Cita√ß√Ķes sobre Furac√Ķes

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Frases sobre furac√Ķes, poemas sobre furac√Ķes e outras cita√ß√Ķes sobre furac√Ķes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Minha √Ārvore

Olha: √Č um tri√Ęngulo est√©ril de √≠nvia estrada!
Como que a erva tem dor… Roem-na amarguras
Talvez humanas, e entre rochas duras
Mostra ao Cosmos a face degradada!

Entre os pedrouços maus dessa morada
√Č que, √†s apalpadelas e √†s escuras,
H√£o de encontrar as gera√ß√Ķes futuras
Só, minha árvore humana desfolhada!

Mulher nenhuma afagar√° meu tronco!
Eu n√£o me abalarei, nem mesmo ao ronco
Do furac√£o que, r√°bido, remoinha…

Folhas e frutos, sobre a terra ardente
H√£o de encher outras √°rvores! Somente
Minha desgraça há de ficar sozinha!

Raios não Peço ao Criador do Mundo

LX

Raios não peço ao Criador do Mundo,
Tormentas n√£o suplico ao Rei dos Mares,
Vulc√Ķes √† terra, furac√Ķes aos ares,
Negros monstros ao b√°ratro profundo:

N√£o rogo ao deus de amor que furibundo
Te arremesse do pé de seus altares;
Ou que a peste mortal voe a teus lares,
E murche o teu semblante rubicundo.

Não imploro em teu dano, ainda que os laços
Urdidos pela fé, com vil mudança
Fizeste, ingrata Nise, em mil pedaços:

Não quero outro despique, outra vingança,
Mais que ver-te em poder de indignos braços,
E dizer quem te perde, e quem te alcança.

N√£o se Pode Viver Assim!

Temos na natureza muitas coisas contra as quais lutar, mas h√° um inimigo pior que todos os furac√Ķes e terramotos, o pr√≥prio ser humano. A natureza com todos os seus vulc√Ķes, terramotos, furac√Ķes e inunda√ß√Ķes n√£o causou tantos mortos como a humanidade causou a si pr√≥pria. Lutas de toda a ordem: guerras religiosas, guerras de interesses materiais, guerras absolutamente absurdas e est√ļpidas, como as din√°sticas.

Soneto de Natal

¬ęE o terceiro Anjo derramou a sua ta√ßa nos rios
e nas fontes, ficando a √°gua da cor do sangue.¬Ľ
Apocalipse, 16:4

N√£o anuncio a paz, mas sim a guerra.
Um. Anjo vingador comigo vem.
Há dois milénios que percorro a Terra
repetindo a mensagem de Belém.

O coração humano endureceu
à força de sentir a Fé perdida.
E o espírito do Bem? Ensurdeceu
no furac√£o das ambi√ß√Ķes da vida.

Por isso trago um Anjo vingador
para ferir de morte a semelhança
do lobo disfarçado de cordeiro:

‚ÄĒ Que se cuide quem n√£o sentir Amor
pois matará em si essa criança
inocente que um dia foi primeiro.

Raízes

Ehrenburg, que lia e traduzia os meus versos, repreendia-me: demasiada raiz, demasiadas ra√≠zes, nos teus versos. Porqu√™ tantas? √Č verdade. As terras fronteiri√ßas do Chile infiltraram as suas ra√≠zes na minha poesia e nunca puderam sair dela. A minha vida √© uma longa peregrina√ß√£o que anda sempre √†s voltas, que retorna sempre ao bosque austral, √† selva perdida.
Ali, √© certo, as grandes √°rvores eram por vezes tombadas por setecentos anos de vida poderosa, ou arrancadas pelo furac√£o, ou queimadas pela neve, ou destru√≠das pelo inc√™ndio. Senti muitas vezes cair na profundidade da floresta as √°rvores tit√Ęnicas: o roble que tomba com estrondo de cat√°strofe surda, como se batesse com m√£o colossal √†s portas da terra pedindo sepultura. As ra√≠zes, por√©m, ficavam a descoberto, entregues ao tempo inimigo, √† humidade, aos l√≠quenes, ao aniquilamento progressivo.
Nada mais belo que aquelas grandes m√£os abertas, feridas e queimadas, que numa vereda do bosque nos indicam o segredo da √°rvore enterrada, o enigma que a folhagem mantinha, os m√ļsculos profundos do dom√≠nio vegetal. Tr√°gicas e hirsutas, mostram-nos uma nova beleza: s√£o esculturas da profundidade ‚ÄĒ obras-primas secretas da natureza.

Certa vez, caminhando com Rafael Alberti entre cascatas, matagais e bosques,

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O Dil√ļvio

H√° muitos dias j√°, h√° j√° bem longas noites
que o estalar dos vulc√Ķes e o atroar das torrentes
ribombam com furor, quais rábidos açoites,
ao crebro rutilar dos coriscos ardentes.

Pradarias, vergéis, hortos, vinhedos, matos,
tudo desapar’ceu ao rude desabar
das constantes, hostis, raivosas cataratas,
que fizeram da Terra um grande e torvo mar.

À flor do torvo mar, verde como as gangrenas,
onde homens e le√Ķes b√≥iam agonizantes,
imprecando com f√ļria e ang√ļstia, erguem-se apenas,
quais monstros colossais, as montanhas gigantes.

√Č a√≠ que, ululando, os homens como as feras
refugiar-se v√£o em tr√°gicos cardumes,
O mar sobe, o mar cresce. e os homens e as panteras,
crianças e reptis caminham para os cumes.

Os fortes, sem haver piedade que os sujeite,
arremessam ao ch√£o pobres velhos cansados.
e as mães largam. cruéis, os filhinhos de leite,
que os que seguem depois pisam, alucinados.

Um sinistro pavor; crescente e sufocante,
desnorteia, asfixia a turba pertinaz:
ouvem-se urros de dor, e os que v√£o adiante
lançam pedras brutais aos que ficam pra trás.

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Podes, ó Tempo, Entrar: Eu Te Convido

Podes, ó Tempo, entrar: eu te convido
A ser hóspede meu, que eu nunca faço
Distinção quando és bom ou mau, pois passo
Os meus dias, de ti nunca esquecido.

Ou me batas à porta, enfurecido,
Envolto em furac√Ķes, com torvo bra√ßo,
Ou entres brandamente, passo a passo,
Cum sorriso na boca apetecido:

Ou me sejas contr√°rio, ou venturoso,
Eu me acomodo a ti e a pouco custo,
Se visitar-me vens, tempestuoso.

√Äs tuas inten√ß√Ķes sempre me ajusto.
Tu, a quem pensa, és sempre proveitoso:
Feliz quem te ama sem pavor nem susto.

O Céu, de Opacas Sombras Abafado

O céu, de opacas sombras abafado,
Tornando mais medonha a noite fea,
Mugindo sobre as rochas, que saltea,
O mar, em crespos montes levantado;

Desfeito em furac√Ķes o vento irado;
Pelos ares zunindo a solta area;
O p√°ssaro nocturno, que vozea
No agoireiro cipreste além pousado;

Formam quadro terrível, mas aceito,
Mas grato aos olhos meus, grato à fereza
Do ci√ļme e saudade, a que ando afeito.

Quer no horror igualar-me a Natureza;
Porém cansa-se em vão, que no meu peito
H√° mais escuridade, h√° mais tristeza.

Flor da Mocidade

Eu conheço a mais bela flor;
√Čs tu, rosa da mocidade,
Nascida, aberta para o amor.
Eu conheço a mais bela flor.
Tem do céu a serena cor,
E o perfume da virgindade.
Eu conheço a mais bela flor,
√Čs tu, rosa da mocidade.

Vive às vezes na solidão,
Coma * filha da brisa agreste.
Teme acaso indiscreta m√£o;
Vive às vezes na solidão.
Poupa a raiva do furac√£o
Suas folhas de azul celeste.
Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.

Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno;
Que a flor morta j√° nada val.
Colhe-se antes que venha o mal.
Quando a terra é mais jovial
Todo o bem nos parece eterno.
Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno.

Comparar-te a um Dia de Ver√£o?

Comparar-te a um dia de ver√£o?
H√° mais ternura em ti, ainda assim:
um maio em flor às mãos do furacão,
o foral do ver√£o que chega ao fim.

Por vezes brilha ardendo o olhar do céu;
outras, desfaz-se a compleição doirada,
perde beleza a beleza; e o que perdeu
vai no acaso, na natureza, em nada.

Mas juro-te que o teu humano ver√£o
ser√° eterno; sempre crescer√°s
indiferente ao tempo na canção;

e, na canção sem morte, viverás:
Porque o mundo, que vê e que respira,
te ver√° respirar na minha lira.

Tradução de Carlos de Oliveira