Passagens sobre Luto

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Frases sobre luto, poemas sobre luto e outras passagens sobre luto para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Acusação à Cruz

Ha muito, ó lenho triste e consagrado!
Desfeita podrid√£o, velho madeiro!
Que tens avassalado o mundo inteiro,
Como um pend√£o de luto levantado.

Se o que foi nos teus braços cravejado
Foi realmente a Hostia, o Verdadeiro,
Elle est√° mais ferido que um guerreiro
Para livrar das flexas do Peccado.

Ha muito j√° que espalhas a tristeza,
Que lutas contra a alegre Natureza,
E vences ó Cruz triste! Cruz escura!

Chega-te o inverno, symbolo tremendo!
Queremos Vida e Acção- Fica-te sendo
Um emblema de morte e sepultura!

Quando Eu Partir

Quando eu partir, que eterna e que infinita
H√° de crescer-me a dor de tu ficares;
Quanto pesar e mesmo que pesares,
Que comoção dentro desta alma aflita.

Por nossa vida toda sol, bonita,
Que sentimento, grande como os mares,
Que sombra e luto pelos teus olhares
Onde o carinho mais feliz palpita…

Nesse teu rosto da maior bondade
Quanta saudade mais, que atroz saudade…
Quanta tristeza por nós ambos, quanta,

Quando eu tiver j√° de uma vez partido,
√ď meu amor, √≥ meu muito querido
Amor, meu bem, meu tudo, ó minha santa!

A Miss√£o de Continuar a Vida

Ningu√©m se pode possuir inteiramente, porque se ignora, porque somos um mist√©rio. Para n√≥s mesmos. Podemos sim, ser mais conscientes de uma determinada miss√£o que temos no mundo. Todos n√≥s somos uma miss√£o. Somos a miss√£o de continuar a vida, aperfei√ßoando-a, festejando-a e n√£o destruindo-a como se est√° a fazer hoje. Eu n√£o tenho certezas, mas tenho convic√ß√Ķes e uma das minhas convic√ß√Ķes mais firmes √© que nascemos para a liberdade. E, no entanto, veja o paradoxo: essa liberdade, esse caminho para a liberdade est√° a ser cada vez mais obscurecido por aquilo que observamos no nosso mundo de hoje. N√≥s chegamos a esta coisa terr√≠vel, o chamado equil√≠brio nuclear, que √© o jogo de escondidas de duas disponibilidades criminosas para suprimir a humanidade. A humanidade est√° hoje pronta (parece que est√° sempre pronta!) para p√īr luto por si pr√≥pria. Isto n√£o √© uma forma humana de viver. Esta trag√©dia tem que ser a sua ¬ęh√ļbris¬Ľ, que √©, digamos, a arrog√Ęncia que desencadeia a cat√°strofe punitiva. E o que me perturba muito, o que me assusta, √© que pa√≠ses que subscrevem, que proclamam os direitos humanos, possam entrar num jogo fatal destes, um jogo que se destina a suprimir o homem.

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Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa Рcomo é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas t√™m de morrer; os amores de acabar. As pessoas t√™m de partir, os s√≠tios t√™m de ficar longe uns dos outros, os tempos t√™m de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. √Č preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem p√īr-se processos e ac√ß√Ķes de despejo a quem se tem no cora√ß√£o, fazer os maiores escarc√©us, entrar nas maiores peixeiradas, mas n√£o se podem despejar de repente. Elas n√£o saem de l√°. Est√ļpidas! √Č preciso aguentar. J√° ningu√©m est√° para isso, mas √© preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura √© aceitar-se que se est√° doente. √Č preciso paci√™ncia. O pior √© que vivemos tempos imediatos em que j√° ningu√©m aguenta nada. Ningu√©m aguenta a dor. De cabe√ßa ou do cora√ß√£o.

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Ausência Misteriosa

Uma hora só que o teu perfil se afasta,
Um instante sequer, um só minuto
Desta casa que amo — vago luto
Envolve logo esta morada casta.

Tua presença delicada basta
Para tudo tornar claro e impoluto…
Na tua ausência, da Saudade escuto
O pranto que me prende e que me arrasta…

Secretas e sutis melancolias
Recuadas na Noite dos meus dias
Vêm para mim, lentas, se aproximando.

E em toda casa, nos objetos, erra
Um sentimento que não é da Terra
E que eu mudo e sozinho vou sonhando…

Olvido

Desce por fim sobre o meu coração
O olvido. Irrevoc√°vel. Absoluto.
Envolve-o grave como véu de luto.
Podes, corpo, ir dormir no teu caix√£o.

A fronte j√° sem rugas, distendidas
As fei√ß√Ķes, na imortal serenidade,
Dorme enfim sem desejo e sem saudade
Das coisas n√£o logradas ou perdidas.

O barro que em quimera modelaste
Quebrou-se-te nas m√£os. Vi√ßa uma flor…
P√Ķes-lhe o dedo, ei-la murcha sobre a haste…

Ias andar, sempre fugia o ch√£o,
Até que desvairavas, do terror.
Corria-te um suor, de inquieta√ß√£o…

Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou gr√£o de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das √°rvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Amo-te, Portugal

Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu n√£o queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar √† conclus√£o que te amava por uma lenta acumula√ß√£o de raz√Ķes, emo√ß√Ķes e vantagens. Mas foi ao contr√°rio. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer esp√©cie de aviso, e desde esse dia, que rem√©dio, l√° fui acumulando, lentamente, as raz√Ķes por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras raz√Ķes, para n√£o te amar, ou n√£o querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti.

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Fruto Envelhecido

Do coração no envelhecido fruto
√Č s√≥ desola√ß√£o e √© s√≥ tortura.
O frio soluçante da amargura
Envolve o coração num fundo luto.

O fantasma da Dor pérfido e astuto
Caminha junto a toda a criatura.
A alma por mais feliz e por mais pura
Tem de sofrer o esmagamento bruto.

√Č preciso humildade, √© necess√°rio
Fazer do coração branco sacrário
E a hóstia elevar do Sentimento eterno.

Em tudo derramar o amor profundo,
Derramar o perd√£o no caos do mundo,
Sorrir ao céu e bendizer o Inferno!

Erra, Fio mortal da Alma, o Destino

Erra, fio mortal da alma, o destino.
Porém, trémulo, o não temo.
Seco será o poder do nada, o silêncio
dos deuses ou o rosto corrompido
dos homens. Estas folhas √°speras
e p√°lidas entardecem e conhecem-me.
O ar que queima, sem arder, a pedra
da manh√£ ou o inigualado luto
da noite, é solene, é suave,
inexorável princípio de tudo
quanto existir√°. √Č ido o sonho
do fogo, a exacta vida, sucumbe
o corpo no vazio enigma da cólera
divina. Dura, sem medida, a excessiva,
a ébria, a avara solidão, neste ar
perene que, no odor da terra se
oculta. Só minha absurda aparência
a Ave dilacera.

Se Eu Agora Inventasse o Mundo

Se eu agora inventasse o mundo
criaria a luz da manh√£ j√° explicada
sem o luto que pesa
na sombra dos homens
Рconspiração da noite
com as pedras.

Luz que o cheiro das ervas da madrugada
aproxima os mortos do silêncio
com esqueletos de asas
– conluio com o sol
para estarem mais presentes
no tacto da pele da manh√£,
mil m√£os a afogarem a paisagem,
bafo de flores donde cai
o enlace das sementes…

Abro a janela
O mundo cheira t√£o bem a trevos ausentes!

Bons dias, mortos. Bons dias, Pai.

Despede Teu Pudor

Despede teu pudor com a camisa
E deixa alada louca sem memória
Uma nudez nascida para a glória
Sofrer de meu olhar que te heroíza

Tudo teu corpo tem, n√£o te humaniza
Uma cegueira fácil de vitória
E como a perfeição não tem história
S√£o leves teus enredos como a brisa

Constante vagaroso combinado
Um anjo em ti se op√Ķe √† luta e luto
E tombo como um sol abandonado

Enquanto amor se esvai a paz se eleva
Teus pés roçando nos meus pés escuto
O respirar da noite que te leva.

Fala de M√£e e Filho

¬ęMeu filho:
onde vais
que tens do rio o caminhar?¬Ľ

N√£o espreites a estrada, m√£e,
que eu nasci
onde o tempo se despenhou.

¬ęMeu filho:
onde te posso lembrar
se apenas te dei nome para te embalar ?¬Ľ

M√£e, minha m√£e:
n√£o te pese saudade
que eu voltarei sempre
como quem chega do mar.

¬ęMeu filho:
onde te posso nascer
se meu ventre seco
nunca ningu√©m gerou?¬Ľ

M√£e, nascer√°s sempre
na pedra em que te escuto:
a tua ausência, meu luto,
teu corpo para sempre insepulto.

Sabedoria I, III

Que dizes, viajante, de esta√ß√Ķes, pa√≠ses?
Colheste ao menos tédio, já que está maduro,
Tu, que vejo a fumar charutos infelizes,
Projectando uma sombra absurda contra o muro?

Também o olhar está morto desde as aventuras,
Tens sempre a mesma cara e teu luto é igual:
Como através dos mastros se vislumbra a lua,
Como o antigo mar sob o mais jovem sol,

Ou como um cemit√©rio de t√ļmulos recentes.
Mas fala-nos, vá lá, de histórias pressentidas,
Dessas desilus√Ķes choradas plas correntes,
Dos nojos como insípidos recém-nascidos.

Fala da luz de g√°s, das mulheres, do infinito
Horror do mal, do feio em todos os caminhos
E fala-nos do Amor e também da Política
Com o sangue desonrado em m√£os sujas de tinta.

E sobretudo não te esqueças de ti mesmo,
Arrastando a fraqueza e a simplicidade
Em lugares onde h√° lutas e amores, a esmo,
De maneira t√£o triste e louca, na verdade!

Foi já bem castigada essa inocência grave?
Que achas? √Č duro o homem; e a mulher? E os choros,
Quem os bebeu?

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Arrependimento

Deste amor torturado e sem ventura
Resta-me o alívio do arrependimento.
O pouco que me deste de ternura
N√£o vale o que te dei de encantamento.

Abri para o teu sonho o firmamento,
Semeei de estrelas tua noite escura.
Dei-te alma, exaltação e sentimento.
Fiz de um bloco de pedra uma criatura.

Hoje, ambos à mercê de sorte avessa,
Se para te esquecer luto e me esforço,
Manda-me o coração que não te esqueça.

Padecemos idêntico suplício:
Tu Рcorroída de pena e de remorso,
Eu Рcom vergonha do meu sacrifício.

Eu n√£o penso que eu dominei algo. Eu ainda luto corpo a corpo com as mesmas frustra√ß√Ķes, as mesmas edi√ß√Ķes, os mesmos problemas como eu sempre fiz. Isso √© como a vida.

X

Hirta e branca… Repousa a sua √°urea cabe√ßa
Numa almofada de cetim bordada em lírios.
Ei-la morta afinal como quem adormeça
Aqui para sofrer Além novos martírios.

De m√£os postas, num sonho ausente, a sombra espessa
Do seu corpo escurece a luz dos quatro círios:
Ela faz-me pensar numa ancestral Condessa
Da Idade Média, morta em sagrados delírios.

Os poentes sepulcrais do extremo desengano
V√£o enchendo de luto as paredes vazias,
E velam para sempre o seu olhar humano.

Expira, ao longe, o vento, e o luar, longinquamente,
Alveja, embalsamando as brancas agonias
Na sonolenta paz desta C√Ęmara-ardente…

Luto por uma Novidade de Espírito

Procuro me manter isolada contra a agonia de viver dos outros, e essa agonia que lhes parece um jogo de vida e morte mascara uma outra realidade, t√£o extraordin√°ria essa verdade que os outros cairiam de espanto diante dela, como num esc√Ęndalo. Enquanto isso, ora estudam, ora trabalham, ora amam, ora crescem, ora se afanam, ora se alegram, ora se entristecem. A vida com letra mai√ļscula nada pode me dar porque vou confessar que tamb√©m eu devo ter entrado por um beco sem sa√≠da como os outros. Porque noto em mim, n√£o um bocado de fatos, e sim procuro quase tragicamente ser. √Č uma quest√£o de sobreviv√™ncia assim como a de comer carne humana quando n√£o h√° alimento. Luto n√£o contra os que compram e vendem apartamentos e carros e procuram se casar e ter filhos mas luto com extrema ansiedade por uma novidade de esp√≠rito. Cada vez que me sinto quase um pouco iluminada vejo que estou tendo uma novidade de esp√≠rito.
Minha vida é um reflexo deformado assim como se deforma num lago ondulante e instável o reflexo de um rosto. Imprecisão trémula. Como o que acontece com a água quando se mergulha a mão na água.

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Arte Poética

Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as m√£os
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de n√£o chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que n√£o sei dizer

Lírio Lutuoso

Essência das essências delicadas,
Meu perfumoso e tenebroso lírio,
Oh! dá-me a glória de celeste Empíreo
Da tu’alma nas sombras encantadas.

Subindo lento escadas por escadas,
Nas espirais nervosas do Martírio,
Das √ānsias, da Vertigem, do Del√≠rio,
Vou em busca de m√°gicas estradas.

Acompanha-me sempre o teu perfume,
Lírio da Dor que o Mal e o Bem resumem,
Estrela negra, tenebroso fruto.

Oh! dá-me a glória do teu ser nevoento
para que eu possa haurir o sentimento
Das l√°grimas acerbas do teu luto!.