Passagens sobre Est√°tua

100 resultados
Frases sobre est√°tua, poemas sobre est√°tua e outras passagens sobre est√°tua para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Purificam-se manchando-se com outro sangue, como se alguém, entrando na lama se lavasse. E louco pareceria, se algum homem o notasse agindo assim. E também a estas estátuas eles dirigem suas preces, como alguém que falasse a casas, de nada sabendo o que são deuses e heróis.

Modelar uma estátua e dar-lhe vida é belo; modelar uma inteligência e dar-lhe verdade é sublime.

Nossas vozes iam ficando cada vez mais altas na escurid√£o sob a est√°tua. Como todas as brigas desse tipo, n√£o levou a nada, apenas a uma ferida que sara com facilidade. H√° lugar para tantas feridas diferentes antes de percebermos que estamos arrancando uma velha crosta.

Ideais Fatais

N√£o h√° ideal a que possamos sacrificar-nos, porque de todos eles conhecemos a mentira, n√≥s os que ignoramos em absoluto o que seja a verdade. A sombra terrestre que se alonga por detr√°s dos deuses de m√°rmore basta para nos afastar deles. Ah, com que amplexo o homem se estreitou a si pr√≥prio! P√°tria, justi√ßa, grandeza, piedade, verdade, qual das suas est√°tuas n√£o traz em si os sinais das m√£os humanas para que n√£o desperte a mesma ironia triste que os velhos rostos outrora amados? Compreender n√£o significa necessariamente aceitar todas as loucuras. E, no entanto, quantos sacrif√≠cios, quantos hero√≠smos injustificados dormem em n√≥s…

Os Amantes de Novembro

Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes s√£o sempre extravagantes
E ao frio também faz calor

Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados t√£o engalfinhados
Que sendo dois parecem um

De pé imóveis transportados
Como uma est√°tua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.

Morte em Vida

Um dia mais passou e ao passar
Que pensei ou li, que foi criado?
Nada! Outro dia passou desperdiçado!
Cada hora j√° morta ao despontar!

Nada fiz. O tempo me fugiu
E à Beleza nem uma estátua ergui!
Na mente firme nem credo ou sonho vi
E a alma in√ļtil em v√£o se consumiu.

Ent√£o me caber√° sempre ficar
Qual gr√£o de areia na praia pousado,
Coisa sujeita ao vento, entregue ao mar?

Ah, esse algo a sofrer e a desejar,
Inda menos que um ser inanimado
Sempre aquém do que podia alcançar!

√öltima Deusa

Foram-se os deuses, foram-se, eu verdade;
Mas das deusas alguma existe, alguma
Que tem teu ar, a tua majestade,
Teu porte e aspecto, que és tu mesma, em suma.

Ao ver-te com esse andar de divindade,
Como cercada de invisível bruma,
A gente à crença antiga se acostuma
E do Olimpo se lembra com saudade.

De lá trouxeste o olhar sereno e garço,
O alvo colo onde, em quedas de ouro tinto,
R√ļtilo rola o teu cabelo esparto…

Pisas alheia terra… Essa tristeza
Que possuis é de estátua que ora extinto
Sente o culto da forma e da beleza.

Nada Fica de Nada

Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespir√°vel treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cad√°veres adiados que procriam.

Leis feitas, est√°tuas vistas, odes findas ‚ÄĒ
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que n√£o elas?
Somos contos contando contos, nada.

Aptidão, Vontade, e Acção

No reino da Natureza dominam o movimento e o agir. No reino da liberdade dominam a aptid√£o e o querer. O movimento √© perp√©tuo e, sendo favor√°veis as circunst√Ęncias, manifesta-se necessariamente nos fen√≥menos. As aptid√Ķes, desenvolvendo-se embora em correspond√™ncia com a Natureza, t√™m contudo que ser postas em exerc√≠cio por parte da vontade para poderem elevar-se gradualmente. √Č por isso que nunca temos no exerc√≠cio livre da vontade a mesma certeza que temos na autonomia do agir natural; este √ļltimo √© qualquer coisa que se produz a si mesma enquanto que o primeiro √© produzido.
O exerc√≠cio da vontade, para ser perfeito e eficaz, tem que se adequar: no plano moral, √† consci√™ncia – a uma consci√™ncia sem erro -, e, no dom√≠nio das artes, √† regra – a uma regra que em nenhum lado est√° enunciada. A consci√™ncia n√£o precisa de nenhum patroc√≠nio, porque tem tudo o que lhe √© necess√°rio e porque s√≥ tem que ver com o mundo pessoal interior. O g√©nio tamb√©m n√£o precisaria de nenhuma regra, mas, uma vez que a sua efic√°cia se dirige para o exterior, est√° na depend√™ncia de m√ļltiplas conting√™ncias materiais e temporais, n√£o lhe sendo poss√≠vel escapar a erros que da√≠ decorrem.

Continue lendo…

Ninguém consegue aventurar-se na poesia coleccionando objectos Рestátuas, estatuetas, jóias, devem ser jóias vivas, olhos de leoas maternas, insuportáveis coisas que nos contemplam, morre-se de ser assim contemplado.

Tu tens um nobre ideal em vista: mas ser√°s tu pr√≥prio feito de uma pedra suficientemente nobre para poder dela tirar a est√°tua do teu deus? E no caso negativo, nada do teu trabalho chegar√° a outro resultado que n√£o seja uma escultura b√°rbara? √Ä inj√ļria do teu ideal?

N√£o Julgues Segundo a Soma

N√£o h√°s-de julgar segundo a soma. Vens-me dizer que n√£o h√° nada a esperar daqueles acol√°. S√£o grosseria, gosto do lucro, ego√≠smo, aus√™ncia de coragem, fealdade. Mas se me podes falar assim das pedras, as quais s√£o rudeza, peso morno e espessura, j√° o n√£o podes daquilo que tiras das pedras: est√°tua ou templo. Quase nunca vi o ser comportar-se como o teriam feito prever as suas partes. Se pegares em vizinhos √† parte, vir√°s a concluir que cada um deles odeia a guerra e n√£o est√° disposto a abandonar o lar, porque ama os filhos e a esposa e as refei√ß√Ķes de anivers√°rio; nem a derramar o sangue, porque √© bom, d√° de comer ao c√£o e faz car√≠cias ao burro, nem a roubar outrem, pois tu bem v√™s que ele apenas preza a sua pr√≥pria casa e puxa o lustro √†s suas madeiras e manda pintar as paredes e perfuma o jardim de flores.
E dir-me-√°s: ¬ęEles representam no mundo o amor √† paz…¬Ľ No entanto, o imp√©rio deles n√£o passa de uma grande terrina onde se vai cozendo a guerra. E a bondade deles e a do√ßura deles pelo animal ferido e a emo√ß√£o deles √† vista de flores n√£o passam de ingrediente de uma magia que prepara o tilintar das armas,

Continue lendo…

Minha Culpa

A Artur Ledesma

Sei l√°! Sei l√°! Eu sei l√° bem
Quem sou?! Um fogo-f√°tuo, uma miragem…
Sou um reflexo… um canto de paisagem
Ou apenas cen√°rio! Um vaiv√©m…

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei l√° quem Sou?! Sei l√°! Sou a roupagem
Dum doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei l√° quem!…

Sou um verme que um dia quis ser astro…
Uma est√°tua truncada de alabastro…
Uma chaga sangrenta do Senhor…

Sei l√° quem sou?! Sei l√°! Cumprindo os fados,
Num mundo de vaidades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador…

Posse Cega

Afligir-se com o que se perdeu e não se rejubilar com o que foi salvo é necedade; só uma criança faria berreiro e atiraria fora o restante dos seus brinquedos se um lhe fosse tomado. Assim procedemos nós, quando a Fortuna nos é adversa num particular: tomamos o resto improfícuo com chorar e lamentarmo-nos.
РQue é que possuímos? Рpode-se perguntar.
Que é que não possuímos? Este homem uma reputação, esse uma família, aquele uma esposa, aquele outro um amigo. No seu leito de morte, Antipater de Tarso fez um inventário das boas coisas que lhe haviam sucedido na vida e nele incluiu, mesmo, uma viagem feliz, que fizera de Cilícia a Atenas. As coisas simples não devem ser negligenciadas, mas levadas em conta. Devemo-nos sentir gratos por estarmos vivos, bem, e por nos ser dado ver o sol; por não haver guerra nem revolução; por a terra e o mar estarem ao dispor de quem deseje plantar ou velejar; por nos ser consentido escolher entre falar e agir ou ficar quietos, em paz, gozando do nosso repouso.
A presença destas bençãos aumentará ainda mais o nosso contentamento se imaginarmos como seria se não estivessem presentes;

Continue lendo…

Em cada bloco de mármore vejo uma estátua; vejo-a tão claramente como se estivesse na minha frente, moldada e perfeita na pose e no efeito. Tenho apenas de desbastar as paredes brutas que aprisionam a adorável aparição para revelá-la a outros olhos como os meus já a vêem.

O homem é feito de água. Seria uma estátua incolor e transparente, quase invisível, se não fosse a armação de pedra em que se firma e as várias imagens misteriosas reflectidas na sua superfície.

Mater Dolorosa

Quando se fez ao largo a nave escura,
na praia essa mulher ficou chorando,
no doloroso aspecto figurando
a lacrimosa est√°tua da amargura.

Dos céus a curva era tranquila e pura;
Das gementes alcíones o bando
Via-se ao longe, em círculos, voando
Dos mares sobre a cérula planura.

Nas ondas se atufara o Sol radioso,
E Lua sucedera, astro mavioso,
De alvor banhando os alcantis das fragas…

E aquela pobre m√£e, n√£o dando conta
Que o sol morrera, e que o luar desponta,
A vista embebe na amplid√£o das vagas…

Est√°tua Falsa

Só de ouro falso os meus olhos se douram;
Sou esfinge sem mistério no poente.
A tristeza das coisas que n√£o foram
Na minha’alma desceu veladamente.

Na minha dor quebram-se espadas de √Ęnsia,
Gomos de luz em treva se misturam.
As sombras que eu dimano n√£o perduram,
Como Ontem, para mim, Hoje é distancia.

Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira j√°, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um arrepio de mêdo!

Sou estrêla ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Est√°tua falsa ainda erguida ao ar…

Tinha certezas imóveis e, no entanto, agora tenho certezas muito mais imóveis. São estátuas para a eternidade. E também, no entanto, a eternidade onde estiver ri-se de mim. Aquilo que é certo, factual, inquestionável, é que devia ter percebido antes, devia ter ouvido as vozes que tentavam avisar-me daquilo que era evidente, daquilo que é evidente agora.

O Sono como Condi√ß√£o de Sa√ļde

Eu presto homenagem √† sa√ļde como a primeira musa, e ao sono como condi√ß√£o de sa√ļde. O sono beneficia-nos principalmente pela sa√ļde que propicia; e tamb√©m ocasionalmente pelos sonhos, em cuja confusa trama uma li√ß√£o divina por vezes se infiltra. A vida d√°-se em breves ciclos ou per√≠odos; depressa nos cansamos, mas rapidamente nos relan√ßamos. Um homem encontra-se exaurido pelo trabalho, faminto, prostrado; ele mal √© capaz de erguer a m√£o para salvar a sua vida; j√° nem pensa. Ele afunda-se no sono profundo e desperta com renovada juventude, cheio de esperan√ßa, coragem, pr√≥digo em recursos e pronto para ousadas aventuras. ¬ęO sono √© como a morte, e depois dele o mundo parece recome√ßar de novo. Pensamentos claros surgem firmes e luminosos, como est√°tuas sob o sol. Refrescada por fontes supra-sens√≠veis, a alma escala a mais clara vis√£o¬Ľ [William Allingham].