Passagens sobre Insolentes

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Frases sobre insolentes, poemas sobre insolentes e outras passagens sobre insolentes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A boa sorte dos homens é muitas vezes o maior inimigo que possam ter, pois frequentemente os transforma em seres maus, levianos, insolentes. Porém, é mais difícil para um homem resistir a ela do que às adversidades.

Velho Tema II

Eu cantarei de amor t√£o fortemente
Com tal celeuma e com tamanhos brados
Que afinal teus ouvidos, dominados,
Hão de à força escutar quanto eu sustente.

Quero que meu amor se te apresente
– N√£o andrajoso e mendigando agrados,
Mas tal como é: risonho e sem cuidados,
Muito de altivo, um tanto de insolente.

Nem ele mais a desejar se atreve
Do que merece: eu te amo, o meu desejo
Apenas cobra um bem que se me deve.

Clamo, e não gemo; avanço, e não rastejo;
E vou de olhos enxutos e alma leve
À galharda conquista do te beijo.

A Liberdade de Imprensa

A censura e a liberdade de imprensa h√£o-de continuar sempre a sua luta. O poderoso exige e exerce a censura; o homem sem poderes reclama a liberdade de imprensa. O primeiro quer ser obedecido, em vez de ser limitado nos seus planos ou na sua actividade por uma contradi√ß√£o insolente. O segundo quer dar voz √†s raz√Ķes que lhe legitimam a desobedi√™ncia. Por toda a parte se encontrar√° uma tal oposi√ß√£o.
Notar-se-à contudo também que, à sua maneira, o mais fraco, o que sofre a dominação, procura igualmente limitar a liberdade de imprensa, nomeadamente quando conspira e procura não ser traído.
Ninguém clama tanto por liberdade de imprensa como aquele que a quer perverter.

O Bem Supremo

Muito discutiu a antiguidade em torno do supremo bem. O que √© o supremo bem? Seria o mesmo que perguntar o que √© o supremo azul, o supremo acepipe, o supremo andar, o ler supremo, etc. Cada um p√Ķe a felicidade onde pode, e quanto pode ao seu gosto. (…) Sumo bem √© o bem que vos deleita a ponto de nos polarizar toda a sensibilidade, assim como mal supremo √© aquele que vos torna completamente insens√≠vel. Eis os dois p√≥los da natureza humana. Esses dois momentos s√£o curtos. N√£o existem deleites extremos nem extremos tormentos capazes de durar a vida inteira. Supremo bem e supremo mal s√£o quimeras.Conhecemos a bela f√°bula de Cr√Ęntor, que fez comparecer aos jogos ol√≠mpicos a Fortuna, a Vol√ļpia, a Sa√ļde e a Virtude.
Fortuna: РO sumo bem sou eu, pois comigo tudo se obtém.
Vol√ļpia: – Meu √© o pomo, porquanto n√£o se aspira √† riqueza sen√£o para ter-me a mim.
Sa√ļde: – Sem mim n√£o h√° vol√ļpia e a riqueza seria in√ļtil.
Virtude: – Acima da riqueza, da vol√ļpia e da sa√ļde estou eu, que embora com ouro, prazeres e sa√ļde pode haver infelicidade, se n√£o h√° virtude.

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Quem n√£o sabe encontrar o caminho para o ¬ęseu¬Ľ ideal vive de um modo mais leviano e insolente que o homem sem ideal.

O Teatro do Trabalho

A maior parte da humanidade, sobretudo na Europa Central, simula trabalho, faz ininterruptamente teatro com o trabalho e aperfei√ßoa at√© √† idade avan√ßada esse trabalho teatralizado, que tem t√£o pouco a ver com o verdadeiro trabalho como o verdadeiro e aut√™ntico teatro com a vida real e verdadeira. No entanto, dado que as pessoas preferem sempre ver a vida como teatro a ver a pr√≥pria vida, que, em √ļltima an√°lise, lhes parece demasiado penosa e seca, como uma insolente humilha√ß√£o, preferem fazer teatro a viver, fazer teatro a trabalhar. (…) Mas n√£o √© s√≥ nas chamadas classes mais altas que hoje o trabalho √© geralmente j√° mais fingido que realmente feito, tamb√©m entre as pessoas ditas mais simples esse teatro est√° bastante divulgado, as pessoas fingem trabalho por toda a parte, simulam actividade, quando, na realidade, apenas passam o tempo a mandriar e n√£o fazem absolutamente nada e, em geral, em vez de se tornarem √ļteis, causam ainda por cima o maior preju√≠zo.
A maior parte dos trabalhadores e oper√°rios julga hoje que basta vestir o fato-macado azul, sem fazer seja o que for, para j√° n√£o falar numa actividade √ļtil, e faz do trabalho um teatro, e o seu traje √© o fato-macaco azul que ostenta enfaticamente durante todo o dia,

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Ilustre O Dino Ramo Dos Meneses

Ilustre o dino ramo dos Meneses,
aos quais o prudente e largo Céu
(que errar n√£o sabe), em dote concedeu
rompesse os maométicos arneses;

desprezando a Fortuna e seus reveses,
ide para onde o Fado vos moveu;
erguei flamas no Mar alto Eritreu,
e sereis nova luz aos Portugueses.

Oprimi com t√£o firme e forte peito
o Pirata insolente, que se espante
e trema Taprobana e Gedrosia.

Dai nova causa à cor do Arabo estreito:
assi que o roxo mar, daqui em diante,
o seja só co sangue de Turquia!

Anjo √Čs

Anjo és tu, que esse poder
Jamais o teve mulher,
Jamais o h√°-de ter em mim.
Anjo és, que me domina
Teu ser o meu ser sem fim;
Minha raz√£o insolente
Ao teu capricho se inclina,
E minha alma forte, ardente,
Que nenhum jugo respeita,
Covardemente sujeita
Anda humilde a teu poder.
Anjo és tu, não és mulher.

Anjo és. Mas que anjo és tu?
Em tua fronte anuviada
N√£o vejo a c’roa nevada
Das alvas rosas do céu.
Em teu seio ardente e nu
Não vejo ondear o véu
Com que o s√īfrego pudor
Vela os mist√©rios d’amor.
Teus olhos têm negra a cor,
Cor de noite sem estrela;
A chama é vivaz e é bela,
Mas luz não têm. РQue anjo és tu?
Em nome de quem vieste?
Paz ou guerra me trouxeste
De Jeov√° ou Belzebu?

Não respondes Рe em teus braços
Com frenéticos abraços
Me tens apertado, estreito!…
Isto que me cai no peito
Que foi?… – L√°grima? – Escaldou-me…
Queima,

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Loira

Eu descia o Chiado lentamente
Parando junto às montras dos livreiros
Quando passaste ir√īnica e insolente,
Mal pousando no chão os pés ligeiros.

O céu nublado ameaçava chuva,
Saía gente fina de uma igreja;
Destacavam no traje de vi√ļva
Teus cabelos de um louro de cerveja.

E a mim, um desgraçado a quem seduzem
Compara√ß√Ķes estranhas, sem raz√£o,
Lembrou-me este contraste o que produzem
Os gal√Ķes sobre os panos de um caix√£o.

Eu buscava uma rima bem intensa
Para findar uns versos com amor;
Olhaste-me com cega indiferença
Através do lorgnon provocador.

Detinham-se a medir tua eleg√Ęncia
Os dandies com aprumo e galhardia;
Segui-te humildemente e a dist√Ęncia,
N√£o fosses suspeitar que te seguia.

E pensava de longe, triste e pobre,
Desciam pela rua umas varinas
Como podias conservar-te sobre
O salto exagerado das botinas.

E tu, sempre febril, sempre inquieta,
Havia pela rua uns charcos de √°gua
Ergueste um pouco a saia sobre a an√°gua
De um tecido ligeiro e violeta.

Adorável! Na idéia de que agora
A branda an√°gua a levantasse o vento
Descobrindo uma curva sedutora,

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Os Arlequins – S√°tira

Musa, dep√Ķe a lira!
Cantos de amor, cantos de glória esquece!
Novo assunto aparece
Que o gênio move e a indignação inspira.
Esta esfera é mais vasta,
E vence a letra nova a letra antiga!
Musa, toma a vergasta,
E os arlequins fustiga!

Como aos olhos de Roma,
‚ÄĒ Cad√°ver do que foi, p√°vido imp√©rio
De Caio e de Tib√©rio, ‚ÄĒ
O filho de Agripina ousado assoma;
E a lira sobraçando,
Ante o povo idiota e amedrontado,
Pedia, ameaçando,
O aplauso acostumado;

E o povo que beijava
Outrora ao deus Calígula o vestido,
De novo submetido
Ao régio saltimbanco o aplauso dava.
E tu, tu n√£o te abrias,
√ď c√©u de Roma, √† cena degradante!
E tu, tu não caías,
√ď raio chamejante!

Tal na história que passa
Neste de luzes século famoso,
O engenho portentoso
Sabe iludir a néscia populaça;
N√£o busca o mal tecido
Canto de outrora; a moderna insolência
N√£o encanta o ouvido,
Fascina a consciência!

Vede; o aspecto vistoso,
O olhar seguro,

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A Instabilidade e Imprevisibilidade do Nosso Comportamento

N√£o deveis estranhar se hoje vedes poltr√£o aquele que ontem vistes t√£o intr√©pido: ou a c√≥lera, ou a necessidade, ou a companhia, ou o vinho, ou o som de uma trombeta, tinham-lhe incutido coragem. N√£o se trata de uma coragem que a raz√£o haja modelado; foram as circunst√Ęncias que lhe deram consist√™ncia; n√£o espanta, pois, que circunst√Ęncias contr√°rias a tenham transformado.
Esta t√£o flex√≠vel varia√ß√£o e estas contradi√ß√Ķes que em n√≥s se v√™em, fizeram com que alguns imaginassem termos duas almas, e que outros supusessem que dois poderes nos acompanham e agitam, cada qual √† sua maneira, um tendendo para o bem, o outro para o mal, j√° que t√£o brutal diversidade n√£o poderia atribuir-se a uma s√≥ entidade.
N√£o somente o vento dos acidentes me agita consoante a direc√ß√£o para que sopra, mas, ademais, eu agito-me e perturbo-me a mim pr√≥prio pela instabilidade da minha postura; e quem, antes do mais, se observar, nunca se achar√° duas vezes no mesmo estado. Confiro √† minha alma ora um rosto ora outro, conforme o lado sobre que a pousar. Se falo de mim de diferentes maneiras √© porque de maneiras diferentes me observo. Toda a sorte de contradi√ß√Ķes se podem encontrar em mim sob algum ponto de vista e sob alguma forma.

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