Se eu lembrasse de deixar a vida por aborrecimento ou capricho, seria você acusado de me haver propinado o veneno?
Interrogativas
1573 resultadosÉ, não sei se Deus está armando? uma arapuca, ou se ele realmente ficou com pena de mim.
Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos e não aguenta os que continuam vivos?
Tens medo de nos atos mostrar-te igual ao que és nos teus anelos?
Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?
Pouco me importa. Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.
Mas o que é a felicidade? Se a alcançássemos, seríamos capazes de possuí-la?
Se tivéssemos uma verdadeira vida não teríamos necessidade de arte. A arte começa precisamente onde cessa a vida real, onde não há mais nada à nossa frente. Será que a arte não é mais do que uma confissão da nossa impotência?
Há várias medidas para medir a vontade humana. A mais exacta e a mais segura é a que se exprime por esta questão: de que esforço sois capazes?
Hoje quer-se fazer a globalização, mas de quê? Fazer tudo por igual? Juntar tudo: um só rei, um só Papa, como nas palavras do Padre António Vieira. Há esse desejo utópico. Mas é difícil chegar lá. Perdem-se pelo caminho, tem-se hesitações e há um retorno à Idade Média, em inverso. Agora são os árabes a quererem destruir o mundo ocidental.
Será possível amar a coletividade sem nunca ter amado profundamente criaturas humanas individuais?
Porque não tentava eu dar forma capaz a tudo quanto dizia, que era realmente belo? Porque não. Porque um homem não se escreve.
Eunice meiga,Eunice linda…Que mais ainda? Eunice Veiga!
Eu existo. É isso uma vida? Não, é vegetar. Parece que é a única filosofia que pode suceder à filosofia do existencialismo: o não-existencialismo, a filosofia da existência não existente.
Mas o que são os vaidosos senão os que temem a sua nudez? Os que evitam o retrato da alma para não lhes descobrir tormento e debilidade?
Se um esforço considerável é uma prova de força, por que um esforço alucinado, febril, seria o contrário?
Existe o imperativo de guardar segredos, e o imperativo de que os conheceres. Como é que sabes que és uma pessoa, distinta das outras? Ao manter certas coisas para ti próprio.
Se reconhecemos que errar é humano, não é sobre-humana crueldade a justiça?
O que é a vida real? Os factos? Não, a vida real só é atingida pelo que há de sonho na vida real.
O amor é prazer, é amor de companhia, é amor de estar junto, precisa de mais coisas. (…) Mas onde é que está o amor completo? Essa ambição mata o amor, esse desejo de tudo ter da outra pessoa, de tudo exigir, de tudo querer, essa ambição leva a desgraça, a drama, a paixão sem controle, folha de árvore a cair no Outono.