Passagens sobre Fascínio

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As pessoas felizes têm o seu valor no nosso mundo, se bem que não se trate senão de um negativo valor de punção. Fazem ressaltar a beleza dos infelizes e o fascínio que estes inspiram.

Arrumar os Mortos

√Č preciso que compreendam: n√≥s n√£o temos compet√™ncia para arrumarmos os mortos no lugar do eterno.
Os nossos defuntos desconhecem a sua condição definitiva: desobedientes, invadem-nos o quotidiano, imiscuem-se do território onde a vida deveria ditar sua exclusiva lei.
A mais séria consequência desta promiscuidade é que a própria morte, assim desrespeitada pelos seus inquilinos, perde o fascínio da ausência total.
A morte deixa de ser a mais incurável e absoluta diferença entre os seres.

Os nossos endinheirados d√£o uma imagem infantil de quem somos. Parecem crian√ßas que entraram numa loja de rebu√ßados. Derretem-se perante o fasc√≠nio de uns bens de ostenta√ß√£o. Servem-se do er√°rio p√ļblico como se fosse a sua panela pessoal. Envergonha-nos a sua arrog√Ęncia, a sua falta de cultura, o seu desprezo pelo povo, a sua atitude elitista para com a pobreza.

O fascínio subtil das convalescenças consiste no seguinte: regressar aos velhos hábitos com a ilusão de os descobrir.

Tu Dás-me Objectivos, Direcção e Felicidade

Eu estava √† procura na ci√™ncia da satisfa√ß√£o que o esfor√ßo da pesquisa e o momento da descoberta oferecem; eu nunca fui daquelas pessoas que n√£o aguentam o pensamento de terem desperdi√ßado a sua vida antes de terem conseguido escrever o seu nome na rocha pelo meio das ondas. Mas quando penso como √© que eu seria se n√£o te tivesse encontrado ‚Äď sem ambi√ß√£o, sem saber desfrutar os pequenos prazeres da vida, sem qualquer fasc√≠nio pela magia do ouro, e ao mesmo tempo dotado de uma intelig√™ncia moderada e sem quaisquer meios materiais ‚Äď iria sentir-me muito miser√°vel e entraria em decl√≠nio. Tu d√°s-me n√£o apenas objectivos e direc√ß√£o, mas tamb√©m tanta felicidade, que nunca poderia sentir-me insatisfeito com o presente infortunado que vivo neste momento; tu d√°s-me esperan√ßa e a certeza do sucesso. Eu sabia-o mesmo antes de tu me amares e sei-o agora que tu me amas, e √© gra√ßas a ti que me tornei um homem auto-confiante e corajoso.

Stabat Mater

(Stabat Mater)

Estava a mãe de pé, já sem o filho
que fora a raz√£o de ter aceite
um quotidiano rasteiro e o prodígio:
entre ambos, n√£o ousava distingui-los.

Traspassara-se quando o viu deixar a casa
para se completar longe das m√£os
que o receberam e fizeram crescer,
– nela sempre menino, e t√£o inerme
que de si nunca o desprenderia.

Soubera que ele fora domado, escarnecido,
mais bem pago para ser mais proveitoso,
soldado em guerras de outros
em que sempre foi um derrotado;
traído por mulheres de uma beleza
não somente fascínio e um ardil,
mas perd√£o para quem por elas se jogasse.
Mais que ninguém, ela sofrera-o sem dizê-lo.

Devolveram-lho por fim, já só em parte,
para uni-lo na cama onde nascera.

Tudo nela ruiu, os seus escombros
s√£o o mais intenso t√ļmulo,
sem ter onde vá sorver a força
para sumir-se no apagamento
de si mesma e de tudo,
até da manhã que a saudou a anunciar-lhe
o fruto que sua flor tinha alcançado.

E pede que nenhuma luz venha acord√°-la.

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Por v√°rias raz√Ķes, Bras√≠lia exerce um fasc√≠nio sobre os cidad√£os dos Estados Unidos. Bras√≠lia √© uma epopeia digna das vastas possibilidades e aspira√ß√Ķes desta na√ß√£o.

Ver coisas que vulgarmente n√£o vemos tem grada√ß√Ķes de repulsa ou fasc√≠nio. H√° um certo pudor quando se v√™ o que est√° debaixo das roupas, e, quando vemos ainda mais fundo, sentimos a vertigem do enjoo, do nojo. Desmaiamos quando vemos sangue. N√£o h√° vis√£o mais terr√≠vel que o interior do homem, seja anatomicamente seja moralmente.

Certos pecados existem cujo fascínio estava mais na lembrança do que no ato de fazê-lo

O que um escritor nos dá não são livros. O que ele nos dá, por via da escrita, é um mundo. Esse universo nós o ignorávamos, mas existia em nós uma silenciosa lembrança de um fascínio perdido. A luz e sombra da página existiam já adormecidas dentro de nós. A leitura nos dá uma espécie de re-encantamento.

O desejo é sempre uma forma de violação, o fascínio inclemente do não-acessível.