Passagens sobre Lamentos

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Frases sobre lamentos, poemas sobre lamentos e outras passagens sobre lamentos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Arrojos

Se a minha amada um longo olhar me desse
Dos seus olhos que ferem como espadas,
Eu domaria o mar que se enfurece
E escalaria as nuvens rendilhadas.

Se ela deixasse, ext√°tico e suspenso
Tomar-lhe as mãos mignonnes e aquecê-las,
Eu com um sopro enorme, um sopro imenso
Apagaria o lume das estrelas.

Se aquela que amo mais que a luz do dia,
Me aniquilasse os males taciturnos,
O brilho dos meus olhos venceria
O clar√£o dos rel√Ęmpagos noturnos.

Se ela quisesse amar, no azul do espaço,
Casando as suas penas com as minhas,
Eu desfaria o Sol como desfaço
As bolas de sab√£o das criancinhas.

Se a Laura dos meus loucos desvarios
Fosse menos soberba e menos fria,
Eu pararia o curso aos grandes rios
E a terra sob os pés abalaria.

Se aquela por quem j√° n√£o tenho risos
Me concedesse apenas dois abraços,
Eu subiria aos róseos paraísos
E a Lua afogaria nos meus braços.

Se ela ouvisse os meus cantos moribundos
E os lamentos das cítaras estranhas,

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Um Amor Verdadeiro

Admitamos: o amor é um assunto que já foi falado e voltado a falar, trivializado e dramatizado ao ponto de as pessoas não saberem já o que é e o que não é. A maioria de nós não consegue vê-lo porque temos as nossas ideias preconcebidas sobre o que é (é suposto ser mais forte do que nós e arrebatar-nos) e como aparece (num embrulho alto, magro, bem-humorado e charmoso). Por isso, se o amor não aparecer envolvido na nossa fantasia, não o conseguimos reconhecer.

Mas tenho a certeza do seguinte: o amor est√° em todo o lado. √Č poss√≠vel amar e ser amado independentemente do s√≠tio onde estamos. O amor existe sob todas as formas. √Äs vezes vou at√© ao jardim da minha casa e sinto o amor a vibrar em todas as minhas √°rvores. Est√° sempre dispon√≠vel.

J√° vi tantas mulheres (incluindo eu) confundidas pela ideia de um romance, acreditando que s√≥ ser√£o pessoas completas se encontrarem algu√©m que complete as suas vidas. Se pensarmos bem, n√£o √© uma ideia maluca? Voc√™, sozinho, tem de preencher com amor esses espa√ßos vazios e destru√≠dos. Como diz Ralph Waldo Emerson: ¬ęNada lhe poder√° dar paz a n√£o ser voc√™ mesmo.¬Ľ

Nunca esquecerei o momento em que estava a limpar uma gaveta e me deparei com doze p√°ginas que me obrigaram a parar.

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Falando com o Mondego Estando Saudoso

Como é, Mondego, igual ao nascimento
O meu choro ao que a ti te desempenha;
Pois se o teu pranto nasce duma penha,
De um penhasco se causa o meu lamento.

Tu do mal, que padeço, estás isento,
Porque abrandas chorado a tosca brenha,
Mas Fillis mais que serra me desdenha,
Quando as ruas correntes acrescento.

Se pois a serra dura tanto zela
O teu chorar, que o √°spero desterra,
E o meu pranto endurece a Fillis bela;

Por teres mais alivio, ou menos guerra
Chora tu, pois na serra tens estrela,
Eu n√£o, que sem estrela amo uma serra.

Choro De Vagas

Não é de águas apenas e de ventos,
No rude som, formada a voz do Oceano.
Em seu clamor Рouço um clamor humano;
Em seu lamento – todos os lamentos.

S√£o de n√°ufragos mil estes acentos,
Estes gemidos, este aiar insano;
Agarrados a um mastro, ou t√°bua, ou pano,
Vejo-os varridos de tuf√Ķes violentos;

Vejo-os na escurid√£o da noite, aflitos,
Bracejando ou já mortos e de bruços,
Largados das mar√©s, em ermas plagas…

Ah! que s√£o deles estes surdos gritos,
Este rumor de preces e soluços
E o choro de saudades destas vagas!

Redenção

I

Vozes do mar, das √°rvores, do vento!
Quando √†s vezes, n’um sonho doloroso,
Me embala o vosso canto poderoso,
Eu julgo igual ao meu vosso tormento…

Verbo crepuscular e íntimo alento
Das cousas mudas; psalmo misterioso;
N√£o ser√°s tu, queixume vaporoso,
O suspiro do mundo e o seu lamento?

Um espírito habita a imensidade:
Uma √Ęnsia cruel de liberdade
Agita e abala as formas fugitivas.

E eu compreendo a vossa língua estranha,
Vozes do mar, da selva, da montanha…
Almas irm√£s da minha, almas cativas!

II

N√£o choreis, ventos, √°rvores e mares,
Coro antigo de vozes rumorosas,
Das vozes primitivas, dolorosas
Como um pranto de larvas tumulares…

Da sombra das vis√Ķes crepusculares
Rompendo, um dia, surgireis radiosas
D’esse sonho e essas √Ęnsias afrontosas,
Que exprimem vossas queixas singulares…

Almas no limbo ainda da existência,
Acordareis um dia na Consciência,
E pairando, j√° puro pensamento,

Vereis as Formas, filhas da Ilus√£o,
Cair desfeitas, como um sonho v√£o…
E acabar√° por fim vosso tormento.

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Amor é um Arder

Amor é um arder que se não sente;
√Č ferida que d√≥i, e n√£o tem cura;
√Č febre, que no peito faz secura;
√Č mal, que as for√ßas tira de repente.

√Č fogo, que consome ocultamente;
√Č dor, que mortifica a Criatura;
√Č √Ęnsia, a mais cruel e a mais impura;
√Č fr√°goa, que devora o fogo ardente.

√Č um triste penar entre lamentos;
√Č um n√£o acabar sempre penando;
√Č um andar metido em mil tormentos.

√Č suspiros lan√ßar de quando em quando;
√Č quem me causa eternos sentimentos.
√Č quem me mata e vida me est√° dando.

[Imitando Cam√Ķes]

As Almas Das Cigarras

As cigarras morreram… Todavia
Sinto um leve rumor tranq√ľilo e lento
Que vai, de ramaria em ramaria,
Lento e tranq√ľilo como o pensamento.

As cigarras n√£o s√£o, porque, outro dia,
Vi que soltavam o √ļltimo lamento…
E o vento? Deve ser a alma do vento
Que entre os ramos das √°rvores cicia…

Entretanto o rumor parece eterno…
Agora que as estrelas se acenderam,
Vibra num coro, em serenata, ao luar…

Contam os lavradores que, no inverno,
As almas das cigarras que morreram
Ressuscitam nas folhas a cantar.

O Espírito Negativo dos Filósofos

Ficam reduzidos a uma √ļnica frase bem sucedida os nossos grandes fil√≥sofos, os nossos maiores poetas, dizia ele, √© essa a verdade, lembramo-nos muitas vezes apenas daquilo a que se chama uma tonalidade filos√≥fica e mais nada, dizia ele, pensei. Estudamos uma obra grandiosa, a obra de Kant por exemplo, e essa obra fica, com o correr do tempo, reduzida √† pequena cabe√ßa de prussiano oriental, que √© a de Kant, e a um universo inteiramente vago, feito de noite e de n√©voa, que vai dar √† mesma incapacidade de todos os outros, dizia ele, pensei, Pretendia ser um universo de grandiosidade, e dele n√£o restou mais do que um pormenor ris√≠vel, assim dizia ele, pensei, e assim acontece com tudo. Aquilo a que chamamos grandeza n√£o passa, afinal, de algo que apenas nos comove por provocar o riso e a compaix√£o. O pr√≥prio Shakespeare confrange-nos com o seu rid√≠culo se tivermos um momento de lucidez, dizia ele, pensei. J√° h√° muito que os deuses figuram nas nossas canecas de cerveja adornados apenas duma barba, dizia ele, pensei. S√≥ o imbecil √© que venera, dizia ele, pensei. O chamado homem de esp√≠rito consome-se a produzir uma obra que ele considera digna de marcar uma √©poca,

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N√£o lamento os homens, os homens refazem-se; n√£o lamento o ouro destes tesouros, os tesouros voltam a encher-se; mas quem restituir√° a estes povos os anos que v√£o passando?

O amor não é o lamento moribundo de um violino longínquo Рé o rangido triunfante das molas da cama.

Somos a Resposta que Damos ao que Nos Acontece

Somos frágeis. A vida é dura. Não somos o que nos acontece.

H√° pesos que n√£o podemos rejeitar. Toda a revolta seria t√£o ilus√≥ria quanto in√ļtil. Mas n√£o devemos ficar pela simples resigna√ß√£o, √© preciso que assumamos esses pesos e os queiramos levar de vencidos. Que escolhamos ser quem somos, apesar deles. Com eles. Neles.

Somos a resposta que damos ao que nos acontece.

Temos de aceitar a indiferen√ßa e a incompreens√£o dos outros. As d√ļvidas e as contradi√ß√Ķes do mundo s√£o um peso acrescido, que devemos carregar junto √†s nossas pr√≥prias dores, falhas e fraquezas.

Depois, h√° ainda os pesos que os outros n√£o podem, ou n√£o querem, levar…

Os males pesam, sempre. Sejam os meus, os do mundo ou os dos que amo… h√° que aceit√°-los primeiro, para lhes fazer frente depois.

√Č essencial aceitar a fraqueza das nossas for√ßas. A imperman√™ncia de tudo o que temos. A fragilidade do que somos.

Por vezes, a cruz é o caminho.

√Č na dor que o verdadeiro amor se manifesta.

Tenho de me negar a mim mesmo se quero amar o outro.

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A Despedida da Morte

Falo de mim porque bem sei que a vida
lava o meu rosto com o suor dos outros,
que também sou, pois sou tudo o que posto

ao meu redor se cala, e é pedra, ou, água,
cicia apenas ‚ÄĒ O teu tempo √© a trava
que te impede de ter a calma clara

do ch√£o de lajes que o sol recobre,
este esperar por tudo que n√£o corre,
nem pára e nem se apressa, e é só estado,

e nem sequer murmura: ‚ÄĒ O que te trazem
é o riso e o lamento, o ser amado
e o roçar cada dia a tua morte,

que n√£o rep√Ķe em ti o, sem passado,
ficar no teu escuro, pois herdaste
e legas um sussurro, um som de passos,

uma sombra, um olhar sobre a paisagem,
mem√≥ria, c√°lcio, h√ļmus, eis que o mundo
nada rejeita, sendo pobre e triste
no esplendor que nos d√°. A madrugada.

Urgentemente

√Č urgente o amor
√Č urgente um barco no mar

√Č urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

√Č urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manh√£s claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
√Č urgente o amor, √© urgente
permanecer.

Eu lamento as pessoas que não bebem, porque quando elas acordam de manhã, isso é o melhor que se vão sentir durante todo o dia.

Dor

H√° de ser uma estrada de amarguras
a tua vida. E and√°-la-√°s sozinho,
vendo sempre fugir o que procuras
disse-me um dia um p√°lido adivinho.

“No entanto, sempre h√°s de cantar venturas
que jamais encontraste… O teu caminho,
dirás que é cheio de alegrias puras,
de horas boas, de beijos, de carinho…”

E assim tem sido… Escondo os meus lamentos:
√Č meu destino suportar sorrindo
as desventuras e os padecimentos.

E no mundo hei de andar, neste desgosto,
a mentir ao meu íntimo, cobrindo
os sinais destas l√°grimas no rosto!

Meu amor, meu amor

Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.

Meu lim√£o de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

Os livros, que nós tomamos como consolação, apenas acrescentam profundidade ao nosso lamento.

O Selvagem

Eu n√£o amo ninguem. Tambem no mundo
Ninguem por mim o peito bater sente,
Ninguem entende meu sofrer profundo,
E rio quando chora a demais gente.

Vivo alheio de todos e de tudo,
Mais callado que o esquife, a Morte e as lousas,
Selvagem, solitario, inerte e mudo,
– Passividade estupida das Cousas.

Fechei, de ha muito, o livro do Passado
Sinto em mim o despreso do Futuro,
E vivo só commigo, amortalhado
N’um egoismo barbaro e escuro.

Rasguei tudo o que li. Vivo nas duras
Regi√Ķes dos crueis indifferentes,
Meu peito é um covil, onde, ás escuras,
Minhas penas calquei, como as serpentes.

E não vejo ninguem. Saio sómente
Depois de p√īr-se o sol, deserta a rua,
Quando ninguem me espreita, nem me sente,
E, em lamentos, os c√£es ladram √† lua…

Heroísmos

Eu temo muito o mar, o mar enorme,
Solene, enraivecido, turbulento,
Erguido em vagalh√Ķes, rugindo ao vento;
O mar sublime, o mar que nunca dorme.

Eu temo o largo mar, rebelde, informe,
De vítimas famélico, sedento,
E creio ouvir em cada seu lamento
Os ru√≠dos dum t√ļmulo disforme.

Contudo, num barquinho transparente,
No seu dorso feroz vou blasonar,
Tufada a vela e n’√°gua quase assente,

E ouvindo muito ao perto o seu bramar,
Eu rindo, sem cuidados, simplesmente,
Escarro, com desdém, no grande mar!