Passagens sobre Conversação

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Frases sobre conversa√ß√£o, poemas sobre conversa√ß√£o e outras passagens sobre conversa√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Pobre Tysica!

Quando ella passa √° minha porta,
Magra, livida, quazi morta,
E vae até á beira-mar,
Labios brancos, olhos pizados:
Meu coração dobra a finados,
Meu cora√ß√£o poe-se a chorar…

Perpassa leve como a folha,
E suspirando, √°s vezes, olha
Para as gaivotas, para o Ar:
E, assim, as suas pupillas negras
Parecem duas toutinegras,
Tentando as azas para voar!

Veste um habito cor de leite,
Saiinha liza, sem enfeite,
Boina maruja, toda luar:
Por isso, mal na praia alveja,
As mais suspiram com inveja:
¬ęNoiva feliz, que vaes cazar…¬Ľ

Triste, acompanha-a um Terra-Nova
Que, dentro em pouco, √° fria cova
A ir√° de vez acompanhar…
O ch√£o desnuda com cautella,
Que Boy conhece o estado d’ella:
Quando ella tosse, poe-se a uivar!

E, assim, sósinha com a aia,
Ao sol, se assenta sobre a praia,
Entre os b√©b√©s, que √© o seu logar…
E o Oceano, tremulo av√īzinho,
Cofiando as barbas cor de linho,
Vem ter com ella a conversar…

Fallam de sonhos, de anjos,

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N√£o Cansar

Costuma ser cansativo o homem de um s√≥ neg√≥cio e de uma s√≥ conversa√ß√£o. A brevidade √© lisonjeira e ainda mais negociante. Ganha por ser cort√™s quem perde por ser breve. O bom, se breve, √© duas vezes bom. E mesmo o mau, se pouco, n√£o √© t√£o ruim. Mais obram as quintess√™ncias que as mix√≥rdias. E √© verdade conhecida que o homem de arengas raramente √© entendido, n√£o tanto no material que exp√Ķe quanto no formal do seu discurso. H√° homens que servem mais de estorvo que de adorno do universo, alfaias perdidas, de que todos desviam. Que o discreto escuse estorvar, muito menos as grandes personagens, que vivem muito ocupadas, e seria pior desabrir-se com uma delas do que com o restante do mundo. Diz-se bem o que se diz depressa.

O Espírito da Conversação

Há pessoas que falam um momento antes de pensar; há outras que prestam fraca atenção ao que dizem, e com as quais sofremos, na conversação, todo o trabalho que a sua inteligência tem; estão como amassados de frases e jeitos de expressão, concertados nos gestos e em toda a sua atitude.
O espírito da conversação consiste muito menos em mostrar muito espírito que em fazer com que os outros o achem: quem sai de uma palestra contente consigo mesmo e com o seu espírito, sai perfeitamente contente com o orador. Os homens não gostam de admirar; querem agradar: procuram menos ser instruídos, e mesmo satisfeitos, que serem apreciados e aplaudidos; e o prazer mais delicado que há é o de causar o dos outros.

nenhum amor escapa impune

deixa-me perguntar se te
pareço tão assustado assim. Não
me sinto deslocado, talvez curioso, mas
nem surpreso. algo em ti me puxa
sempre ao sentimento, mesmo antes de
te conhecer, lembras-te, uma propens√£o para
te tratar bem, cuidar, vulnerabilizar os meus
modos, recusar admitir que também eu sou
capaz de crueldades quotidianas e
impunes. queria conversar contigo
sobre o nelson, que foi ver as coisas a
arder fotografando a própria
pele. queria falar-te da isabel e de como
choramos juntos, muito maricas, quando
nos correm mal estes amores ou, pior, a
nossa amizade. esta noite sonhei contigo e
achei graça dizer-te que cheirava mal
na nossa cama. que me incomodou a luz a entrar
pela persiana por fechar. que ouvi com dor o
orgasmo da vizinha de baixo

queria que soubesses que também eu
poderia ter ardido para o nelson
fotografar. queria que soubesses que
também poderia parar de chorar pela
isabel. queria que soubesses que o faria
exclusivamente
para arruinar o meu coração, se fosse a
tua vontade e com isso te deixasse em
paz.

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A Conversa Nunca é Imparcial

√Č espantoso qu√£o f√°cil e rapidamente a homogeneidade ou a heterogeneidade de esp√≠rito e de √Ęnimo entre os homens se faz manifesta na conversa√ß√£o: ela torna-se sens√≠vel √† menor situa√ß√£o. Entre duas pessoas de natureza substancialmente heterog√©nea, que conversam sobre os assuntos mais estranhos e indiferentes, cada frase de uma desagradar√° mais ou menos √† outra, em muitos casos irritar√°. Naturezas homog√©neas, pelo contr√°rio, sentem de imediato, em tudo, uma certa concord√Ęncia, que, tratando-se de grande homogeneidade, logo converge para a harmonia perfeita, para o un√≠ssono.
A partir disso, explica-se, em primeiro lugar, porque os tipos ordin√°rios s√£o t√£o soci√°veis e em qualquer lugar encontram boa companhia com tanta facilidade – gente estimada, am√°vel e honesta. Com os indiv√≠duos incomuns acontece o contr√°rio, e tanto mais quanto mais distintos forem, de tal maneira que, de tempos em tempos, no seu isolamento, podem alegrar-se por terem descoberto em algu√©m, uma fibra, por menor que seja, homog√©nea √† sua! De facto, cada um s√≥ pode ser para outrem o que este √© para ele. Esp√≠ritos verdadeiramente eminentes fazem o seu ninho nas alturas, como as √°guias, solit√°rios. Em segundo lugar, isso explica por que os indiv√≠duos de disposi√ß√£o igual se re√ļnem de imediato,

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A superioridade espiritual, mesmo a maior, far√° valer a sua preponder√Ęncia decisiva na conversa√ß√£o s√≥ ap√≥s os quarenta anos de idade. Pois a maturidade dos anos e os frutos da experi√™ncia podem ser superados em muitos sentidos, mas nunca substitu√≠dos pela superioridade espiritual.

Torniquete

A t√īmbola anda depressa,
Nem sei quando ir√° parar –
Aonde, pouco me importa;
O importante √© que pare…
– A minha vida n√£o cessa
De ser sempre a mesma porta
Eternamente a abanar…

Abriu-se agora o sal√£o
Onde h√° gente a conversar.
Entrei sem hesita√ß√£o –
Somente o que se vai dar?
A meio da reuni√£o,
Pela certa disparato,
Volvo a mim a todo o pano:

Às cambalhotas desato,
E salto sobre o piano…
РVai ser bonita a função!
Esfrangalho as partituras,
Quebro toda a caqueirada,
Arrebento à gargalhada,
E fujo pelo sagu√£o…

Meses depois, as gazetas
Darão críticas completas,
Indecentes e patetas,
Da minha √ļltima obra…
E eu Рprà cama outra vez,
Curtindo febre e revés,
Tocado de Estrela e Cobra…

A verdade √© como uma sinfonia. N√≥s estamos aqui a conversar, mas se amanh√£ nos pedirem para relatar o que se passou, cada um ter√° uma vers√£o diferente. S√≥ se unirmos as v√°rias vers√Ķes, as v√°rias vozes, conseguiremos construir a Hist√≥ria, que √© uma soma dessas experi√™ncias individuais. A Hist√≥ria colectiva √© uma grande mentira. Quando ouvimos as pessoas, elas dizem coisas inesperadas, coisas que n√£o sab√≠amos.

O Saber Ajuda em Todas as Actividades

O mero fil√≥sofo √© geralmente uma personalidade pouco admis¬≠s√≠vel no mundo, pois sup√Ķe-se que ele em nada contribui para o be¬≠nef√≠cio ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunica√ß√£o com os homens e envolto em princ√≠pios e no√ß√Ķes igualmente distantes de sua compreens√£o. Por outro lado, o mero ig¬≠norante √© ainda mais desprezado, pois n√£o h√° sinal mais seguro de um esp√≠rito grosseiro, numa √©poca e uma na√ß√£o em que as ci√™ncias florescem, do que permanecer inteiramente destitu√≠do de toda esp√©cie de gosto por estes nobres entretenimentos. Sup√Ķe-se que o car√°cter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os neg√≥cios; mant√©m na conversa√ß√£o discernimento e delicadeza que nascem da cultura liter√°ria; nos neg√≥cios, a probidade e a exatid√£o que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente. Para difundir e cultivar um car√°cter t√£o aperfei√ßoado, nada pode ser mais √ļtil do que as com¬≠posi√ß√Ķes de estilo e modalidade f√°ceis, que n√£o se afastam em demasia da vida, que n√£o requerem, para ser compreendidas, profunda apli¬≠ca√ß√£o ou retraimento e que devolvem o estudante para o meio de homens plenos de nobres sentimentos e de s√°bios preceitos,

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As Desvantagens das Nossas Paix√Ķes

Quanto mais um homem se emaranha numa paix√£o, tanto mais os acontecimentos, em si indiferentes, se traduzem para ele em dor, enganando justamente, pela sua indiferen√ßa, a avidez tensa em que esse homem se encontra. Um ambicioso sofrer√° porque uma pessoa c√©lebre n√£o lhe reconheceu import√Ęncia; essa mesma pessoa c√©lebre tentar√° insuflar escr√ļpulos de tenta√ß√£o a algum evang√©lico de quem procurar√° a conversa√ß√£o; escr√ļpulos que, por sua vez, irritar√£o um individualista, que ser√° atingido por eles, malgrado seu. A inveja, ambi√ß√£o ruminada, est√° na base de todas as ang√ļstias que sofremos. N√£o toleramos que uma coisa aconte√ßa indiferentemente, por acaso, escapando √† nossa chancela.
Qualquer género de fervor acarreta consigo a tendência para sentir uma lei preestabelecida na vida, uma lei que castiga os que abusam ou descuram esse mesmo fervor. Um estado de paixão Рmesmo que fosse a embriaguez da absoluta autodeterminação Рorganiza e anima de tal forma o Universo que toda a desgraça, parece, depois, provocada por uma ruptura do equilíbrio vital dessa paixão difusa, que, assim, se defende como um corpo vivo. E, segundo o temperamento de cada um, teremos a sensação de que abusámos, ou de que fomos inferiores; de qualquer forma, sentir-nos-emos organicamente punidos pela própria lei da paixão e do Universo.

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O prazer dos banquetes n√£o est√° na abund√Ęncia dos pratos e, sim, na reuni√£o dos amigos e na conversa√ß√£o.

O Espírito é a Arma da Diplomacia

Ser espirituoso √© metade de ser diplomata. (…) O esp√≠rito move tudo e n√£o responde por coisa alguma: ele √© a eloqu√™ncia da alegria, e o entrincheiramento das situa√ß√Ķes dif√≠ceis: salva uma crise fazendo sorrir: condensa em duas palavras a cr√≠tica de uma institui√ß√£o: disfar√ßa √†s vezes a fraqueza de uma opini√£o, acentua outras vezes a for√ßa de uma ideia: √© a mais fina salvaguarda dos que n√£o querem definir-se francamente: tira a intransig√™ncia √†s convic√ß√Ķes, fazendo-lhes c√≥cegas: substitui a raz√£o quando n√£o substitui a ci√™ncia, d√° uma posi√ß√£o no mundo, e, adoptado como um sistema, derruba um imp√©rio. E, sobretudo pelo indefinido que d√° √† conversa√ß√£o, ele √© a arma verdadeira da diplomacia.

Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.

A leitura torna o homem completo; a conversação torna-o ágil; e o escrever dá-lhe precisão.