Passagens sobre Inconsciência

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Frases sobre inconsci√™ncia, poemas sobre inconsci√™ncia e outras passagens sobre inconsci√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

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Testamento Aberto

Só para ver curar minhas pernas partidas
Nas dores eternas
Dos saltos gorados,
Eu amo a aparente inconsciência dos loucos,
Embora fique aos poucos nos meus saltos
Desabridos e falhados.

Apraz-me, no espelho, esta face esmagada,
À força de querer transpor o além
Da minha porta fechada…

Porém,
Seja o que for, que seja,
Se uma CERTEZA alcanço
E uma mulher me beija.

Que importa
Que eu fique molemente olhando a minha porta
Aberta,
Ou que eu parta e a morte me espreite
Num desfiladeiro?…
E quem vir√° chorar e quem vir√°,
Se a morte que vier for a de l√°
Certeira e minha…
E merecida como um sono que se dorme
Ap√≥s a noite perdida?…

E que piedade anda a escrever um fr√°gil,
Na embalagem dos ossos
Que trago emprestados…
Que deixarei ficar ao sol e à chuva
E que ser√£o limados
No entulho dos calhaus que tamb√©m foram rocha?…

Para quê, se mil vezes provoco
Os tombos do chegar e do partir?!

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De repente, como um estampido naquele mundo de inconsciência feliz, chegou a notícia da volta de Gastón. Aureliano e Amaranta Úrsula abriram os olhos, sondaram as almas, se olharam na cara com a mão no coração e compreenderam que estavam tão identificados que preferiam a morte à separação.

Versos A Um C√£o

Que for√ßa pode, adstricta a ambri√Ķes informes,
Tua garganta est√ļpida arrancar
Do segredo da célula ovular
Para latir nas solid√Ķes enormes?!

Esta obnóxia inconsciência, em que tu dormes,
Suficientíssima é, para provar
A incógnita alma, avoenga e elementar
Dos teus antepassados vermiformes.

C√£o! – Alma de inferior rapsodo errante!
Resigna-a, ampara-a, arrima-a, afaga-a, acode-a
A escala dos latidos ancestrais. . .

E irá assim, pelos séculos, adiante,
Latindo a esquisitíssima prosódia
Da ang√ļstia heredit√°ria dos seus pais!

Possuir cada momento, ligar a consci√™ncia a eles, como pequenos filamentos quase impercept√≠veis mas fortes. √Č a vida? Mesmo assim ela me escaparia. Outro modo de capt√°-la seria viver. Mas o sonho √© mais complexo que a realidade, esta me afoga na inconsci√™ncia. O que importa afinal: viver ou saber que se est√° vivendo?

Como Escrever

Minhas intui√ß√Ķes se tornam mais claras ao esfor√ßo de transp√ī-las em palavras. √Č neste sentido, pois, que escrever me √© uma necessidade. De um lado, porque escrever √© um modo de n√£o mentir o sentimento (a transfigura√ß√£o involunt√°ria da imagina√ß√£o √© apenas um modo de chegar); de outro lado, escrevo pela incapacidade de entender, sem ser atrav√©s do processo de escrever. Se tomo um ar herm√©tico, √© que n√£o s√≥ o principal √© n√£o mentir o sentimento como porque tenho incapacidade de transp√ī-lo de um modo claro sem que o minta ‚ÄĒ mentir o pensamento seria tirar a √ļnica alegria de escrever. Assim, tantas vezes tomo um ar involuntariamente herm√©tico, o que acho bem chato nos outros. Depois da coisa escrita, eu poderia friamente torn√°-la mais clara? Mas √© que sou obstinada. E por outro lado, respeito uma certa clareza peculiar ao mist√©rio natural, n√£o substitu√≠vel por clareza outra nenhuma. E tamb√©m porque acredito que a coisa se esclarece sozinha com o tempo: assim como num copo de √°gua, uma vez depositado no fundo o que quer que seja, a √°gua fica clara. Se jamais a √°gua ficar limpa, pior para mim. Aceito o risco. Aceitei risco bem maior, como todo o mundo que vive.

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Sonho De Um Monista

Eu e o esqueleto esqu√°lido de Esquilo
Viaj√°vamos, com urna √Ęnsia sibarita,
Por toda a pr√≥-din√Ęmica infinita,
Na inconsci√™ncia de um zo√≥fito tranq√ľilo.

A verdade espantosa do Protilo
Me aterrava, mas dentro da alma aflita
Via Deus – essa m√īnada esquisita –
Coordenando e animando tudo aquilo!

E eu bendizia, com o esqueleto ao lado,
Na guturalidade do meu brado,
Alheio ao velho c√°lculo dos dias,

Como um pag√£o no altar de Proserpina,
A energia intracósmica divina
Que é o pai e é a mãe das outras energias!

Quem Confia Supera-se

Quanto mais confiante fores, maior ameaça és.

Quem confia supera-se, é maior e mais alto. Conquista mais, é mais forte e vê mais longe. Sabe por onde caminhar, sabe melhor o que não quer e sabe antecipar-se. Vive, portanto, melhor preparado para resistir a tudo e persistir perante qualquer adversidade.

Quem confia sempre alcança.

Somos uma sombra na vida dos encolhidos. Um despertador que n√£o para de lhes gritar aos ouvidos express√Ķes como: ¬ęmexe-te¬Ľ, ¬ęv√™s como eles conseguem¬Ľ, ¬ęn√£o vales nada¬Ľ ou ¬ęquem te dera ser como eles¬Ľ. E isto, naturalmente, incomoda-os. D√°-lhes a volta ao est√īmago. Mas em vez de tal chamariz de verdade os acicatar e os empurrar para a a√ß√£o, acabam por escolher transformar isso em inveja, raiva e √≥dios de estima√ß√£o ao ponto de olharem para ti, n√£o como uma for√ßa inspiradora capaz de lutar por tudo o que quer, mas como um alvo a abater. √Č como se o objetivo das suas vidas passasse a ser a destrui√ß√£o do chato despertador que n√£o para de lhes zumbir a realidade, em lugar de ser a realiza√ß√£o das suas pr√≥prias e eventuais vontades.

Dito isto, prepara-te para teres de lidar com eles todos os dias.

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Vamos Buscar as Nossas Ideias ao Estrangeiro

Que ideias gerais temos? As que vamos buscar ao estrangeiro. Nem as vamos buscar aos movimentos filos√≥ficos profundos do estrangeiro; vamos busc√°-las √† superf√≠cie, ao jornalismo de ideias. E assim as ideias que adoptamos, sem altera√ß√£o nem cr√≠tica, s√£o ou velhas ou superficiais. Falamos a s√©rio nas ideias pol√≠ticas de Le√≥n Blum ou de Edouard Herriot, nenhum dos quais teve alguma vez ideias ‚ÄĒ pol√≠ticas ou outras ‚ÄĒ em sua vida. Falamos a s√©rio em Bourget, Maurras […].

Plagiamos o fascismo e o hitlerismo, plagiamos claramente, com a desvergonha da inconsciência, como a criança imita sem hesitar. Não reparamos que fascismo e hitlerismo, em sua essência, nada têm de novo, porventura nada de aproveitável, como ideias; o que não sabemos imitar, porque seria mais difícil, é a personalidade de Mussolini.

As ideias de Maurras, que qualquer raciocinador hábil desfaz sem dificuldade, se tiver a paciência de vencer o tédio quase insuportável de o ler, passam por leis da natureza, por tão indiscutíveis como, não direi já a teoria atómica, que tem elementos discutíveis, mas o coeficiente de dilatação do ferro, ou a lei de Boyle ou de Mariotte.

Temos poetas de mérito. Que fazem eles?

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A Raiz do Vício

Um v√≠cio, apesar de ser uma terr√≠vel depend√™ncia e um p√©ssimo h√°bito, √© um escape maravilhoso e uma profunda ilus√£o acerca do ¬ęsentir bem¬Ľ. Quando n√£o tens nada para fazer ou n√£o sabes como te acalmar fumas uns cigarros ou coisas do g√©nero, entopes-te de comida, bebes uns copos e assim andas sempre ocupado e falsamente tranquilo, pois ap√≥s o efeito seja do que for voltas ao mesmo estado em que te encontravas. Perd√£o, n√£o me fiz entender bem: fumas sem vontade de fumar, comes sem vontade de comer e bebes sem vontade de beber. Isto √© ser viciado, √© pura polui√ß√£o, sobretudo quando n√£o existe um desejo natural de faz√™-lo. Esclarecido? √ďtimo. J√° percebeste o teu desafio? N√£o, n√£o √© deixares de ser um viciado, isso n√£o √© um problema porque tens consci√™ncia que o √©s, logo, podes mudar quando entenderes apaixonar-te por ti, o problema √© outro e, se queres saber, bem mais s√©rio. Consegues descobri-lo? Era excelente se o dissesses antes de me leres: significaria que tamb√©m j√° estarias consciente disso e, nesse sentido, deixaria de ser mais um problema na tua vida. Os problemas s√£o, √ļnica e exclusivamente, fruto da inconsci√™ncia, pois quando se tem consci√™ncia do que se passa j√° n√£o √© um problema,

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Conhecer-se é Errar

O homem superior difere do homem inferior, e dos animais irm√£os deste, pela simples qualidade da ironia. A ironia √© o primeiro ind√≠cio de que a consci√™ncia se tornou consciente. E a ironia atravessa dois est√°dios: o est√°dio marcado por S√≥crates, quando disse ¬ęsei s√≥ que nada sei¬Ľ, e o est√°dio marcado por Sanches, quando disse ¬ęnem sei se nada sei¬Ľ. O primeiro passo chega √†quele ponto em que duvidamos de n√≥s dogmaticamente, e todo o homem superior o d√° e atinge. O segundo passo chega √†quele ponto em que duvidamos de n√≥s e da nossa d√ļvida, e poucos homens o t√™m atingido na curta extens√£o j√° t√£o longa do tempo que, humanidade, temos visto o sol e a noite sobre a v√°ria superf√≠cie da terra.
Conhecer-se √© errar, e o or√°culo que disse ¬ęConhece-te¬Ľ prop√īs uma tarefa maior que as de H√©rcules e um enigma mais negro que o da Esfinge. Desconhecer-se conscientemente, eis o caminho. E desconhecer-se conscienciosamente √© o emprego activo da ironia. Nem conhe√ßo coisa maior, nem mais pr√≥pria do homem que √© deveras grande, que a an√°lise paciente e expressiva dos modos de nos desconhecermos, o registo consciente da inconsci√™ncia das nossas consci√™ncias, a metaf√≠sica das sombras aut√≥nomas,

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A Aprendizagem da Apreciação da Poesia

Pode-se dizer que toda a poesia parte das emo√ß√Ķes experimentadas pelos seres humanos nas rela√ß√Ķes consigo pr√≥prios, uns com os outros, com entes divinos e com o mundo √† sua volta; por isso, ocupa-se tamb√©m do pensamento e da ac√ß√£o que a emo√ß√£o provoca, e de que a emo√ß√£o resulta. Todavia, por mais primitiva que seja a fase de express√£o e de aprecia√ß√£o, a fun√ß√£o da poesia nunca pode ser unicamente despertar estas mesmas emo√ß√Ķes no audit√≥rio do poeta.
Na poesia mais primitiva, ou na frui√ß√£o mais rudimentar da poesia, a aten√ß√£o do ouvinte dirige-se para o assunto; o efeito da arte po√©tica sente-se sem o ouvinte estar totalmente c√īnscio desta arte. Com o desenvolvimento da consci√™ncia da linguagem h√° outra fase em que o ouvinte, que pode nessa altura ter-se transformado no leitor, est√° consciente de um duplo interesse numa hist√≥ria por si pr√≥pria e no modo como √© contada: isto √©, torna-se consciente do estilo. Ent√£o podemos sentir deleite na discrimina√ß√£o entre os modos como diferentes poetas tratar√£o o mesmo assunto; uma aprecia√ß√£o que n√£o √© simplesmente de melhor ou pior, mas de diferen√ßas entre estilos que s√£o igualmente admirados. Numa terceira fase de desenvolvimento, o assunto pode recuar para √ļltimo plano: em vez de ser o prop√≥sito do poema,

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O segredo da nossa vida moral não reside na etérea consciência, mas nas profundas da inconsciência, onde rastejam a dissimulação, a crueldade, o medo e outras virtudes adquiridas nos combates.

Hábito e Inércia

Ao princípio, somos carne animada pela alma; a meio caminho, meias máquinas; perto do fim, autómatos rígidos e gelados como cadáveres. Quando a morte chega, encontramo-nos em tudo semelhantes aos mortos. Esta petrificação progressiva é obra do hábito.
O hábito torna-nos cegos às maravilhas do mundo Рindiferentes e inconscientes perante os milagres quotidianos -, embota a força dos sentidos e dos sentimentos Рtorna-nos escravos dos costumes, mesmo tristes e culpados: suprime a vista, espanto, fogo e liberdade. Escravos, frígidos, insensatos, cegos: tudo propriedade dos cadáveres. A subjugação aos hábitos é uma subjugação da morte; um suicídio gradual do espírito.
O h√°bito suprime as cores, incrusta, esconde: partes da nossa vida afundam-se gradualmente na inconsci√™ncia e deixam de ser vida para se tornarem pe√ßas de um mecanismo imprevisto. O c√≠rculo do espont√Ęneo reduz-se; a liberdade e novidade decaem na monotonia do vulgar.
√Č como se o sangue se tornasse, a pouco e pouco, s√≥lido como os ossos e a alma um sistema de correias e rodas. A mat√©ria n√£o passa de esp√≠rito petrificado pelos h√°bitos. Nasce-se esp√≠rito e mat√©ria e termina-se apenas como mat√©ria. A casca converteu em madeira a pr√≥pria linfa.
A casca é necessária para proteger o albume,

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Criação

H√° no amor um momento de grandeza,
que é de inconsciência e de êxtase bendito:
os dois corpos s√£o toda a Natureza,
as duas almas s√£o todo o Infinito.

√Č um mist√©rio de for√ßa e de surpresa!
Estala o coração da terra aflito;
rasga-se em luz fecunda a esfera acesa,
e de todos os astros rompe um grito.

Deus transmite o seu h√°lito aos amantes:
cada beijo é a sanção dos Sete Dias,
e a Gênese fulgura em cada abraço;

Porque, entre as duas bocas soluçantes,
rola todo o Universo, em harmonias
e em florifica√ß√Ķes, enchendo o espa√ßo!

O Provincianismo Português (I)

Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civiliza√ß√£o sem tomar parte no desenvolvimento superior dela ‚ÄĒ em segui-la pois mimeticamente, com uma subordina√ß√£o inconsciente e feliz. O s√≠ndroma provinciano compreende, pelo menos, tr√™s sintomas flagrantes: o entusiasmo e admira√ß√£o pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admira√ß√£o pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se h√° caracter√≠stico que imediatamente distinga o provinciano, √© a admira√ß√£o pelos grandes meios. Um parisiense n√£o admira Paris; gosta de Paris. Como h√°-de admirar aquilo que √© parte dele? Ningu√©m se admira a si mesmo, salvo um paran√≥ico com o del√≠rio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do “Orpheu”, disse a M√°rio de S√°-Carneiro: “V. √© europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. √© v√≠tima da educa√ß√£o portuguesa. V. admira Paris,

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Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macamb√ļzio, fatalista e son√Ęmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de mis√©rias, sem uma rebeli√£o, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem j√° com as orelhas √© capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, n√£o se lembrando nem donde vem, nem onde est√°, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e √© bom, e guarda ainda na noite da sua inconsci√™ncia como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em sil√™ncio escuro de lagoa morta. [.]

Uma burguesia, c√≠vica e politicamente corrupta at√© √† medula, n√£o descriminando j√° o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem car√°cter, havendo homens que, honrados na vida √≠ntima, descambam na vida p√ļblica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a inf√Ęmia, da mentira a falsifica√ß√£o, da viol√™ncia ao roubo, donde provem que na pol√≠tica portuguesa sucedam, entre a indiferen√ßa geral, esc√Ęndalos monstruosos, absolutamente inveros√≠meis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfreg√£o de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdica√ß√£o un√Ęnime do Pa√≠s.

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Se te Queres Matar

Se te queres matar, por que n√£o te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, tamb√©m me mataria…
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de conven√ß√Ķes e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conhe√ßas finalmente…
Talvez, acabando, comeces…
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E n√£o cantes, como eu, a vida por bebedeira,
N√£o sa√ļdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? √ď sombra f√ļtil chamada gente!
Ningu√©m faz falta; n√£o fazes falta a ningu√©m…
Sem ti correr√° tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te…
Talvez peses mais durando, que deixando de durar…

A m√°goa dos outros?… Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorar√£o…
O impulso vital apaga as l√°grimas pouco a pouco,

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Ela Canta, Pobre Ceifeira

Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e an√īnima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E h√° curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz h√° o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais raz√Ķes pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem raz√£o!
O que em mim sente ‚Äėst√° pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consci√™ncia disso! √ď c√©u!
√ď campo! √ď can√ß√£o! A ci√™ncia

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro!
Tornai Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!