir-se nos braços pelo mar adentro e não a deixa cair até ela pedir.

Continue lendo…

Comportamento Humano Condicionado

Muito do comportamento humano resulta de padr√Ķes de comportamento condicionado implantados no c√©rebro especialmente durante a inf√Ęncia. Estes podem persistir quase sem modifica√ß√£o, mas muito frequentemente v√£o-se adaptando gradualmente √†s mudan√ßas de ambiente. Por√©m, quanto mais velha a pessoa tanto menos facilmente pode improvisar novas respostas condicionadas a tais mudan√ßas; a tend√™ncia, ent√£o, √© fazer o ambiente ajustar-se √†s suas respostas cada vez mais previs√≠veis. Muito da nossa vida consiste na aplica√ß√£o inconsciente de padr√Ķes de reflexo condicionado adquiridos originalmente por estudo √°rduo. Exemplo claro √© a maneira como um motorista acumula in√ļmeras e variadas respostas condicionadas antes de ser capaz de conduzir um carro atrav√©s de uma rua cheia de gente sem prestar muita aten√ß√£o consciente ao processo ‚Äď o que muitas vezes se chama ¬ęconduzir automaticamente¬Ľ. Se passar depois para um campo aberto, o motorista mudar√° para um novo padr√£o de comportamento autom√°tico. De facto, o c√©rebro humano vive em constante adapta√ß√£o de modo reflexo √†s mudan√ßas de ambiente, embora as primeiras li√ß√Ķes em qualquer processo ‚Äď como o de conduzir um autom√≥vel ‚Äď possam exigir dif√≠ceis e at√© tediosos esfor√ßos de concentra√ß√£o.

LXXV

Clara fonte, teu passo lisonjeiro
P√°ra, e ouve-me agora um breve instante;
Que em paga da piedade o peito amante
Te ser√° no teu curso companheiro.

Eu o primeiro fui, fui o primeiro,
Que nos braços da ninfa mais constante
Pude ver da fortuna a face errante
Jazer por glória de um triunfo inteiro.

Dura mão, inflexível crueldade
Divide o laço, com que a glória, a dita
Atara o gosto ao carro da vaidade:

E para sempre a dor ter n’alma escrita,
De um breve bem nasce imortal saudade,
De um caduco prazer m√°goa infinita.

Este N√£o-Futuro que a Gente Vive

Ser√° que nos resta muito depois disto tudo, destes dias assim, deste n√£o-futuro que a gente vive? (…) Bom, tudo seria mais f√°cil se eu tivesse um curso, um motorista a conduzir o meu carro, e usasse gravatas sempre. √Äs vezes uso, mas √© diferente usar uma gravata no pesco√ßo e us√°-la na cabe√ßa. Tudo aconteceu a partir do momento em que eu perdi a no√ß√£o dos valores. Todos os valores se me gastaram, mesmo √† minha frente. O dinheiro gasta-se, o corpo gasta-se. A mem√≥ria. (…) N√£o me atrai ser banqueiro, ter dinheiro. H√° pessoas diferentes. Atrai-me o outro lado da vida, o outro lado do mar, alguma coisa perfeita, um dia que tenha uma manh√£ com muito orvalho, restos de geada‚Ķ De resto, n√£o tenho grandes projectos. Acho que o planeta est√° perdido e que, provavelmente, a hip√≥tese de Ant√≥nio Jos√© Saraiva est√° certa: √© melhor que isto se estrague mais um bocadinho, para ver se as pessoas t√™m mais tempo para olhar para os outros.

Teus Olhos

Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.

Neles ficaram meus pal√°cios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d’Al√©m-Mundos ignorados!

Olhos do meu Amor! Fontes… cisternas..
Enigm√°ticas campas medievais…
Jardins de Espanha… catedrais eternas…

Ber√ßo vinde do c√©u √† minha porta…
√ď meu leite de n√ļpcias irreais!…
Meu sumptuoso t√ļmulo de morta!…

Quando tive aquele grande desastre de carro em 1973, estive imenso tempo na cama, pensei muito e cheguei a uma conclus√£o: a vida, para mim, sem risco n√£o faz sentido.

O Último Negócio

Certa manh√£
ia eu pelo caminho pedregoso,
quando, de espada desembainhada,
chegou o Rei no seu carro.
Gritei:
‚ÄĒ Vendo-me!
O Rei tomou-me pela m√£o e disse:
‚ÄĒ Sou poderoso, posso comprar-te.
Mas de nada lhe serviu o seu poder
e voltou sem mim no seu carro.

As casas estavam fechadas
ao sol do meio dia,
e eu vagueava pelo beco tortuoso
quando um velho
com um saco de oiro às costas
me saiu ao encontro.
Hesitou um momento, e disse:
‚ÄĒ Posso comprar-te.
Uma a uma contou as suas moedas.
Mas eu voltei-lhe as costas
e fui-me embora.

Anoitecia e a sebe do jardim
estava toda florida.
Uma gentil rapariga
apareceu diante de mim, e disse:
‚ÄĒ Compro-te com o meu sorriso.
Mas o sorriso empalideceu
e apagou-se nas suas l√°grimas.
E regressou outra vez à sombra,
sozinha.

O sol faiscava na areia
e as ondas do mar
quebravam-se caprichosamente.
Um menino estava sentado na praia
brincando com as conchas.
Levantou a cabeça
e,

Continue lendo…

Londres

Vagueio por estas ruas violadas,
Do violado Tamisa ao derredor,
E noto em todas as faces encontradas
Sinais de fraqueza e sinais de dor.

Em toda a revolta do Homem que chora,
Na Criança que grita o pavor que sente,
Em todas as vozes na proibição da hora,
Escuto o som das algemas da mente.

Dos Limpa-chaminés o choro triste
As negras Igrejas atormenta;
E do pobre Soldado o suspiro que persiste
Escorre em sangue p’los Pal√°cios que sustenta.

Mas nas ruas da noite aquilo que ouço mais
√Č da jovem Prostituta o seu fad√°rio,
Maldiz do tenro Filho os tristes ais,
E do Matrimónio insulta o carro funerário.

Tradução de Hélio Osvaldo Alves

Nunca d√™s demasiado a um poeta, arrepender-te-√†s. S√£o sempre os √ļltimos a encontrar estacionamento para o carro, mas quando chove n√£o se molham, passam entre as gotas da chuva. N√£o por serem m√°gicos, ou serem magros, mas por serem parvos. A falta de sentido pr√°tico dos poetas n√£o tem gra√ßa.

O Grito

Corria pela rua acima quando a s√ļbita explos√£o dum grito o fez parar instantaneamente. Todo o seu corpo estremeceu. O que ele desde sempre receara acabara de ocorrer: algures, nesse momento, uma caneta come√ßara a deslizar sobre uma folha de papel, dando assim corpo √†quele grito que de h√° muito, como as esculturas no interior da pedra, se mantinha na expectativa desse simples gesto dum escritor para atingir a realidade. Tapou os ouvidos com as m√£os. O grito mais n√£o era que um sinal, mas o que esse sinal lhe transmitia deixava-o aterrado. Acabara de ser posta a funcionar uma engrenagem que a partir de agora nada nem ningu√©m, e muito menos ele, iria alguma vez poder travar, um mecanismo de que ele pr√≥prio iria inapelavelmente ser a maior v√≠tima. Mais tarde ou mais cedo isso teria de se dar, mas agora que, sem qualquer aviso pr√©vio, se soubera propulsado para outra dimens√£o da sua vida, como se os fios que a governavam tivessem repentinamente mudado de m√£os, o facto de h√° longo tempo o pressentir n√£o o impediu de olhar √† sua volta com estranheza, uma estranheza que antes de mais nascia de tudo √† primeira vista ter ficado como estava,

Continue lendo…