Cita√ß√Ķes sobre Desporto

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Frases sobre desporto, poemas sobre desporto e outras cita√ß√Ķes sobre desporto para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Supreender-se é Começar a Entender

Surpreender-se, estranhar, √© come√ßar a entender. √Č o desporto e o luxo espec√≠fico do intelectual. Por isso o seu gesto gremial consiste em olhar o mundo com os olhos dilatados pela estranheza. Tudo no mundo √© estranho e √© maravilhoso para um par de pupilas bem abertas.

O Papel do Desporto

Quem duvida que o desporto é uma janela importantíssima para a propagação do jogo limpo e da justiça? No fim de contas, o jogo limpo é um valor essencial no desporto!
(…) A reconstru√ß√£o e a reconcilia√ß√£o, a constru√ß√£o nacional e o desenvolvimento, devem andar de m√£os dadas. Neste processo, o desporto √© uma grande for√ßa de unidade e reconcilia√ß√£o.
(…) Embora vivamos num mundo em que o bem que existe nas pessoas geralmente impera, √© triste que tamb√©m existam os que exploram a magnanimidade e a honestidade. Temos, pois, de afirmar e celebrar constantemente as boas ac√ß√Ķes e as virtudes sociais. Neste contexto, o desporto desempenha hoje um papel preeminente na apresenta√ß√£o do que √© bom e na exemplifica√ß√£o do que √© saud√°vel.

Trabalho e Descanso na Justa Medida

A mente n√£o se deve manter sempre na mesma inten√ß√£o ou tens√£o, antes deve dar-se tamb√©m √† divers√£o. S√≥crates n√£o se envergonhava de brincar com as crian√ßas, Cat√£o aliviava com vinho o seu √Ęnimo fatigado dos cuidados p√ļblicos e Cipi√£o dan√ßava com aquele corpo triunfante e militar (…) O nosso esp√≠rito deve relaxar: ficar√° melhor e mais apto ap√≥s um descanso. Tal como n√£o devemos for√ßar um terreno agr√≠cola f√©rtil com uma produtividade ininterrupta que depressa o esgotaria, tamb√©m o esfor√ßo constante esvaziar√° o nosso vigor mental, enquanto um curto per√≠odo de repouso restaurar√° o nosso poder. O esfor√ßo continuado leva a um tipo de torpor mental e letargia. Nem os desejos dos homens devem encaminhar-se t√£o depressa nesta direc√ß√£o se o desporto e o jogo os envolvem numa esp√©cie de prazer natural; embora uma repetida pr√°tica destrua toda a gravidade e for√ßa do nosso esp√≠rito. Afinal, o sono tamb√©m √© essencial para nos restaurar, mas se o prolong√°ssemos constantemente, dia e noite, seria a morte.

O desporto pode criar esperan√ßa onde outrora s√≥ havia desespero. √Č mais poderoso do que o governo na destrui√ß√£o de barreiras raciais. O desporto ri na cara de todos os tipos de discrimina√ß√£o.

Fazer os Sonhos Levantarem Voo

Alguns sonhos são belos, outros poéticos; uns realizáveis, outros difíceis de serem concretizados; uns envolvem uma pessoa, outros, a sociedade; uns possuem rotas claras, outros, curvas imprevisíveis; uns são rapidamente produzidos, outros precisam de anos de maturação.

H√° muitos tipos de sonhos. Sonho de se apaixonar por algu√©m, de gerar filhos ou conquistar amigos. Sonho de tirar um curso, ter uma empresa, ter sucesso financeiro para si e para ajudar os outros. Sonho de ter sa√ļde f√≠sica e ps√≠quica, de ter paz interior e de viver intensamente cada momento da vida.
Sonho de ser um cientista, um m√©dico, um educador, um empres√°rio, um empreendedor, um profissional que fa√ßa a diferen√ßa. Sonho de viajar pelo mundo, de pintar quadros, escrever um livro, ser √ļtil ao pr√≥ximo. Sonho de aprender a tocar um instrumento, praticar desportos, bater recordes.

Muitos enterram os seus sonhos nos escombros dos seus problemas. Alguns soldados nunca mais foram motivados para a vida depois de verem os seus colegas morrerem em combate.
Alguns oradores nunca mais recuperaram a sua seguran√ßa depois de terem um ataque de p√Ęnico em p√ļblico. Alguns desportistas n√£o conseguiram repetir a sua performance depois de fazerem uma cirurgia correctiva ou serem apanhados no controlo antidoping.

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Quando um homem quer matar um tigre, chama a isso desporto; quando é o tigre que quer matá-lo, chama a isso ferocidade. A distinção entre crime e justiça não é muito grande.

A prova de que as mulheres s√£o mais inteligentes est√° no desprezo que votam aos desportos em geral, e aos desportos menos pensativos em particular. Qualquer rapariga com dois dedos de cabe√ßa prefere ter um surfista a ter de fazer ¬ęsurf¬Ľ.

A Oportunidade de nos Vencermos a nós Próprios

Um povo de ociosos bem que se poderia divertir a construir obst√°culos para si, exercitando-se nas ci√™ncias, nas artes, nos jogos; mas os esfor√ßos que procedem apenas da fantasia n√£o constituem para o homem um meio de dominar as suas pr√≥prias fantasias. S√£o os obst√°culos com que deparamos e que √© preciso superar que fornecem a oportunidade de nos vencermos a n√≥s mesmos. Mesmo as actividades aparentemente mais livres, ci√™ncia, arte, desporto, s√≥ t√™m valor na medida em que imitam a exactid√£o, o rigor, o escr√ļpulo pr√≥prios dos trabalhos e at√© os exageram.

A Guerra é Deus

Pouco interessa o que os homens pensam da guerra, disse o juiz. A guerra perdura. √Č o mesmo que perguntar-lhes o que acham da pedra. A guerra sempre esteve presente. Antes de o homem existir, a guerra j√° estava √† espera dele. O of√≠cio supremo a aguardar o seu supremo art√≠fice. Sempre foi assim e sempre assim ser√°. Assim e n√£o de outra forma.
(…) Os homens nasceram para jogar. Nada mais. Todo o garoto sabe que a brincadeira √© uma ocupa√ß√£o mais nobre do que o trabalho. Sabe tamb√©m que a excel√™ncia ou m√©rito de um jogo n√£o √© inerente ao jogo em si, mas reside, isso sim, no valor daquilo que os jogadores arriscam. Os jogos de azar exigem que se fa√ßam apostas, sem o que n√£o fazem sequer sentido. Os desportos implicam medir a destreza e a for√ßa dos advers√°rios e a humilha√ß√£o da derrota e o orgulho da vit√≥ria constituem em si mesmos aposta suficiente, pois traduzem o valor dos contendores e definem-nos. Por√©m, quer se trate de contendas cuja sorte se decide pelo azar quer pelo m√©rito, todos os jogos anseiam elevar-se √† condi√ß√£o da guerra, pois nesta aquilo que se aposta devora tudo,

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Desporto e Pedagogia

I

Diz ele que n√£o sei ler
Isso que tem? C√° na aldeia
N√£o se arranjam d√ļzia e meia
Que saibam ler e escrever.

II

P’ra escolas n√£o h√° bairrismo,
N√£o h√° amor nem dinheiro.
Por quê? Porque estão primeiro
O Futebol e o Ciclismo!

III

Desporto e pedagogia
Se os juntassem, como irm√£os,
Esse conjunto daria,
Verdadeiros cidad√£os!
Assim, sem darem as m√£os,
O que um faz, outro atrofia.

IV

Da educação desportiva,
Que nos prepara p’ra vida,
Fizeram luta renhida
Sem nada de educativa.

V

E o povo, espectador em altos gritos,
Provoca, gesticula, a direito e torto,
Crendo assim defender seus favoritos
Sem lhe importar saber o que é desporto.

VI

Interessa é ganhar de qualquer maneira.
Enquanto em campo o dever se atropela,
Faz-se outro jogo l√° na bilheiteira,
Que enche os bolsinhos aos que vivem dela.

VII

Convém manter o Zé bem distraído
Enquanto ele se entrega à diversão,

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O desporto tem o poder de superar velhas divis√Ķes e criar o la√ßo de aspira√ß√Ķes comuns.

Quanto menos comes, bebes, compras livros, vais ao teatro e ao caf√©, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas desporto, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. ¬ę√Čs¬Ľ menos, mas ¬ętens¬Ľ mais. Assim todas as paix√Ķes e actividades s√£o tragadas pela cobi√ßa.

O Engraxanço e o Culambismo Português

Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como ¬ęengraxan√ßo¬Ľ. Os chefes de reparti√ß√£o engraxavam os chefes de servi√ßo, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os m√©dicos da caixa, etc… Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se por√©m, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso.

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Corpo e Espírito

A maior parte das pessoas tem um corpo que, ou √© desleixado, formado e deformado pelo acaso, e que parece quase n√£o ter rela√ß√£o com o seu esp√≠rito e o seu car√°cter, ou ent√£o √© recoberto pela m√°scara do desporto que lhe d√° o aspecto daquelas horas em que ele tirou f√©rias de si pr√≥prio. Essas s√£o aquelas horas em que um homem desfia o sonho diurno da sua boa figura, que foi buscar √†s revistas do grande mundo da eleg√Ęncia e da beleza. Todos esses jogadores de t√©nis, cavaleiros e corredores de autom√≥veis, bronzeados e musculosos, com ares de baterem todos os recordes, apesar de, em geral, dominarem apenas razoavelmente a sua especialidade, essas damas bem vestidas ou bem despidas, sonham sonhos diurnos, e s√≥ se distinguem do comum dos mortais que t√™m sonhos despertos porque o seu sonho n√£o permanece encerrado no c√©rebro, mas sai para o ar livre, como projec√ß√£o da alma das massas, configurada de forma corp√≥rea, dram√°tica, quase apetecia dizer, na linguagem de fen√≥menos ocultos mais que suspeitos, ideopl√°stica. Mas t√™m em comum com os vulgares construtores de fantasias uma certa banalidade dos seus sonhos, tanto no que se refere ao conte√ļdo como √† proximidade do estado de vig√≠lia.

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Quando um homem deseja matar um tigre, chama a isso desporto; quando um tigre deseja matar um homem, este chama a isso ferocidade.

Onde Começa a Felicidade

¬ęAurea mediocritas¬Ľ – dizia Hor√°cio, um dos poetas latinos que faz a base da nossa civiliza√ß√£o. As palavras com o tempo corrompem-se, alteram-se, adulteram-se. ¬ęMediocritas¬Ľ em portugu√™s deu mediocridade, tal como ¬ęparvus¬Ľ deu parvo, ao contr√°rio do castelhano em que apenas significa pequeno, ou ¬ęsinistra¬Ľ em italiano quer apenas dizer esquerda.

A ¬ęAurea mediocritas¬Ľ que cantava Hor√°cio era a doce e suave mediania entre as emo√ß√Ķes, um equil√≠brio quase buc√≥lico na vida a ter e nos neg√≥cios a ter na vida. N√£o, Hor√°cio, romano educado, n√£o era adepto dos desportos radicais.
Equil√≠brio entre o qu√™? Distorcendo Hor√°cio, a dois mil anos de dist√Ęncia, podemos dizer, talvez, equil√≠brio entre o sonho e a realidade. A felicidade n√£o pode ser s√≥ o que h√°, sen√£o apodrecemos, mas tamb√©m n√£o pode ser s√≥ o que desejamos, sen√£o ficamos com uma neurose de tanto ansiar pelo que h√°-de vir.

O resto √© com cada qual. Alguns gostam da felicidade bovina de n√£o pensar muito, outros gostam de estar sozinhos no deserto, outros ficam felizes com a desgra√ßa alheia. Estes tr√™s exemplos s√£o, c√° para mim, desgra√ßados, mas o que sei eu dos outros? √Č por n√£o saber nada dos outros que escrevo hist√≥rias sobre os outros.

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A discussão, da forma como habitualmente é gerida, é o pior desporto da conversa, tal como nos livros é geralmente o pior tipo de leitura.