Citações sobre Lar

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Amar-te Ă© Vir de Longe

Amar-te Ă© vir de longe,
descer o rio verde atrás de ti,
abrir os braços longos desde os sete
anos sob a latada ao pé do largo,
guardar o cheiro a figos vistos lá,
a olho nu, ao pé, ao pé de ti,
parar a beber água numa fonte,
um acaso perdido no caminho
onde os vimes me roçam a memória
e te anunciam mĂŁos e te perfazem;
como se o sino Ă  hora de tocar
já fosse o tempo todo badalado,
e a tua boca se abrisse atrás do tojo,
e abaixo dos calções as pernas nuas
se rasgassem sĂł para o pequeno sangue,
tal o pequeno preço que me pedes.
Atrás da curva estavas, és, serias,
nos muros de granito, nas amoras.
Amar-te era lembrança e profecias,
uma porta já feita para abrir,
e encontrar o lar ou mĂşsica lavada
onde, se nasces, vives, duras, moras
— meu nome exacto e pão
no chĂŁo das alegrias.

Feliz, feliz Natal, a que faz que nos lembremos das ilusões de nossa infância, recorde-lhe ao avô as alegrias de sua juventude, e lhe transporte ao viajante a sua chaminé e a seu doce lar!

A Trágica Necessidade de Conquista e de Mudança

Em todos os tempos os homens, por algum pedaço de terra de mais ou de menos, combinaram entre si despojarem-se, queimarem-se, trucidarem-se, esganarem-se uns aos outros; e para fazê-lo mais engenhosamente e com maior segurança, inventaram belas regras às quais se deu o nome de arte militar; ligaram à prática dessas regras a glória, ou a mais sólida reputação; e depois ultrapassaram-se uns aos outros na maneira de se destruirem mutuamente.
Da injustiça dos primeiros homens, como da sua origem comum, veio a guerra, assim como a necessidade em que se acharam de adoptar senhores que fixassem os seus direitos e pretensões. Se, contente com o que se tinha, se tivesse podido abster-se dos bens dos vizinhos, ter-se-ia para sempre paz e liberdade.
O povo tranquilo nos lares, nas famílias e no seio de uma grande cidade onde nada tem a temer para os seus bens nem para a vida, anseia por fogo e sangue, ocupa-se de guerras, ruínas, braseiros e matanças, suporta impacientemente que os exércitos que mantêm a campanha não tenham recontros, ou se já se encontraram e não sustentem combate, ou se enfrentam e não seja sangrento o combate, e haja menos de dez mil homens no local.

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A doença não é um processo para a piora; é um processo para a purificação da alma. Também a desarmonia do lar é um processo para a purificação da alma. Em vez de ficares sofrendo por causa da desarmonia do lar, encare a situação com espírito humilde e esforça-te para solucionar os problemas e restabelecer a harmonia. Nisso consiste o forjamento e a purificação da alma.

Ninho Abandonado

Ă€ distinta famĂ­lia Simas, pela morte de seu chefe,
o Ilmo. Sr. JoĂŁo da Silva Simas.

O vosso lar harmĂ´nico e tranqĂĽilo
Era um ninho de luz e de esperanças
Que como abelhas iriadas, mansas,
Nos vossos corações tinham asilo.

Havia lá por dentro tanta crença
E tanto amor purĂ­ssimo, cantando,
Que parecia um largo sol faiscando
Por majestosa catedral imensa.

Agora o ninho está desamparado!
Sumiu-se dele o pássaro adorado,
O mais ideal dos pássaros do ninho.

NĂŁo se ouve mais a mĂşsica sonora
Da sua voz — dentro do ninho, agora,
Paira a saudade como um bom carinho.

O lar em que vocĂŞ nasceu era o lugar mais adequado para sua alma construir uma vida terrena que atendesse a seus anseios.

Famílias! Odeio-vos! Lares herméticos; portas trancadas; possessões ciumentas da felicidade.

Raios não Peço ao Criador do Mundo

LX

Raios não peço ao Criador do Mundo,
Tormentas nĂŁo suplico ao Rei dos Mares,
Vulcões à terra, furacões aos ares,
Negros monstros ao báratro profundo:

NĂŁo rogo ao deus de amor que furibundo
Te arremesse do pé de seus altares;
Ou que a peste mortal voe a teus lares,
E murche o teu semblante rubicundo.

Não imploro em teu dano, ainda que os laços
Urdidos pela fé, com vil mudança
Fizeste, ingrata Nise, em mil pedaços:

Não quero outro despique, outra vingança,
Mais que ver-te em poder de indignos braços,
E dizer quem te perde, e quem te alcança.

Gonçalves Crespo

Esta musa da pátria, esta saudosa
Niobe dolorida,
Esquece acaso a vida,
Mas nĂŁo esquece a morte gloriosa.

E pálida, e chorosa,
Ao Tejo voa, onde no chĂŁo caĂ­da
Jaz aquela evadida
Lira da nossa América viçosa.

Com ela torna, e, dividindo os ares,
Trépido, mole, doce movimento
Sente nas frouxas cordas singulares.

NĂŁo Ă© a asa do vento,
Mas a sombra do filho, no momento
De entrar perpetuamente os pátrios lares.

Olhe que a única maneira de na vida ser feliz, principalmente os seres como você, de uma grande sensibilidade, de uma extraordinária imaginação, a única maneira é construir-se um lar bem doce, bem cheio de luz onde, longe do mundo, se possa amar, se possa trabalhar, se possa viver.

O Belo é Necessário

Neste mundo o lindo Ă© necessário. Há mui poucas funções tĂŁo importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se nĂŁo houvesse o colibri! Exalar alegrias, irradiar venturas, possuir no meio das coisas sombrias uma transmudação de luz, ser o dourado do destino, a harmonia, a gentileza, a graça, Ă© favorecer-te. A beleza basta ser bela para fazer bem. Há criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quanto a rodeia; Ă s vezes nem ela mesmo o sabe, e Ă© quando o prestĂ­gio Ă© mais poderoso; a sua presença ilumina, o seu contato aquece; se ela passa, ficas contente; se pára, Ă©s feliz; contemplá-la Ă© viver; Ă© a aurora com figura humana; nĂŁo faz nada, nada que nĂŁo seja estar presente, e Ă© quanto basta para edenizar o lar domĂ©stico; de todos os poros sai-lhe um paraĂ­so; Ă© um ĂŞxtase que ela distribui aos outros, sem mais trabalho que o de respirar ao pĂ© deles. Ter um sorriso que – ninguĂ©m sabe a razĂŁo – diminui o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes, que queres que te diga? Ă© divino.

Dai À Obra De Marta Um Pouco De Maria

Dai Ă  obra de Marta um pouco de Maria,
Dai um beijo de sol ao descuidado arbusto;
Vereis neste florir o tronco ereto e adusto,
E mais gosto achareis naquela e mais valia.

A doce mĂŁe nĂŁo perde o seu papel augusto,
Nem o lar conjugal a perfeita harmonia.
ViverĂŁo dous aonde um atĂ© ‘qui vivia,
E o trabalho haverá menos difícil custo.

Urge a vida encarar sem a mole apatia,
Ă“ mulher! Urge pĂ´r no gracioso busto,
Sob o tépido seio, um coração robusto.

Nem erma escuridĂŁo, nem mal-aceso dia.
Basta um jorro de sol ao descuidado arbusto,
Basta Ă  obra de Marta um pouco de Maria.

Do Primeiro Regresso

Escuta, meu Amor, quando eu voltar
De tĂŁo longe, e avistar de novo o Tejo,
O meu Restelo que em saudades vejo
Como outra nova ĂŤndia a conquistar;

Quando a minha alma inquieta sossegar
Este voo indomável, num adejo,
E o amor e o céu e Deus, vivos num beijo,
Iluminarem todo o nosso lar;

Quando, meu Santo Amor, voltar o dia
Do primeiro regresso, e a aleluia
Madrugar tua alma anoitecida…

Hás-de embalar-me sobre o teu regaço
Arrolar, encantar o meu cansaço…
E então será o meu regresso à Vida!

Os Cavalleiros

– Onde vaes tu, cavalleiro,
Pela noite sem luar?
Diz o vento viajeiro,
Ao lado d’elle a ventar…
NĂŁo responde o cavalleiro,
Que vae absorto a scismar.
– Onde vaes tu, torna o vento,
N’esse doido galopar?
Vaes bater a algum convento?
Eu ensino-te a rezar.
E a lua surge, um momento,
A lua, convento do Ar.
– Vaes levar uma mensagem?
Dá-m’a que eu vou-t’a entregar:
Irás em meia viagem
E eu já de volta hei-de estar.
E o cavalleiro, á passagem,
Faz as arvores vergar.
– Vaes escalar um mosteiro?
Eu ajudo-t’o a escalar:
NĂŁo ha no mundo pedreiro
Que a mim se possa egualar!
NĂŁo responde o cavalleiro
E o vento torna a fallar:
– Dize, dize! vaes p’ra guerra?
Monta em mim, vou-te levar:
NĂŁo ha cavallo na Terra
Que tenha tĂŁo bom andar…
E os trovões rolam na serra
Como vagas a arrolar!
– E as guerras has-de ganhal-as,
Que por ti hei-de velar:
Ponho-me á frente das balas
Para a força lhes tirar!

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Noite de Natal

[A um pequenito, vendedor de jornais]

Bairro elegante, – e que miséria!
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu…

Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais, que nĂŁo vendeu.

A noite Ă© fria; a geada cresta;
Em cada lar, sinais de festa!
E o pobrezinho nĂŁo tem lar…

Todas as portas já cerradas!
Ă“ almas puras, bem formadas,
Vede as estrelas a chorar!

Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais, que nĂŁo vendeu,

Em plena rua, que miséria!
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu…

Em torno dele – ó dor sagrada!
Ao ver um cĂ­rculo sem geada
Na sua morna exalação,

Pensei se o frio descaroável
Do pequenino miserável
Teria mágoa e compaixĂŁo…

Sonha talvez, pobre inocente!
Ao frio, Ă  neve, ao luar mordente,
Com o presĂ©pio de BelĂ©m…

Do céu azul, às horas mortas,
Nossa Senhora abriu-lhe as portas
E aos orfĂŁozinhos sem ninguĂ©m…

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A melhor maneira de prender os filhos em casa Ă© fazer do lar um lugar agradável – e esvaziar os pneus do carro.

Fado de contas

Eu nĂŁo quero chegar em casa nunca,
a caminho, no abrigo do teu colo,
sonhando… no balanço do automĂłvel,
que nos leva a um destino inalcançável.

O tempo pára, o espaço cristaliza-se,
e o carro Ă© lar, e leito, e colo, e beijo…
No ocaso de teu beijo, eu me infinito
e esqueço da procura em que me perco.

De encontro aos vidros, saltam fachos vários,
como se objetos de desejos vastos,
onde meus gestos não se satisfaçam.

Aproxima-se o instante em que me apeio,
vai a carruagem, dobra a esquina, e sigo
noctĂ­vago das horas – a teus passos.