Cita√ß√Ķes sobre Modera√ß√£o

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Frases sobre modera√ß√£o, poemas sobre modera√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre modera√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Felicidade de uma Raz√£o Perfeita

Creio que estaremos de acordo em que é para proveito do corpo que procuramos os bens exteriores; em que apenas cuidamos do corpo para benefício da alma, e em que na alma há uma parte meramente auxiliar Рa que nos assegura a locomoção e a alimentação Рda qual dispomos tão somente para serviço do elemento essencial. No elemento essencial da alma há uma parte irracional e outra racional; a primeira está ao serviço da segunda; esta não tem qualquer ponto de referência além de si própria, pelo contrário, serve ela de ponto de referência a tudo. Também a razão divina governa tudo quanto existe sem a nada estar sujeita; o mesmo se passa com a nossa razão, que, aliás, provém daquela.
Se estamos de acordo nesse ponto, estaremos necessariamente tamb√©m de acordo em que a nossa felicidade depende exclusivamente de termos em n√≥s uma raz√£o perfeita, pois apenas esta impede em n√≥s o abatimento e resiste √† fortuna; seja qual for a sua situa√ß√£o, ela manter-se-√° imperturb√°vel. O √ļnico bem aut√™ntico √© aquele que nunca se deteriora.
O homem feliz, insisto, √© aquele que nenhuma circunst√Ęncia inferioriza; que permanece no cume sem outro apoio al√©m de si mesmo,

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O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu carácter.

Fez-se da moderação uma virtude para limitar a ambição dos grandes homens e para consolar os medíocres, não só da sua pouca fortuna como do seu fraco mérito.

A moderação nos passatempos é remédio para a vida; e vejo magros, franzinos e desajeitados tanto os que pensam apenas no divertimento, quanto os que fazem aqueles benditos trabalhos pesados.

Preciso de Ti

O amor é bem capaz de ser a melhor maneira de nos encontrarmos connosco.
Preciso de ti para saber de mim.
Sei-o sempre que por minutos parece que vou perder-te, numa discussão das que vamos tendo. Discutir é abrir a válvula do amor, deixá-lo respirar, sangrá-lo para poder regressar à estrada. Nenhum amor aguenta sem sangrar.
Preciso de ti para pensar em mim.
Sei-o porque quando parece que vais eu vou também, deixo de saber quem sou, como sou. Para onde vou.
Preciso de ti para precisar de mim.
E os que não me entendem que vão para o raio que os parta. Os que dizem que isto não é nada recomendável, que isto não devia ser assim, que eu devia ser capaz de ser o que sou sem precisar de ti. Infelizes.
Preciso de ti para cuidar de mim.
O amor é bem capaz de ser precisar do outro para cuidarmos de nós.
E eu cuido-me. Quero estar viva para te poder amar. Conheces melhor motivo do que esse? √Č claro que amo os meus pais, a minha fam√≠lia toda, os meus gatos, aquilo que a vida me tem dado.

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A moderação não pode ter o mérito de combater a ambição nem de a submeter; elas nunca andam juntas. A moderação é a languidez e a preguiça da alma, tal como a ambição é a sua actividade e o seu ardor.

O que Distingue um Amigo Verdadeiro

N√£o se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conhe√ßam pessoas de quem apetece ser amiga, n√£o se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupa√ß√£o da alma e a ocupa√ß√£o do espa√ßo, o tempo que se pode passar e a aten√ß√£o que se pode dar ‚ÄĒ todas estas coisas s√£o finitas e t√™m de ser partilhadas. N√£o chegam para mais de um, dois, tr√™s, quatro, cinco amigos. √Č preciso saber partilhar o que temos com eles e n√£o se pode dividir uma coisa j√° de si pequena (n√≥s) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém,

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A vida má, sem moderação, desprovida de entendimento e de respeito pelo sagrado não é uma vida má, mas um morrer lentamente.

Saber Lidar com a Inj√ļria

De nada serve tudo ver e tudo ouvir. N√£o prestemos aten√ß√£o √†s inj√ļrias: a maior parte delas n√£o nos atinge porque as ignoramos. N√£o queres estar irado? N√£o sejas curioso. Aquele que procura saber o que foi dito sobre si, que desenterra as palavras maldosas, mesmo quando foram ditas em segredo, atormenta-se a si mesmo. √Č uma determinada interpreta√ß√£o dessas palavras que faz com que ela nos pare√ßam inj√ļrias: assim, devemos aceit√°-las, rirmo-nos delas ou perdo√°-las. Devemos circunscrever a ira de diversas maneiras; tomemos a maior parte delas como um jogo ou uma brincadeira. Conta-se que, tendo sido agredido com uma bofetada, S√≥crates disse ser aborrecido que os homens n√£o soubessem quando deveriam sair de casa com um elmo. O que importa n√£o √© a maneira como a inj√ļria √© feita, mas sim a maneira como √© tomada; nem vejo por que motivo a modera√ß√£o h√°-de ser dif√≠cil, pois sei de tiranos, cheios de orgulho, de fortuna e de autoritarismo, que reprimiram a crueldade a que estavam habituados. Um tirano ateniense, Pis√≠strato, se a mem√≥ria n√£o me falha, tendo ouvido, de um conviva √©brio, palavras ofensivas sobre a sua crueldade, n√£o faltando sequer quem o apoiasse e o incitasse aqui e ali,

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Contra a Ansiedade

Sempre que te aconte√ßa alguma coisa contr√°ria √† tua expectativa diz a ti mesmo que os deuses tomaram uma decis√£o superior! Com semelhante disposi√ß√£o de esp√≠rito, nada ter√°s a temer. Esta disposi√ß√£o de esp√≠rito consegue-se pensando na instabilidade da vida humana antes de a experimentarmos em n√≥s, olhando para os filhos, a mulher, os bens como algo que n√£o possuiremos para sempre, e evitando imaginarmo-nos mais infelizes um dia que deixemos de os possuir. Ser√° a ru√≠na do esp√≠rito andarmos ansiosos pelo futuro, desgra√ßados antes da desgra√ßa, sempre na ang√ļstia de n√£o saber se tudo o que nos d√° satisfa√ß√£o nos acompanhar√° at√© ao √ļltimo dia; assim, nunca conseguiremos repouso e, na expectativa do que h√°-de vir, deixaremos de aproveitar o presente. Situam-se, de facto, ao mesmo n√≠vel a dor por algo perdido e o receio de o perder. Isto n√£o quer dizer que te esteja incitando √† apatia! Pelo contr√°rio, procura evitar as situa√ß√Ķes perigosas; procura prever tudo quanto seja previs√≠vel; procura conjecturar tudo o que pode ser-te nocivo muito antes de que te suceda, para assim o evitares. Para tanto, ser-te-√° da maior utilidade a autoconfian√ßa, a firmeza de √Ęnimo apta a tudo enfrentar. Quem tem √Ęnimo para suportar a fortuna √© capaz de precaver-se contra ela;

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Aprender a ser moderado é a essência do bom senso e da verdadeira sabedoria. No entanto o homem consegue descobrir processos e desenvolver métodos de fuga à moderação.

O Amor em Portugal

Mesmo que Dom Pedro n√£o tenha arrancado e comido o cora√ß√£o do carrasco de Dona In√™s, J√ļlio Dantas continua a ter raz√£o: √© realmente diferente o amor em Portugal. Basta pensar no inc√≥modo fon√©tico de dizer ¬ęEu amo-o¬Ľ ou ¬ęEu amo-a¬Ľ. Em Portugal aqueles que amam preferem dizer que est√£o apaixonados, o que n√£o √© a mesma coisa, ou ent√£o embara√ßam seriamente os eleitos com as vers√Ķes estrangeiras: ¬ęI love you¬Ľ ou ¬ęJe t’aime¬Ľ. As perguntas ¬ęAmas-me?¬Ľ ou ¬ęSer√° que me amas?¬Ľ est√£o vedadas pelo bom gosto, sen√£o pelo bom senso. Por isso diz-se antes ¬ęGostas mesmo de mim?¬Ľ, o que tamb√©m n√£o √© a mesma coisa.

O mesmo pudor aflige a palavra amante, a qual, ao contr√°rio do que acontece nas demais l√≠nguas indo-europeias, n√£o tem em Portugal o sentido simples e bonito de ¬ęaquele que ama, ou √© amado¬Ľ. Diz-se que n√£o sei-quem √© amante de outro, e entende-se logo, maliciosamente, o biscate por fora, o concubinato indecente, a pouca vergonha, o treco-lareco machista da cervejaria, ou o opr√≥bio galin√°ceo das reuni√Ķes de ¬ętupperwares¬Ľ e de costura.
Amoroso não significa cheio de amor, mas sim qualquer vago conceito a leste de levemente simpático, porreiro, ou giríssimo.

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Quem ama a áurea moderação,
seguramente não sente falta da desolação do vil abrigo,
nem do esplendor frugal do pal√°cio invejado.

A Embriaguez também é Necessária

√Äs vezes tamb√©m √© preciso chegar at√© a embriaguez, n√£o para que ela nos trague, mas para que nos acalme: pois ela dissipa as preocupa√ß√Ķes, revolve at√© o mais fundo da alma e a cura da tristeza assim como de certas enfermidades. E L√≠ber foi chamado o inventor do vinho n√£o porque solta a l√≠ngua, mas sim porque liberta a alma da escravid√£o das inquieta√ß√Ķes; restabelece-a, fortalece-a e f√°-la mais audaz para todos os esfor√ßos. Mas, como na liberdade, tamb√©m no vinho √© salutar a modera√ß√£o. Cr√™-se que S√≥lon e Arc√©silas eram dados ao vinho; a Cat√£o, reprovou-se-lhe a embriaguez: mais facilmente se far√° honesto esse crime do que Cat√£o desonroso.