Passagens sobre Moderação

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Frases sobre modera√ß√£o, poemas sobre modera√ß√£o e outras passagens sobre modera√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Amigos dos Outros

Faz grandes elogios de alguém na presença de um terceiro. Se este se mantém calado, é porque não é amigo do primeiro. O mesmo poderás adivinhar se ele desviar a conversa para outro assunto, se mal responde, se se esforça por moderar os teus elogios, se se diz mal informado acerca da pessoa em causa ou ainda se se lança no elogio de pessoas que nada têm que ver.
Podes igualmente mencionar um acto admirável praticado por essa pessoa Рum acto acerca do qual sabes que o teu interlocutor está perfeitamente ao corrente Рpara veres se aproveita ou não para o valorizar. Reagirá, talvez, dizendo que, nesse caso, foi uma questão de sorte ou que a Divina Providência é, por vezes, muito pródiga. Ou então aproveitará para gabar proezas ainda mais notáveis de outros. Pode ainda afirmar que essa tua pessoa se limitou a seguir um bom conselho.

Um Estado Desacostumado

N√£o √© imposs√≠vel assistir a um desvio anormal no funcionamento latente ou vis√≠vel das leis da natureza. Efectivamente, se qualquer um se der ao engenhoso trabalho de interrogar as diversas fases da sua exist√™ncia (sem esquecer qualquer delas, porque talvez fosse essa a que estava destinada a fornecer a prova do que afirmo), n√£o ser√° sem um certo espanto, que noutras circunst√Ęncias seria c√≥mico, que se recordar√° de que em determinado dia, para come√ßar a falar de coisas objectivas, foi testemunha de qualquer fen√≥meno que parecia ultrapassar, e positivamente ultrapassava, as no√ß√Ķes conhecidas fornecidas pela observa√ß√£o e pela experi√™ncia, como, por exemplo, as chuvas de sapos, cujo m√°gico espect√°culo n√£o foi a princ√≠pio compreendido pelos s√°bios. E de que, noutro dia, para falar em segundo e √ļltimo lugar de coisas subjectivas, a sua alma apresentou ao olhar investigador da psicologia, n√£o vou ao ponto de dizer uma aberra√ß√£o da raz√£o (que, no entanto, n√£o deixaria de ser curiosa; pelo contr√°rio, ainda o seria mais), mas, pelo menos, para n√£o me fazer rogado perante certas pessoas frias, que nunca perdoariam as locubra√ß√Ķes flagrantes do meu exagero, um estado desacostumado, muitas vezes grav√≠ssimo, que significa que o limite concedido pelo bom-senso √† imagina√ß√£o √©,

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Aspectos do Poder

Penso que é sempre necessário colocar em algum lugar um poder social superior a todos os outros, mas acredito que a liberdade corre perigo quando esse poder não encontra diante de si nenhum obstáculo que possa conter a sua marcha e dar-lhe tempo de se moderar a si mesmo. A omnipotência parece-me em si uma coisa ruim e perigosa.
(…) Todas as vezes que um poder qualquer for capaz de fazer todo um povo contribuir para um √ļnico empreendimento, com pouca ci√™ncia e muito tempo conseguir√° extrair do concurso de t√£o grandes esfor√ßos algo de imenso, sem que com isso seja necess√°rio concluir que o povo √© muito feliz, muito esclarecido ou mesmo muito forte.

O Que Vale Poupar o Corpo?

Quando o corpo √© bem constitu√≠do, talvez seja poss√≠vel faz√™-lo durar alguns anos a mais poupando-o. Pode ser que a modera√ß√£o nas paix√Ķes, a temperan√ßa e a sobriedade nos prazeres contribuam para a dura√ß√£o da vida; mas at√© isso parece bem duvidoso: √© necess√°rio que o corpo empregue todas as suas for√ßas, que consuma tudo o que pode consumir, que se exercite o quanto for capaz; o que se ganhar√° ent√£o pela dieta e pela priva√ß√£o?

A Felicidade na Perseverança

Meu bem-amado Luc√≠lio, conjuro-te a tomar o √ļnico partido que pode garantir a felicidade. Dispersa e pisoteia os esplendores de fora, as suas promessas, os seus lucros; volta o olhar para o vero bem; s√™ feliz merc√™ do teu pr√≥prio cabedal. Qual √© esse cabedal? Tu mesmo, e a melhor parte de ti. Este pobre corpo esfor√ßa-se por ser nosso colaborador indispens√°vel; considera-o antes um objecto necess√°rio do que importante. Ele procura os prazeres v√£os, breves, seguidos de descontentamento e destinados, se uma grande modera√ß√£o n√£o os tempera, a passarem para o estado oposto. Sim, sim, o prazer est√° √† beira de um declive: inclina-se para o sofrimento quando deixa de observar o justo limite. Ora, observar tal limite √© dif√≠cil em rela√ß√£o √†quilo que se acreditou fosse um bem. O √°vido desejo do verdadeiro bem n√£o oferece risco algum.
Em que consiste o verdadeiro bem Рquereis saber Рe qual é a fonte de onde emana?

Eu to direi: √© a boa consci√™ncia, as inten√ß√Ķes virtuosas, as rectas ac√ß√Ķes, o desprezo pelos eventos fortuitos, o desenvolvimento tranquilo e regular de uma exist√™ncia que anda por um s√≥ caminho. Quanto a esses homens que v√£o de desejo em desejo,

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O que Distingue um Amigo Verdadeiro

N√£o se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conhe√ßam pessoas de quem apetece ser amiga, n√£o se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupa√ß√£o da alma e a ocupa√ß√£o do espa√ßo, o tempo que se pode passar e a aten√ß√£o que se pode dar ‚ÄĒ todas estas coisas s√£o finitas e t√™m de ser partilhadas. N√£o chegam para mais de um, dois, tr√™s, quatro, cinco amigos. √Č preciso saber partilhar o que temos com eles e n√£o se pode dividir uma coisa j√° de si pequena (n√≥s) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém,

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A Felicidade de uma Raz√£o Perfeita

Creio que estaremos de acordo em que é para proveito do corpo que procuramos os bens exteriores; em que apenas cuidamos do corpo para benefício da alma, e em que na alma há uma parte meramente auxiliar Рa que nos assegura a locomoção e a alimentação Рda qual dispomos tão somente para serviço do elemento essencial. No elemento essencial da alma há uma parte irracional e outra racional; a primeira está ao serviço da segunda; esta não tem qualquer ponto de referência além de si própria, pelo contrário, serve ela de ponto de referência a tudo. Também a razão divina governa tudo quanto existe sem a nada estar sujeita; o mesmo se passa com a nossa razão, que, aliás, provém daquela.
Se estamos de acordo nesse ponto, estaremos necessariamente tamb√©m de acordo em que a nossa felicidade depende exclusivamente de termos em n√≥s uma raz√£o perfeita, pois apenas esta impede em n√≥s o abatimento e resiste √† fortuna; seja qual for a sua situa√ß√£o, ela manter-se-√° imperturb√°vel. O √ļnico bem aut√™ntico √© aquele que nunca se deteriora.
O homem feliz, insisto, √© aquele que nenhuma circunst√Ęncia inferioriza; que permanece no cume sem outro apoio al√©m de si mesmo,

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O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu carácter.

Fez-se da moderação uma virtude para limitar a ambição dos grandes homens e para consolar os medíocres, não só da sua pouca fortuna como do seu fraco mérito.

A moderação nos passatempos é remédio para a vida; e vejo magros, franzinos e desajeitados tanto os que pensam apenas no divertimento, quanto os que fazem aqueles benditos trabalhos pesados.

Preciso de Ti

O amor é bem capaz de ser a melhor maneira de nos encontrarmos connosco.
Preciso de ti para saber de mim.
Sei-o sempre que por minutos parece que vou perder-te, numa discussão das que vamos tendo. Discutir é abrir a válvula do amor, deixá-lo respirar, sangrá-lo para poder regressar à estrada. Nenhum amor aguenta sem sangrar.
Preciso de ti para pensar em mim.
Sei-o porque quando parece que vais eu vou também, deixo de saber quem sou, como sou. Para onde vou.
Preciso de ti para precisar de mim.
E os que não me entendem que vão para o raio que os parta. Os que dizem que isto não é nada recomendável, que isto não devia ser assim, que eu devia ser capaz de ser o que sou sem precisar de ti. Infelizes.
Preciso de ti para cuidar de mim.
O amor é bem capaz de ser precisar do outro para cuidarmos de nós.
E eu cuido-me. Quero estar viva para te poder amar. Conheces melhor motivo do que esse? √Č claro que amo os meus pais, a minha fam√≠lia toda, os meus gatos, aquilo que a vida me tem dado.

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A moderação não pode ter o mérito de combater a ambição nem de a submeter; elas nunca andam juntas. A moderação é a languidez e a preguiça da alma, tal como a ambição é a sua actividade e o seu ardor.

A vida má, sem moderação, desprovida de entendimento e de respeito pelo sagrado não é uma vida má, mas um morrer lentamente.

Saber Lidar com a Inj√ļria

De nada serve tudo ver e tudo ouvir. N√£o prestemos aten√ß√£o √†s inj√ļrias: a maior parte delas n√£o nos atinge porque as ignoramos. N√£o queres estar irado? N√£o sejas curioso. Aquele que procura saber o que foi dito sobre si, que desenterra as palavras maldosas, mesmo quando foram ditas em segredo, atormenta-se a si mesmo. √Č uma determinada interpreta√ß√£o dessas palavras que faz com que ela nos pare√ßam inj√ļrias: assim, devemos aceit√°-las, rirmo-nos delas ou perdo√°-las. Devemos circunscrever a ira de diversas maneiras; tomemos a maior parte delas como um jogo ou uma brincadeira. Conta-se que, tendo sido agredido com uma bofetada, S√≥crates disse ser aborrecido que os homens n√£o soubessem quando deveriam sair de casa com um elmo. O que importa n√£o √© a maneira como a inj√ļria √© feita, mas sim a maneira como √© tomada; nem vejo por que motivo a modera√ß√£o h√°-de ser dif√≠cil, pois sei de tiranos, cheios de orgulho, de fortuna e de autoritarismo, que reprimiram a crueldade a que estavam habituados. Um tirano ateniense, Pis√≠strato, se a mem√≥ria n√£o me falha, tendo ouvido, de um conviva √©brio, palavras ofensivas sobre a sua crueldade, n√£o faltando sequer quem o apoiasse e o incitasse aqui e ali,

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Contra a Ansiedade

Sempre que te aconte√ßa alguma coisa contr√°ria √† tua expectativa diz a ti mesmo que os deuses tomaram uma decis√£o superior! Com semelhante disposi√ß√£o de esp√≠rito, nada ter√°s a temer. Esta disposi√ß√£o de esp√≠rito consegue-se pensando na instabilidade da vida humana antes de a experimentarmos em n√≥s, olhando para os filhos, a mulher, os bens como algo que n√£o possuiremos para sempre, e evitando imaginarmo-nos mais infelizes um dia que deixemos de os possuir. Ser√° a ru√≠na do esp√≠rito andarmos ansiosos pelo futuro, desgra√ßados antes da desgra√ßa, sempre na ang√ļstia de n√£o saber se tudo o que nos d√° satisfa√ß√£o nos acompanhar√° at√© ao √ļltimo dia; assim, nunca conseguiremos repouso e, na expectativa do que h√°-de vir, deixaremos de aproveitar o presente. Situam-se, de facto, ao mesmo n√≠vel a dor por algo perdido e o receio de o perder. Isto n√£o quer dizer que te esteja incitando √† apatia! Pelo contr√°rio, procura evitar as situa√ß√Ķes perigosas; procura prever tudo quanto seja previs√≠vel; procura conjecturar tudo o que pode ser-te nocivo muito antes de que te suceda, para assim o evitares. Para tanto, ser-te-√° da maior utilidade a autoconfian√ßa, a firmeza de √Ęnimo apta a tudo enfrentar. Quem tem √Ęnimo para suportar a fortuna √© capaz de precaver-se contra ela;

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