Frases sobre Livros de Florbela Espanca

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Frases de livros de Florbela Espanca. As mais belas frases e mensagens de Florbela Espanca para ler e compartilhar.

Tenho dois livros: um de prosa, outro de versos, na gaveta, onde provavelmente ficarão todo o resto da minha vida, pois a minha incapacidade perante a vida prática é cada vez maior, e a minha triste qualidade de inadaptável é cada vez mais forte.

A questão dinheiro não me prende duma maneira exagerada, se bem que me não desagradasse ganhar algum para satisfazer os meus dois vícios: flores e livros.

Os livros – √© o rem√©dio que eu sempre receito e quase sempre d√° um resultado razo√°vel. Ponho em jogo o ego√≠smo humano, e lembro-me de que sempre h√°-de consolar a nossa dor o espect√°culo da dor dos outros…

Sou talvez uma banal menina nervosa, ou uma simples “d√©traqu√©e” que tem contas com a medicina (…) Talvez… N√£o temos ent√£o o direito de gritar a nossa dor, o nosso desespero, o nosso t√©dio, porqu√™? Eu n√£o disse nada disto fosse a quem fosse; tudo isto eu gritei para mim s√≥. Publiquei o meu livro para fazer a vontade a meu pai e a outras pessoas que me pediram a publica√ß√£o dos versos que eu nunca pensei em divulgar…

Dizes tu que os livros te n√£o consolam!? Que te irritam!? Que blasf√©mia, minha J√ļlia! Pois h√° l√° melhores amigos!? Os livros, mas livros destes em que a alma dos bons anda sangrando por todas as suas p√°ginas; livros que eu beijo de joelhos, como se enternecidamente beijasse as m√£os benditas dos que os escreveram! L√™ os versos de Ant√≥nio Nobre, o meu santo poeta da Saudade. L√™ o ¬ęFel¬Ľ de Jos√© Douro, o malogrado poeta esquecido e desprezado. L√™ ¬ęDoida de Amor¬Ľ de Antero de Figueiredo, e depois diz-me se eles te irritam!…

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente dir√°, fechando o livro docemente: – Versos s√≥ nossos, s√≥ de n√≥s os dois!…

Um livro √© uma vaidade! Que importa ao mundo a c√īr da nossa imagina√ß√£o, e as formas do nosso pensamento?

As sensa√ß√Ķes fortes entontecem-me e fazem-me sofrer. A nossa vida neste velho Portugal, vida toda de resigna√ß√£o e sentimentalidade, vida estreita e mesquinha, sem horizontes nem ondas largas, conv√©m mais a uma velhota de 27 anos que vive pela imagina√ß√£o mais do que tu podes imaginar; na minha cadeira da Ilha, com um livro que me encanta sobre o rega√ßo eu viajo, √†s vezes, mais do que os maiores vagabundos, pelo mundo fora.