Cita√ß√Ķes sobre Cataclismo

10 resultados
Frases sobre cataclismo, poemas sobre cataclismo e outras cita√ß√Ķes sobre cataclismo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Poema Original

Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos    quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.

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Mundo Interior

Ouço que a natureza é uma lauda eterna
De pompa, de fulgor, de movimento e lida,
Uma escala de luz, uma escala de vida
De sol à ínfima luzerna.

Ou√ßo que a natureza, – a natureza externa, –
Tem o olhar que namora e o gesto que intimida,
Feiticeira que ceva uma hidra de Lerna
Entre as flores da bela Armida.

E contudo, se fecho os olhos, e mergulho
Dentro de mim, vejo à luz de outro sol, outro abismo
Em que um mundo mais vasto, armado de outro orgulho,

Rola a vida imortal e o eterno cataclismo,
E, como o outro, guarda em seu √Ęmbito enorme,
Um segredo que atrai, que desafia, – e dorme.

Se os governos quiserem hoje ser √ļteis √† sociedade, se eles n√£o quiserem adiantar a √©poca do terr√≠vel cataclismo que espera um estado de coisas fact√≠cio em que o dolo e imoralidade e o lud√≠brio do povo ocupa uma parte t√£o consider√°vel, eles ter√£o que olhar mais pelo povo que padecia em sil√™ncio sem se queixar porque j√° nem mesmo se sabe queixar.

O Que Eu Sou

Nocturna e dubia luz
Meu s√™r esbo√ßa e tudo quanto existe…
Sou, num alto de monte, negra cruz,
Onde bate o luar em noite triste…

Sou o espirito triste que murmura
Neste silencio l√ļgubre das Cousas…
Eu é que sou o Espectro, a Sombra escura
De falecidas formas mentirosas.

E tu, Sombra infantil do meu Am√īr,
√Čs o S√™r vivo, o S√™r Espiritual,
A Presen√ßa radiosa…
Eu sou a D√īr,
Sou a tragica Ausencia glacial…

Pois tu vives, em mim, a vida nova,
E eu j√° n√£o vivo em ti…
Mas quem morreu?
F√īste tu que baixaste √° fria cova?
Oh, n√£o! Fui eu! Fui eu!

Horrivel cataclismo e negra sorte!
Tu f√īste um mundo ideal que se desfez
E onde sonhei viver apoz a morte!
Vendo teus lindos olhos, quanta vez,
Dizia para mim: eis o logar
Da minha espiritual, futura imagem…
E viverei √° luz daquele olhar,
Divino sol de mistica Paisagem.

Era minha ambição primordial
Legar-lhe a minha imagem de saudade;
Mas um vento cruel de temporal,

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Qual o Próximo Pretexto para o Holocausto ?

Vi o fim do fascismo. Foi bom. Vejo o fim do comunismo. √Č bom. E vi durante toda a vida como um e outro foram √ļteis para o √≥dio se cumprir. Mas finda a utilidade desses pretextos, que outro pretexto vai ser? Curamos os efeitos da doen√ßa, guardamos a doen√ßa para outra vez. √Č a reserva maior do homem, essa, a do mal, H√° o que lhe √© inevit√°vel, mas n√£o lhe basta. Cataclismos, trai√ß√Ķes do irm√£o corpo. N√£o chega. E a pr√≥pria morte, que √© a sua fatalidade, ele n√£o a desperdi√ßa e aproveita-a para ir matando mais cedo. Como a um animal do seu sustento. O homem. Que enormidade.

Grandes Mistérios Habitam

Grandes mistérios habitam
O limiar do meu ser,
O limiar onde hesitam
Grandes p√°ssaros que fitam
Meu transpor tardo de os ver.

S√£o aves cheias de abismo,
Como nos sonhos as h√°.
Hesito se sondo e cismo,
E à minha alma é cataclismo
O limiar onde est√°.

Ent√£o desperto do sonho
E sou alegre da luz,
Inda que em dia tristonho;
Porque o limiar é medonho
E todo passo é uma cruz.

O Egoísta Homem Moderno

Um dos problemas mais complicados e mais dif√≠ceis dos nossos dias, o de encaminhar para um fim ben√©fico e utilit√°rio, para o bem real da nossa sociedade, essa exuber√Ęncia espantosa de prosperidade material, que muito √© de temer n√£o materialize excessivamente o esp√≠rito popular e n√£o o lance na via de uma ambi√ß√£o desenfreada e subversiva. Esta quest√£o considero-a como a √ļnica s√©ria e vital que hoje resta resolver satisfatoriamente, porque a sua resolu√ß√£o √© que h√°-de dizer a raz√£o por que n√≥s gozamos dos incalcul√°veis benef√≠cios do vapor e das suas aplica√ß√Ķes e do tel√©grafo el√©ctrico; porque √© dela que depende a sorte futura da nossa sociedade, e essa resolu√ß√£o √© tanto mais dif√≠cil que ela n√£o pode ser a obra da viol√™ncia, por isso que a viol√™ncia apressaria o termo fatal do desengano sem que a sociedade estivesse suficientemente preparada para um choque t√£o violento, e tornaria sang√ľin√°ria uma revolu√ß√£o que, longe de dever ser um cataclismo para a sociedade, dever√° executar-se brandamente. O governo, que deve saber dirigir a verdadeira opini√£o p√ļblica, pode pela sua ac√ß√£o sobre a instru√ß√£o das classes laboriosas ensinar-lhes a sua posi√ß√£o futura na sociedade e destruir as ambi√ß√Ķes desenfreadas dos pretendidos amigos do povo…

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Soneto

A Moreira de Vasconcelos

Na luta dos impossíveis,
do espirito e da matéria,
tu és a águia sidérea
dos pensamentos terríveis!
(Do Autor)

√Č um pensar flamejador, dard√Ęnico
Uma explosão de rápidas idéias,
Que como um mar de estranhas odisséias
Saem-lhe do cr√Ęnio escultural, tit√Ęnico!…

Parece haver um cataclismo enorme
L√° dentro, em √Ęnsia, a rebentar, fremente!…
Parece haver a convuls√£o potente,
Dos rubros astros num fragor disforme!…

H√£o de ruir na transfus√£o dos mundos
Os monumentos colossais profundos,
As cousas vãs da brasileira história!

Mas o seu vulto, sobre a luz alçado,
Oh! h√° de erguer-se de arreb√≥is c’roado,
Como Atalaia nos umbrais da gl√≥ria!!…

Beethoven Surdo

Surdo, na universal indiferença, um dia,
Beethoven, levantando um desvairado apelo,
Sentiu a terra e o mar num mudo pesadelo.
E o seu mundo interior cantava e restrugia.

Torvo o gesto, perdido o olhar, hirto o cabelo,
Viu, sobre a orquestra√ß√£o que no seu cr√Ęnio havia,
Os astros em torpor na imensidade fria,
O ar e os ventos sem voz, a natureza em gelo.

Era o nada, a evers√£o do caos no cataclismo,
A síncope do som no páramo profundo,
O silêncio, a algidez, o vácuo, o horror no abismo.

E Beethoven, no seu supremo desconforto,
Velho e pobre, caiu, como um deus moribundo,
Lançando a maldição sobre o universo morto!