Cita√ß√Ķes sobre Intimidade

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Frases sobre intimidade, poemas sobre intimidade e outras cita√ß√Ķes sobre intimidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Se nos dispers√°ssemos um pouco, poder√≠amos navegar apraz√≠vel e gradualmente para latitudes de intimidade que jamais se alcan√ßam nos sal√Ķes.

De vez em quando, certas conversas dirigem-se para um ponto em que se fala das primeiras recorda√ß√Ķes. Para que uma conversa toque esse ponto √© preciso que exista uma certa intimidade e que haja tempo suficiente para se chegar a um assunto t√£o importante para cada um de n√≥s e t√£o desinteressante para todos os outros.

O espelho provoca em mim o estranho efeito de por vezes me dar a violenta estalada da realidade, por outras elevar-me à dimensão do sonho, da ficção, de uma verdade essencial que se deposita cá dentro e que, por timidez, evita sair senão em momentos de alguma intimidade.

Ser Marginal

Ser marginal. N√£o ser fora-da-lei por desprezo da norma comum. Por amoralidade, miserabilismo, ou abjec√ß√£o. Ser apenas do lado da vida em que n√£o passa muita gente, se √© quase an√≥nimo, fora do alvo que √© visado pela notoriedade, curiosidade p√ļblica, grande reputa√ß√£o. Ser em humildade, na discri√ß√£o de n√≥s, na curta dimens√£o de n√≥s. N√£o √© por comodismo, orgulhosa mod√©stia, ressentimento. N√£o por nada disso ou outras coisas disso, mas s√≥ para nos n√£o perdermos de n√≥s, n√£o nos esbanjarmos na invas√£o da dissipa√ß√£o alheia. N√£o por nada disso mas s√≥ pela economia do pouco que nos pertence e mal d√° para abastecer uma vida. Ser marginal – s√™ marginal. Afecta a ti pr√≥prio o espa√ßo que √© para ti e para ti te foi dado. Na intimidade de ti, na reserva de ti, na pobreza de ti. O mais que viesse e te invadisse o teu espa√ßo, que √© que te dava? A amplia√ß√£o do teu rumor na amplifica√ß√£o alheia dele, seria alheio e n√£o teu. A tua voz √© breve, n√£o a amplies ao que n√£o √©. E o teu pensar, o teu sentir, o teu ser. N√£o os sejas mais do que √©s. E ent√£o verdadeiramente ser√°s.

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Alimentar o Ego

Para quem faz do sonho a vida, e da cultura em estufa das suas sensa√ß√Ķes uma religi√£o e uma pol√≠tica, para esse primeiro passo, o que acusa na alma que ele deu o primeiro passo, √© o sentir as coisas m√≠nimas extraordin√°ria ‚ÄĒ e desmedidamente. Este √© o primeiro passo, e o passo simplesmente primeiro n√£o √© mais do que isto. Saber p√īr no saborear duma ch√°vena de ch√° a vol√ļpia extrema que o homem normal s√≥ pode encontrar nas grandes alegrias que v√™m da ambi√ß√£o subitamente satisfeita toda ou das saudades de repente desaparecidas, ou ent√£o nos actos finais e carnais do amor; poder encontrar na vis√£o dum poente ou na contempla√ß√£o dum detalhe decorativo aquela exaspera√ß√£o de senti-los que geralmente s√≥ pode dar, n√£o o que se v√™ ou o que se ouve, mas o que se cheira ou se gosta ‚ÄĒ essa proximidade do objecto da sensa√ß√£o que s√≥ as sensa√ß√Ķes carnais ‚ÄĒ o tacto, o gosto, o olfacto – esculpem de encontro √† consci√™ncia; poder tornar a vis√£o interior, o ouvido do sonho ‚ÄĒ todos os sentidos supostos e do suposto ‚ÄĒ recebedores e tang√≠veis como sentidos virados para o externo: escolho estas, e as an√°logas suponham-se,

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As Necessidades Reais S√£o Muito Poucas

Os apetites s√£o ou naturais e necess√°rios, como o beber e comer; ou naturais e n√£o necess√°rios, como a intimidade com as mulheres; ou n√£o s√£o nem naturais, nem necess√°rios: desta √ļltima esp√©cie s√£o quase todos os dos homens; s√£o todos sup√©rfluos e artificiais, pois √© admir√°vel qu√£o pouco √© necess√°rio √† natureza para se contentar, qu√£o pouco ela nos deixou para desejar.

Com a intimidade, com o amor, com a sua abertura a muita gente, fica mais rico. E se puder viver em amor profundo, em amizade profunda, em intimidade profunda com muitas pessoas, terá vivido de maneira acertada e, onde quer que por acaso esteja, aprendeu a arte e também aí viverá, felizmente.

N√£o Consigo Viver em Literatura

Por mais que o deseje, n√£o consigo viver em literatura. Felizes os que o conseguem. Viver em literatura √© suprimir toda a interfer√™ncia do que lhe √© exterior – desde o peso das pedradas ao das flores da ova√ß√£o. Suprimir mesmo ou sobretudo a conversa sobre ela, desde a dos jornais √† dos amigos. Fazer da literatura um meio enclausurado em que a respiremos at√© √† intoxica√ß√£o e nada dele transpire para a exterioridade. Viver a arte como uma m√≠stica, um transporte de inebriamento, uma ilumina√ß√£o da gra√ßa, uma inteira absor√ß√£o como de um v√≠cio inconfess√°vel. Viv√™-la na intimidade de uma absoluta solid√£o em que toda a amea√ßa de p√ļblico esteja ausente como numa ilha que a impossibilidade de comunica√ß√£o tornasse de facto deserta. Os rec√©m-casados isolam-se para defenderem dos outros a m√≠nima parcela da paix√£o. A vida em arte devia ser uma viagem de n√ļpcias sem retorno. S√≥ ent√£o se conheceria tudo o que a arte √© para n√≥s e a inteira verdade com que n√≥s somos para ela. Mas n√£o. H√° que viver uma vida d√ļplice entre o estar a s√≥s com ela e o permanente conv√≠vio, nem que sejam uns breves instantes √† porta com os indiferentes e os maledicentes e os curiosos e mesmo os admiradores de que se necessita na nossa inferioridade moral para nos confirmarem no bom resultado da aposta.

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Amor e Intimidade

Toda a gente tem medo da intimidade ‚ÄĒ ter ou n√£o ter consci√™ncia desse medo √© outra hist√≥ria. A intimidade significa expor-se perante um estranho ‚ÄĒ e todos n√≥s somos estranhos; ningu√©m conhece ningu√©m. Somos mesmo estranhos a n√≥s pr√≥prios, porque n√£o sabemos quem somos.
A intimidade aproxima-o de um estranho. Tem de deixar cair todas as suas defesas; s√≥ assim a intimidade √© poss√≠vel. E o seu medo √© que se deixar cair todas as suas defesas, todas as suas m√°scaras, quem sabe o que o estranho lhe poder√° fazer. Todos n√≥s andamos a esconder mil e uma coisas, n√£o s√≥ dos outros mas de n√≥s pr√≥prios, porque fomos criados por uma humanidade doente com toda a esp√©cie de repress√Ķes, inibi√ß√Ķes e tabus. E o medo √© que, com algu√©m que seja um estranho ‚ÄĒ e n√£o importa se se viveu com a pessoa durante trinta ou quarenta anos; a estranheza nunca desaparece ‚ÄĒ, parece mais seguro manter uma ligeira defesa, uma pequena dist√Ęncia, porque algu√©m se poder√° aproveitar das suas fraquezas, da sua fragilidade, da sua vulnerabilidade.
Toda a gente tem medo da intimidade. O problema torna-se mais complicado porque toda a gente quer intimidade. Toda a gente quer intimidade porque,

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Se n√£o deixar cair todas as suas repress√Ķes e inibi√ß√Ķes ‚Äď que s√£o a heran√ßa da sua religi√£o, da sua cultura, da sua sociedade, dos seus pais, da sua educa√ß√£o ‚Äď nunca conseguir√° estabelecer intimidade com ningu√©m. E ter√° de ser voc√™ a tomar a iniciativa.

A Vida Oblíqua

S√≥ agora pressenti o obl√≠quo da vida. Antes s√≥ via atrav√©s de cortes retos e paralelos. N√£o percebia o sonso tra√ßo enviesado. Agora adivinho que a vida √© outra. Que viver n√£o √© s√≥ desenrolar sentimentos grossos ‚ÄĒ √© algo mais sortil√©gico e mais gr√°cil, sem por isso perder o seu fino vigor animal. Sobre essa vida insolitamente enviesada tenho posto minha pata que pesa, fazendo assim com que a exist√™ncia fene√ßa no que tem de obl√≠quo e fortuito e no entanto ao mesmo tempo sutilmente fatal. Compreendi a fatalidade do acaso e n√£o existe nisso contradi√ß√£o.

A vida oblíqua é muito íntima. Não digo mais sobre essa intimidade para não ferir o pensar-sentir com palavras secas. Para deixar esse oblíquo na sua independência desenvolta.
E conheço também um modo de vida que é suave orgulho, graça de movimentos, frustração leve e contínua, de uma habilidade de esquivança que vem de longo caminho antigo. Como sinal de revolta apenas uma ironia sem peso e excêntrica. Tem um lado da vida que é como no inverno tomar café num terraço dentro da friagem e aconchegada na lã.
Conheço um modo de vida que é sombra leve desfraldada ao vento e balançando leve no chão: vida que é sombra flutuante,

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Os Laços Afetivos

Criar intimidade entre si e outra pessoa não implica perder a sua noção de Eu nem diluir-se no outro. Para criar efetivamente laços com outra pessoa, ambos têm de manter a sua integridade e individualidade. Caso contrário, o resultado será uma amálgama disfuncional. Para estabelecer uma analogia com o corpo humano, as células dos olhos criam uma ligação entre si para permitir a visão. Cada célula tem de se articular com todas as outras e isso implica que cada uma delas mantenha a sua estrutura e função individuais ao serviço da operação mais complexa da visão. Quando estabelecemos laços com outros, estamos simplesmente a ser aquilo que somos enquanto partilhamos um objetivo ou atividade comuns.

√Č t√£o simples quanto isso. Talvez saia com um grupo de pessoas para garantir um parecer favor√°vel na reuni√£o da tarde e entretanto desenvolva um sentimento de camaradagem e acabem por ir jantar fora e partilhar as vossas hist√≥rias. Esta √© uma experi√™ncia de cria√ß√£o de la√ßos afetivos. Ao contr√°rio de certos medos que possamos ter do que possa levar-nos a perder a identidade, a cria√ß√£o de la√ßos afetivos saud√°veis fortalece a nossa confian√ßa e autoestima.

Regras Básicas de Avaliação do Amante

Para avaliar o amor da vossa amante, lembrai-vos:
1¬ļ – De que, quanto mais prazer f√≠sico entrou na base do vosso amor, no que noutros tempos determinou a intimidade, tanto mais ele est√° sujeito √† infidelidade. Isto aplica-se sobretudo aos amores cuja cristaliza√ß√£o foi favorecida pelo fogo da juventude, aos dezasseis anos.
2¬ļ – De que o amor de duas pessoas que amam n√£o √© quase nunca o mesmo. O amor-paix√£o tem as suas fases durante as quais, e sucessivamente, um dos dois ama mais que o outro. Muitas vezes a simples galanteria ou o amor de vaidade responde ao amor-paix√£o, e √© sobretudo a mulher que ama com exalta√ß√£o. Qualquer que seja o amor sentido por um dos dois amantes, a partir do momento em que sente c√≠umes, exige do outro que preencha as condi√ß√Ķes do amor-paix√£o; a vaidade simula nele todas as necessidades de um cora√ß√£o terno.
Finalmente, nada aborrece tanto o amor-gosto como a existência do amor-paixão no outro ou outra.
Muitas vezes um homem de espírito, ao fazer a corte a uma mulher, não consegue senão fazê-la pensar no amor e enternecer-lhe a alma. Ela recebe bem este homem que lhe dá um tal prazer.

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Amor n√£o Tem N√ļmero

Se voc√™ n√£o tomar cuidado vira n√ļmero at√© para si mesmo. Porque a partir do instante em que voc√™ nasce classificam-no com um n√ļmero. Sua identidade no F√©lix Pacheco √© um n√ļmero. O registro civil √© um n√ļmero. Seu t√≠tulo de eleitor √© um n√ļmero. Profissionalmente falando voc√™ tamb√©m √©. Para ser motorista, tem carteira com n√ļmero, e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte √© identificado com um n√ļmero. Seu pr√©dio, seu telefone, seu n√ļmero de apartamento ‚ÄĒ tudo √© n√ļmero.
Se √© dos que abrem credi√°rio, para eles voc√™ √© um n√ļmero. Se tem propriedade, tamb√©m. Se √© s√≥cio de um clube tem um n√ļmero. Se √© imortal da Academia Brasileira de Letras tem o n√ļmero da cadeira.
√Č por isso que vou tomar aulas particulares de Matem√°tica. Preciso saber das coisas. Ou aulas de F√≠sica. N√£o estou brincando: vou mesmo tomar aulas de Matem√°tica, preciso saber alguma coisa sobre c√°lculo integral.
Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também.
Se √© contribuinte de qualquer obra de benefic√™ncia tamb√©m √© solicitado por um n√ļmero. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de neg√≥cio recebe um n√ļmero. Para tomar um avi√£o,

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H√° momentos e situa√ß√Ķes em que o olhar comunica mais que as palavras, isso tamb√©m √© intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas cosas sem falar, √© o outro que tamb√©m tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa rela√ß√£o de intimidade e de amizade, n√£o √© necess√°rio falar. (…) Frequentemente √© melhor n√£o o fazer porque as palavras est√£o muito gastas.

O Entendimento das Almas

As almas t√™m um modo especial de se entenderem, de entrarem em intimidade, de se tratarem, at√©, por tu, enquanto as pessoas ainda se sentem embara√ßadas com o com√©rcio das palavras, na escravid√£o das exig√™ncias sociais. As almas t√™m necessidades pr√≥prias e aspira√ß√Ķes pr√≥prias, que o corpo finge n√£o reconhecer quando se v√™ impossibilitado de as satisfazer a de as traduzir em ac√ß√Ķes. E de todas as vezes que duas pessoas comunicam entre si desta maneira, apenas como almas, se encontram a s√≥s num qualquer lugar, experimentam uma perturba√ß√£o angustiosa e quase um rep√ļdio violento de todo e qualquer contacto material, um sofrimento que os afasta e que cessa de imediato logo que interv√©m uma terceira pessoa. Ent√£o, desvanecida a ang√ļstia, as duas almas aliviadas buscam-se reciprocamente e voltam a sorrir uma para a outra.